Tarcísio de Freitas e o dilema das duas tartarugas

Todo mundo conhece a história do sujeito que ficou de tomar conta de duas tartarugas para um amigo. Uma era maior, mais velha, a outra era pequenininha, arisca, rápida o quanto pode ser uma tartaruga. 

O homem achou que a tarefa era moleza, afinal as tartarugas não são animais conhecidos pela rapidez. A sala não era pequena e ele achava que dava para continuar sentado como estava apenas de olho nas duas e isso seria o bastante. 

As tartarugas a princípio nem se moviam e pareciam dar razão à avaliação do homem. Mas a partir do momento em que começaram a se mover e, o pior, em sentidos opostos, logo ele percebeu como era arisca e rápida a pequena tartaruga e tratou de se levantar e ir em direção a ela.

Mas então se recordou da recomendação do amigo e ficou preocupado com a maior, mais valiosa, que se encaminhava perigosamente para sair do outro lado.

Ele se voltou em direção à mais idosa, enquanto a tartaruguinha saiu seguiu na direção oposta. 
 
Resumo da história: indeciso entre as duas o homem acabou deixando fugir as duas tartarugas.
 
Quem vive dilema parecido é o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas. No meio de seu mandato, Tarcísio percebeu que havia duas tartarugas para cuidar: a da reeleição e a de uma candidatura presidencial em 2026. 
 
Sua atitude foi parecida com a do homem que perdeu as tartarugas. Tarcísio achou que bastaria jogar parado como vinha fazendo à frente do governo de São Paulo que as coisas lhe cairiam ao colo naturalmente, fosse a reeleição ou a candidatura presidencial.
 
Afinal, nada fazia à frente do governo. Para a Segurança Pública deixou tudo a cargo do SS Derrite, com o resultado óbvio de um aumento da letalidade policial já que Derrite foi afastado da Rota — polícia tida com uma mais violenta do Brasil —, por excesso de letalidade. 
 
Para a Secretaria da Mulher Tarcísio escolheu primeiro uma vereadora que se declara contra o feminismo e que jamais havia apresentado qualquer projeto em defesa das mulheres. Em seguida a substituiu por uma Bolsonaro e o feminicídio cresceu ano a ano, com São Paulo sendo o estado com maior número de feminicídios no país, quase o dobro à frente do segundo colocado.
 
Ainda assim, até o momento, após três anos e três meses de governo Tarcísio continua sendo visto como bom gestor, mesmo tendo feito o leilão da maior empresa de saneamento da América Latina — a Sabesp — onde só compareceu uma empresa para fazer oferta. 
 
O que seria considerado um fracasso para qualquer outro foi vendido pela mídia camarada como sucesso total para o paulista, que agora paga a conta. Aliás, mais alta. 
 
E a conta mais alta pesa ainda mais porque o serviço não melhorou. A inexperiência da vencedora do leilão — a Equatorial —, uma empresa ligada ao setor elétrico, que jamais cuidou de água e saneamento anteriormente, só poderia dar no que deu: um serviço pior e mais caro, que deixou milhares de paulistas sem água durante o Natal e o Réveillon, por exemplo.
 
No entanto, a aprovação de Tarcísio continuava alta e a eleição presidencial parecia ser o destino. Afinal continuava bajulando o ex-presidente Jair Bolsonaro como sempre. 
 
Até que foi surpreendido com o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, ungido pelo pai a quem Tarcísio tanto reverenciou.
 
Agora, Tarcísio se vê correndo de volta à tartaruguinha pequena, embora haja sinais de que ela também possa lhe escapar. Pela primeira vez setores de seu governo começam a manifestar insatisfação com Tarcísio. A começar por policiais, turma de preferência dos bolsonaristas, que reclamam de promessas não cumpridas e desajustes salariais. 
 
Será que como o homem da historinha, Tarcísio deixará fugir as duas tartarugas?
 

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Desenho Ladino e o homem conservador em conserva



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GloboNews monta arapuca para Lula com deputado evangélico, mas reação dele surpreende

No pós carnaval, logo em seguida ao desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Lula, a GloboNews montou o que seria a seu ver um palanque perfeito para atacar Lula. 

Aproveitou a polêmica relacionada ao desfile da Escola e convidou um pastor evangélico para comentar o desfile e a reação negativa que a ala dos conservadores em conserva causou no público evangélico. O escolhido foi o deputado conservador de direita, pastor e líder evangélico Otoni de Paula (MDB-RJ).

A GloboNews esperava do deputado que ele cumprisse o papel que a ele estava destinado, de atacar a Escola de Samba e o presidente Lula.

