Parodiando Serra, Kassab quer criar os Estados Unidos de São Paulo

Com a medida ridícula, higienista, esdrúxula de acabar com os sopões distribuídos gratuitamente aos moradores de rua, Kassab segue o caminho de seu mestre e guru, José Serra, que, numa entrevista ao programa do Boris, Gari, Casoy, afirmou que o  Brasil é Estados Unidos do Brasil, e não o certo, que é República Federativa do Brasil.

Igualzinho aos Estados Unidos da América, onde aprovaram lei que proíbe alimentar sem-teto nas ruas:

Se ele é sem-teto e não pode receber comida na rua, vai receber onde? - pergunta-se você que me lê.

Pois é, não come. A menos que você o leve para sua casa, sua igreja, seu comércio. Ou então, pague uma multa de 150 dólares.

Filadélfia e Houston são duas das cidades que aprovaram essa lei. Segundo o prefeito da Filadélfia, Michael Nutter, dar de comer a quem tem fome nas ruas "viola as condições sanitárias".

Mas os opositores dizem que a verdade é outra: prefeitos querem expulsar dos centros e das ruas os homeless, atingidos em cheio pela crise que assola os EUA, pelo menos desde 2008.

Pero los activistas están convencidos de que la verdadera causa del Gobierno de Filadelfia es limpiar la zona turística de los 'poco estéticos' sin hogar.


"Poco estéticos", ou seja, essa "gente diferenciada", os não-WASP, não-Higienópolis que teimam em comer e marcar presença nas ruas e lembrar da crise que lhes jogou ali.

Reportagem completa aqui.

Do que ri o presidente deposto do Paraguai Fernando Lugo?

Não sei quanto a vocês, mas a mim me incomoda, desde o primeiro dia do golpe institucional, o riso de Fernando Lugo. Do que sorri? Por que sorri? Qual é a graça?

A foto ao lado, retirada da primeira página de O Globo, logo após o golpe, o mostra sorrindo.

O vídeo abaixo, de seu pronunciamento aceitando o golpe, dirigindo-se à Nação e a seus eleitores, rindo quase que acintosamente, como se fosse uma miss pronta para recitar o textinho decorado em que afirmaria que leu o Pequeno Príncipe e que tu te tornas eternamente responsável pelo que cativas, pra mim foi um tapa na cara de todos aqueles que, naquele instante, se dirigiam ao Palácio do Governo a fim de protestar contra o golpe.

Em vez disso, receberam o sorrisinho de miss Lugo e um discurso covarde. Comparem a disposição do povo de ir às ruas defendê-lo, com sua postura risonha. Confiram:



De que tanto ri Fernando Lugo?

Durante o tempo em que esteve no poder, não se articulou. Não deu ouvidos ao telegrama divulgado pelo Wikileaks, que denunciava, no ano passado, o golpe que lhe seria aplicado, exatamente como o foi.

Nunca teve maioria no Congresso, mas parece que não se importou com isso, a ponto de ser golpeado com apenas cinco votos a favor e mais de 110 contra, no total.

Agora, ao que parece, surpreso com a reação dos vizinhos, que na Unasul e no Mercosul condenaram o golpe, ele reaparece, afirmando o oposto, que não reconhece o governo de Franco (o vice que ficou em seu lugar). Mudou de posição, mas o sorriso é o mesmo, como mostram O Globo hoje e vários flagrantes da mídia internacional.

De que ri Fernando Lugo, que abandonou sem luta o povo que acreditou nele?

O que o destino reserva ao Forrest Gump paraguaio?

Mais: O que o destino reserva ao bravo povo paraguaio?

Serra não toma jeito. Depois de se apropriar dos genéricos e do programa anti-Aids, agora mete a mão no slogan de Dilma

O homem é impossível. Serra é um mitômano incorrigível. Ele se diz engenheiro, mas não prova. Também se diz economista, e também não prova.

Em campanha, já afirmou ser o pai dos genéricos (que foi Jamil Haddad).

Afirmou também ser o criador do programa anti-Aids do governo federal, quando os criadores foram a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues e o professor, médico e ex-ministro Adib Jatene.

Agora, com a cara de pau que lhe é peculiar, o homem dos escândalos das Operações Sanguessugas e Vampiro, o homem das ambulâncias superfaturadas, o homem que desistiu de um processo contra o jurista Bierrenbach, quando este solicitou exceção de verdade para provar o que dissera ("José Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico… Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente... Poucos o conhecem. Engana muita gente. Chama-se José Serra. Fez uma campanha para deputado federal miliardária. Prejudicou a muitos dos seus companheiros...[Ele e Maluf] têm ambição sem limites. Uma sede de poder sem nenhum freio. E pelo poder eles são capazes de tudo")...

