Juan Arias, correspondente do jornal espanhol El País no Brasil, mora no Rio, mais precisamente em Saquarema, pequena cidade da Região dos Lagos, a 100 km da capital, Rio de Janeiro.
É de lá que ele escreve seu noticiário ficcional, ou suas reportagens editorializadas, sempre atacando os governos populares de Lula e Dilma.
Já o critiquei aqui -
El Pais segue desinformando sobre Brasil e governo da presidenta Dilma, mas o comportamento dele segue orientação de seu jornal, que é a mesma de nossa mídia corporativa, hostil aos governos populares não só do Brasil como de toda a América Latina.
Até aí é problema deles. Mas, agora, Arias pegou uma reportagem do Estadão, sob um suposto mal estar do governo brasileiro, especialmente da presidenta Dilma, com a participação da ex-candidata à presidência Marina Silva na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, e só não fez um Copy & Paste total porque são línguas diferentes, e também porque pegaria muito mal - afinal, ele está aqui, em Saquarema, teoricamente, para trabalhar, não?
Comparem a reportagem do Estadão de ontem com a do El País de hoje:
Estadão:
Marina Silva causa mal estar entre ministros em Londres
Londres, 28/07/2012 - A presença da ex-ministra Marina Silva na
cerimônia de abertura da Olimpíada de Londres causou mal estar entre os
ministros do governo de Dilma Rousseff. A participação pegou a todos de
surpresa.
Marina entrou carregando a bandeira com os anéis olímpicos juntamente
com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o maestro argentino Daniel
Barenboim e prêmios Nobel. O convite partiu do Comitê Olímpico
Internacional, sem o conhecimento do governo brasileiro, e foi mantido
em sigilo. A ex-ministra é reconhecida internacionalmente por seu
trabalho de defesa do meio ambiente.
A situação cria constrangimento porque Marina não tem boas relações
com Dilma Rousseff e acabou encobrindo a presença da presidente do
próximo país-sede da Olimpíada na cerimônia de abertura de Londres,
ontem. "Marina sempre teve boa relação com as casas reais da Europa e
com a aristocracia europeia", disparou o ministro do Esporte, Aldo
Rebelo, adversário político de Marina na polêmica do Código Florestal.
"Não podemos determinar quem as casas reais escolhem, fazer o quê?"
O presidente da Câmara, Marco Maia, disse que a primeira reação foi
de surpresa. Para ele, o COI deveria ter feito um melhor trabalho de
comunicação com o governo brasileiro. "É óbvio que seria mais adequado
por parte do COI e da organização do evento que houvesse um diálogo de
forma mais concreta com o governo brasileiro para a escolha das
pessoas", disse, sem deixar de reconhecer a importância do trabalho
ambiental de Marina.
Para outro membro da delegação, que pediu para não ser identificado, o
que o COI fez foi o equivalente a convidar um membro da oposição
britânica para um evento no Brasil que tenha o governo de Londres como
convidado especial.
Ao Grupo Estado, Marina explicou que só recebeu o convite na ultima
terça-feira, dia 24. Sobre Dilma, insistiu em não criar polêmica,
dizendo que "sentia orgulho" em ver a primeira presidente mulher do país
na arquibancada do estádio olímpico.
Ontem, Dilma foi mostrada pelas câmeras oficiais por menos de cinco
segundos, enquanto a entrada de Marina foi amplamente comentada, como
representante da luta ambiental no mundo. O ministro do Turismo, Gastão
Vieira, só ficou sabendo da presença de Marina já no Estádio Olímpico.
"Foi surpresa", disse o ministro da Ciência, Marco Antonio Raupp.
Agora, a do
El País, de (?) Juan Arias:
La ecologista Silva eclipsa la presencia de Dilma en la apertura de los Juegos
La presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, y los ministros de su Gobierno presentes a la apertura de los Juegos Olímpicos de Londres
tuvieron que ver con sorpresa, sin que nadie les hubiese informado
antes, desfilar junto al secretario general de la ONU, Ban Ki-moon, y
siete personalidades mundiales más a la ecologista y opositora Marina Silva llevando la bandera olímpica, mientras era aplaudida y puesta de relieve ante millones de telespectadores del mundo.
El Comité Olímpico había guardado el secreto con celo y la propia
presidenta Dilma supo de la distinción a su adversaria política cuando
esta salió llevando la bandera olímpica.
La que fuera ministra de Medio Ambiente del expresidente Luiz Inazio
Lula da Silva durante cinco años y fundadora con él de su partido (el
PT) dejó el Gobierno por incompatibilidad de la entonces ministra de la
Casa Civil, Dilma Rousseff, a la que Silva consideraba poco inclinada a
los temas ecológicos.
La exministra dejó también el partido de Lula y Dilma, se pasó al
Partido Verde y disputó con Dilma las presidenciales consiguiendo 20
millones de votos, que obligaron a la candidata de Lula a disputar la
segunda vuelta.
El Comité Olímpico Internacional (COI) ha alegado que la ecologista
fue escogida junto con otras siete personalidades mundiales por “su
lucha contra la destrucción de la selva amazónica”.
El hecho de que Silva ensombreciera la presencia de la mandataria
brasileña en Londres que solo tuvo cinco segundos en la televisión ha
causado malestar en el Gobierno de Brasilia y en su diplomacia.
Todos han confesado que fueron cogidos de sorpresa y que ninguna
autoridad brasileña había sido ni consultada ni avisada con antelación.
El ministro de Deportes, el comunista, Aldo Revelo, comentó con
ironía: “No podíamos impedir que la Casa Real de Inglaterra invitara a
la exministra. Además ella siempre se llevó bien con la nobleza
europea”.
El presidente del Congreso, Marco Maia, ha revelado también su
sorpresa dando a entender que como mínimo se ha tratado de un gesto de
poco gusto diplomático.
Dilma ha sido elegante y no ha comentado el caso. Su antagonista
política, Silva, comentó en su página web que se había sentido orgullosa
de ver en el palco a la primera mujer brasileña presidenta de la
república.
Arias não procurou nem disfarçar. Usou até os mesmos depoentes e depoimentos, na cara de pau. Deveria, ao menos dar o crédito. Ou não? Ou é tudo a mesma coisa e entre eles está tudo certo já que o objetivo é o mesmo?
Será que El País e o Estadão sabem disso?