O que fazer quando a Mulherzinha de Kafka invade nosso caminho desafiadoramente

Como mais um dia de caminhar de casa ao supermercado do peripatético louco do supermercado acabou se transformando num duelo quase mortal com uma mulherzinha que encontrou pelo caminho. 

Mulherzinha sem nenhum sentido pejorativo, apenas um adjetivo para sua pouca altura. Era uma mulher de pouco mais de 1,50 m. Eu a vi à distância, enquanto fazia minha caminhada diária. Ela estava a uns 50 metros de mim e caminhava tranquilamente, como eu. 

Mas algo aconteceu quando nos aproximamos, e é sobre isso que vou contar aqui a vocês, se o assunto lhes despertar o interesse. Porque foi uma situação no mínimo curiosa.

Eu não estava pensando nela, nem nada nela me chamou atenção, a não ser o fato de estar à minha frente no caminho. Como tenho 1,90 m de altura, pernas compridas, rapidamente me aproximei dela, que parecia quase patinar no mesmo caminho à medida em que eu avançava. 

No entanto, ao chegar ao lado dela, algo aconteceu que me fez lembrar o escritor Franz Kafka, autor de um conto genial chamado "Uma mulherzinha", em que ele narra o efeito devastador que a simples presença do narrador causava na tal mulherzinha do título. Ele não sabia por que ela ficava de tal modo perturbada com sua presença. Não havia feito nada a ela. Jamais em sua vida fizera qualquer coisa direta ou indiretamente àquela mulherzinha. No entanto, ela reagia com furor à sua presença. 

No conto ele narra as inúmeras tentativas que fez, conversando com amigos em comum, chegando mesmo a abordá-la certa vez para tentar terminar com aquela situação que ele via como embaraçosa, provocando na ocasião um desmaio nela e a reprovação pública, como se ele a houvesse assediado.

E não foi essa a única vez em que ela chegou a desmaiar à simples presença dele. Ou, pelo menos é disso que me lembro do conto, que não releio há um tempo. 

Kafka é um autor genial, porque nos mostra o absurdo do mundo, como caímos aqui em meio a situações que não dominamos ou, pior, sobre a qual não temos controle algum. O mundo nos é dado e temos de conviver com ele de um jeito ou de outro, por mais que seja difícil viver a vida cotidiana, de ir à padaria, ao supermercado, de falar com outros seres humanos que não conhecemos, de termos de viver e ganhar a vida no mundo em que, como diz um outro escritor, o filósofo Jean Paul Sartre, "o inferno são os outros".

Mas, deixando a mulherzinha de Kafka de lado e voltando à minha — repare como ela já invadiu a minha vida —, passeava eu, quando me aproximei e me desloquei para o lado para ultrapassar a mulherzinha, que não devia ter mais de 1,50 m de altura, como já disse, e eu com minhas passadas longas, de um homem de 1,90 m, julguei que ultrapassá-la seria fácil e rápido como acontece normalmente. 

No entanto, ao fazê-lo, ela me olhou com rancor, ou ao menos me pareceu isso, e começou a acelerar seus micro passinhos de tal modo que eu não conseguia me desvencilhar dela. 

Andávamos emparelhados, como uma dupla de policiais, embora a diferença de comprimento das pernas fosse imensa. Por mais que eu tentasse acelerar ela quase corria ao meu lado e me olhava com fúria, como se o fato de eu ser mais alto que ela e poder ultrapassá-la com facilidade fosse uma afronta a toda sua existência.

Como Kafka no conto, tentei negociar mentalmente a situação, passei a diminuir minha passada para deixá-la me ultrapassar e seguir em frente. Mas isso não pareceu satisfazê-la, pelo contrário, pareceu que minha atitude foi encarada por ela como um desaforo, uma ofensa pessoal de quem a julgava incapaz de chegar à minha frente numa corrida imaginária que só estava na mente dela. 

Acelerou, mas quando viu que eu desacelerei, desacelerou até ficar novamente ao meu lado e bufar com ódio, mas um ódio profundo que vi em seu olhar, sendo que eu jamais a havia visto antes em toda a minha vida, como já disse, e tampouco pretendia disputar com ela alguma coisa, que só ela vislumbrava.

Foi quando surgiu o sinal de trânsito. Ele estava fechado para os dois. Fiquei parado até que ela chegasse novamente ao meu lado. Senti que ali era a hora em que eu deveria dar adeus àquela disputa que já havia ultrapassado os limites do racional. Fosse qual fosse o lado para que ela se encaminhasse, eu andaria para outro. 

Queria um ponto final naquilo, que eu não havia iniciado e não queria de modo algum prosseguir. Sempre dei minha caminhada com outro propósito, diferente das disputas do dia a dia no mundo, até mesmo dos fatos da realidade, mas, como nos filósofos peripatéticos, deixar fluir o pensamento em busca de novas soluções ou fruições. 

