Puxado por São Paulo de Tarcísio, feminicídio bate recorde no Brasil em 2025

O governador de São Paulo Tarcísio de Freitas parece te alguma coisa contra as mulheres. Primeiro, nomeou para a Secretaria da Mulher a vereadora bolsonarista raiz Sonaira Fernandes. Seu cartão de visitas pode ser resumido nessa postagem do X, onde escreveu: 

"O feminismo é a sucursal do inferno. Quem se diz feminista e cristã está servindo ao Satanás e seus demônios."


 

Com três meses à frente da Secretaria, os feminicídios no estado aumentaram 24% e os estupros tiveram alta de 5%.

O orçamento total da pasta aparecia com um total de quase R$ 800 milhões, mas o valor estava atrelado ao Departamento Hidroviário, ao Departamento de Estradas de Rodagem e à Companhia Docas de São Sebastião, todas da antiga Secretaria de Transporte e Logística.

A única ação que tinha alguma relação com a Secretaria da Mulher, educação em direitos humanos e cidadania, tinha um orçamento previsto de R$ 10.

Em 2023, a pasta utilizou apenas 3% do previsto para investir em delegacias da mulher 24 horas, que passaram a ter atendimento apenas online. O orçamento disponibilizava R$ 24 milhões para a rubrica, mas apenas R$ 675,5 mil foram empenhados durante todo o ano passado.[G1]
Com esse perfil, conseguiu ficar à frente da Secretaria até abril de 2024, quando, reclamando de falta de verbas, voltou à Câmara Municipal.

Tarcísio a substituiu pela deputada estadual Valéria Bolsonaro. O nome diz tudo. Valéria é casada com um primo do ex-presidente machista, misógino e condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes conexos.

Como legítima Bolsonaro, em seus seis anos de atuação na Assembleia Legislativa de Sao Paulo não apresentou um projeto sequer em defesa das mulheres e se diz contra a tal "ideologia de gênero", ficção bolsonarista desenvolvida junto ao kit gay e a mamadeira de piroca.

Não bastassem as nomeações, Tarcísio vem cortando sistematicamente verbas da Secretaria da Mulher, de saída sempre insignificantes.

A deputada Erika Hilton, em seu perfil na Rede X, traça um retrato do modo Tarcísio de governar para (ou contra?) as mulheres:

O estado de SP bateu recorde de violência contra a mulher e de FEMINICÍDIOS neste ano.

E isso não é por acaso.

Tarcísio de Freitas corta ou congela, todo ano, o investimento em proteção às mulheres.

Já a Lei das Delegacias da Mulher 24 horas está sendo completamente IGNORADA.

Das 141 Delegacias da Mulher de São Paulo, apenas 18 cumprem a Lei e funcionam ininterruptamente.

Em 2024, Tarcísio de Freitas congelou >96%< da verba de combate à violência contra a mulher.

Neste ano, 2025, após Tarcísio propor um orçamento apenas R$ 10 milhões para a Secretaria da Mulher, ser derrotado na ALESP e ser aprovado um novo orçamento de R$ 36 milhões, Tarcísio congelou R$ 20 MILHÕES desse novo orçamento.

Para o ano que vem, 2026, Tarcísio aprovou uma orçamento no qual metade do congelamento deste ano vira um corte definitivo, o que fez a Secretaria da Mulher perder mais R$ 10 MILHÕES.

O crescimento da violência contra a mulher no Estado de São Paulo não é apenas uma tragédia. É resultado do PROJETO POLÍTICO do governador Tarcísio de Freitas.

Tarcísio e as nomeações de Derrite e Bolsonaro

Quando o governador Tarcísio escolheu para seu Secretário de Segurança Gustavo Derrite, um policial que foi expulso da Rota, tida como a polícia mais mortal do Brasil, por excesso de letalidade, deu um sinal à tropa.

Derrite ficou conhecido por afirmar que um policial que estiver na rua durante três anos e não tiver matado pelo menos três é "vergonhoso".

