quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Ministra Cármen Lúcia, que quis dar lição de língua portuguesa (errada) a Dilma, não sabe o que significa 'supremo'


Em agosto do ano passado, a ministra e atual presidente do STF, Cármen Lúcia, ao ser eleita para o cargo foi questionada pelo presidente do Tribunal na época, Ricardo Lewandowski, se preferiria ser chamada presidente ou presidenta.

"Eu fui estudante e eu sou amante da Língua Portuguesa. Acho que o cargo é de presidente, né?", justificou, em tom bem humorado.  

Se fosse realmente amante da língua, como se declarou, não teria dado a mancada, pois nossa língua admite as duas formas. Presidenta não é erro.

Também se fosse a amante da língua que disse ser, a ministra não proferiria o voto titubeante, onde discordava do que antes concordara e concordava com o que antes discordara e, muito pelo contrário, sendo pode não ser, pode ser. Ou não, como diria Caetano.

Pois ontem o Supremo deixou de ser supremo, palavra que quem estuda a língua sabe o que significa, e foi desrespeitada com o voto de desempate da ministra que colocou a decisão suprema sob alcance de decisão posterior do Senado. Ou seja, o Supremo não é supremo.




Quem escreveu um excelente e crítico resumo da votação de ontem no STF sobre o afastamento ou não de Aécio (era disso que se tratava, no fundo) foi o Brito no seu Tijolaço, de onde retiro o trecho a seguir, sem deixar de recomendar a leitura integral do texto, que você pode conferir aqui.

Empatada em cinco a cinco a decisão de se o Supremo precisaria submeter ao parlamento decisões que, na prática e por tempo indeterminado, significam a cassação do mandato eletivo -depois de um voto absolutamente arrogante de Celso de Mello, que teve como florão a frase “a Constituição é aquilo que o Supremo diz que é”, a Ministra Cármen Lúcia deu um voto “conta de chegar” completamente destituído de lógica.

Concordou com a submissão ao parlamento “apenas”  quanto à cassação expressa do mandato, mas não com as demais medidas: recolhimento noturno, proibição de entrar em locais onde pudesse pra ticar infrações (neste caso, óbvio, o Senado ) e proibição de falar com pessoas que o pudessem auxiliar (quem mais que os outros senadores e deputados?).

Quando um voto é desmontado pela inteligência paleozoica de um Alexandre de Moraes – “mas ministra, se a votação foi depois de seis da tarde, que mandato é esse onde ele não pode votar, porque está na hora de voltar pra cadeia noturna? – e pela fina ironia de Ricardo Lewandowski – é uma medida preventiva de “baladas”? – sinal de que se chegou ao fundo do poço.

Até o minúsculo Fachin, diante da afirmação de Carmem Lúcia de que concordava “em quase tudo” com seu voto, exceto na cassação formal do mandato, teve de dizer: ““O ponto de divergência de Vossa Excelência é o ponto central do meu voto, portanto sou voto vencido”.

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