Dos Três Porquinhos do PIG, Folha foi a que menos distorceu pesquisa do Ibase

[Imagem] Reprodução de primeira página da Folha

Dos Três Porquinhos do PIG (Globo, Folha e Estadão), a Folha foi a que menos distorceu a pesquisa do Ibase sobre o Bolsa Família. Diferentemente dos outros Porquinhos a Folha divulgou corretamente o resultado da pesquisa.

Ao investigar o grau de segurança alimentar de seus beneficiados, a pesquisa do Ibase mostra que em apenas 17% dos casos eles estavam em situação total de segurança.
Outros 28%, no entanto, enquadravam-se no que se chama de insegurança leve: não passam fome ou deixam de consumir alimentos, mas temem que isso aconteça no futuro. Havia ainda 34% das famílias que se encontravam em estágio moderado de insegurança, ou seja, há restrição de alimentos consumidos, mas não há fome.
Em 21% dos casos, a insegurança alimentar foi considerada grave. "Não é necessariamente uma situação famélica como a que ocorre na África, mas são domicílios onde faltam alimentos em casa e, por isso, nem todas as refeições são feitas", diz Francisco Menezes, coordenador-geral da pesquisa.

Mas, Porquinho que é Porquinho não trai aos seus, e a Folha usou como chamada de primeira página a afirmação: “Bolsa Família não faz sair da pobreza, dizem beneficiários” (veja reprodução acima). Espantoso seria se o fizesse, porque o Bolsa Família não é nenhuma Louis Vuitton. Afinal, com o aumento de 8% concedido agora pelo governo...:

O valor médio dos benefícios do Bolsa Família passa de R$ 78,70 para R$ 80,00. O valor mínimo, referente a cada criança por família, sobe de R$ 18,00 para R$ 20,00. O maior valor de benefício que poderá ser concedido pelo programa salta de R$ 172,00 para R$ 182,00. [G1]

Leia também:

» Para O Globo, vale tudo para atacar o governo. Até dizer que 20,7% é maioria

» Também para o Estadão, na hora de atacar o governo 20,7% é maioria

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Pensamento único, manchete única, informação única

Reparem nos títulos a seguir, que pesquei agora pela manhã no Google Reader. Exceto o Estadão, que acrescentou um Evo ao Morales, todos exatamente iguais. O conteúdo também, chupado da BBC.

BBC: Morales perde nova eleição regional na Bolívia
G1: Morales perde nova eleição regional na Bolívia
Terra: Morales perde nova eleição regional na Bolívia
Folha: Morales perde nova eleição regional na Bolívia
Estadão: Evo Morales perde nova eleição regional na Bolívia

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Também para o Estadão, na hora de atacar o governo 20,7% é maioria

Seguindo a voz do dono (afinal, dizem que o Estadão já pertence às Organizações Globo), o Estadão consegue transformar uma minoria de 20,7% em maioria, exatamente como fez ontem O Globo, e denunciei aqui: Para O Globo, vale tudo para atacar o governo. Até dizer que 20,7% é maioria.

Só que o Estadão foi mais comedido e não botou a mentira no título nem na primeira página. O título do Estadão (reproduzido na imagem) fala em insegurança alimentar. Mas o “olho” distorce: Maioria dos assistidos pelo programa passa fome, diz pesquisa do Ibase.

É mentira. A pesquisa não diz isso. Muito pelo contrário. A pesquisa do Ibase diz que uma minoria de 20,7% afirma que ainda passa fome. Essa informação (20,7%) é omitida na matéria do próprio Estadão, de autoria de Roldão Arruda, de onde retiro o trecho a seguir:

Pesquisa recém-concluída sobre o Programa Bolsa-Família, realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), tem uma notícia boa e outra ruim para o governo. A boa é que o dinheiro distribuído pelo programa tem sido usado principalmente para melhorar a alimentação das famílias - exatamente como se desejava. Do total de 5 mil titulares do cartão pesquisados, 87% disseram que empregam o dinheiro em alimentos. "Aumentou a quantidade e a variedade dos alimentos consumidos", diz a pesquisadora Mariana Santarelli, do Ibase.

A notícia ruim é que mesmo com a injeção de recursos entre as famílias mais carentes, elas continuam ameaçadas pela insegurança alimentar. Nas conversas com os pesquisadores, 83% dos titulares revelaram se enquadrar num dos três níveis em que se classifica a insegurança: grave, moderada e leve. No primeiro, o cidadão passa fome; no segundo, tem de reduzir a quantidade de alimentos da família, para que não falte; e, no terceiro, ele tem medo de não conseguir nada para comer no futuro próximo.

Como se vê nos destaques em negrito, apenas na insegurança grave o cidadão passa fome. Nas demais, não. O que é completamente diferente de afirmar que Maioria dos assistidos pelo programa passa fome, diz pesquisa do Ibase.

É por isso que os jornalões acabam sendo vendidos, engolidos por seus sobreviventes, perdendo a cada dia mais leitores, enquanto cresce o número de pessoas que procuram informação alternativa na blogosfera, em blogs sobre política, redes sociais, listas e grupos de discussão.

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Para O Globo, vale tudo para atacar o governo. Até dizer que 20,7% é maioria

Taí a imagem que reproduz a manchete da primeira página de O Globo (clique nela para ampliá-la) que não me deixa mentir. Para o jornalão carioca, 20,7% (ou seja, 20,7 em 100) é maioria.

