domingo, 8 de dezembro de 2019

Domingo com Música. Há 25 anos, o Brasil perdia o Tom

Tom Jobim


Há, 25 anos, morria Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom da música brasileira 


Em sua coluna na Folha hoje, Ruy Castro relembra algumas de suas canções e nos alerta para a ameaça de um dia o Brasil perder realmente o Tom.
Todo mundo conhece pelo menos cinco canções de Tom Jobim. As que vêm primeiro à mente, e com razão, são “Chega de Saudade”, “Samba do Avião”, “Garota de Ipanema”, “Wave” e “Águas de Março”. Outros serão capazes de citar as quase tão famosas “Desafinado”, “Corcovado”, “Dindi”, “Sabiá” e “Retrato em Branco e Preto”. Muitos se lembrarão de “Só Danço Samba”, “Chovendo na Roseira”, “Lígia”, “Gabriela” e “Anos Dourados”. E os sofisticados falarão de “Modinha”, “O Grande Amor”, “Passarim”, “Borzeguim” e “Two Kites”.
Um universo de 20 fabulosas canções. Se isso parece pouco —pouco?—, é porque o próprio Tom, em suas apresentações com a Banda Nova nos últimos dez anos de vida, fez delas a base de seu repertório. Como não havia muito tempo para ensaios, era difícil incluir variações —exceto, às vezes, “Samba de Uma Nota Só”, “Correnteza”, “Bonita”, “Luiza”, “Chansong”. E, com isso, dezenas de outras pequenas obras-primas podem estar sendo excluídas do cânone. 
“Teresa da Praia” continua popular, mas e “Aula de Matemática”, “Olha Pro Céu” e “As Praias Desertas”? Quantos ainda se lembram de joias da sua fase samba-canção, como “Foi a Noite”, “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Eu Sei Que Vou Te Amar”, “Estrada do Sol” e “Por Causa de Você”? Ou mesmo dos primeiríssimos clássicos da bossa nova, como “Só Em Teus Braços”, “Este Seu Olhar”, “Brigas Nunca Mais”, “Vivo Sonhando” e “Amor em Paz”?
Um dia, “A Felicidade”, “Lamento no Morro”, “Demais”, “Surfboard” e “Ela É Carioca” continuarão a ser escutadas? E “Insensatez”? E “Meditação”? E “Fotografia”? E “Inútil Paisagem”? E “O Morro Não Tem Vez”? 
Eu sei, a obra de Tom, sozinho ou com parceiros, parece inesgotável e indestrutível. Mas seu inimigo, o silêncio, está à espreita. Que os 25 anos de sua morte, hoje, nos alertem para a ameaça de dissolução de mais um patrimônio brasileiro.
Por aqui, publico mais uma vez aquela que é minha canção preferida, não apenas entre as de Tom, mas as de todos, Águas de Março. Um hino à vida, naquilo que ela tem de mais corriqueiro, mas que a genialidade de Tom Jobim transforma em epifania [Um dia publico aqui como conheci num mesmo dia Águas de Março (fui dos primeiros a ter acesso à música, antes do disquinho do Pasquim ser lançado) e Búzios. Isso em 1972. Que ano!].


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