Pois, agora, esse mesmo José Serra se apropria do slogan da campanha de Dilma em 2010 ("Para o Brasil seguir mudando") e o transforma em "Para São Paulo seguir avançando", que é o desta sua campanha para a prefeitura de São Paulo.

Só que o Datafolha mostra que 80% dos paulistanos querem um novo governo. O paulistano não quer seguir, quer um governo diferente do atual Serra-Kassab, quer mudar.

Por isso, o mitômano vai continuar na fila, à espera de uma próxima eleição.
 

Numa entrevista à RecordNews, agora Erundina diz que não sabia da aliança com PP. Será? Assista este vídeo e confira

Presidente Correa sobre pedido de asilo do criador do Wikileaks, Julian Assange: 'A decisão do Equador será soberana '




Pelo que se depreende da entrevista, e também pelas posições políticas e atitudes do presidente do Equador Rafael Correa, a decisão será soberana e pela concessão do asilo político.

A justiça do Reino Unido, onde Assange estava em prisão domiciliar até refugiar-se na embaixada do Equador em Londres, decidiu pelo envio do fundador do Wikileaks para a Suécia, onde ele é acusado de crimes sexuais... Vou contar pra vocês o que foram os tais crimes:

Assange praticou sexo consensual com duas mulheres, em menos de 10 dias, sem o uso de preservativo. Na Suécia. Lá, ambas as coisas são proibidas: sexo sem preservativo e com duas mulheres diferentes em prazo inferior a 10 dias.

Enviado à Suécia, o que se comenta é que ele seria extraditado para os Estados Unidos, que querem a cabeça de Assange (leia Analista da Fox News prega no ar assassinato de Assange, do Wikileaks: 'Illegally shoot the son of a bitch'), porque mostrou ao mundo, entre outras coisas, estas imagens de um helicóptero americano Apache assassinando civis (inclusive crianças) no Iraque, em 2007:



Nos Estados Unidos, provavelmente, Assange seria condenado à morte.

Informativo oficioso da campanha de Serra, Folha informa: Alckmin vai tirar estatal que deu a Maluf porque PP não se aliou a Serra

A decisão já estaria tomada. Segundo a Folha, "o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu tirar das mãos do deputado Paulo Maluf o comando da CDHU, a companhia de habitação do Estado de São Paulo".

Quer dizer então que a CDHU do governo tucano está nas mãos de Maluf não por competência do gestor, mas apenas por um toma-lá-dá-cá político? Mas os tucanos fazem no particular aquilo que condenam no PT em público?...

Na cúpula do governo, a troca está sendo tratada como "inevitável". Há, no entanto, divergências sobre qual o melhor momento para fazê-la.

A maioria dos conselheiros do governador acredita que a mudança só deve acontecer após a eleição municipal, junto a outras substituições no secretariado. Desse modo, Alckmin evitaria que o ato fosse lido como uma retaliação.

Seria esta então a satisfação que Alckmin daria a Serra, que teria ficado furioso com ele que não teria se esgorçado o suficiente para que Maluf e o PP fechassem com a candidatura do tucano à prefeitura de São Paulo?

Lembro aos defensores da atitude de Erundina como ética que isto implica em afirmar que Lula é aético

Não há meio termo nem espaço para tergiversação. O presidente Lula, que saiu do governo como o presidente mais popular da história do Brasil e elegeu "um poste", como a presidenta Dilma era considerada pela mídia serrista, poderia estar em casa ou dando palestra e recebendo fortunas pelo mundo, mas colocou a mão na m... massa e resolveu apostar na candidatura de Fernando Haddad, para que São Paulo se juntasse ao projeto vitorioso do Brasil.

Para tanto, Lula julgou que seria importante a presença do PSB na campanha. E julgou também que seria importante a presença do PP de Paulo Maluf, como antes julgara a do PSD de Kassab. O objetivo era (e é) trazer a experiência vitoriosa do governo federal para a prefeitura de São Paulo.