Onde está o truque? É que eles somam aos 20,7% os 34,1% que, segundo pesquisa do Ibase, “sofrem com falta de comida em casa”. O que não quer dizer em absoluto que passem fome – como, aliás, fica claro na matéria do jornalão. Ou seja, o que há ali não é notícia, é distorção, manipulação.

É só o jornalismo de resultados de O Globo em ação. É como o futebol de resultados: joga-se feio, para-se a jogada com falta, utilizam-se os recursos necessários – ainda que desleais – para que se consiga o resultado desejado. No caso da mídia corporativa, criticar o Bolsa Família para atingir o governo Lula.

Na própria matéria isso fica claro. Destacada num box, há a declaração de uma beneficiada, Clotilde Alves do Nascimento, que tem dois filhos e marido desempregado: “Eu até sonho em comprar carne”. Mas aí O Globo vem com a crítica: Beneficiada no Piauí usa dinheiro para comprar geladeira, fogão e roupas.

Que horror, não? A mulher disse que antes cozinhava com carvão. Agora comprou um fogão.
- Que esbanjadora!
Comprou também uma geladeira.
- Perdulária.
E também cadernos, material escolar, roupas e sandálias.
- Uma consumista típica, já sonhando com Daslu, talvez.
Ao final, ela ainda confessa que “cede ao pedido dos filhos por biscoitos e sucos para a merenda”.
- Onde está a polícia que não prende essa mulher? Chamem o TRE!

Mas a crítica de O Globo, na linha de Kamel, é um engodo, conforme mostrei aqui, Kamel descobriu qual é o grande problema do Brasil hoje. Eles confundem Bolsa Família com Fome Zero e criticam o que o programa tem de mais generoso e antipopulista: a possibilidade de o beneficiado gerenciar o benefício, usar o dinheiro naquilo que julga importante para sua família. Ainda que esse “importante” lhes seja imposto de fora, via propaganda, incentivo ao consumismo, especialmente direcionado às crianças (lembre-se de que dona Clotilde afirma que “cede ao pedido dos filhos por biscoitos e sucos para a merenda”), como tem criticado o ministro Temporão, que quer proibir propaganda de fast-food, antes das 21h. Mas isso é assunto para outra postagem.

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Ministério das Cidades entra com recurso para que obras no morro da Providência prossigam

A pedido do Ministério das Cidades, a Procuradoria Regional da União da 2ª Região recorreu ontem contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) que embargou as obras do projeto Cimento Social, no Morro da Providência. O recurso foi apresentado no TRE, que considerou que o projeto tinha cunho eleitoral e beneficiaria o senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato a prefeito. No recurso, o procurador Daniel Levy alegou que o TRE não tem competência legal para determinar a suspensão das obras para reformar 782 casas. Segundo ele, a decisão do TRE se excedeu na escolha dos meios para coibir a propaganda irregular, “ultrapassando o limite do razoável e se revelando desproporcional”. [O Globo, página 17]

Faz bem o Ministério em entrar com o recurso, porque o TRE claramente jogou para a platéia, insuflado pelas Organizações Globo, em sua luta religiosa pela manipulação das massas contra a Igreja Universal e a Rede Record.

Se a obra é eleitoreira, punam o bispo senador, se for o caso cassem a candidatura dele, tomem a medida legal cabível. O que não pode é paralisar as obras e prejudicar quase 800 famílias que teriam suas casas reformadas pelo projeto. Até agora, apenas 50 haviam sido concluídas, 30 estão ao relento e as demais ao deus-dará, tudo para impedir ou atrapalhar a candidatura do bispo, que lidera com folga a corrida para a prefeitura do Rio.

Hoje, na sua tentativa desesperada de barrar Crivella, O Globo, em mais um box de opinião, defende que a obra é eleitoreira, porque existem barracos não beneficiados pelas reformas. Por isso, defende a decisão do TRE pela paralisação das obras, o que, trocado em miúdos quer dizer o seguinte: ou obra para todos ou todo mundo na merda.

Por sinal, nada muito distante do que o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, defendeu em artigo, que comentei aqui em julho do ano passado e reproduzo a seguir:

Diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel quer a remoção das favelas?

O diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, publicou um artigo em O Globo esta semana, com o título “Prioridades”. Selecionei um parágrafo do artigo, que acho que o resume, para comentar. Mas como O Globo dificulta o acesso aos textos, resolvi postar a íntegra do artigo de Kamel aqui, porque não acho justo criticar um texto sem dar ao leitor a oportunidade de conhecê-lo na íntegra. Vamos ao trecho que selecionei. Os destaques são meus e os comentários estão logo abaixo.

Precisamos encarar de frente o problema: favelas em morros não são urbanizáveis (1). O Estado precisa desenvolver políticas conseqüentes que dêem à população de baixa renda acesso a habitações decentes, via financiamento subsidiado, em áreas com escolas, hospitais e demais serviços públicos, ligadas ao centro (2) por transporte público de massa veloz, confortável e barato. Que uma cidade como a nossa aceite conviver com favelas diz muito de nossa visão de mundo. E nós deveríamos nos envergonhar dela. É inadmissível que aceitemos como um dado da vida que pobres morem em condições subumanas. Qualquer sociedade, quando chega em certo nível de civilização, une todos os esforços para que concidadãos morem dignamente. Aqui, por culpa da esquerda, criou-se o pensamento torto de que o pecado é remover favelas e que a boa ação é deixá-las onde estão (3). E, o pior, como estão. Eu já disse em outro artigo: ninguém quer se livrar das favelas, mas livrar delas os favelados (4).

