No julgamento do mensalão, STF decide que, se tem rabo, orelha e pé de porco, é porco. Mesmo que seja feijoada

A pressão da mídia corporativa sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do chamado mensalão do PT é tão intensa, que vários ministros estão com um torcicolo de girafa, de tanto virar a cabeça em busca de uma solução que satisfaça a sede de sangue petista da mídia.

Até o início do julgamento, eram necessárias provas concretas e obtidas de maneira legal para que um réu fosse condenado. Ou então, valeria a máxima, "na dúvida, pró réu".

Agora não. Um dos ministros (Fux?), chegou a dizer nas entrelinhas (porque eles falam por uma linguagem compreensivelmente incompreensível) que o réu não provou sua inocência, invertendo o ônus da prova consagrado na Constituição.

Em sua despedida do STF, o ministro Cezar Peluso definiu assim o processo [destaques meus]:

- Se está provado nos autos um determinado fato, que deve levar a convicção da existência de outro fato, não é preciso indagar se a acusação fez ou não a comprovação do fato. Se esse fato está provado, a acusação não precisa fazer prova da existência de comportamento ilícito. O fato provado é o indício. Isso é importante por que no sistema processual, a eficácia dos indícios é a mesma das provas diretas e históricas representativas. Não existe nenhuma hierarquia entre as provas. [Fonte]


Ou seja, se tem rabo de porco, orelha de porco, pé de porco, barriga de porco, lombo de porco, costela de porco, é porco. Mesmo que seja feijoada.

Entre as dúvidas que ficam, uma se destaca: A mesma interpretação será usada no mensalão tucano de Minas,  que aconteceu sete anos antes e ainda nem entrou na fila de julgamento? Que foi desmembrado, quando esse não foi?

Ou, sem a pressão da mídia, as excelências excelentíssimas do STF dirão que pé, orelha, rabo de porco não bastam para provar que algo seja porco ou feijoada:

- É lixo, lixo, lixo -  como afirmou o principal acusado na Privataria Tiucana, José Serra.


Derrota de Serra em SP pode ser o golpe fatal na mídia de esgoto

A mídia corporativa ainda vai durar. Porque ela se adapta e tem gordura, principalmente vinda do exterior, quando necessita de socorro. Mas o esgoto vive do financiamento paulista, dos tucanos paulistas, que compram assinaturas de jornais, revistas, "suplementos educativos" etc.

Agora, com a derrocada de Serra (a dúvida que resta é apenas quanto ao tamanho do vexame), o Chacrinha do esgoto ("vocês querem petralha? olha o mensaleiro ai-ê!") e seus acólitos não terão mais quem lhes banque os processos na Justiça e acabarão em silêncio, como Policarpo, ou fugindo do país, como Diogo Mainardi.

Quando Serra tentou sua última cartada na eleição de 2010, lançando mão de todo tipo de baixaria, e perdeu, sua derrocada estava desenhada, como no vídeo que editei na época, em cima de imagens do Nosferatu de Herzog, que reproduzo a seguir.



Trocando Dilma por Haddad, o vídeo encerra seu ciclo.

Depois de Serra, os acólitos e parasitas que ainda vivem às suas custas e daquilo que representa.

Datafolha SP: Só Haddad e Serra crescem. Haddad, na preferência dos eleitores. Serra, na rejeição, que já chega a 43%

Russomano ainda lidera. Mas parou de crescer e mantém os mesmos 31% anteriores. Haddad disparou, saltando de 8% para 14%, enquanto Serra despencou para 22%, quase a metade de sua rejeição, que saltou de 37% para 43% (isso no Datafolha. No DataRua já passou dos 50%).

Com o início do horário eleitoral, a excelente campanha de Haddad e o conhecimento que o paulistano passa a ter das qualidades do candidato e de quem o apoia - Lula e Dilma - a tendência de crescimento do candidato petista é proporcional ao do candidato tucano. Só que Haddad cresce pra cima e Serra pra baixo.

É preciso analisar melhor os dados da pesquisa, que ainda não foram divulgados em sua totalidade, para uma opinião mais fundamentada.

