A jornalista Juliana Dal Piva denunciou em seu perfil no Instagram agressões que vem sofrendo nas redes, especialmente desde que lançou o podcast "O herdeiro de Jair", em que denuncia a vida de crimes do candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro.
Segundo a jornalista, as agressões se intensificaram quando ela divulgou um áudio do deputado Nikolas Ferreira num tratamento subserviente e vexaminoso com o dono do Banco Master Daniel Vorcaro, com que Nikolas sempre afirmou não ter relacionamento algum.
Misoginia e violência contra as mulheres são características da extrema direita mundial e uma marca do bolsonarismo, cujo ídolo maior disse que o nascimento de sua única filha mulher foi "uma fraquejada".
Mesmo Jair que ofendeu a repórter Patrícia Campos Mello, que denunciou o disparo de centenas de milhões de mensagens de WhatsApp com fake news pela campanha presidencial de Bolsonaro em 2018, dizendo que ela queria "dar o furo" para ele.
Machismo e canalhice que se voltam agora contra Juliana, inclusive com incentivo ao suicídio e agressões de cunho sexual, como ela relata:
"Quando começamos a planejar a cobertura da eleição de 2026, eu logo senti que precisaria me preparar psicologicamente para reviver muito trauma. Não costumo falar disso porque me recuso a ser colocada nesse lugar de vítima. Meu lugar é de repórter, mas infelizmente, sim, já fui vítima de muita violência por simplesmente exercer meu trabalho e isso me deixou traumas. Então, ao decidir fazer o perfil do Flávio Bolsonaro em podcast, eu entendi que isso poderia se repetir e comecei a me preparar. Já na matéria da foto do Flávio com o Sicário todos os ataques meio que recomeçaram ainda que numa proporção que parecia usual. Aos poucos, porém, tudo foi crescendo. Obviamente explodiu depois da matéria do áudio do Nikolas e segue crescendo. Essa última semana foi bem difícil. Já tinha lidado com agressões de incentivo ao suicídio, mas foi talvez a primeira vez que, pra mim, chegou a questão da agressão sexual. É tudo nojento demais. Absurdo demais. Surreal mesmo. Eu estou bem. Cuidada pela minha equipe, amigos e família, mas não vou naturalizar não. Nada disso é normal e existem muitos responsáveis. Não dá pra gente se acostumar com isso. Eu, ao menos, não vou."
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