1. Por quê? Pela geografia? Como explicar, então, Santa Tereza?

2. Se as “habitações decentes” devem ser “ligadas ao centro”, evidentemente elas serão construídas “fora do centro”. Logo, os favelados serão removidos.

3. Por que este é um “pensamento torto”? Qual seria o “pensamento reto”, retirá-las dali, removê-las?

4. Só há duas alternativas para livrar os favelados das favelas. Uma: urbanizar as favelas. Mas Ali Kamel afirma que “favelas em morros não são urbanizáveis”. A segunda: a remoção dos favelados. Pelo contexto, é o que ele defende. Agora ele só precisa dizer quem vai fazer isso, quando e como.

Kamel sabe muito bem que isso é inviável. Não estamos mais nos tempos de Carlos Lacerda. Parafraseando o líder udenista, hoje não é mais possível pensar em remover favelas; se isso for pensado, não poderá virar projeto de lei; se virar projeto de lei, não poderá ser votado; se for votado, não poderá ser aprovado; se for aprovado, não poderá ser executado; se for executado o governo cai.

Se Kamel sabe que não é viável remover, por exemplo, a Rocinha e/ou o Vidigal, por que ele critica as obras de urbanização das favelas? Simplesmente porque eles sempre acham que o dinheiro a ser gasto com os mais pobres poderia ser mais bem aplicado. O Bolsa Família foi criticado como bolsa esmola. Os CIEPs, segundo eles, eram sofisticados demais. Imagine, um projeto que mantinha os filhos dos pobres nas escolas em horário integral, com educação física, piscinas, quadras de esporte...“desperdício”... Era melhor reformar as escolas existentes...

É sempre assim. As “Prioridades” (este é o título do artigo) de Kamel são outras. Mas ele e os que pensam como ele perderam a eleição. Urbanização das favelas é uma das prioridades do governo Lula. Que venceu a eleição.

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A compra do Estadão pela Globo, e uma proposta para a mídia livre

Segundo o Rovai, o negócio está fechado: o Estadão agora pertence às Organizações Globo. A concentração da mídia está cada vez maior. Cada vez maior também o poder das Organizações Globo.

Como reagirá a Folha a esta aquisição, que vai colocá-la no olho do furacão? Será que vai acontecer o mesmo que com o Jornal do Brasil aqui no Rio, que viu seus principais colunistas, um a um, baterem asas para O Globo?

Mas isso é problema deles. O nosso é descobrir como fazer frente à concentração cada vez maior da mídia corporativa.

Bernardo Kucinski escreveu um artigo, publicado na Carta Maior, em que mostra como a Globo montou no início do que veio a ser conhecido como o escândalo do mensalão uma “central de operações, em Brasília, unificando as coberturas de política da TV, CBN e jornal O Globo sob o comando de Ali Kamel, que para isso se deslocou para Brasília”. Imagine do que será capaz agora, como proprietária de um dos dois grandes jornalões paulistas.

É possível tamanha concentração? Como perguntei ainda outro dia aqui, quando a compra do Estadão pela Globo ainda era uma hipótese: A democracia resiste?

E a questão da distribuição de jornais e revistas em que a Abril, ao adquirir a Fernando Chinaglia, ficou simplesmente com 100% do mercado nas mãos, sem que até hoje o Cade tenha se manifestado?

Mas é o que escrevi na época, quando postei aqui Monopólio do Grupo Abril ameaça revistas independentes:

O pior é que quase não se lê nada sobre o assunto. Assim como aconteceu com a CPI da TVA, com a Curundéia, parece que uma bolha de silêncio envolve os negócios do Grupo Abril.

Culpa também nossa. Enquanto eles enchem o saco com tudo o que não lhes agrada, inundando jornais e blogs com cartas e comentários, ficamos conversando os mesmos e mal conseguimos juntar 1233 (confira) [a postagem é de dezembro de 2007] assinaturas para a CPI da TVA e das negociatas das telefônicas...

O mesmo vale para a aquisição do Estadão. Vamos ficar impassíveis assistindo à ampliação da ditadura da mídia? É legítima essa concentração de poder nas mãos das Organizações Globo? O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil.

Uma proposta para a mídia livre

Os blogs sobre política, redes, grupos, listas de e-mails devem responder a mais esse ataque da mídia corporativa. Mas, como enfrentar esse poder terrível? Criando um portal da mídia independente?

Não acho que seja uma boa idéia. O portal é duro, hierarquizado, centralizado – exatamente como a mídia corporativa. Devemos combatê-la com aquilo que temos de mais forte, a multiplicidade, a diversidade.

Talvez devêssemos partir para algo como o The Huffington Post, que ainda mantém uma primeira página, ou então para uma experiência ainda mais aberta, como a que o criador do Facebook, Chris Hughes, desenhou para Barack Obama. Clique aqui e veja o que ele fez e o que se pode fazer.

O que é que vocês acham?

