O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está aproveitando a presidência de Donald Trump para talvez se cacifar em busca de voos maiores. Por enquanto, se contenta em ser um Vice-rei na Venezuela, aproveitando o sequestro do presidente eleito Nikolás Maduro e a pilhagem que os Estados Unidos estão fazendo no país vizinho.
Seu sonho é fazer o mesmo em Cuba, país de onde ele conta uma história pessoal mentirosa de que sua família foi para os Estados Unidos fugindo da "ditadura comunista cubana", quando seus pais saíram da ilha em 1956, anos antes da Revolução Cubana.
Em seu perfil na rede X, de Elon Musk, Rubio publicou uma mensagem em que afirma que a pequena Cuba, vítima de bloqueio econômico e comercial dos Estados Unidos há seis décadas, financia a "esquerda radical e o terceiro-mundismo":
Há mais de seis décadas, o regime cubano tem sido o principal patrocinador da esquerda radical e do terceiro-mundismo nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado está revelando toda a história da espionagem e da subversão cubanas em nosso país.
O povo americano merece saber.
For more than six decades, the Cuban regime has been the leading sponsor of radical leftism and Third Worldism in the United States.
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) July 20, 2026
The State Department is exposing the full history of Cuban espionage and subversion in our country.
The American people deserve to know.…
A mensagem foi compartilhada por Eduardo Bolsonaro, agora mais apaixonado pelos EUA do que nunca, após conseguir seu teu sonhado green card:
"Documentado: como Cuba financiou a guerrilha no Brasil.
A pergunta atual é: será que parou por aí a influência do mal contra os brasileiros de bem?" — escreveu o filho 03 do ex-presidente criminoso condenado Jair Bolsonaro.
Documentado: como Cuba financiou a guerrilha no Brasil.
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) July 21, 2026
A pergunta atual é: será que parou por aí a influência do mal contra os brasileiros de bem? https://t.co/Ow6qTqQXxe
O financiamento de Cuba ao PT em 2005, segundo Veja
A utilização mentirosa do nome de Cuba na América Latina é antiga e recorrente, como o fantasma do comunismo, usado como espantalho para auxiliar na pregação de golpes militares na região.
A Revista Veja, edição número 1929, datada como 2 de novembro de 2005, anunciava na matéria de capa: "Os dólares de Cuba para a campanha de Lula".
À época a Veja era poderosa, chegando a distribuir mais de um milhão de exemplares semanalmente. A matéria caiu como uma bomba.
Nela se afirmava que duas fontes diferentes confirmavam o envio de milhões de dólares de Cuba para a campanha do PT que elegeu Lula em 2002.
As fontes divergiam apenas sobre o valor enviado: uma falou em cinco milhões de dólares e a outra em 1,4 milhão.
O Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) na época, deputado Ricardo Berzoini (SP), negou tudo e acrescentou:
"Não há como um partido como o PT se arriscar assim, porque seria enquadrado na lei e perderia o registro. A Constituição Federal é clara no que se refere à perda do registro partidário. Receber dinheiro de fora do país é uma das razões que levam a isso".O envio desse dinheiro nunca ficou provado e a substância da matéria da Veja se desfez num parágrafo lá pelo meio das afirmações bombásticas, dentro da própria reportagem.
Nenhuma das fontes havia visto o dinheiro ou presenciado a operação. Ambas ouviram a história da boca de uma terceira pessoa. E ela não podia confirmar ou negar nada, porque estava morta.
Conta a Veja:
A investigação de VEJA, associada às confirmações de duas testemunhas, compõe um quadro sólido a respeito da operação do dinheiro cubano, mas há um ponto que merece reflexão. Buratti e Poleto apresentam depoimentos fortes e comprometedores, mas embasam-nos no que ouviram falar de Ralf Barquete – uma testemunha que não pode mais ser ouvida. Em 8 de junho de 2004, Barquete morreu vítima de câncer, aos 51 anos. Seria possível que Buratti e Poleto estivessem sustentando uma história falsa com base num morto, apenas porque não pode contestá-la? No submundo do dinheiro clandestino e das operações secretas, quase tudo é possível e seria leviano descartar liminarmente a hipótese de que a grande vítima fosse o morto.
Ressuscitar o fantasma da influência de Cuba agora, como fazem Marco Rubio e Eduardo Bolsonaro é só, mais uma vez, uma forma de atacar as lideranças populares, como Lula, e inflamar a extrema direita ignorante e fascista que os apoia.
https://whatsapp.com/channel/0029VbBsQ5SLI8YSFXsdg92o
Apoie



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Gostou? Comente. Encontrou algum erro? Aponte.
E considere apoiar o blog, um dos poucos sem popups de anúncios, que vive apenas do trabalho do blogueiro e da contribuição dos leitores.
Colabore via PIX pela chave: blogdomello@gmail.com
Obrigado.