Quando a deputada Erundina assumiu o compromisso de ser vice na chapa de Haddad, conforme acordo com seu partido, já sabia das negociações anteriores com Kassab e de outra em curso com o PP de Maluf. E não se opunha a ela, como fica claro neste trecho de uma entrevista que ela deu ao Estadão em 16 de junho (há três dias) e que reproduzo a seguir [destaque em negrito é meu]:

Estado: A sra. combateu o deputado Paulo Maluf durante parte muito importante de sua carreira política. Que avaliação a sra. faz da entrada dele na campanha?
Luiza Erundina: Foi uma decisão dos partidos que não passou nem passaria por mim. Provavelmente teria dificuldade de aceitar essa decisão. Meu partido deve ter sido consultado sobre isso. As responsabilidades de alianças são da direção nacional.

Estado: Tivesse sido consultada, diria ‘não’?
Luiza Erundina: Faria minhas ponderações. Não vou estar confortável no mesmo palanque com o Maluf. Com certeza não. Até acho que ele nem vai enfrentar a reação da massa, que é o nosso povo, com quem a gente vai ganhar as eleições e governar a cidade. Com esse povo a gente consegue manter a coerência.

Estado: A sra. foi surpreendida pelo apoio?
Luiza Erundina: Fui, quando o jornalista me mostrou uma mensagem eletrônica. Agora eu entendo o pragmatismo de ter uns minutos a mais numa disputa acirrada, esses minutos, segundos, devem fazer diferença. Agora não sei se o custo político compensa a vantagem do tempo de televisão. Mas acho que a campanha não sou eu e nem Maluf individualmente. É um processo muito mais amplo, complexo, plural. Isso se dilui, a meu ver. Claro que não é confortável. Pra mim não será confortável estar no mesmo palanque com o Maluf. Não que eu tenha nada contra a pessoa dele. Inclusive a gente convive no Congresso numa boa. Ele sabe o que eu penso, eu sei o que ele pensa. A gente convive no mesmo espaço e tem que saber distinguir a pessoa daquilo que ela pensa e faz na política.

Portanto, Erundina sabia da possibilidade de Maluf na campanha e, se confessava que lhe era desconfortável,  aceitava a decisão da direção nacional de seu partido e da campanha.

Mas, a tal foto de Maluf com Lula e Haddad, mais o violento ataque vindo da mídia serrista e até de vários simpatizantes e militantes do PT ou do governo mudaram a decisão de Erundina, que, segundo o presidente do PSB, teria desistido da candidatura.

Está sendo elogiadíssima pela mídia serrista, por outros partidos de oposição ao governo e até por militantes que odeiam o Maluf e apoiam a "decisão ética" da deputada. Imaginem José Serra, então...

Pergunto: Se ela já sabia da possibilidade da aliança e concordava com ela,  por que mudou de ideia? Por que colocou sua imagem pessoal à frente de um projeto político com o qual ela dizia concordar?

Pergunto também aos militantes, aos petistas e admiradores do presidente Lula que enaltecem a posição de Erundina:

- É certo lançar o presidente Lula às feras, colocá-lo como antiético ou aético, em oposição a uma ética Erundina?

Eu não acho.


Leia também:

Apoio do PP de Maluf a Haddad traz tempo de programa eleitoral e joga Serra contra Alckmin

Após digerir o impacto que causou a foto - ou melhor - A FOTO (que não vou publicar aqui) em que o presidente Lula coloca sofregamente a mão no ombro de Maluf, enquanto este faz um gesto de positivo com o polegar, tendo um Haddad desconcertado entre os dois, resolvi dar meu pitaco no assunto que está fazendo a glória da mídia serrista: o PT teria se rendido e o presidente Lula se submeteu a ir à casa de Maluf pela primeira vez na vida, a fim de obter o apoio do PP para a campanha de Haddad à prefeitura de São Paulo.

Tudo, segundo os "analistas" da mídia serrista, por um minuto e meio a mais de propaganda no horário eleitoral. Ou três minutos, se raciocinarmos que o minuto e meio iria para Serra.

Juntou-se a isso uma notícia divulgada pela Veja (a Veja?!) que teria conseguido uma entrevista exclusiva com Erundina, em que a nossa brava deputada teria afirmado que com Maluf ela sairia da campanha.

A notícia se espalhou e hoje está na primeira página, até como manchete, de alguns dos principais jornais do Brasil. (Eu, que não acredito na Veja, como não vi declaração alguma de Erundina, duvido).

Mas, vamos abordar o efeito Maluf por outro ângulo, além da boa notícia de termos mais tempo eleitoral e tê-lo retirado de Serra.

Serra teria ficado furioso com a ida de Maluf para a campanha de Haddad. Pior: coloca a conta no ombro de Alckmin (é importante lembrar que o PP de Maluf é da base do governo federal, mas também é da base de Alckmin em São Paulo).