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Golpistas da Media Luna boliviana querem que Evo renuncie, e oferecem em troca suas renúncias

Parece piada. E é, e de mau gosto. Como já perceberam que vão perder no referendo revocatório de 10 de agosto e Evo vai ganhar, os golpistas, racistas e separatistas da Media Luna sacaram do colete um quinto ás para tentar vencer o jogo: propõem uma renúncia geral. Eles renunciam aos governos dos departamentos, Evo Morales à presidência da Bolívia e são convocadas novas eleições gerais. Como na Bolívia não existe reeleição, garantem, de quebra, que o “índio de mierda” fique mascando folhas de coca fora do poder.

Estão completamente perdidos. Tarde demais perceberam que caíram numa armadilha preparada pelo “índio” (eles também, como os racistas daqui, acreditam que os mais pobres, menos “educados”, menos “preparados” são inferiores. Basta ler a Carta Aberta de Evo Morales sobre a “diretriz de retorno” da União Européia para perceber que Evo sabe muito bem qual o seu papel na nova ordem mundial). Acuaram Evo de tal forma, contando com o inestimável apoio da embaixada americana e da “grande imprensa” boliviana e mundial, que acabaram por acreditar na mentira que pregavam, a de que a população estava, em sua maioria, contra o presidente boliviano.

Foi aí que Evo partiu para o ataque e propôs que todos os eleitos participassem de um referendo revocatório. Na votação popular, o representante que não conseguisse uma votação superior à obtida quando de sua eleição, perderia o mandato. Confiantes na vitória (e na derrota de Evo) os golpistas apoiaram a medida, que foi aprovada no Senado, que é de oposição ao presidente.

Só agora estão percebendo que caíram numa armadilha. Evo foi eleito por pouco mais de 51% dos votos, e deve ser confirmado com folga. Alguns dos governadores foram eleitos com margem maior e não devem repeti-la agora, com o país dividido. Ou seja: eles achavam que Evo cairia e eles ficariam e somente agora percebem que o que vai acontecer é o contrário.

Por isso esse ato de desespero. Mas o referendo está confirmado para o dia 10 de agosto. Até lá, eles vão tentar de tudo para derrubar o presidente, nem que seja através do magnicídio, como já publiquei aqui: Suspeitos de tentativa de assassinato de Evo Morales presos na Bolívia.

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TRE-RJ pára obra no morro da Providência. 30 famílias ao relento, 150 desempregados

Pressionado por políticos e pela mídia corporativa - Rede Globo à frente - o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) embargou as obras do projeto Cimento Social no morro da Providência.

A mídia corporativa está em festa. Queriam parar as obras, e pararam.

Só que chove no Rio. Faz frio. As obras eram feitas sem que os moradores saíssem de suas casas. Neste instante, 30 delas estão com obras incompletas, algumas sem telhado, sem parede, cobertas por lonas. Como ficam os moradores?

Como ficam os mais de 150 empregados contratados, com carteira assinada, que trabalhavam no projeto?

Se a obra é eleitoreira, se o senador Marcelo Crivella (bispo da igreja Universal e sobrinho de Edir Macedo) está tirando proveito dela, que seja punido pelo TRE, e não os moradores e os trabalhadores.

Mas essa não parece ser a preocupação do jornal O Globo. Em sua luta “religiosa” contra o crescimento da Record e da Universal (leia A luta pela manipulação das massas entre Globo e Record) o importante é impedir o crescimento dos adversários. O resto – como o gol para o Parreira – é um detalhe.

Em box de opinião na página 13 de sua edição de hoje, o jornalão carioca afirma o seguinte, sobre o assunto:

(...) jogue-se na conta da ambição eleitoreira dos responsáveis pelo projeto o dissabor que há de ser sentido na favela pela suspensão das obras.

Entenderam? O Globo, que vem fazendo uma campanha sistemática pela paralisação das obras, não tem nada a ver com isso, esse dissabor (150 desempregados, o que afeta a vida de aproximadamente 500 pessoas, e 30 casas ao relento - isso é apenas um dissabor para O Globo) não pode ser jogado nas suas costas.

É uma nova versão para o velho ditado: “Sentiu-se prejudicado? Vá se queixar ao bispo.” No caso, o bispo Crivella.

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O novo fuso do Acre e o poder das Organizações Globo

Hoje, o Acre (e também cidades do Amazonas e do Pará) teve seu fuso horário alterado, em estrita obediência de políticos locais (à frente o senador petista Tião Vianna) e do presidente Lula a um reclamo da Rede Globo de Televisão, conforme postagem que fiz aqui em 28 de abril e reproduzo a seguir.

Mas, antes, ainda a respeito do novo fuso horário, encontrei esta foto, indicada pelo Altino, no Blog Ambiente Acreano, de Evandro Ferreira. Foi tirada hoje às 6h30 da manhã, no novo fuso. Não é à toa que o governo do Acre (segundo está no Portal da Globo e confessa o próprio Jornal Nacional hoje) liberou as escolas para alterarem os horários à vontade. As crianças, professores, os pais, o estado, que se ajeitem, quem não pode ficar mal é a Rede Globo.

O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil (III)

A Rede Globo consegue mudar até o fuso horário do Brasil.

