domingo, 20 de agosto de 2017

Desde que chamou o presidente Lula às falas, Gilmar Mendes é, na prática, o homem mais poderoso do Brasil


Quem não se lembra do famoso caso do grampo sem áudio, uma famosa "reporcagem" da Veja, que afirmava que a Abin estava grampeando o presidente do STF à época (Gilmar Mendes) e, como prova, mostrou a transcrição de um áudio (jamais revelado) entre Mendes e o então senador Demósthenes Torres, em que ambos falavam platitudes?

Lula cedeu a Gilmar e demitiu o diretor da PF Paulo Lacerda, que havia apoiado a operação que pôs na cadeia e condenou por 10 anos o banqueiro-bandido (foi o que a sentença determinou) Daniel Dantas.

A partir daí, e de dois habeas corpus de Gilmar soltando o banqueiro-bandido (palavras da sentença que o condenou), a Operação Satiagraha acabou anulada, o banqueiro livre e o delegado responsável pela prisão, Protógenes, punido - hoje, exilado.

De lá pra cá, Gilmar só aprontou: Mandou soltar o médico estuprador, condenado a mais de 100 anos de cadeia pelo estupro de 78 pacientes. Ele estava peso provisoriamente para evitar que fugisse. Investigações mostraram que ele havia providenciado o pedido de uma renovação de passaporte.

Curioso, para que um homem de mais de 70 anos e com uma condenação daquele tamanho queria renovar o passaporte? Sonhava em ser Matusalém? Pois foi solto, graças a Gilmar, e fugiu do país, voltando a ser preso alguns anos depois no Paraguai.

Foi Gilmar também quem proibiu a nomeação de Lula como ministro de Dilma, o que poderia ter salvado o mandato da presidenta, face à incrível capacidade de negociação de Lula. Gilmar alegou que Lula estava sendo nomeado para conseguir foro privilegiado.

Curiosamente, Moreira Franco foi nomeado ministro com essa específica finalidade (porque já estava no governo, só que sem status para o foro) e Gilmar Mendes nem piou.

Foi Gilmar Mendes, como presidente do TSE, que comandou a incrível absolvição de Temer, mesmo tendo sido revelado todo o esquema de corrupção do golpista para sua campanha em 2014.

Foi Mendes também quem devolveu a plenitude do mandato a Aécio Neves, o multidelatado, com mais de R$ 200 milhões em propinas.

Agora, Mendes manda soltar o empresário Barata, chefão do transporte público no Rio de Janeiro, acusado de montar um esquema de corrupção que distribuiu R$ 500 milhões em propinas para Sergio Cabral e sua quadrilha do PMDB. Detalhe: Mendes foi padrinho de casamento do filho de Barata e o irmão de sua mulher, Guiomar Mendes, é sócio do Barata.

Mendes fala e faz o que quer, sem ser contestado por ninguém, nem por seus pares, que assistem silenciosamente às bravatas do coroné, que, diga-se de passagem, até hoje não devolveu as terras que sua família teria tomado dos guarani-kaiowá, conforme denúncia levada ao Senado pelo à época senador Eduardo Suplicy.

Por isso, quando precisa tomar alguma decisão, o golpista Temer chama quem manda e recebe em sua casa o poderoso chefão Gilmar Mendes, em encontros "secretos" - que os dois fazem questão de deixar vazar para mostrar quem está no comando.

Até quando?

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