Segundo Serra, Alckmin não teria se esforçado para trazer Maluf (ou seja, não ofereceu o que o PP queria) para a campanha de Serra, e mais: teria fechado um acordo com Maluf para 2014.

Segundo aliados, que pedem reserva quanto a seus nomes, Serra está "muito irritado" com o governador, que havia garantido o apoio do PP à candidatura tucana. "Serra acha que Alckmin acertou com Maluf para 2014 e não se esforçou muito, digamos assim, para este ano", explica um dirigente do PSDB paulistano. "Ele (Serra) acredita que Alckmin deixou Maluf escapar, não segurou o PSB, e ainda teve a história do PR… o PR foi Kassab que trouxe", completa.

Foi quando me lembrei de uma postagem minha de fevereiro deste ano, que reproduzo a seguir:

Apoio de Alckmin à campanha de Serra para a prefeitura de São Paulo foi planejado num almoço solitário há 4 anos


A foto acima mostra o governador Geraldo Pinheirinho Alckmin almoçando sozinho, um dia antes da eleição que reconduziu Kassab à prefeitura de São Paulo, em 2008. Alckmin era o candidato do PSDB (partido do governador de SP na época, José Serra). Ficou em terceiro lugar, atrás de Kassab e Marta Suplicy.

Uma posição humilhante para quem vinha de uma campanha presidencial há dois anos, em que foi ao segundo turno com o presidente mais popular do Brasil, Lula. Isso aconteceu porque o governador Serra ignorou sua campanha e apoiou a reeleição de Kassab.

Enquanto almoçava solitariamente, há quatro anos, Alckmin não poderia imaginar que o destino o colocaria agora na posição de dar o troco e devolver a Serra o "apoio" de 2008.

Dizem que a vingança é um prato que se come frio. Nelson Rodrigues dizia que a pior solidão é a companhia de um paulista. Imagine esse almoço de um paulista solitário. Como deve estar frio agora, passados quatro anos.

Aí o minuto e meio de propaganda (na verdade, três) fica em outra perspectiva diante de um racha na campanha tucana.

O presidente Lula ainda está se recuperando do desgastante tratamento para um câncer, de que finalmente está curado. Mas, para tanto, Lula perdeu a barba, o cabelo, sofreu com quimio e radioterapia.

Foi um duro e penoso tratamento que o ensinou que para eliminar o nocivo, às vezes o remédio é amargo e quase insuportável. Mas se tem que ser feito, que o seja.

E levou o tratamento para a campanha de Haddad, se é que me entendem.

Datafolha mostra que 80% dos paulistanos querem um novo governo. Por isso o ataque da mídia serrista ao slogan de Haddad

Pesquisa Datafolha para a prefeitura de São Paulo publicada neste domingo na Folha é cheia de más notícias para a candidatura de José Serra, que já foi prefeito da cidade, renunciou ao cargo e deixou seu vice, Kassab, no lugar.

Mesmo com toda a exposição que teve na mídia, que é serrista disfarçada ou assumidamente (Estadão declarou voto em Serra nas eleições 2010), José Serra não saiu do lugar desde a última pesquisa.

Enquanto isso, o candidato do PT, Fernando Haddad, subiu de 3% para 8% na intenção de votos (quase triplicou). Para efeito de comparação: Em junho de 1996, Pitta tinha 10% dos votos, chegou a quase 45% no primeiro turno.

A rejeição a Haddad caiu de 15% para 12%. Serra é rejeitado por 32% dos eleitores.

Mas, não é só isso. 43% dos entrevistados não votariam no candidato do Kassab de jeito nenhum. E Serra é Kassab e Kassab é Serra, como afirmou o atual prefeito, quando anunciou seu apoio a seu padrinho político Serra.

O prefeito Gilberto Kassab formalizou neste sábado (12) o apoio de seu partido, o PSD, à candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo apresentando sua gestão e a do tucano como "uma só". O prefeito disse ainda que foi Serra quem o ensinou a governar.

"Aprendi como governar São Paulo ao seu lado nos 15 meses [que Serra permaneceu como prefeito] em que deixou sua marca na cidade e deixou as linhas mestras para os sete anos seguintes [em que Kassab ficou à frente da prefeitura]", discursou Kassab.

O pior da pesquisa vem agora, e está deixando campanha e mídia serristas apavoradas. Segundo o Datafolha, 80% dos eleitores querem o próximo governo diferente do atual.