O Brasil inteiro dormia e acordava inocente da necessidade premente de o Acre, o Pará e mais algumas dezenas de municípios do Amazonas mudarem seu fuso horário. Mas foi só as emissoras de TV (à frente a hegemônica Rede Globo) terem que adequar sua programação aos fusos horários do país, respeitando a classificação indicativa, para que a necessidade de uma mudança geral acontecesse.

Veja bem, esse fuso horário foi adotado em 1913, mas só agora, quase cem anos depois, após ameaças da Rede Globo de apenas transmitir em VT os jogos de futebol para aqueles estados da região Norte, descobre-se que ele prejudica atividades econômicas, tem mau hálito e chulé.

O presidente Lula sancionou na última quinta-feira o projeto de lei do senador petista Tião Viana, lá do Acre, que diminui em uma hora o fuso daquela região, em relação a Brasília. Com isso, descobrimos que há quase cem anos eles são prejudicados, pois agora o novo fuso lhes vai proporcionar economia de energia, integração de transportes e facilitará as transações econômicas com os demais estados. Parece piada.

O Altino Machado, nosso blogueiro acreano, postou uma foto da capital, Rio Branco, no novo horário em que as crianças sairão para as escolas e os trabalhadores para o trabalho. Clique aqui para vê-la. É um breu. Mesmo assim o presidente assinou o projeto que entrará em vigor daqui a 60 dias, para alegria da Globo.

A democracia em risco

As Organizações Globo têm um peso descomunal no Brasil. Esse peso descomunal deve ser discutido no Congresso. É necessário que se criem mecanismos regulatórios para garantir a liberdade de expressão. E a liberdade só pode existir se for plural, se não houver uma instância - como as Organizações Globo - com o poder de influenciar mais de 70% da população. Mecanismos que proibissem – como acontece em outros países, inclusive os EUA - a concentração de veículos de comunicação nas mãos de um só grupo, numa mesma cidade ou estado. Aqui no Rio, por exemplo, as Organizações Globo têm a TV Globo (RGTV), os jornais mais vendidos - O Globo e Extra -, estações de rádio - Globo, CBN... - além da revista Época, do portal de notícias etc., etc.

(...)... Até quando se vai permitir a concentração de poder que as Organizações Globo têm no país? Isso não faz bem para a informação livre, muito menos para a democracia. Ao contrário: não permite uma e ameaça a outra.

Agora, imagine se vier a ser confirmada a compra do Estadão pelas Organizações Globo. A democracia resiste?

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» 'Além do Cidadão Kane': Assista na íntegra o vídeo proibido pela Rede Globo

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A quem o Estadão pensa que engana, quando afirma que Alckmin é o candidato tucano graças a Serra?

Eu me sentiria ofendido, se fosse leitor do Estadão. As manchetes do jornalão paulista (até quando, já que continuam os boatos de que o Estadão será comprado pelas Organizações Globo), nas versões impressas e online são: “Serra promove acordo e PSDB confirma Alckmin” e “Alckmin é o candidato do PSDB, após Serra promover acordo”. Quem acredita nelas?

Desde o início Serra sempre trabalhou contra Alckmin. E não é de agora. Alckmin saiu candidato à presidência derrubando as pretensões de Serra. Que até hoje não assimilou aquela derrota. Fez de tudo para que os tucanos apoiassem Kassab. Estimulou, dentro do PSDB, uma dissidência pró-Kassab.

Mas, na convenção do partido, ontem, ao ver que pela terceira vez seria derrotado por Alckmin (leia aqui, Queda-de-braço tucana: Alckmin 2, Serra 0), e que o escândalo da compra de votos pró-Kassab estava estourando, Serra, pelo visto, chamou o pessoal do Estadão e disse: olha, eu vou fingir que sou contra os kassabistas e vocês fingem que acreditam.

E você, leitor do Estadão, acreditou?

E você, leitor deste blog, cismado, você, minha leitora cética, acredita que Alckmin foi escolhido graças a Serra?

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Rede Globo contra Dunga

É impressionante a campanha da Rede Globo contra Dunga. O técnico da seleção apanha nos jogos do Brasil, nos da Eurocopa, do Campeonato Brasileiro, nos treinos da seleção olímpica, apanha na Fórmula 1 e agora, dizem, até no Faustão.

Você acha que o comportamento da Globo é explicado:

a. Porque Dunga não tem condições de ser técnico da seleção
b. Porque Dunga cortou as mordomias da Globo na seleção
c. as duas anteriores

A minha escolha é a “c”, e aproveito para pedir ao Dunga que faça a denúncia até o fim, dê os nomes daqueles que “cobriam a seleção brasileira sem sair de casa” e que perdiam treinos porque ficavam “passeando no shopping”. Assim derruba a máscara de alguns de seus detratores.

O jornalista Mário Marona, em seu Blog do Marona, afirma que Dunga vai cair, porque ninguém resiste ao poder da Rede Globo. E ele sabe do que fala, porque foi por muito tempo editor-chefe do Jornal Nacional.

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Testemunha afirma que militares venderam jovens aos traficantes por R$ 60 mil

Em reportagem de Eduardo Faustini, exibida ontem à noite no Fantástico, uma testemunha afirma que militares venderam os três jovens do morro da Providência aos traficantes do morro da Mineira por R$ 60 mil, o que resultou na morte dos três.

A mulher presenciou a prisão dos jovens - que eram quatro -, o início das torturas e espancamentos pelos militares e conseguiu salvar a vida de um deles, que também participa da reportagem.



