sábado, 9 de dezembro de 2017

Efeito manada. Como manipuladores tratam você como gado no Facebook e no Twitter



A BBC Brasil está produzindo uma série de matérias de uma reportagem geral, intitulada Democracia Ciborgue, sobre o comportamento das pessoas nas redes sociais e a interferência de perfis falsos, robôs etc na manipulação da informação, especialmente na política, mas não apenas nela.

Ontem publiquei aqui uma postagem a partir de uma revelação que tirei de lá, e que se confirmou na publicada hoje: Aécio processou tuiteiros em 2014, acusando-os de serem robôs a serviço do PT, e no final quem usava robôs era ele, diz reportagem da BBC.

Os perfis publicavam constantemente mensagens a favor de políticos como Aécio Neves (PSDB) e o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), além de outros 11 políticos brasileiros.

A reportagem fala no "efeito manada" e em como ele é utilizado.

A estratégia que vem sendo usada por perfis falsos no Brasil e no mundo para influenciar a opinião pública nas redes sociais se aproveita de uma característica psicológica conhecida como "comportamento de manada".
O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual.
"Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso", diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais.
Ele estuda desinformação nas redes e testou sua teoria com um experimento: controlou quais comentários apareciam em um vídeo do YouTube e monitorou a reação de diferentes pessoas.
Quanto mais elas eram expostas só a comentários negativos, mais tendiam a ter uma reação negativa em relação àquele vídeo, e vice-versa.
"Um vai com a opinião do outro", conclui Benevenuto. Em seu experimento, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a influência estava também ligada a níveis de escolaridade: quanto menor o nível, mais fácil era ser influenciado.
(...) Para Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard, nos EUA, e mentora do projeto Serenata de Amor, que busca identificar indícios de práticas de gestão fraudulentas envolvendo recursos públicos no Brasil, "a internet só replica a importância que se dá à opinião das pessoas ao redor na vida real".
"Se três amigos seus falam que um carro de uma determinada marca não é bom, aquilo entra na sua cabeça como um conhecimento", diz ela.


A reportagem mostra, também, a preocupação das pessoas com a manipulação política nas redes sociais e como isso afeta diretamente a democracia.

Aponta medidas, especialmente as tomadas e ainda por tomar, pelas principais redes, Twitter e Facebook.

Todos, inclusive o pessoal das redes citadas, dizem que estão muito preocupados e contratando gente para cuidar disso.

Mas, quem cuida dos cuidadores? Quem vai definir quando uma postagem é fake ou tendenciosa ou sei lá o quê?

Já se viu aqui que os filtros criados pelo Google têm atingido basicamente os sites de esquerda, com informação divergente daquela propagada pela mídia corporativa.

Veja o caso do Brasil, por exemplo. No país sob golpe, a pessoa informada pela mídia corporativa está totalmente alienada do que está acontecendo. Quando afirmam que a economia está bombando, o desemprego acabando etc., as pessoas ficam confusas com a realidade das ruas, cheias de pessoas pedindo dinheiro, comida, café, cigarro.

E, também, cá entre nós, obedece ao efeito manada quem se deixa tratar como gado, não pensa com a própria cabeça e fica procurando a opinião dos outros para "ver o que pensa sobre o assunto".

Sejamos críticos, desconfiemos das informações, procuremos outras fontes para corroborá-las ou não, ou seguiremos o efeito manada, em direção ao precipício que nos escondem à frente.

Leia a publicação de hoje da BBC Brasil aqui.


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Um comentário:

  1. AS DERRAPADAS DE LULA
    Celso Raeder – Ex jornalista do Jornal do Brasil

    O céu começava a pontuar suas primeiras estrelas naquela noite de 28 de setembro de 2016, em Campinas, a maior cidade do interior paulista. Ali, como de resto em todo o Brasil, o assunto era a Operação Lava Jato, e de como o juiz Sérgio Moro e seus procuradores estavam passando o país a limpo. HAVIA NO AR AQUELE CLIMA DE UNANIMIDADE BURRA, profetizado pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, e foi nesse cenário hostil que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva subiu ao palanque para fazer o discurso que testemunhei.
    Não havia povo para dar atenção às suas palavras. Apenas uns poucos militantes, devidamente uniformizados e suas bandeiras. Fiquei um pouco distante, avaliando as reações das pessoas que atravessavam a Avenida Treze de Maio, e pelos adjetivos impublicáveis que ouvi me convenci de que a carreira política do ex-presidente estava definitivamente enterrada.
    Mas em política não existe a palavra definitivo. O TEMPO FOI PASSANDO, E SÉRGIO MORO E SEUS MENINOS NÃO CONSEGUIRAM PROVAR ABSOLUTAMENTE NENHUMA DE SUAS ACUSAÇÕES CONTRA LULA. Mesmo lastreado pela mídia servil, habituada a fazer a sociedade de idiota, nem a família Marinho, nem os Civitas, e tampouco os Frias e Mesquitas, contavam com o poder avassalador das mídias sociais como instrumento de resistência e luta democrática.
    A Internet fez as perguntas que nenhum jornalista da grande imprensa estava autorizado pelos seus patrões a fazer:
    Por que a mulher e a filha do Eduardo Cunha FORAM INOCENTADAS?
    Por que NENHUM POLÍTICO DO PSDB ESTÁ NA CADEIA?
    Por que a CONVERSA DO JOESLEY COM TEMER não resultou na cassação do déspota?
    Por que NINGUÉM ESCUTA O QUE DISSE O ADVOGADO TACLA DURAN?
    Por que o GOVERNO COMPRA VOTOS DE DEPUTADOS PARA ESCAPAR DE PROCESSO E O MPF SE CALA?
    Por que uma mala cheia de dinheiro roubado NÃO É CRIME, NA OPINIÃO DO NOVO CHEFÃO DA POLÍCIA FEDERAL?
    Por que Gilmar Mendes, Temer e Rodrigo Maia se acham no DIREITO DE DECIDIR ENTRE ELES UM MODELO SEMIPRESIDENCIALISTA PARA ENFIAR NA GOELA DO POVO?
    Por que o STF USA O DIREITO COMO SE FOSSE UM CARDÁPIO "À LA CARTE" PARA ATENDER AO PALADAR DO AÉCIO NEVES?
    Some-se a estas interrogações a política catastrófica de desmonte dos direitos sociais da população brasileira, o DESEMPREGO DE QUASE 20 MILHÕES DE TRABALHADORES, A VOLTA AO MAPA DA FOME DA ONU, um governo recheado de corruptos que tira FOTO AO LADO DO JUIZ SÉRGIO MORO COM OS DENTES ARREGANHADOS, e temos aí a usinagem que deu forma ao ex-presidente Lula, que volta ainda mais forte do que antes.
    Lula, no entanto, precisa entender que sua versão 2.0 é fruto dessa conjugação de fatores, enriquecida pela memória do bom governo que fez. E comete grave erro ao achar que a sociedade também concederá o benefício da dúvida àqueles que, comprovadamente, se organizaram em quadrilhas para saquear os cofres públicos, como é o caso do ex-governador Sérgio Cabral. Como estrategista experimentado na lide política, Lula sabe que o sistema eleitoral brasileiro exige composições que embrulham o estômago. Mas não pode deixar de considerar a questão de maior relevância para as eleições de 2018, que é a repulsa da sociedade por tudo isso que aí está. A palavra de ordem é: RENOVAÇÃO! Tá na boca do povo. A ESTRELA DE LULA VOLTOU A BRILHAR. Mas, cada vez que derrapa numa fotografia com Renan Calheiros, aparece uma nuvem para escondê-la.

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