Mas, surpreendentemente, o resultado foi o oposto. Otoni defendeu Lula de forma veemente dizendo que soube que haviam aconselhado o presidente a pedir que a ala das conservas fosse retirada do desfile, o que Lula não admitiu, porque disse que seria censura. 

Otoni também disse que Lula foi o presidente que mais fez pelo evangélicos, inclusive no reconhecimento da importância cultural dos evangélicos. 

As jornalistas não conseguiram disfarçar a surpresa.

Confira:



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Lyria 3 vs. Maestro: Coloquei a IA do Google para duelar com um compositor humano

O Google lançou o Lyria 3, segundo o próprio Google, é o gerador de músicas com IA de alta fidelidade do Gemini que transforma comandos de texto ou imagem em faixas de 30 segundos, com instrumentais, vocais e letras.  

Resolvi testar o "compositor artificialmente inteligente" o colocando à prova com uma letra de música que eu mesmo compus há muitos anos e que foi musicada por uma grande amigo, que é também músico, maestro, cantor e compositor: Wilson Nunes.

Wilson tocou com todo mundo da MPB, foi diretor musical e arranjador de gente como Leila Pinheiro e Selma Reis, por exemplo, e participou da gravação do disco do chamado "Quinto Beatle", o produtor musical dos Beatles George Martin.

Qual a melhor música, a do Lyria 3 ou a do Wilson Nunes?

A letra é esta:

Cantar, letra de Antonio Mello

Sempre que tento cantar
Sobre aquilo ou aqui
Sempre que tento cantar
Do que vivo ou vivi
Eu não sou mais o que canta
Eu sou o que canto
Não tenho mais fim
Não me incomodo com o resto
Eu sou esse gesto que foge de mim

E, no entanto, é difícil
Não dá pra entender
Se não consigo passar
O que quero dizer
Entre essa voz e o que canto
Há uma distância que não tem mais fim
E as palavras se unem
Num novo sentido que foge de mim
Alguma coisa se perde nos alto-falantes
Alguma coisa que eu sei
Que seria importante

Música do Lyria 3

 

 

Música do Wilson Nunes

 


 

Para seu julgamento 

É verdade que o Lyria 3 tem a limitação de tempo de 30", mas dá para fazer uma comparação entre a qualidade das duas não?

Para você, qual a melhor? Escreva aí nos comentários.



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Tarcísio diz que São Paulo vive "epidemia de feminicídios" e, pior, vai aumentar

Na tentativa de tirar o corpo fora do recorde de feminicídio batido por São Paulo em 2025 de sua inteira responsabilidade, o governador Tarcísio de Freitas inventou uma nova doença que estaria causando o que ele chamou de "epidemia de feminicídios". 

Epidemia, na definição do dicionário, "é uma doença infecciosa e contagiosa que se espalha ou ataca com rapidez um grande número de pessoas, numa determinada região".

Epidemias são causadas por vírus ou bactérias. No entanto, não há vírus ou bactéria no assassinato de mulheres pelo motivo de serem mulheres, que é a definição clássica de feminicídio. O que há é machismo estrutural na sociedade e um desinteresse completo do governador de São Paulo em proporcionar uma defesa às mulheres dos crimes, que só se avolumam desde que Tarcísio chegou ao governo de São Paulo. Ano a ano cresce o feminicídio e em 2025 ele foi recorde nacional

Tarcísio e o recorde nacional de feminicídios

 


 

Estupros e feminicídios aumentaram no primeiro ano de Tarcísio

Levantamento do Instituto Sou da Paz mostra que o número de estupros, feminicídios e letalidade policial aumentou já no primeiro ano do governo Tarcísio de Freitas.

 


 E esses números aumentam ano a ano:

 


Tarcísio tira o corpo fora do combate ao feminicídio

Como se isso não bastasse, uma declaração de Tarcísio preocupa ainda mais as mulheres. Segundo Tarcísio, “Imagino que tenhamos crescimento na estatística porque as mulheres devem procurar mais ajuda. Precisamos tomar todas as providências para mitigar esse problema".

Só agora no último ano de governo? As mulheres não procuraram ajuda antes? Quais as "providências para mitigar esse problema" foram tomadas por Tarcísio, já que o número de feminicídios cresceu ano a ano?

Pior é que não há saída à vista com Tarcísio, já que a solução que aponta para o problema não é da alçada dele nem evita o feminicídio:

"Uma coisa fundamental é a punição severa e dura para quem comete esses crimes, para que sirva de exemplo.”

Pena dura tem que ser estabelecida pelo Congresso. Com isso, mais uma vez Tarcísio lava as mãos. Além do mais, pena dura é para o feminicida, ou seja, não evita o ato, apenas pune quem já o cometeu.