A versão da testemunha vem ao encontro de uma hipótese levantada por este blog, na postagem O Exército e o assassinato de três jovens do morro da Providência:

Uma resposta a essa questão é capaz de horrorizar aqueles que defendem que o Exército deve participar ativamente do confronto com os narcotraficantes: o tenente, os três sargentos e os sete soldados estavam a serviço dos traficantes do morro da Mineira, e foram até lá entregar-lhes a encomenda.

Exatamente o que afirma a testemunha.

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Suspeitos de tentativa de assassinato de Evo Morales presos na Bolívia

Dois homens ligados ao grupo racista e separatista União Juvenil Cruceñista foram presos na quinta-feira portando um fuzil com mira telescópica, nos arredores do aeroporto El Trompillo, em Santa Cruz, momentos antes da chegada do presidente Evo Morales ao local, de onde embarcaria para La Paz.

Tudo leva a crer que o objetivo de Carlos Yovani Domínguez e Junior Fernando Vaca Méndez era assassinar o presidente boliviano, antes que o Referendo Revocatório de agosto confirme o nome de Evo à frente do Estado boliviano e derrube os governos racistas e separatistas da chamada Media Luna.






Leia e veja também:

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Dunga acusa Rede Globo de querer sua cabeça

O técnico Dunga deu uma entrevista ao Blog do Boleiro, repercutida no jornal O Globo, onde acusa parte da imprensa de querer sua cabeça, porque ele teria cortado mordomias de alguns repórteres famosos, embora não cite seus nomes:

- Sei que querem a minha cabeça porque criei uma zona de desconforto para quem estava acostumado a cobrir a seleção brasileira sem sair de casa. Porque tinham a escalação, o time, as preferências do treinador. Mas isto mudou.

Dunga afirmou ainda que nunca declarou que Kaká não faria falta à seleção, e que a pré-convocação de Ronaldinho Gaúcho para as Olímpíadas, pelo presidente da CBF Ricardo Teixeira, é assunto que eles vinham debatendo há três meses.

- Agora, o Ronaldinho sabe que vai viajar na classe econômica, junto com o time. E tem que estar disposto a treinar.

No trecho final da entrevista, Dunga foi mais explícito e acusou repórteres da Rede Globo de Televisão de trabalharem contra ele por terem seus pedidos negados pelo treinador. A denúncia está publicada hoje na página 46 do jornal O Globo e no Blog do Boleiro [link acima]:

- Queira ou não, a poderosa manda e os caras que trabalham para ela acham que mandam. Não digo que seja a TV Globo, mas alguns profissionais que trabalham lá e estavam acostumados com privilégios e não têm mais. Nos EUA, vieram pedir para entrevistar um jogador à uma da manhã. Disse não. Foram à loucura. Um câmera ficou dizendo que ia falar com A, B ou C, mas falei que não. Não tenho culpa se chegaram atrasados em três dos quatro treinos que dei. Não é meu problema se o cara perdeu a hora passeando no shopping. Eu disse: "Não vai jogar a responsabilidade em cima de mim". Depois dizem que o Dunga é carrancudo. Tenho senso de justiça - declarou o treinador.

O que Dunga não disse, mas eu digo, é que não foi a Globo quem escalou e montou mal o time, nos jogos contra o Paraguai e a Argentina. Também a Globo não tem culpa se Robinho não está jogando nada, se o armandinho Diego, idem, e grande parte do time também.

O que Dunga parece que ainda não entendeu é que para ser técnico não basta ser disciplinador, acabar com mordomias do elenco e da imprensa. Tem que saber motivá-los também, ou o barco afunda.

Infelizmente, o que está ficando claro é que Dunga sabe como acabar com as mordomias mas não sabe como promover a alegria de uma equipe, o que acaba contagiando seu futebol. A seleção brasileira hoje é um time sisudo, carrancudo, sem regalias nem mordomias, mas também sem qualquer criatividade e alegria: a cara do Dunga.

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Globo diz que Veja falsifica; Veja diz que Globo esconde a verdade. Como sempre afirmamos

As Organizações Globo acusam a Abril (Veja) de “descrever tais fatos de forma distorcida” e que é “falsa a afirmação da reportagem da Veja. Esta afirma que a Globo esconde a verdade e omite que tem o poder de veto na transação que envolve Sky e MTV Brasil.

Distorcer, falsificar, esconder, omitir, tudo isso dito por eles, entre si, sobre si, é como diz aquele comercial, não tem preço.

Blogs sobre política, agência de informação, redes sociais, grupos, há quanto tempo afirmamos a mesma coisa? Precisava acontecer uma guerrinha por mercado entre eles para que tudo aquilo que denunciamos viesse à tona espontaneamente.

Pois é, sempre estivemos certos: eles omitem, mentem, falsificam, distorcem para defender seus interesses. A informação para eles é como o gol para o Parreira – um detalhe.

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Brasil fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez

Acha absurdo? Mas, cuidado, pela primeira vez na história das Copas o Brasil pode ficar de fora, caindo ainda nas Eliminatórias.

Nossa sorte é que a competição nas Eliminatórias é longa, com turno e returno, os adversários (exceto a Argentina) são fracos e a “marca” Brasil é tão importante para uma Copa do Mundo, que, na última hora, os Deu$e$ do Futebol movem seus pausinhos para não nos deixar de fora, porque se não fosse assim, não sei não...