Mas, apenas pelos números divulgados até agora, fica claro que a candidatura Serra morreu e ele vai comer o prato frio da vingança de Alckmin, que preconizei aqui em 29 de fevereiro:

Apoio de Alckmin à campanha de Serra para a prefeitura de São Paulo foi planejado num almoço solitário há 4 anos


A foto acima mostra o governador Geraldo Pinheirinho Alckmin almoçando sozinho, um dia antes da eleição que reconduziu Kassab à prefeitura de São Paulo, em 2008. Alckmin era o candidato do PSDB (partido do governador de SP na época, José Serra). Ficou em terceiro lugar, atrás de Kassab e Marta Suplicy.

Uma posição humilhante para quem vinha de uma campanha presidencial há dois anos, em que foi ao segundo turno com o presidente mais popular do Brasil, Lula. Isso aconteceu porque o governador Serra ignorou sua campanha e apoiou a reeleição de Kassab.

Enquanto almoçava solitariamente, há quatro anos, Alckmin não poderia imaginar que o destino o colocaria agora na posição de dar o troco e devolver a Serra o "apoio" de 2008.

Dizem que a vingança é um prato que se come frio. Nelson Rodrigues dizia que a pior solidão é a companhia de um paulista. Imagine esse almoço de um paulista solitário. Como deve estar frio agora, passados quatro anos.

Mais um detalhe: A rejeição a Serra é igual ao número de paulistanos que avalariam na última pesquisa a administração Kassab como ruim/péssima, 43%. Vamos ver essa avaliação nesta agora, que ainda não foi divulgada. Porque o paulistano sabe que Kassab é Serra, e vice-versa.


O que pretende o blogueiro do Globo Ricardo Noblat com a enquete do mensalão, sugerir golpe de Estado?

O STF (Supremo Tribunal Federal) como o nome diz, é a última instância do Judiciário, guardião da Constituição e do Estado Democrático de Direito.

O blogueiro Ricardo Noblat parece que acha isso pouco e iniciou nova enquete em seu blog das Organizações Globo em que pergunta a seus leitores: "Você está disposto a aceitar qualquer decisão da Justiça sobre os acusados do processo do mensalão?" [veja na imagem ao lado].




As opções são:

  • Só aceito a condenação de todos eles
  • Só aceito a condenação da maioria deles
  • Aceito qualquer decisão
  • Só aceito a absolvição de todos eles
  • Só aceito a absolvição da maioria deles
  • Não sei

O que ele pretende? Insuflar seus leitores a um golpe de Estado?

A opção mais votada, no momento em que li, era obviamente a primeira (graças ao perfil de seus leitores, a quem, evidentemente, ele se dirige). 70% só aceitam a condenação de todos eles.

Mas, como assim? E em não aceitando, o que devem fazer, agredir os ministros do Supremo? Ou partir para a agressão aos ditos mensaleiros, como já aconteceu com o alvo principal da mídia corporativa, José Dirceu? Veja reportagem abaixo em que Dirceu foi agredido a bengaladas.



Todos os réus do mensalão têm excelentes advogados. Caso sejam condenados, devem tentar reverter a sentença de algum modo, caso seja possível.

Mas, e nós, os cidadãos comuns? Os leitores do blogueiro das Organizações Globo que não têm como contratar advogados caríssimos, fazem o quê? Chamam os militares? Pregam o golpe? Ou descem bengalas nos ministros ou nos tais mensaleiros?

O que pretende o blogueiro - além, claro, de aumentar a visitação de seu blog?

Entrada de Marta na campanha de Haddad pode ser a última boia de salvação de Serra

A campanha de Serra vem se desintegrando sozinha, desde que o tucano se lançou candidato à prefeitura de São Paulo. A única coisa que cresce é a rejeição a seu nome, não só pelo desgaste do material, mas também porque o paulistano sabe que ele é o culpado de Kassab estar à frente da prefeitura.

As pesquisas mostram que a administração Kassab é reprovada (ruim/péssima) por 43% dos paulistanos e 80% deles querem mudança. E que eles sabem que Kassab é Serra e Serra é Kassab.

Informações recentes do tracking das duas campanhas (PT e PSDB) já colocam Serra com em torno de 20% de votos, mostrando uma queda vertiginosa rumo ao fundo do poço.