Ou seja: querem algo novo, novos rumos, um novo tempo. E é nesse sentido que vem a candidatura de Haddad, apresentado como "Um novo homem para um novo tempo".

Por isso a mídia serrista tenta distorcer slogan de Haddad, forjando um sentido que claramente não está no texto, que tentam dizer que é preconceituoso, que estaria chamando de velho o candidato tucano.

Ora, se a questão fosse idade, preconceito contra "o velho", como querem vender, o PT não teria como vice a deputada Erundina, que tem oito anos a mais que Serra.

Um novo homem não precisa ser um homem novo. E um novo homem não está em oposição a "velho", como maliciosamente fez a Folha na entrevista com Luiza Erundina (PSB-SP):

Folha: - Agora se desenha uma campanha cujos slogans transmitem um embate entre o "novo" e o "velho". Não é uma discussão que a desagrada?

Folha: - A senhora acha que esse slogan do "novo" é preconceituoso?


As perguntas foram maliciosas porque pegaram a deputada recém entrada na campanha. Talvez ela nem conhecesse o slogan e foi induzida a responder sobre um questionamento falso.

Não há no slogan, como dá a entender a primeira pergunta que destaquei, embate entre o "novo" e o "velho", o que ele propõe é algo novo em relação ao que está aí, ao status quo, ao continuísmo demo-tucano, representado pela candidatura José Serra. Poderia ser, por exemplo, o senador Suplicy (que é um ano mais velho que Serra) que ainda assim ele seria "Um novo homem para um novo tempo".

O pior é que vejo até gente que não apoia Serra e é a favor de Haddad caindo na pegadinha da mídia serrista. Eles querem destruir o slogan porque é exatamente o que 80% dos eleitores declararam querer na pesquisa, um governo diferente do atual, um novo governo.

Podem até conseguir derrubar o slogan, mas não o desejo de mudança que está impregnado na alma do eleitor de São Paulo. E quando 80% dos eleitores querem mudança não há nada que a mídia serrista possa fazer, a não ser espernear. Porque José Serra é o candidato marcado pra perder.



Portal dá a entender que Dirceu fez acordo com Veja para a não convocação de Civita e Policarpo pela CPI do Cachoeira

José Dirceu e Fábio Barbosa (247)
O Portal 247 lança uma postagem em que coloca como possível um acordo entre o ex-ministro e ex-deputado do PT José Dirceu com a cúpula da revista Veja, a fim de livrar a cara do dono da revista e seu diretor em Brasília, o silente Policarpo, de uma possível convocação para a CPI do Cachoeira:

Sob o inocente título "Veja surpreende e abre espaço para 'a defesa dos réus'", o 247 coloca lado a lado fotos de Dirceu e do executivo que preside a Abril, Fábio Barbosa, em tamanho desproporcional ao enxuto texto de três parágrafos e 131 palavras, que reproduzo a seguir:

Em sua edição deste fim de semana, a revista Veja traz uma surpresa aos seus leitores. Trata-se da seção “A defesa dos réus”, que, nesta semana, apresenta os argumentos de José Dirceu, apontado pela procuradoria-geral da República como “chefe da quadrilha”.

Tida por muitos críticos como unilateral, partidária e implacável com seus adversários políticos, Veja decidiu ouvir o “outro lado”. Segundo o diretor de Redação Eurípedes Alcântara, a seção tem a “finalidade de familiarizar o leitor com a linguagem e os conceitos que serão usados no STF durante o julgamento e de dar voz aos réus”.

Um mês atrás, o presidente da Editora Abril, Fábio Barbosa, teve um encontro secreto com José Dirceu. Tratou-se, ali, da não convocação de Roberto Civita e do jornalista Policarpo Júnior pela CPI do caso Cachoeira.

É incrível o poder que as pessoas atribuem a José Dirceu, como se ele comandasse uma legião de marionetes no PT, no governo e agora também na CPI do Cachoeira. Isso seria apenas risível, divertido ou patético, caso não tivesse o objetivo de mais uma vez colocar o ex-ministro como o conspirador mor da República e que, portanto,  e isso fica nas entrelinhas, deve ser defenestrado da vida pública.

Se Civita fosse convocado agora, iria falar sobre o quê? As 200 ligações trocadas pela dupla Policarpo e Cachoeira? Sobre isso iria falar o mesmo que eu ou você (se é que falaria algo), e poderia até citar Zeca Pagodinho, em Caviar: - Nunca vi, nem comi / Eu só ouço falar. Idem o Policarpo.

