sábado, 6 de janeiro de 2018

Luis Fernando Verissimo e a invasão da Venezuela. Ou vice-versa

Manifestações na Venezuela em defesa de sua soberania

Esta semana um economista e professor de Harvard escreveu artigo, publicado na Folha (a da ditabranda, a dos carros para transporte de presos a caminho da tortura na ditadura, a da ficha falsa de Dilma), pregando a invasão da Venezuela e a destituição do governo democraticamente eleito de Nicolás Maduro.

Mesmo na Folha, que tem como política editorial só se referir a Maduro como ditador e à Venezuela como ditadura, o artigo caiu mal. Nos últimos dias, vários têm sido publicados em sentido contrário. Mas aí entra o Luis Fernando Veríssimo na história...

Não, Veríssimo não escreveu nada sobre o artigo (pelo menos que tenha chegado a meu conhecimento) e nem é sobre esse assunto que quero me referir.

Há muitos anos, ainda no antigo Jornal do Brasil (que vão ressuscitar, como o iô-iô ou o bambolê, que de vez em quando voltam à moda), Veríssimo escreveu uma de suas deliciosas e sutis crônicas em que descrevia uma reunião da equipe econômica do governo. Era época da ditadura. O ministro devia ser Delfin Neto, e nem me lembro se ele era referido no texto ou não, mas foi assim que ficou na minha cabeça.

A equipe estava reunida quando alguém sugeriu que a solução para o problema da pobreza e da fome era matar os pobres. Ooooooh!, espantou-se o ministro. Como o sujeito se sentia autorizado a sugerir uma monstruosidade daquelas?

Em seguida, ao final da reunião, chegaram a um consenso e o ministro editou mais uma daquelas medidas econômicas, que, como consequência, trouxe a morte a milhares de pobres.

O mesmo deve acontecer agora. Em seu artigo na Folha o professor de Harvard agiu como o apressado na reunião da equipe econômica. Foi criticado, mas a decisão foi no sentido de sua proposta.

Exatamente como agora. A invasão da Venezuela já está decidida há tempos e vai acontecer mais dia menos dia, ou como explosão (forças de fora) ou como implosão (forças de dentro).

O desmonte e a entrega de armas das Farcs na Colômbia tornam mais possível ainda o cenário de um conflito de fronteira entre Colômbia e Venezuela (conflito insuflado e fabricado), que vai acabar tornando possível a invasão.

Até lá, o sufoco econômico e a falta de solidariedade até do Brasil sob golpe, vão minando o governo Maduro, para que um dia nosso vizinho seja apresentado ao mundo como um novo e libertado Iraque, Afeganistão, Líbia ou Síria.

No Brasil foi necessário apenas um golpe de Estado. "Com o Supremo, com tudo".


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