Jogar a culpa do aumento ano a ano do feminicídio em São Paulo na existência de uma inventada "epidemia de feminicídios" ou de uma penalização branda do ato é só jogar para a plateia e se eximir de fazer o que a sociedade espera de um governante: a diminuição até a extinção do hediondo crime de feminicídio. Coisa que Tarcísio não fez; pelo contrário. O resto é discutir que flores cobrirão os cadáveres.

Perguntas que Tarcísio deveria fazer a si mesmo

  • Por que o feminicídio aumentou ano a ano em seu governo?
  • Onde sua política está errada e precisa ser corrigida?
  • Por que sua política de proteção às mulheres fracassou?
  • Até onde o fato de ser um bolsonarista convicto colabora para o aumento de feminicídios? 

Quando trata como epidemia uma coisa que não é doença, Tarcísio erra no diagnóstico, primeira razão de seu fracasso em conseguir uma solução para o problema.



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Nando Motta e o pastor de calcinhas voltando para casa



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Aroeira e o carinho do argentino com Milei



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O que aconteceu no camarote da prefeitura é metáfora perfeita dos governos Nunes e Tarcísio

Sexta-feira 13. Para os supersticiosos é melhor nem sair de casa nesse dia. Se apegar aos santos, ao terço, aos orixás e amuletos, porque dizem que é o dia de azar. Ainda mais se cruzar com um gato preto pelo caminho.

No entanto, a vida segue normal para a maioria das pessoas, ainda mais na mordomia do camarote da prefeitura de São Paulo, como acontecia na última sexta-feira, 13,  dia de Desfile das Escolas de Samba, uma boca livre para políticos e empresários amigos do prefeito Ricardo Nunes.

Tudo estava correndo às mil maravilhas, quando, na virada da noite, exatamente a uma da madrugada, a maldição da sexta-feira 13 se fez presente: um cano de esgoto da Sabesp "colapsou", esse verbo da moda, lançando aquilo que você pode imaginar sobre o camarote. 

O cheiro nauseabundo se espalhou pelo ambiente, estragando o perfume dos pratos e salgados servidos e tirando o bouquet de vinhos e champanhes.

Mas há metáfora mais reveladora da situação de São Paulo do que esse vazamento de merda da Sabesp no camarote das autoridades?

Um vazamento que durou dois dias, porque no sábado o fedor ainda estava presente.

Como a lembrar das promessas furadas do prefeito Ricardo Nunes de preparar São Paulo para as enchentes, mas pessoas continuam morrendo, árvores desabam, falta luz por dias, até semanas. E as pessoas perdem móveis, eletrodomésticos, esperança.

E o governo de Tarcísio? Estourar uma tubulação de esgoto da Sabesp privatizada mostra apenas que toda a conversa fiada de Tarcísio sobre os benefícios da privatização era apenas conversa fiada mesmo.

Ele dizia que não iria faltar água, e água faltou. Muitas pessoas passaram Natal e Réveillon na seca, tendo que comprar caminhão pipa.

Ah, e a conta aumentou, como sempre. 

Diferente mesmo é que a maior empresa de saneamento da América Latina foi privatizada tendo apenas um concorrente com oferta, logicamente a vencedora, a Equatorial, uma empresa de energia elétrica que NUNCA cuidou de água e saneamento na vida. Mas dizem que tem sempre uma primeira vez na vida, né, povo de São Paulo?

O fedor também lembra o recorde de feminicídios do governo Tarcísio, que nomeou como sua primeira secretária da Mulher uma vereadora contra o feminismo (sic), depois substituída por uma Bolsonaro — casada com primo, mas Bolsonaro. Além do mais, com corte de verbas ano a ano e contingenciamento do que restou. O aumento de feminicídio não é consequência, mas projeto.

 



Lembra também o aumento da letalidade policial, que dobrou, desde que Tarcísio escolheu para seu Secretário de Segurança um capitão PM expulso da Rota por excesso de letalidade. Só podia dar no que deu, um salto de 415 para 834, mais que o dobro.

 


 

O vazamento fedorento da Sabesp no camarote do prefeito também é metáfora para o escandaloso caso de corrupção na Secretaria de Fazenda de Tarcísio, onde apenas um servidor abocanhou R$ 1 bilhão em propina.

E os 800 ônibus apedrejados, os 3 mil trens atacados, as bebidas batizadas com metanol, a Operação Carbono Oculto, que revelou ao país o embricamento de parte da polícia de São Paulo com o PCC e a Faria Lima?

Existe metáfora mais reveladora que este vazamento de esgoto ou é só coisa de um dia de azar, coincidentemente uma sexta-feira, 13?

Assista ao vídeo e agradeça pelas imagens ainda não terem cheiro.

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