Por duas vezes, o Brasil já passou raspando pelas Eliminatórias. Numa delas, após Parreira perder a queda de braço com o povo brasileiro e aceitar a volta de Romário à seleção. O Baixinho nos salvou, fazendo os gols e decidindo o jogo no Maracanã contra o Uruguai, o que nos garantiu a vaga.

Mas é bom não abusar da sorte. O Brasil de Dunga em seis jogos conseguiu apenas nove pontos em dezoito disputados, e ainda outro dia levou um calor do Paraguai, perdeu de dois como poderia ter perdido de mais, com uma atuação covarde e medíocre. Ontem, esse mesmo Paraguai que amedrontou e encurralou o Brasil (jogamos com três Dungas no meio de campo e um “armandinho”) levou uma goleada da Bolívia: 4 a 2.

A torcida, sábia como sempre, já deu a chave para resolver o problema, quando cantou alegremente “Adeus, Dunga”.

Se o desempenho da seleção em campo foi medíocre, o do técnico foi pior ainda. Mostrando estar completamente perdido, Dunga escalou um time mais ofensivo contra a Argentina que contra o Paraguai. Depois, substitui mal e errado, mostrando que não tem a mínima condição de dirigir a seleção brasileira.

“Adeus, Dunga”. Para melhorar as coisas, podiam também ressuscitar a CPI do Futebol e levar junto o Ricardo Teixeira, o homem que proferiu a célebre frase:

‘Se o relatório for aprovado, nós estamos fodidos’

Leia também:

Substituição na seleção brasileira: Sai Dunga, entra Zico

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O PT do Rio a caminho de mais uma derrota consagradora

Se há uma coisa de que o PT do Rio não gosta é de voto. Se a pessoa tem voto, não tem vez. Nem voz. Se tem vez e voz no partido, pode apostar, não tem voto.

E só essa vocação para não gostar de voto pode explicar o que vem acontecendo com a candidatura à prefeitura do Rio do deputado estadual Alessandro Molon, o incrível candidato que encolheu. Historio:

Por conta dessa paixão pela derrota, entre os possíveis candidatos à prefeitura o PT escolheu, claro, o menos conhecido e com menos chance de votos.

Mas aí o inimaginável ocorreu: o governador do Rio deu de mão beijada a cabeça de chapa para Molon, com um nome do PMDB (partido do governador) como vice.

Em vez de agradecerem a exótica aposta governamental, em que o rabo abanava o cachorro, o PT começou a fazer aquilo de que mais gosta: reuniões em cima de reuniões para discutir o que fazer com o inesperado presente.

Em vez de tomar medidas para tornar o anúncio do governador um fato político e não apenas o anúncio de um fato, o PT pôs a Carolina na janela para ver o tempo passar.

Dentro do partido, havia quem desconfiasse da atitude do governador, que era vista apenas como uma tentativa de agradar o presidente Lula – de quem Cabral é verbadependente. Esses então deveriam agir com mais presteza ainda, tratando de costurar alianças e tornar a chapa PT-PMDB tão forte que o governador não pudesse roer a corda adiante. Mas, nada.

Então, o que era inevitável aconteceu: o PMDB botou o caminhão na rua tocando Tim Maia (“Me dê motivo”), rompeu o acordo e a candidatura de Molon ficou sentada à beira do caminho.

Agora, com a candidatura estacionada não em dois dígitos, mas no dígito dois, o governo federal manda um recado do presidente Lula, que pede que o PT abra mão da candidatura própria, em favor da candidata do PC do B Jandira Feghali.

O partido, pra variar, está dividido, embora a opinião dos que não têm voto seja a de sempre: apoiar a opção do quanto menos voto melhor. E tome reuniões.

Enquanto isso, no mundo real, as coisas acontecem. Por exemplo, o caso envolvendo militares no assassinato de três jovens moradores do morro da Providência.

Os principais candidatos à prefeitura do Rio tomaram atitudes quanto ao fato, exigindo a retirada das tropas do Exército, entrando com medidas no TRE para verificar uso eleitoral das obras pelo senador Crivella etc.

Já o ainda candidato do PT Alessandro Molon, segundo O Globo de hoje (página 12), “disse que o partido vai discutir ainda esta semana quais atitudes deve tomar”.

Pena que quando essa decisão for (se vier a ser) tomada, não terá mais a menor importância, o assunto já estará resolvido e a pauta será outra.

E mais uma vez o tempo passou na janela e só o PT do Rio não viu.

É por isso que a cada eleição o PT do Rio vai diminuindo, diminuindo, diminuindo, diminuindo...

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O Fórum de Mídia Livre e os sindicatos de jornalistas

Eu já ia cometer uma imprecisão ao dizer que essa relação entre o Fórum e os sindicatos de jornalistas não houve, porque simplesmente nenhum sindicato se fez presente. Mas me disseram que não, o sindicato do Rio enviou um representante. A contribuição dele para o debate foi defender a necessidade do diploma para a o exercício da profissão...