Tarcísio e o aumento da violência policial

Resultado: a tropa entendeu que tinha licença para matar e São Paulo, cujos índices de violência policial vinham em queda, aumentaram ano a ano após a chegada da dupla Tarcísio-Derrite ao poder e bateu recorde de letalidade policial nos último anos, com um resultado 64% maior ano passado que no anterior.

Tarcísio e o aumento do feminicídio

O mesmo acontece com a nomeação da bolsonarista Valeria Bolsonaro e a falta de verbas: São Paulo puxou a fila no recorde de feminicídios no Brasil com 233 mulheres assassinadas, quase o dobro da segunda colocada. E ainda faltam os números de dezembro do estado, que ainda não foram computados.

gráfico com os números

Portanto, com os números de dezembro, São Paulo pode vir a ter o dobro de feminicídios do Rio de Janeiro, o segundo colocado.

Tarcísio vira alvo do MP

Diante desse cenário, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) do MPF instaurou inquérito para apurar se houve omissão do poder público estadual. Entre os pontos investigados estão a redução de verbas para a Secretaria de Políticas para a Mulher e para as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), além da baixa execução orçamentária.

Levantamentos indicam que, em 2025, o governo Tarcísio executou apenas 28% do orçamento previsto para a Secretaria de Políticas para a Mulher até setembro. Dos R$ 38,2 milhões disponíveis, apenas R$ 10 milhões foram efetivamente liquidados. A pasta começou o ano, inclusive, com um orçamento mais de 50% menor do que o de 2024.

Dados apresentados pela deputada federal Erika Hilton ao Tribunal de Contas do Estado apontam ainda cortes de R$ 5,2 milhões nas DDMs e uma proposta orçamentária para 2026 54,4% menor do que a de 2025.

A promotora Fabíola Sucasas, do Ministério Público de São Paulo, classifica o cenário como desperdício.

“É um grande desperdício ter orçamento e não utilizá-lo quando há possibilidade de criar programas importantes. Se a pasta tiver orçamento, ele precisa ser executado”, afirma.

Prioridades do governo e contraste com outros órgãos

Enquanto áreas como Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça e Tribunal de Contas tiveram 100% de seus recursos liberados, a Secretaria de Políticas para a Mulher enfrentou contingenciamentos, cortes e execução mínima. Programas centrais, como Empreenda Mulher e Emprega Mulher, tiveram seus recursos reduzidos pela metade e nenhum valor foi efetivamente investido até agora.

Áreas estratégicas também mostram execução irrisória: materiais de consumo tiveram apenas R$ 34 mil liquidados de R$ 10 milhões previstos, e auxílios e investimentos ficaram praticamente paralisados.

Impacto direto nas vítimas

A consequência dessa política se reflete na vida de mulheres como Joana, de 26 anos, vítima de violência doméstica. Proibida de trabalhar e agredida pelo ex-companheiro, ela afirma que não conseguiu acessar programas estaduais e só rompeu o ciclo de violência com apoio de uma ONG.

“Sabia que existiam programas, mas não conseguia acessar. Foi uma instituição não governamental que me acolheu”, relata.

Governo se defende

Em nota, o governo de São Paulo afirmou que foi notificado pelo MPF e diz que adotou uma política intersecretarial inédita, destacando investimentos, ampliação das DDMs, uso de tornozeleiras eletrônicas, o aplicativo SP Mulher Segura e a criação das Casas da Mulher Paulista. A gestão também sustenta que a maior parte da execução orçamentária ocorre no segundo semestre.

O MPF, no entanto, segue analisando os dados já que as medidas não foram suficientes para conter a escalada da violência.

Lei mais dura, políticas frágeis

Em âmbito federal, o presidente Lula (PT) sancionou em 2024 a lei que aumentou a pena do feminicídio para 20 a 40 anos de prisão, além de endurecer punições para ameaça, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. Especialistas, porém, alertam que penas mais altas não substituem políticas preventivas, investimento contínuo e presença efetiva do Estado.

 

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