sexta-feira, 2 de julho de 2021

Jornalismo vagabundo do Globo entrevista Flávio Bolsonaro mas não questiona suas respostas

O Globo publica hoje uma entrevista com Flávio Rachadinha Bolsonaro, que deve ter sido feita por e-mail, pela falta de questionamento às respostas evasivas do entrevistado. 
 
Não há outra explicação para o fato de o repórter ter aceitado sem questionar, por exemplo, a resposta de Flávio se o presidente Bolsonaro teria prevaricado ao não acionar a Polícia Federal ou o Ministério Público quando foi avisado das suspeitas na compra da Covaxin.
Óbvio que não teve prevaricação. O presidente informou ao ministro da Saúde (na época, Eduardo Pazuello) o que tinha sido relatado. O ministro, na sua hierarquia de comando, cobrou também algum retorno, se havia algo de irregular. O retorno foi que não havia nada irregular, processualmente falando. Nada tinha de materialidade ali (na denúncia).
Quer dizer que não havia irregularidade em pagar adiantado por vacinas, o que não estava previsto em contrato? Mais: pagar adiantado a uma empresa de fachada, que também não estava citada no contrato? Se não era irregular, era o quê?
 
Como não havia materialidade? Estava no contrato. A empresa destinatária do dinheiro não constava dele. Havia os e-mails de funcionários pressionando o irmão do deputado para que liberasse o pagamento irregular. Nada disso foi questionado.
 
Segue o repórter:
Há algum algum documento ou registro mostrando que o presidente comunicou a Pazuello e que alguma providência foi tomada?
Flávio: - Acredito que não. Isso acontece muito pelo telefone. “Olha, tem uma denúncia aqui, uma suspeita de irregularidade no contrato tal. Dá uma olhada e vê se tem algo de irregular”. Aí avaliam que não tem nada e falam: “Chefe, a princípio não tem nada”. Não tem por que acusar o presidente Bolsonaro de prevaricação.

Acontece muito pelo telefone?! Uma negociação de R$1,6 bilhão, com US$45 milhões a serem pagos como adiantamento, fora do contrato, a empresa de fachada, também fora de contrato, e a resposta da cadeia de comando é "Chefe, a princípio não tem nada"? Mas, se não tinha nada, porque o contrato foi desfeito somente após a denúncia?
 
A pergunta que fica é: para que fazer uma entrevista dessas? A quem serve, se o entrevistado responde o que quer sem questionamento?
 
Esse é o jornalismo declaratório vagabundo que temos hoje. Em grande parte por isso é que os Bolsonaro estão no poder destruindo o país, impunemente.





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