A campanha de Haddad na TV é avassaladora. Mostra em imagem, som e edição primorosos uma candidatura dinâmica, arrojada, disposta a trabalhar. Uma candidatura com tesão.

Já Serra parece cansado, com um sorriso falso colado à boca, repetindo a mesma ladainha da Mooca, o mesmo trololó, um ranço de passado.

Campanha política é uma guerra de pautas. Não há dúvida de que a campanha de Haddad está impondo a sua, o que coloca a campanha de Serra na defensiva, no contra-ataque.

Único recurso que resta a Serra é sua especialidade, a baixaria, tentar ligar Haddad ao mensalão (como a ridícula história do bilhete mensaleiro, que - não sei por que - tem petista repercutindo).

Ou - aqui entra meu raciocínio - puxar Marta para dançar a valsa dos desesperados com ele. Ignorar Haddad, centrar fogo em Marta e tentar colar a rejeição dela nele.

Para isso podem contribuir o temperamento explosivo de Marta e o ressentimento de ter sido preterida na escolha do candidato petista à prefeitura.

A entrada dela somente agora na campanha, saudada por muitos, tem um lado B. Finalmente a campanha de Haddad começa a mostrar-se viável (como Lula sempre acreditou) e, sejamos francos, Haddad prefeito sem o apoio de Marta, o que restaria a ela? É assim que vejo essa sua entrada tardia.

Se ela foi recebida por Lula, que a teria convencido a participar, como afirmam, as pesquisas internas devem mostrar que sua presença é importante para boa parte da militância petista e em certas áreas da cidade. Mas há o reverso da medalha, a rejeição em outras.

A mídia é tucana, e, em muitos casos, mais serrista que tucana. Cascas de banana serão atiradas no caminho de Marta. Provocações para repercutir declarações de Serra.

Atendendo a pedido da campanha tucana, os jornalões paulistas podem passar a dar a ela quase que um papel de candidata, reservando a Haddad o de coadjuvante. O que Marta acha disso, o que acha daquilo.

O programa de Serra centra fogo nela. O festival de baixarias característico do adversário faz o resto.

Nesse cenário, o novo sairia de cena e ficaria uma disputa que já houve, entre Marta e Serra.

Que Marta seja bem-vinda e cumpra na campanha o papel reservado a ela pela candidatura petista e não pelo adversário. Ela deve ignorar Serra, enaltecer Haddad, lembrar das coisas boas de sua administração, e deixar a campanha de Serra continuar como está, em queda livre, sem a boia de salvação que ela pode vir a ser.


Jornalismo mãe Dinah ataca novamente em O Globo e vê encontros semanais entre Lula e Dirceu

Esta foto do Lula de barba
ilustra a matéria
Mais um espécime do jornalismo mãe Dinah que floresce em nosso porcalismo tupiniquim.

Dessa vez, baixou na repórter Tatiana Farah de O Globo o espírito clarividente de mãe Dinah e ela saiu vendo coisas, lendo mentes, passado, presente e futuro.

O título da reporcagem é "Lula discute com Dirceu desdobramentos do mensalão".

Temos aí uma afirmação categórica que não é comprovada em nenhum ponto (repito, nenhum) da matéria.

Já no começo, o jornalismo mãe Dinah se manifesta:

SÃO PAULO - Um dos principais réus do mensalão, o ex-ministro José Dirceu tem se reunido semanalmente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os encontros ocorrem na casa do ex-presidente, em São Bernardo do Campo, ou no instituto Lula, em São Paulo. Em pauta, o julgamento do escândalo no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual Dirceu é acusado de formação de quadrilha e corrupção. Lula e seu ex-ministro também discutem a situação eleitoral deste ano, principalmente nas cidades escolhidas como prioritárias pelo PT: São Paulo, Recife e Belo Horizonte.

Procure, investigativo leitor, curiosa leitora, um único depoimento em toda a matéria de alguém que tenha visto ou confirme levemente esses encontros semanais. Não há.

Procure também qualquer informação de que José Dirceu tenha discutido o julgamento do chamado mensalão. Com Lula ou qualquer outra pessoa. Não há. Pelo contrário. Veja estes trechos da matéria, que a contradizeem:

— Nem tocamos no assunto do julgamento — disse [o escritor Fernando] Morais [que o teria visitado].
(...)
— Não converso sobre isso com ele e me parece que ele não está interessado em conversar sobre o julgamento — disse Francisco Rocha, o Rochinha, coordenador da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual Dirceu faz parte.