Só quero ver a reação desse pessoal quando José Dirceu for absolvido pelo STF no processo do mensalão.


Há sete anos, a Justiça da Argentina declarou inconstitucional a "Lei de Anistia" de lá e abriu caminho para o julgamento dos genocidas

Desaparecidos argentinos
Em 14 de junho de 2005 a Suprema Corte  de Justiça da Nação argentina declarava inconstitucionais as leis de Obediência Devida e Ponto Final, numa sentença histórica que acelerou os julgamentos de mais de uma centena de repressores, permitiu novas detenções por violações a direitos humanos e abriu o processo de Memória, Verdade e Justiça.

A sentença, que pôs fim ao debate sobre a validade daquelas leis iníquas, contou com ampla maioria de sete votos e se baseou em pactos internacionais e na imprescritibilidade dos delitos de lesa humanidade.

A decisão da Corte foi recebida com aprovação pelo governo e organismos de direitos humanos, em especial as Avós e Mães da Praça de Maio.

Há sete anos, o então presidente Néstor Kirchner assegurou que a sentença devolveu aos argentinos "a fé na justiça" porque essas leis enchiam "de vergonha" o país.

As  "leis do esquecimento" ou "do perdão" foram ditadas em 1986 e 1987, na presidência de Raúl Alfonsín, e frearam dezenas de causas judiciais contra acusados pela repressão ilegal na última ditadura.

Os ministros da Suprema Corte entenderam que o Congresso não poderia promulgar essas leis que favoreceram aos chefes da ditadura e seus subordinados, porque nessa época já existiam normas que impediam que se deixasse sem sentença as causas que envolviam graves violações aos direitos humanos.

A partir daí, fez-se História na Argentina, e todos os criminosos da ditadura levados à Justiça foram condenados e cumprem penas, inclusive comandantes e presidentes.

Já no Brasil, até a Comissão da Verdade é atacada por torturadores, que se acham no direito de defender a Lei de Anistia, imposta pela ditadura ao Congresso como condicionante para a redemocratização do país.

[Importante: Exceto o último parágrafo,  todo o texto (que não é o texto todo) é uma tradução minha de reportagem do Telam, site do governo argentino. O original pode ser lido aqui]



Maluf e Dantas integram a lista dos mais corruptos do mundo divulgada pelo Banco Mundial. Aqui, eles passeiam

A informação é do Banco Mundial e eu vi na Pública.

Por aqui, Dantas e Maluf conseguem tudo o que querem, até dois Habeas Corpus do à época presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em 48 horas.

Mas, lá fora, a coisa é um pouco diferente. Maluf é procurado pela Interpol, se pisar fora do Brasil, vai preso. Este modesto blog lançou até uma campanha, em 2007, Uma passagem para Maluf:

A justiça americana indiciou o ex-governador e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf, seu filho Flávio e outras três pessoas pelo envio ilegal de US$ 11,6 milhões (R$ 24,4 milhões) do Brasil para um banco norte-americano. Há uma ordem de prisão contra os cinco, que pode ser cumprida em qualquer país com o qual os EUA têm tratado de extradição.

Como Maluf é brasileiro e por isso não pode ser extraditado, este blog lança a campanha: Vamos comprar uma passagem de primeira classe e enviar Maluf para os EUA. Ele merece.


Mas o paulistano parece que só gosta de dar dinheiro a Maluf de forma indireta (votando nele) e não conseguimos nosso intento...

Mas, vamos ao que diz a Pública:

Numa pesquisa rápida no banco de dados é possível encontrar nomes conhecidos do público brasileiro como o banqueiro Daniel Dantas e Paulo Maluf, ex-governador e ex-prefeito de São Paulo. Dantas é citado pelo caso do Grupo Opportunity, em 2008, quando teve US$ 46 milhões bloqueados em contas do Reino Unido e foi condenado por corrupção na tentativa de suborno de US$ 1 milhão para que um investigador desistisse das acusações contra ele, sua irmã e sócia, Veronica Dantas, e seu filho.

Além de Dantas, outro banqueiro foi parar na lista do Banco Mundial: Edemar Cid Ferreira, fundador e ex-presidente do Banco Santos. Ferreira foi condenado, em 2006, pela justiça brasileira a uma pena de 21 anos pelos crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. Durante o processo, o juiz do caso determinou a busca e apreensão de bens adquiridos com o dinheiro ilegal. Entre os bens apreendidos estavam obras de arte avaliadas entre US$ 20 e US$ 30 milhões, de artistas do porte de Roy Liechenstein, Jean Michel Basquiat e Joaquin Torres Garcia. Segundo os dados do processo, US$ 8 milhões ainda estão sendo monitorados pela justiça.

