Mas o que é isso que vem nesse velocípede pilotado por um menino?

Minha primeira paixão esportiva foi o velocípede. Primeiro, como todo mundo, sentado no banquinho e pedalando. Mas, depois, colocava um pé no estribo, segurava o volante com as duas mãos e saía voando pela Praça Santos Dumont, ou Praça do Jockey, como é mais conhecida, por ficar em frente à entrada social do Jockey Clube Brasileiro, que já teve seus dias de glória e hoje está mais pra lá do que pra cá, como eu.

Só que diferentemente da maioria, não evoluí do velocípede para a bicicleta de rodinhas e depois para a sem as rodinhas e daí para motos e carros. Não sei dirigir nenhum deles, nem nunca me interessei. 

Eu me lembro de uma namorada, que ganhou um carro zero da família quando passou para a faculdade. Queria que eu o dirigisse. De jeito nenhum. Sigo sendo até hoje um ótimo copiloto.

Pra vocês terem uma ideia, até na direção de caiaques sou um fracasso e provocava gritos de uma ex-namorada ("Nós vamos bater"), e aí batíamos e dávamos gargalhadas. Há sempre uma época nos romances em que se ri, às vezes até às gargalhadas, de tudo.

Mas eu saí do velocípede porque descobri outra paixão: o futebol, que só vim trocar, lá pelos 20 anos, pelo halterocopismo e a companhia dos músicos pelas noites do Rio. Mas isso é outra história.

Quero falar das brincadeiras da infância, da minha infância, que não vejo mais pelas ruas — pelo menos as daqui da Zona Sul do Rio onde moro.

Jogar bola de gude. Fazíamos três buracos na terra, como as Três Marias no céu, e jogávamos o dia inteiro. Cada um com sua coleção de bolinhas coloridas.

Havia também o jogo de triângulo. Mas tudo isso sumiu. Ou eu não vejo mais, o que, para mim, é a mesma coisa.

Jogo de botões ainda existe, mas praticado apenas por marmanjos como eu. Nunca vi uma criança nessa.

Havia também a mania periódica de coleções, coisa que só criança para fazer: maços de cigarro usados estrangeiros, tampinhas de refrigerantes. Até que depois a gente passou a fumar e trocou refrigerantes por cervejas e não colecionava mais maços vazios nem tampinhas.

Houve também a época do autorama. Não sei nem se as pessoas hoje sabem o que é isso, uns carrinhos que corriam numa pista eletrificada. Foi minha única aproximação à pilotagem de carros. 

Minto, pilotei ainda pequeno muito carrinho de choque nos parques de diversão (por onde andam?), só que com o objetivo oposto ao dos outros. Eu NÃO queria bater. Fracassava, claro.

Quando morei no Grajaú, na Zona Norte do Rio, em boa parte de minha adolescência, admirava os amigos que soltavam pipas e faziam balões. Eu só sabia jogar bola, e jogava razoavelmente bem.

Ah, esqueci. Eu também corria muito bem e era o melhor corredor da rua, com minhas pernas compridas e minha magreza, ótimas para isso, mas péssimas para minha autoimagem nos bailes do clube. Nossa, ainda havia bailes no clubes!

Mais! Bailes de Carnaval no clube!

Tudo isso passou pela minha frente assim nesse domingo, de velocípede, enquanto sigo batendo com os caiaques da vida.

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