Ao final, a repórter mãe Dinah penetra a mente de José Dirceu e prevê seus próximos passos:

O ex-ministro se afastou da consultoria a empresas para acompanhar o processo no STF. A ideia era interromper o serviço até o fim do julgamento. Mas, como o caso tem se estendido, pode reavaliar o retorno. Ele prevê que o veredicto sai até meados de outubro.

Dirceu disse a ela que prevê algo? Não, mãe Dinah prevê que ele prevê. 

E os encontros com Lula? Ficaram apenas no título e no primeiro parágrafo, o chamado lead. Depois, foi ao éter de onde veio.

Colunista de O Globo acusa Veja de publicar entrevista forjada com ele: 'Não dei entrevista alguma à Veja Rio'

É natural que com seus "repórteres investigativos" presos na Papuda e seu diretor de Brasília em silêncio retumbante, não só pelo que já foi publicado, como pelo que teme que venha por aí; é natural, dizia, que a revista partisse para matérias importadas ou para faturar algum fazendo jornalismo-merchandising, mas inventar entrevista...

Pois foi o que fez a Veja, segundo denuncia o colunista de O Globo Renato Maurício Prado:

Pingo nos is

Não dei entrevista alguma à Veja Rio. Ao atender, educadamente, ao telefonema da jornalista que me procurava, com insistência, há duas semanas, disse-lhe, com clareza, que não queria falar, até por entender que nós, jornalistas, não somos notícia. Expressões a mim atribuídas, tais como “mundinho da TV”, “já deu” e “o que passou, passou”, jamais saíram da minha boca. O falso “pingue-pongue” publicado na coluna “Beira-Mar”, assinada por Carla Knoplech, na última edição, me coloca dizendo até que continuarei fazendo “o meu programa na CBN” — algo que nunca tive. Apenas participava do CBN Esporte Clube, comandado por Juca Kfouri, e extinto há mais de dois anos! Hoje em dia, faço comentários na Rádio Globo. Para finalizar, usaram, dando a impressão de que eu posara para a Veja, uma das fotos que fiz para a minha coluna no GLOBO. Em suma, um engodo...

Ainda há quem compre essa porcaria.


Operadoras de telefonia descumprem a lei e seguem prometendo o que não podem entregar

Agora há pouco, quando da suspensão da venda de planos da quase totalidade das operadoras, elas vieram a público e alegaram que a falta de antenas era o principal problema da área.

Logo que foram liberadas pela Anatel, voltaram a vender planos e a atrair novos incautos, sem acrescentar uma antena às existentes.

Portanto, ao invés de buscarem solucionar o problema, o agravam.

Se isso não é estelionato, é o quê?

(Via Celular)

Finalmente Serra cresce no Datafolha. Em rejeição. Foi para 38%. Em intenções de voto cai 3 pontos.

Serra parte para uma abordagem mais agressiva aos eleitores

Última pesquisa Datafolha, publicada hoje na Folha, mostra uma tendência ascendente na rejeição do eleitor paulistano ao candidato tucano José Serra. Em junho, a rejeição era de 32%. Em julho, subiu para 37%. Agora em agosto, na última pesquisa antes do início do horário eleitoral, José Serra tem  38% de rejeição, gente que não votaria nele de jeito nenhum (no que fazem muito bem).

Já na pesquisa de intenções de voto, Serra caiu 3 pontos e perdeu a liderança para Celso Russomano. Agora, o candidato do PRB, que fez uma plástica para se parecer com Silvio Santos, tem 31%, contra 27% de Serra. Haddad subiu para 8%.

No grau de conhecimento, Serra e Russomano são conhecidos por respectivamente 98% e 94%. Haddad é apenas o sétimo, reconhecido por apenas 64% dos eleitores. O que vai ser corrigido agora, com a entrada no ar dos programas eleitorais, quando a população passará a saber quem é Haddad e que ele é o candidato do Lula e da Dilma. Enquanto Serra é Kassab, e vice-versa.

