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Franklin assume Secretaria com status de Ministério

Debaixo de chororô das Organizações Globo, está confirmado o nome do jornalista Franklin Martins na Supersecretaria de Comunicação do governo Lula.

O jornalista Franklin Martins, 58, aceitou ontem à noite, em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o convite para comandar um novo ministério que deverá cuidar das áreas de imprensa e publicidade do governo.
Ficou acertado também que caberá a Franklin Martins conduzir o projeto do governo federal de criação de uma rede pública de televisão.
Em encontro no Palácio do Planalto, Lula e Franklin tiveram a conversa definitiva sobre as atribuições do jornalista, que comandará uma pasta com status de ministério. A Folha antecipou o convite do presidente ao jornalista.
"Conversei com o presidente e aceitei", disse Franklin.
O formato do ministério deverá reunir as atuais SID (Secretaria de Imprensa e Divulgação), chefiada pelo jornalista André Singer, e a Secom (Secretaria de Comunicação de Governo), que perdeu o status de ministério em julho de 2005 e passou a integrar a estrutura da Secretaria Geral da Presidência, comandada por Luiz Dulci.
Comentarista da TV Bandeirantes e colunista do Portal IG, Franklin foi sugerido a Lula pelo jornalista João Santana, marqueteiro da campanha eleitoral de Lula no ano passado.

Globo já quer dividir ao meio poder de Franklin Martins

As Organizações Globo acusaram o golpe e já começaram a botar o bloco na rua contra a possível nomeação do jornalista Franklin Martins para o comando da Secom, da Radiobrás e do novo canal de TV público.

Como não têm como impedir a nomeação do desafeto, que foi demitido da emissora do Jardim Botânico no meio da campanha presidencial do ano passado, as Organizações Globo vão tentar comer o mingau da desestabilização de Franklin pelas beiradas, tirando uma bela colherada do poder dele aqui, outra ali.

Só que tudo na cabeça dos Marinho é grandioso, e eles partiram com apetite, tentando dividir ao meio o provável poder de Franklin. Ou bem ele fica com as emissoras (o mal menor) ou bem fica com a Secom (o maior). Com as duas, não dá. Pelo menos é o que deixaram claro num box de Opinião publicado ontem na página 8 de O Globo.

O presidente Lula planejaria juntar, na Secretaria de Comunicação, o trabalho de contato com a imprensa — que já é feito — com o guichê de publicidade do Executivo.
O secretário, possivelmente com novo status, agora de ministro, atuaria em duas frentes nas empresas de comunicação: daria informações à redação e veicularia anúncios junto ao departamento comercial, pagando por eles.
É péssima solução. Pois as boas práticas recomendam que dinheiro e notícia mantenham uma grande e visível distância profilática. Por isso, os anúncios são separados do noticiário em qualquer veículo de imprensa.
O governo não deve se deixar acusar de pagar pela publicação das notícias de seu interesse, nem a imprensa séria aceita se sujeitar a situações em que possam se misturar dois mundos tão diferentes. O presidente precisa refletir melhor sobre a sua política de comunicação.