quinta-feira, 13 de junho de 2019

Moro e a Globo. O que aconteceu no dia do grampo de Lula com Dilma, entre o início da tarde e o Jornal Nacional


O The Intercept Brasil lançou ontem mais trechos dos diálogos gravados entre Moro e procuradores da Lava Jato, em especial o procurador de deus Deltan Dallagnol.

Um dos diálogos mostra bastidores do que aconteceu na tarde do dia 16 de março de 2016. Naquele dia, a presidenta Dilma havia decidido nomear o ex-presidente Lula seu ministro da Casa Civil, com amplos poderes, na tentativa de barrar o golpe de Estado que se avizinhava. Pela manhã foi divulgada uma nota da presidência da República informando o fato.
Nota à Imprensa 
A Presidenta da República, Dilma Rousseff, informa que o ministro de Estado Chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, deixará a pasta e assumirá a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República. Assumirá o cargo de Ministro de Estado Chefe da Casa Civil o ex-Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. 
Assumirá, ainda, o cargo de ministro de Estado Chefe Secretaria de Aviação Civil, o Deputado Federal Mauro Ribeiro Lopes. 
A presidenta da República presta homenagem e agradecimento ao Dr. Guilherme Walder Mora Ramalho pela sua dedicação.

Isso provocou intenso rebuliço na mídia corporativa, que via o fato como uma tentativa da presidenta de livrar Lula das garras de Moro lhe dando foro privilegiado, o que transferiria qualquer processo contra ele para o STF.

Após reunir-se com a presidenta, Lula se preparava para voltar a São Paulo, pois dona Marisa estava adoentada, quando recebeu uma ligação da presidenta. Ambos não sabiam que estavam grampeados de forma duplamente ilegal (explico a seguir) pelo juiz Moro.

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Lula e outras pessoas estavam grampeadas pela Lava Jato, com autorização judicial. Pela manhã, o juiz Moro recebeu a ordem de interromper o grampeamento, o que Moro determinou exatamente às 11:12:22.

O diálogo entre Lula e a presidenta Dilma aconteceu às 13h32, portanto após a determinação do fim da gravação. No entanto ele foi gravado (ilegal) e liberado por Moro para ir ao ar no Jornal Nacional na noite daquele mesmo dia (o que era duplamente ilegal, por ter sido captado após a interrupção da autorização e por estar na gravação a presidenta da República, que tem prerrogativa de foro).

Mas Moro decidiu vazar a gravação assim mesmo, com o intuito de tentar impedir (de forma ilegal) a nomeação de Lula para o ministério, dizendo que esse era o intuito do diálogo e da nomeação, e não a necessidade que a presidenta via da competência e do carisma de Lula para tentar resolver a situação em que se encontrava seu governo.

A hipótese de vazar os grampos era cogitada antes da gravação entre Lula e Dilma,  como mostra pergunta de Dallagnol a Moro às 12:44:28: "A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeação, confirma?".


Na conversa entre Moro e Dallagnol, havia  certa dúvida, até em Moro, quando pergunta pela posição do MPF às 12:58:07. Com a "joia" do grampo entre Lula e Dilma, que chegou às suas mãos mais tarde (o diálogo foi às 13h32), a Lava Jato avançou ainda mais e ultrapassou o sinal da legalidade.

Quando é perguntado por sua decisão, às 16:21:47, ele só responde quase uma hora depois, às 17:11:20: Já abri. Ou seja, já havia passado para a Globo a íntegra do grampo ilegal.

Falta agora a parte que Glenn Greenwald e o Intercept estão guardando para divulgar no momento em que julgarem oportuno: como foi a negociação da divulgação do grampo ilegal entre Moro e a Globo, para que o assunto fosse trabalhado e levado ao ar na edição daquela mesma noite do Jornal Nacional [o trecho é publicado a seguir].

Quem foi o agente da Globo na negociação com Moro. Qual o diálogo que foi travado entre eles, e em que condições. Sabiam (moro é claro que sim) que estavam agindo de modo ilegal?

Por isso a Globo ataca a forma como o material chegou ao Intercept, com o objetivo de desacreditá-lo ou mesmo de censurá-lo.

Só que no caso Snowden (que lhe rendeu o Pulitzer) Greenwald peitou o governo dos Estados Unidos. Não vai ser a Globo a amedrontá-lo.


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