Mídia corporativa e agenda-setting para gerar profecia autorrealizável no julgamento do chamado 'mensalão do PT'

Quando a mídia corporativa aponta suas manchetes para um técnico de futebol, todos sabemos - mais dia, menos dia, ele cai. Ela ainda tem bastante força para influenciar a decisão de pequenos grupos, como uma diretoria de time de futebol, por exemplo.

Também ainda tem força bastante para queimar a carreira de um político (como vem fazendo, por exemplo, com José Dirceu). Ou para levantar a de outros, como ocorreu com o hipócrita Demóstenes Torres, recentemente cassado.

Ainda tem força para impedir a convocação de um dos seus à CPI, como ocorreu nesta semana com a possível convocação do diretor da Veja Policarpo Junior (leia Silêncio cúmplice da mídia acoberta crime de diretor da Veja denunciado em CartaCapital).

Já não tem mais força, é verdade, para decidir quem vai ser o próximo presidente, como sempre o fez, até 2002. O máximo que consegue é levar a um segundo turno.

Já não tem mais força para conseguir um golpe de estado, como em 1964, ou o suicídio de um presidente que lhe contrariava, como o de Getúlio Vargas, em 1954.

Nem para eleger e forçar o impeachment de outro, como o caso Collor.

Mas isso não significa que a mídia corporativa não siga buscando seu intento, através de agenda-setting, como agora, mais uma vez, conseguiu colocar em pauta o julgamento do tal "mensalão do PT", enquanto o "mensalão tucano", que aconteceu sete anos antes, continua na fila, sem julgamento previsto.

Mais do que isto: a agenda-setting da mídia corporativa tenta criar uma profecia autorrealizável, a de que o julgamento só pode ter um desfecho aceitável: a condenação dos réus.

Não por outro motivo, reportagem de Mônica Bergamo na Folha de hoje tem por título "Nos bastidores, STF conta cinco votos pró-condenação". É puro jornalismo de impressão, espírita:


A Folha esteve com nove dos 11 magistrados nas últimas duas semanas.

Nenhum deles revelou sua convicção. Poucos sinalizaram como devem votar. Mas, embora o clima seja de desconfiança e os magistrados evitem trocar confidências, vários foram prolixos ao palpitar sobre o que imaginam ser a posição dos colegas.

Pela média das opiniões, o placar estaria hoje indefinido --mas apertado para os réus. Pelo menos cinco ministros estariam emitindo sinais de que devem condenar protagonistas "políticos" do mensalão. Entre eles, José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil do governo Lula.

Quatro manteriam tal discrição que seria arriscado até mesmo especular sobre seus votos. Dois são tidos como relativamente certos pela absolvição de ao menos alguns.

"Emitindo sinais", telepatia, ou, como chamo, jornalismo mãe Dinah.

Com isso mantêm a pressão sobre os ministros e o julgamento, coroando com essa matéria uma outra, do meio da semana, em que divulgaram uma enviesada pesquisa Datafolha que apontava que 73% dos entrevistados queriam a condenação dos acusados e que fossem enviados para a cadeia (leia aqui).

Pelo que vem acontecendo até o momento, a não ser que haja fato novo, a mídia corporativa vai vencer mais uma. Não vai ser nocaute a la Mike Tyson, como era antes. Mas, por pontos.

Para O Globo, Equador deflagrou guerra diplomática ao 'desafiar Reino Unido' e conceder asilo a Assange

É inacreditável a capacidade das Organizações Globo e da mídia corporativa em geral de manipular, distorcer, torturar a informação até que ela confesse o que eles desejam.

Hoje, a primeira página de O Globo faz chamada para reportagem sobre o caso Assange (veja reprodução acima) desta forma:

Londres ameaça prender Assange

O Equador desafiou o Reino Unido e deu asilo a Julian Assange, deflagrando uma crise diplomática. Londres reagiu e disse que não haverá salvo-conduto, chegando a ameaçar prender o criador do WikiLeaks na embaixada. (...)

O que aconteceu foi exatamente o oposto:

Reino Unido desafiou o Equador, chegando a ameaçar prender o criador do WikiLeaks na embaixada, deflagrando uma crise diplomática. O Equador reagiu e deu asilo a Julian Assange.