Paulo Maluf é citado pelo banco de dados duas vezes. Na primeira oportunidade, Maluf acusado pelo Procurador-geral de Nova Iorque de movimentar uma quantia de US$ 140 milhões no Banco Safra, entre 1993 e 1996. Durante esse período, era prefeito da cidade de São Paulo e participou de um esquema de desvio de verbas durante a construção da arterial Avenida Água Espraiada. O dinheiro foi transferido para contas de Nova York e, posteriormente, enviado para paraísos fiscais nas Ilhas do Canal no Reino Unido e, segundo as investigações, parte do dinheiro retornou ao Brasil para gastos com despesas pessoais e campanhas políticas.

Num outro processo, o ex-prefeito é acusado de desviar dinheiro oriundo de pagamentos fraudulentos para contas em bancos em Nova York e na Ilha de Jersey, no Reino Unido. Maluf e seu filho foram enquadrados nos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro e tiveram US$ 26 milhões bloqueados em contas de duas empresas, Durant Internacional Corporation e Kildare Finance Limited, que seriam de propriedade do político. As transferências de dinheiro entre as contas levantaram a suspeita da promotoria de Nova York, que decretou a prisão de Maluf colocando-o na lista dos mais procurados da Interpol em 2011.

Indo ao site da Pública, você acessa não apenas informações sobre Dantas e Maluf, mas também explora o mapa da corrupção mundial.

Juiz que pode anular toda a operação que denunciou esquema Cachoeira-Demóstenes já votou a favor da anulação em outro caso

A informação está na Folha de hoje, em reportagem de Felipe Seligman e Leandro Colon:

Autor do pedido que adiou o julgamento sobre a legalidade das escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, o juiz federal Cândido Ribeiro já votou a favor de arquivar um outro inquérito ao dizer que trata-se de "constrangimento ilegal" utilizar apenas denúncia anônima para iniciar investigação criminal.

Por isso e por outras decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público já trabalham com grande possibilidade de derrota na corte.

Como escrevi aqui ontem, Relator vota pela anulação das escutas e Operação da PF que denunciou quadrilha Cachoeira pode acabar como Satiagraha. Como são três a votar, basta que Cândido Ribeiro vote por considerar ilegais as gravações,  como já o fez  em situação anterior semelhante, para que as escutas da Operação Monte Carlo sejam anuladas.

Ministros do Supremo Tribunal Federal disseram à Folha que essa decisão [pela ilegalidade dos grampos] não anula todos os desdobramentos da Monte Carlo, mas abre espaço para que advogados entrem com pedidos neste sentido com chances de êxito.

Caso as provas sejam invalidadas, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro pedirá o arquivamento do processo contra seu cliente Demóstenes Torres (GO) no Conselho de Ética, que pode levar à cassação do senador.

Com isso, Demóstenes e Cachoeira podem voltar a se falar, como antes, e os "repórteres investigativos" da Veja serão liberados da Papuda e poderão produzir novas reportagens para o cloaquento hebdomadário.


Chapa Haddad-Erundina em São Paulo é ótima. Mas também é péssima

Como na canção, o que dá pra rir dá pra chorar, o anúncio de que a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) vai ser a vice na chapa do ex-ministro Haddad na disputa pela prefeitura paulista dá uma imensa alegria a quem acompanha o trabalho e a seriedade de Erundina. Mas, por outro lado, traz preocupação: Haddad não conseguiu ampliar a base na guerra contra José Serra.

Erundina estar na chapa soma, não só pela história da deputada, mas também pela aliança com o PSB, e o tempo de rádio, TV e, principalmente, pelo maior número de inserções na campanha.

Mas, o lado popular, nordestino, batalhador que Erundina traz para a campanha, se não prejudica, nada acrescenta à imagem de Haddad, que é apoiado - melhor dizendo, apadrinhado - pelo ex-presidente Lula, que tem perfil semelhante ao da deputada.

Como Lula é maior que Erundina (digo em termo de voto e de avaliação popular), o mais engole o menos, e, portanto, a candidatura Erundina não acrescenta votos à chapa, está incluída no conjunto. É duro dizer, pode parecer cruel. Mas é verdadeiro.

O pior é que ficaremos (pois eu acredito na vitória de Haddad) sem a deputada em Brasília, e Erundina é uma das (senão a maior) batalhadoras por nossas causas no Congresso: conselho de comunicação, regulação da mídia, tudo isso tem na deputada Erundina uma batalhadora única, que vamos perder para a prefeitura de São Paulo.

