Sâmia, Melchionna e Toffoli
As deputadas Sâmia Bonfim e Fernanda Melchionna, ambas do PSOL, Sâmia de São Paulo e Fernanda do Rio Grande do Sul, são bravas deputadas, que dão orgulho em meio a uma Câmara majoritariamente machista. Elas não se dobram e enfrentam a turma reacionária e muitas vezes fascista com destemor.
Por isso estranhei ao vê-las agora seguindo a boiada lavajatista, que voltou ao país, numa nova onda alimentada pelo jornalismo lavajatista.
Sâmia e Melchionna, junto a Heloísa Helena, da Rede, RJ, que chegou à Câmara para substituir Glauber Braga, suspenso por seis meses, mais o deputado Túlio Gadêlha, da Rede, de Pernambuco, entraram com uma representação na Procuradoria-Geral da República pedindo o afastamento do ministro Dias Toffoli do caso do banco Master.
Sâmia publicou a decisão do grupo em seu perfil no Instagram e foi republicada por Melchionna no seu perfil na rede:
Sâmia:
"O escândalo do Banco Master escancara um esquema bilionário de fraudes e corrupção que precisa ser investigado com rigor e transparência. O caso revela relações financeiras profundas entre setores do crime organizado, autoridades de diversos segmentos e a casta parasitária do rentismo.
Casos assim exigem responsabilização dos envolvidos e instituições que atuem com absoluta imparcialidade. Diante de fatos amplamente divulgados, que indicam vínculos econômicos entre familiares do ministro Dias Toffoli e fundos ligados ao Banco Master, além da escandalosa viagem com advogado que até então defendia acusados, a sua permanência na relatoria do caso compromete a confiança no processo.
Por isso, apresentamos à PGR um pedido de afastamento de Toffoli da relatoria. Que as investigações e responsabilizações sigam, doa a quem doer!" — escreveu Sâmia.
Repetindo o padrão da mídia lavajatista, na representação elas não apresentam nenhuma prova do envolvimento do ministro Dias Toffoli que o impeça de relatar o caso Master, mas defendem aquela velha história de que a mulher de César tem que parecer honesta. Só que quem constrói e define esse padrão é a mídia lavajatista. cheia de fontes secretas e suspeitas de Powerpoint.
Os ataques a Moraes
Quem não se recorda de uma dobradinha feita pela Folha com o jornalista Glenn Greenwald vendo ilegalidade na condução do caso do golpe de Estado pelo ministro Alexandre de Moraes? Foi uma série de reportagens com muita insinuação, mas nenhum crime.
Felizmente, o ministro Alexandre de Moraes continuou à frente do caso, que resultou na punição do criminoso Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Além de Jair, foram condenados também pela primeira vez na história três Generais quatro estrelas e um Almirante. Outro Ministro do Supremo teria levado o julgamento a esse ponto?
Não quero fazer comparação entre os dois ministros, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Este já se revelou pusilânime algumas vezes e sua atitude em relação ao comparecimento do presidente Lula ao enterro do irmão, que ele não permitiu, foi execrável.
Toffoli e a Lava Jato
Mas, temos que levar em conta que no momento Toffoli botou a Polícia Federal para investigar o senador e ex-juiz Sergio Moro e os Procuradores de Curitiba, heróis da Lava Jato. Toffoli mandou a Polícia Federal recolher o que a 13ª Vara de Curitiba não quis entregar, uma caixa amarela onde haveria 400 horas de gravações clandestinas, denunciadas pelo ex-deputado Tony Garcia, que se diz chantageado por Moro por vários anos.
Vem daí o recrudescimento da imprensa lavajatista, que estava hibernando, esperando o momento de eclodir novamente. Chegou a hora, quando o processo que pode levar para cadeia Moro e seus comparsas voltou a andar. Quem fez isso, após anos, foi Dias Toffoli. Que também foi o ministro responsável que mandou para a cadeia o ex-senador Luiz Estêvão, dono do Metrópoles, um dos principais meios usados no ataque cheio de insinuações a Toffoli.
Toffoli no caso Master
No caso Master não há nenhuma prova que o incrimine diretamente. Ou pelo menos quem indique que deva ser afastado da relatoria do caso. A tal viagem dele num jato para o Peru, citado por Sâmia, junto a um advogado de um dos diretores do banco Master, é exemplo de como o jornalismo lavajatista contamina as pessoas.
A viagem estava marcada havia tempo, era para a final da Libertadores, não um encontro fortuito após o sorteio da relatoria. No jatinho só havia palmeirenses querendo assistir ao jogo contra o Flamengo, em que foram derrotados. Eram aproximadamente 20 pessoas. Toffoli havia apenas sido sorteado e o processo ainda nem chegara às suas mãos, o que só veio a ocorrer após o jogo. Alguém imagina o advogado do diretor em meio a quase 20 pessoas fazer alguma proposta indecorosa a Toffoli?
A questão do resort também. Não há nada que incrimine o ministro. Seus irmãos entraram no empreendimento a pedido do primo que havia criado o resort. Venderam grande parte de suas ações poucos meses após terem entrado na sociedade para a Arleen,que na época não estava relacionada a nada em relação ao banco Master. Isso em 2022, quando também não pesava nenhuma desconfiança sobre a higidez do banco. Além do mais, a Polícia Federal declarou que a Arleen não é investigada nem no caso do banco Master nem no outro, da Operação Carbono Oculto, quando houve o embricamento do PCC com a Faria Lima.
O requerimento das deputadas e do deputado não deve receber acolhida do PGR Paulo Paulo Gonet, como ocorreu a uma anterior.
Raízes bolsonaristas do banco Master
Vamos aguardar pelo andar dos acontecimentos, porque o que está acontecendo na verdade é uma mudança de foco do criminoso, que é o Daniel Vorcaro, do banco Master, e sua turma, para o ministro Dias Toffoli.
O banco Master foi criado em 2019 com o Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. R$ 3 milhões para um e R$ 2 milhões a outro. O Master cresceu, se agigantou e começou a ficar ruim das pernas em 2024, tudo isso sob administração de Campos Neto no Banco Central. Com a entrada de Gabriel Galípolo no comando do BC, avançaram as investigações que culminaram na liquidação do Master pelo Banco Central.
Dirigentes da Polícia Federal e do Ministério Público deram entrevistas em que afirmaram que as investigações estão seguindo o ritmo normal.
O "escândalo da tapioca"
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