É impressionante o comportamento bajulatório de nossa mídia colonizada, que ainda estende tapete vermelho para antigos senhores do mundo, ignorando até a Convenção de Viena, respeitada por todos os povos:

É preciso deixar claro que a Convenção de Viena, de 1962, proíbe claramente essa invasão dos locais diplomáticos, conforme seu artigo 22:

“1. Os locais da Missão são invioláveis. Os Agentes do Estado acreditado não poderão neles penetrar sem o consentimento do Chefe da Missão.

“2. O Estado acreditado tem a obrigação especial de adotar todas as medidas apropriadas, para proteger os locais da Missão contra qualquer intrusão ou dano, e evitar perturbações à tranquilidade da Missão ou ofensas à sua dignidade.

“3. Os locais da Missão, em mobiliário e demais bens neles situados, assim como os meios de transporte da Missão, não poderão ser objeto de busca, requisição, embargo ou medida de execução”.

Nenhuma lei interna de país aderente a  convenção internacional dessa magnitude, pode sobrepor-se ao Tratado. Nos 50 anos de sua vigência, isso nunca ocorreu.  [Fonte]

Assange pediu asilo ao Equador porque o Reino Unido resolveu enviá-lo à Suécia, de onde quase certamente seria despachado aos Estados Unidos, onde pode ser condenado à morte, porque mostrou ao mundo, entre outras coisas, estas imagens de um helicóptero americano Apache assassinando civis (inclusive crianças) no Iraque, em 2007:




A tudo isso o Globo dá uma banana, e como jornal bananeiro se curva ao ex-grande império, que hoje se comporta como cãozinho amestrado dos EUA.

O Globo rompe muro de silêncio e anuncia convocação de Policarpo na CPI do Cachoeira

O colunista de O Globo Ilimar Franco rompeu o silêncio da mídia corporativa sobre o papel deo diretor de Veja Policarpo Junior e a quadrilha do bicheiro Cachoeira.

Quer dizer, rompeu mais ou menos. Confira abaixo reprodução da nota de sua coluna de hoje [grifo meu]:

Durante mais de uma hora, na noite de segunda-feira, líderes e dirigentes do PT tentaram convencer o comando do PMDB na Câmara a apoiar requerimento de convocação na CPI do Caso Cachoeira do diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Junior. O encontro foi realizado na casa do líder petista Jilmar Tatto (SP) e consta que o mais enfático na defesa da proposta, foi o deputado Emiliano José (PT-BA). Os deputados do PMDB, a despeito da pressão, se recusaram a dar apoio à iniciativa alegando que não há fatos que indiquem que a relação extrapolou ao contato entre jornalista e fonte. Os petistas não se conformaram e avisaram que voltarão à carga.

Quer dizer que Policarpo Junior encomendar ao bicheiro Cachoeira a gravação ilegal e clandestina de um deputado federal faz parte da relação entre jornalismo e fonte?

Silêncio cúmplice da mídia acoberta crime de diretor da Veja denunciado em CartaCapital




Desde sexta-feira está nas bancas a edição de CartaCapital com uma reportagem de Leandro Fortes, o mesmo jornalista que mostrou ao Brasil a verdadeira face do ministro Gilmar Mendes.

Na reportagem, Leandro Fortes publica trecho de um diálogo gravado pela Polícia Federal em que o diretor de Veja Policarpo Junior (o Poli, ou PJ, ou Caneta, para a Organização criminosa de Carlinhos Cachoeira) pede a Cachoeira que consiga áudios do deputado Jovair Arantes. Ou seja, encomenda uma escuta ilegal de um parlamentar.

Veja abaixo a transcrição do trecho com o pedido do diretor de Veja:


Um escândalo sem tamanho, que mostra que Veja usa aqui métodos semelhantes ao do jornal de Murdoch fechado na Inglaterra por esse motivo.

Pois até o momento só a Rede Record repercutiu o assunto. Globo, Folha, Estadão e até a Veja estão num silêncio cúmplice. Mesmo o falastrão Chacrinha do esgoto, que costuma ser o ponta de lança dos ataques da revista, guarda silêncio sobre o episódio.

Até quando? O que temem? Por que protegem a atitude ilegal de Policarpo? Medo do efeito dominó?