Quando o sinal abriu para nós, aguardei o movimento dela. Esperava que ela andasse adiante, eu viraria então à direita e partiria para outro local. No entanto ela permaneceu parada e desafiadora. Decidi ficar também. O sinal voltou a ficar fechado para nós. E ela sorriu, vitoriosa.Havia conseguido interferir na minha vida mesmo contra a minha vontade, aquela criatura quase minúscula.

Foi quando decidi dar um ponto final naquilo. Nem esperei o sinal abrir para nós novamente, me meti entre os carros, atravessei a rua e comecei a correr o mais rápido que podia, alargando ao máximo meus passos, sabendo que ela jamais conseguira me alcançar, e ainda mais: dobrei esquinas, fiz um caminho completamente louco, correndo com fúria de tal modo que ela jamais poderia me alcançar e nem mesmo saber por onde eu andava, enquanto eu corria, e corria cada vez mais, agora sabendo o que deveria fazer: chegar em casa e devolver o problema à personagem de Kafka, que havia invadido minha vida em plena manhã de domingo.

Finalmente em casa, sentado na poltrona, comecei:

 

"É uma mulher pequena; embora esbelta por natureza, anda muito espartilhada; vejo-a sempre com o mesmo vestido, de um tecido cinza amarelado meio cor de madeira e guarnecido de borlas ou pingentes em forma de botões do mesmo tom; está sempre sem chapéu, seu cabelo loiro desbotado é liso e mantém-se muito fofo, mas não desordenado. Apesar do espartilho seus movimentos são ágeis, naturalmente ela exagera essa mobilidade, gosta de conservar as mãos nos quadris e vira a parte superior do corpo para o lado com um arremesso surpreendentemente rápido..."

 



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Aroeira e os Zeros



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CyberVaccari e o novo pet do Tio Sam



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Vergonha: a cobertura do Jornal Nacional a duas grandes conquistas do povo brasileiro

Como o Jornal Nacional, principal telejornal do país, anunciou duas grandes conquistas do povo brasileiro que aconteceram esta semana: este é o tema do Fórum Mídias de hoje, apresentado no Fórum Café, da TV Fórum esta manhã e depois reproduzido como um corte na playlist do Fórum Mídias na TV Fórum, a partir das 10h, como um corte à parte.

Duas conquistas do povo brasileiro

  • O Brasil foi incluído, pela primeira vez, na categoria de países com desenvolvimento humano “muito alto”.  Foi em 2024 que o país alcançou 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação a 0,744 em 2012. A escala para classificar o desenvolvimento humano varia de 0 a 1, sendo o valor muito alto, aquele onde se encontram os países mais desenvolvidos,  acima de 0,800.
  • A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira, dia 27, a PEC do Fim da Escala 6 por um, uma conquista da classe trabalhadora e do governo do presidente Lula, que tinha compromisso popular com a PEC.

O tratamento que o Jornal Nacional deu aos dois temas em duas edições do telejornal mostra a posição da Rede Globo em relação às pautas populares. 





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Nem PCC nem CV. O futuro de Flávio Bolsonaro no Brasil é outro

Na terça, dia 26, o presidenciável senador Flávio Bolsonaro se encontrou com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump na Casa Branca. 

Que tenha sido um encontro rápido, sem um aperto de mão diante de um fotógrafo, apenas uma foto padrão, como usualmente Trump faz com fãs e até pagantes que o visitam, nada disso importou a Flávio Bolsomaster. 

Só o fato de poder por uns instantes trocar a pauta que o colocava no centro do furação do escândalo financeiro de corrupção do Banco Master foi um alento para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesta quinta, o encontro com Trump trouxe um inesperado resultado para Flávio Bolsonaro: o governo dos Estados Unidos, através do secretário Marco Rubio, passou a considerar as organizações criminosas brasileiras PCC e CV organizações terroristas. 

Que isso traga possíveis e imensos problemas ao Brasil, tanto faz para Flávio e seus apoiadores, que como bons bolsonaristas querem que o Brasil se exploda, desde que eles possam livrar a própria pele.

O programa Fórum Mídias de hoje, analisa o imbroglio.

O Fórum Mídias vai ao ar de segunda a sexta na TV Fórum durante o programa Fórum Café, aproximadamente às 8h30, e depois entra como um corte na playlist do programa na TV Fórum.


 



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Humorista brasileiro chega à Turquia para a final da Champions League e tem incrível surpresa

Uns chamam coincidência, outros dizem que é destino, que estava escrito nas estrelas... Seja como for é simplesmente surpreendente o que aconteceu ao comentarista esportivo e humorista Pedro Certezas, quando chegou à Turquia para cobrir a final da Champions League entre o atual campeão, PSG, e o Arsenal da Inglaterra neste sábado, dia 30, às 13h.