A mídia corporativa, cada vez mais concentrada e globalizada, obrigando os profissionais mais bem pagos a se transformarem em empresas; a utilização de estagiários sub-remunerados, as horas extras não cobradas, o acúmulo de trabalho e de pressões; a submissão de redações inteiras às mistificações dos chefetes, as ofensas de pitblogueiros contra colegas jornalistas (como acontece na Veja); a obrigatoriedade de engolir não apenas sapos mas até camelos...; nada disso abalou os sindicatos, que continuam em sua cruzada na defesa do diploma.

Os donos de jornais, de empresas de comunicação e de faculdades de jornalismo (onde alguns dão aulas) agradecem.

A informação, matéria básica do jornalista, lamenta.

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O Exército e o assassinato de três jovens do morro da Providência

Não sei sua opinião, mas essa história do frio assassinato de três jovens do morro da Providência, no Rio, com a participação de soldados e oficiais do Exército está muito mal contada.

Por que eles levariam os jovens para serem assassinados por facção rival do crime organizado, em outra favela, em vez de eliminar os jovens simplesmente, como parece ter sido a intenção?

Uma resposta a essa questão é capaz de horrorizar aqueles que defendem que o Exército deve participar ativamente do confronto com os narcotraficantes: o tenente, os três sargentos e os sete soldados estavam a serviço dos traficantes do morro da Mineira, e foram até lá entregar-lhes a encomenda.

Outra resposta deixa mal o Exército: na verdade, os militares assassinaram os jovens e a história dos traficantes foi criada apenas para livrar a farda do crime.

A terceira história – a contada por eles – pode até ser a verdadeira, mas é completamente inverossímil. Como um tenente, insatisfeito com a ordem do capitão para que libertasse os jovens, comenta com seus subordinados que quer castigá-los, um dos soldados tem a idéia de entregá-los aos traficantes da favela rival, isso é feito, e depois os corpos são encontrados longe dali, num lixão na Baixada Fluminense?

Qualquer que seja a alternativa, ela só vem reforçar a tese de que não é papel do Exército combater o tráfico de drogas.

Aliás, por falar nisso, o que está fazendo o Exército no morro da Providência, a serviço de um projeto do senador Crivella, que é do partido do vice-presidente José Alencar, e candidato a prefeito do Rio?

E você, sherlockiano leitor, você, minha agathíssima leitora, o que acha disso tudo?

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Prefeito corrupto de Juiz de Fora, Bejani renuncia para tentar a reeleição

Somente a certeza da impunidade, ou pelo menos a incerteza da punição, pode explicar a atitude do prefeito de Juiz de Fora Carlos Alberto Bejani (PTB), que renunciou ao cargo para não perder direitos políticos e tentar sua reeleição.

É inacreditável, mas Bejani renunciou, diretamente da cadeia da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, MG, onde se encontra preso por desviar dinheiro público e encher os bolsos com dinheiro privado.

Reportagem da revista Época traz um vídeo, que reproduzo a seguir, recolhido no gabinete do prefeito, que prova sua corrupção de maneira irrefutável. Ele negocia com um intermediário a propina pelo aumento do preço das passagens de ônibus naquela cidade, com a naturalidade de quem participa desse tipo de negociação corriqueiramente.



Será que o caso Bejani irá se juntar a outros que denunciei aqui em Bateau Mouche, Varig, Rede Manchete, RedeTV!, Jornal do Brasil, Proer, Sérgio Naya, Pimenta Neves e outras vergonhas do Judiciário? O que você acha?

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Fórum de Mídia Livre e a luta contra a mídia corporativa

Neste final de semana aconteceu aqui no Rio de Janeiro o Fórum de Mídia Livre. Infelizmente não pude participar da forma como gostaria, pois compromissos de trabalho e um inesperado problema de saúde na família fizeram com que minha participação fosse apenas episódica, para cumprir compromisso assumido com o Renato Rovai de que participaria de sua mesa. Aguardo a publicação do documento final, para comentá-lo aqui com vocês.

Estamos vivendo um momento muito importante, em que está em curso um levante mundial contra o excessivo poder da mídia corporativa e globalizada. No Brasil, não é diferente.

Mas, como enfrentar o poder dos gigantes midiáticos? Como levar informação alternativa aos que procuram por ela? Como fazer chegar essa informação ao leitor que ainda nem sabe que necessita dela, aquele que tem sua realidade seqüestrada pela grande mídia? Como fazer prevalecer nossas pautas, se no Brasil a maioria da população é pautada pela minoria? Se são ignorados temas como, por exemplo, a renovação das concessões de rádio e TV, o excesso de concentração da mídia (que pode estender-se agora a São Paulo com a mesma concentração que já existe no Rio, com a compra do Estadão pelas Organizações Globo, caso a proposta venha a ser confirmada)?

Por isso o Fórum foi tão importante e sua realização um sucesso, inclusive com transmissão online.

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Substituição na seleção brasileira: Sai Dunga, entra Zico

Taí, essa é a substituição que eu gostaria de ver na seleção. O Zico, além de ser um jogador infinitamente melhor do que Dunga, tem experiência de dirigir uma seleção durante uma Copa do Mundo (a do Japão, na Copa passada) e poderia representar para nosso futebol o mesmo papel de um Telê Santana, que defendia o futebol brasileiro, habilidoso e ofensivo.

Mas parece que o pessoal prefere o Ego do Luxemburgo ou o Superego do Felipão. É o seu caso, leitorcedor(a) brasileiro(a)?

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