O ator Robert De Niro é um dos principais adversários políticos do presidente dos Estados Unidos Donald Trump. E isso não é de hoje. De Niro luta contra Trump desde antes de sua primeira eleição em 2016. Foi atuante combatente para que ele não chegasse ao poder, não conseguisse a reeleição em 2020.
Novamente De Niro foi às ruas e as redes para tentar impedir a sua eleição em 2024. O ator, que tem dois Oscars na carreira, é autor de alguns dos mais violentos discursos contra Trump a quem chamou de pior pessoa do mundo.
Em 13 de outubro de 2023 em Nova Iorque houve um encontro chamado de
Cúpula Stop Trump, com o objetivo declarado no próprio nome da cúpula.
Entre os palestrantes estava o ator Robert De Niro. Infelizmente, De
Niro contraiu covid, mas fez questão de
de escrever as palavras que diria e pediu ao escritor e analista político Miles Taylor que as lesse em seu lugar.
Este foi o discurso escrito por De Niro e lido por Taylor:
* * * * *
Sinto muito por não poder estar com vocês hoje. Há alguns dias,
tive um caso grave de COVID. Eu estava ansioso para estar com vocês,
ouvir os outros palestrantes e falar com Miles. Conheci Miles quando ele
ainda era anônimo. Por meio de seus escritos, comentários e livros,
passei a admirar sua inteligência e coragem. Sou grato por ele ter
concordado em ser minha voz hoje. Obrigado, Bob. Estou com você em
espírito. Estou assistindo.
Esta é uma conversa importante. O que a nova república está
fazendo aqui, esta Cúpula Stop Trump. O que todos vocês estão fazendo
aqui hoje pode ajudar a determinar nosso futuro.
Passei muito tempo estudando homens maus. Examinei suas
características, seus maneirismos, a banalidade absoluta de sua
crueldade. No entanto, há algo diferente em Donald Trump. Quando olho
para ele, não vejo um homem ruim. Na verdade, vejo um homem mau.
Ao longo dos anos, conheci gângsteres aqui e ali. Esse cara tenta
ser um, mas não consegue. Existe uma coisa chamada honra entre ladrões.
Sim, até mesmo os criminosos geralmente têm um senso de certo e errado.
Se eles fazem a coisa certa ou não é uma outra história. Mas eles têm
um código moral, mesmo que distorcido. Donald Trump não tem. Ele é um
aspirante a durão, sem moral ou ética, sem senso de certo ou errado, sem
consideração por ninguém além de si mesmo. Não pelas pessoas que ele
deveria liderar e proteger. Não as pessoas com quem ele faz negócios.
Não as pessoas que o seguem cega e lealmente. Nem mesmo as pessoas que
se consideram seus amigos. Ele tem desprezo por todos eles.
Nós, nova-iorquinos, o conhecemos ao longo dos anos, que ele
envenenou a atmosfera e encheu nossa cidade de monumentos ao seu ego.
Sabíamos em primeira mão que se tratava de alguém que nunca deveria ser
considerado para liderança. Tentamos alertar o mundo em 2016. As
repercussões de sua presidência turbulenta dividiram os Estados Unidos e
agitaram a cidade de Nova York além do imaginável.
Lembre-se de como fomos sacudidos por uma crise no início de
2020, quando um vírus varreu o mundo. Convivemos com o comportamento
bombástico de Donald Trump todos os dias no cenário nacional e sofremos
ao ver nossos vizinhos se acumulando em sacos de cadáveres. O homem que
deveria proteger este país o colocou em perigo por causa de sua
imprudência e impulsividade. Era como um pai abusivo, governando a
família pelo medo e pelo comportamento violento. Essa foi a consequência
de o aviso de Nova York ter sido ignorado. Da próxima vez, sabemos que
será pior.
Não se engane, o Donald Trump, duas vezes quase impichado e
quatro vezes indiciado, ainda é um tolo, mas não podemos deixar que
nossos compatriotas americanos o descartem como tal. O mal prospera à
sombra da zombaria desdenhosa, e é por isso que devemos levar muito a
sério o perigo de Donald Trump.
Portanto, hoje emitimos outro aviso deste lugar onde Abraham
Lincoln falou, bem aqui no coração pulsante de Nova York, para o resto
da América. Esta é a nossa última chance. A democracia não sobreviverá
ao retorno de um aspirante a ditador e não vencerá o mal se estivermos
divididos.
Então, o que devemos fazer a respeito? Sei que estou pregando
para o convertidos aqui. O que estamos fazendo hoje é valioso, mas
precisamos levar o hoje para o amanhã, levá-lo para fora destas paredes.
Temos de alcançar a metade do país que ignorou os perigos de Trump e,
por qualquer motivo, apoiou sua volta à Casa Branca. Eles não são
estúpidos e não devemos condená-los por terem feito uma escolha
estúpida. Nosso futuro não depende apenas de nós. Depende deles. Vamos
nos aproximar dos seguidores de Trump com respeito. Não vamos falar
sobre democracia. A democracia pode ser o nosso Santo Graal, mas para os
outros é apenas uma palavra, um conceito. E o fato de abraçarem Trump
já lhes deram as costas. Vamos falar sobre o certo e o errado. Vamos
falar sobre humanidade. Vamos falar sobre bondade, segurança para o
nosso mundo, segurança para nossas famílias, decência. Vamos recebê-los
de volta. Não vamos conseguir todos eles, mas podemos conseguir o
suficiente para acabar com o pesadelo de Trump e cumprir a missão desta
Cúpula Stop Trump. Muito obrigado.
* * * * *
Robert De Niro, aos 82 anos, segue no combate ao presidente dos Estados Unidos. No último domingo, no Concerto "Rise up, Sing out", organizado pelo Comitê pela Primeira Emenda - Committee for The First Amendment, fez novo pronunciamento sobre Trump.
O Committee for the First Amendment é um movimento de defesa da liberdade de expressão formado por artistas e líderes culturais. Ele foi originalmente criado na década de 1940 para proteger profissionais de Hollywood perseguidos pelo Macartismo, e foi recentemente relançado por figuras como a atriz Jane Fonda e De Niro.
** * * *
A frase "todos nós amamos nosso país" ficou presa na minha garganta. Porque nosso país não é tão amável assim agora. Odeio dizer isso, mas amar nosso país está começando a soar como uma vítima de abuso dizendo que ama seu agressor.
Não consigo amar um país que inicia guerras estúpidas e desumanas, matando milhares de inocentes e causando indiretamente a morte e o sofrimento de milhões de outros. Não consigo amar um país que tira o acesso à saúde de milhões de pessoas e usa esse dinheiro para enriquecer seus amigos da classe Trump-Epstein. Não consigo amar um país que envia milícias mascaradas para atirar em cidadãos nas ruas, torturar nossos vizinhos e separar famílias.
Não consigo amar um país liderado por um tirano racista, misógino e xenófobo. E, para deixar bem claro, não consigo amar o país liderado por Donald Trump e um Congresso subserviente. Durante a maior parte da minha vida, é claro, eu amei este país, os Estados Unidos da América.
Acolhendo meus ancestrais imigrantes, este país proporcionou a mim, à minha família e aos meus concidadãos oportunidades riquíssimas e liberdades extraordinárias. Quero amar meu país novamente. Quero meu país de volta.
É por isso que me solidarizo com o Comitê pela Primeira Emenda e com todos vocês. Juntos, nos levantamos, cantamos em coro, continuamos nos organizando e nos apaixonamos novamente. Obrigad0.
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