Ao pegar um táxi para se dirigir ao hotel, ao saber que Certezas é brasileiro, o motorista perguntou a ele se conhecia o compositor Cartola.

Não só Pedro Certezas conhecia nosso genial compositor, como é um fã tão fanático por ele que tem seu rosto tatuado na batata da perna.

Foram conversando e comemorando a incrível coincidência, enquanto ouviam o samba Deixe-me ir, que foi a porta de entrada do motorista no universo de Cartola, a partir do filme Cidade de Deus, como ele explica no vídeo que Certezas publicou no Instagram.

 



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CyberVaccari e como foi recebido Flávio Bolsonaro por Trump



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Flávio Bolsonaro festeja encontro com Trump enquanto duas bombas o esperam no Brasil

O encontro do senador e pré-candidato da extrema direita a presidente Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump na Casa Branca levou ao delírio os bolsonaristas e todos aqueles que cultivam um amor patriótico à terra do Tio Sam.

Nas redes o senador saiu das cordas e passou a comemorar e dividir com os apoiadores uma medalha que teria recebido e que no entanto se encontra à venda por menos de vinte dólares para qualquer um que queira ter uma igual.

Mas, enquanto isso, duas bombas aguardam o candidato da extrema direita, além daquela de sua relação espúria com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, autor do maior crime financeiro da história do Brasil.

No Rio, o governador Claudio Castro, apoiado e mantido no poder por um acordo político da família Bolsonaro com o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar, está a alguns passos da penitenciária Bangu 8, tal seu envolvimento no criminoso desvio de verbas do fundo de previdência dos funcionários do Estado do Rio de Janeiro para o Banco Master de Daniel Vorcaro. Os valores somam quase R$ 3,7 bilhões.

Além disso, uma outra bomba está nas mãos do PGR Gonet: uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que quer inserir Flávio e o pai Jair Bolsonaro no inquérito do caso que investiga o trabalho do agora deputado cassado Eduardo Bolsonaro e do neto de ditador João Figueiredo, Paulo Figueiredo, ambos fugitivos nos EUA, para atrapalhar o andamento do processo que mandou para a cadeia o ex-presidente, generais, um almirante e outros oficiais.

Esse foi o tema do Fórum Mídias de hoje, programa que vai ao ar diariamente, de segunda a sexta durante o Fórum Café e que depois é distribuído como um corte na playlist do Fórum Mídias na TV Fórum.



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José Dirceu cobraTarcísio sobre Sabesp: Não tem vergonha não?

O ex-deputado e agora pré-candidato a deputado federal José Dirceu mostrou toda a sua indignação em uma postagem em seu perfil no Instagram contra o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.

Dirceu ironiza o sumiço do governador, agora que seu candidato a presidente, o senador Flávio Bolsonaro, está sob chuva de críticas por suas conversas nada republicanas em que pedia milhões de dólares ao banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, do Banco Master, autor da maior fraude do mercado financeiro na história do Brasil.

"Ô Tarcísio, você tá sumido, hein? Não te vejo mais com o Flávio Bolsonaro..."

Dirceu cobra de Tarcísio também sua responsabilidade no caos provocado pela Sabesp no estado de São Paulo, com explosões, mortes, falta de água e contas mais caras, embora Tarcísio tenha prometido, à época da privatização, que não haveria nem aumento na tarifa nem falta de água.

O ex-deputado, que foi presidente do PT e é um dos líderes históricos da esquerda brasileira, criticou as demissões na Sabesp, que perdeu a maioria de seu quadro especializado, gente que acumulava anos de experiência na empresa, tudo em nome do lucro dos acionistas.

 

"E a Sabesp, Tarcísio, como é que você explica pros paulistas e pros paulistanos o que você fez com a Sabesp? 47% dos funcionários experientes, você terceirizou o serviço pra baixar custo, pra aumentar lucro de acionista. Antes, a Sabesp funcionava, e bem, agora a conta tá cara, a água tá suja, não tem manutenção, é todo dia acidente, quatro mortes, Tarcísio, como é que pode uma coisa dessa? Não tem vergonha não, entregar uma empresa lucrativa que reinvestia aqui em São Paulo?"

Dirceu acusa Tarcísio de entregar a Sabesp, "patrimônio de todos os paulistas":

"Foi dinheiro retirado dos paulistas que construíram a Sabesp, aí você entregou pra um grupo privado pra ter lucros, pra mandar pro exterior o dividendo, pra pagar salário de 300, 400 mil reais pra pessoas diretoras que eram diretoras da Sabesp, que participaram da privatização, é um escândalo. Você é o único responsável pela privatização da Sabesp."



 




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