O ideal é que o PT tivesse conseguido o apoio do PMDB para vencer Serra já no primeiro turno. Mas, já que não foi possível, que a união aconteça no segundo, pois José Serra - como, durante muito tempo aconteceu com Maluf - é o candidato marcado para perder, que alcançou um patamar e dali não passa, pois suas eleição não interessa a ninguém além dos adictos, nem aos próprios tucanos.

Por isso, que bom que seja nossa brava Erundina, e, ao mesmo tempo, que pena que tenha que ser ela, que vai deixar uma lacuna na Câmara difícil de ser preenchida.

Mas, como ainda não é oficial, quem sabe não se consegue outra solução? O presidente Lula é craque nisso.

De qualquer maneira, bem-vinda, Erundina, para ocupar com Haddad o bunker em que se transformou a prefeitura de São Paulo. Mas, que pena, Erundina, que ficaremos sem sua presença fundamental nas batalhas pela comunicação na Câmara.

Relator vota pela anulação das escutas e Operação da PF que denunciou quadrilha Cachoeira pode acabar como Satiagraha

O desembargador Fernando Tourinho Neto, do (TRF1) Tribunal Regional Federal da 1ª Região, votou ontem (12/6) pela anulação das escutas telefônicas da Operação Monte Carlo, aquela que desbaratou o esquema da quadrilha Cachoeira-Demóstenes e que está sendo objeto de uma CPMI no Congresso Nacional.

São três os desembargadores que vão votar. Mais um e a Operação Monte Carlo toma o mesmo destino da Satiagraha, que foi totalmente anulada por conta de aspectos tecno-burocráticos da Justiça, deixando a bandidagem livre, leve e solta.

O desembargador entendeu que as interceptações são inválidas porque o juiz da Primeira Vara de Valparaíso de Goiás, que autorizou o procedimento, não justificou a medida suficientemente. [Fonte]

Como o que é ou não suficiente é medida subjetiva, o que é suficiente para mim pode não ser para você, todos os áudios terão que ser retirados da Operação e nós teremos que fingir que não ouvimos nem lemos nem tomamos conhecimento de todo o esquema que a quadrilha operava.

Demóstenes talvez volte ao Senado (de onde ainda não foi defenestrado) carregado nos ombros, defendendo a moralidade e combatendo, audaz, a corrupção e o governo. Poderá até repetir José Serra, que sobre a Privataria Tucana, disse apenas "lixo, lixo, lixo".

- Mas senador Demóstenes, e suas ligações para Cachoeira, os milhões, os passeios de jatinho, o I-Pad, o...?

- Lixo, lixo, lixo.

Talvez Cachoeira ainda processe o Estado pelos dias de cadeia, quando não pôde nem comparecer ao enterro da mãe.

E nunca saberemos o que tanto conversava a dupla Cachoeira-Policarpo, o famoso e silencioso diretor da Veja que teria trocado mais de 200 ligações com o bicheiro.

O que me espanta e causa indignação é que uma "justificativa insuficiente" possa ser utilizada como justificativa suficiente para que se passe uma borracha sobre todo o esquema fraudulento, corrupto, danoso e garantir a liberdade dos acusados, como se nada houvesse acontecido, como numa Restauração do Sistema Windows.

Exatamente como no caso da Operação Satiagraha, que graças ao tecno-burocratismo do Judiciário, usando as chamadas brechas da lei, corruptores flagrados em áudio e vídeo no ato de tentar corromper delegados da PF passeiam hoje como se inocentes sua impunidade.

Dia do meu aniversário, um presente para você que me lê: grátis, meu romance 'Madame Bovary sou eu'

A  frase é um chavão publicitário, mas eu não tenho medo de chavões.

Hoje, recebi várias mensagens no Facebook, amigos queridos me ligaram, enviaram e-mails.

Como não posso responder a todos com a atenção e o carinho devidos, resolvi retribuir distribuindo gratuitamente a íntegra de meu romance "Madame Bovary sou eu".

De hoje, até o final de semana, dia 17 de junho, basta me enviar um e-mail (o endereço está na barra central do blog) pedindo o romance, que o envio.

Pretendo lançá-lo naquele antigo formato conhecido (o papel, rsrs) ainda este ano, pois ele é parte de uma trilogia e o segundo já está a caminho. Se houver interesse de alguma editora, e a proposta for boa, vamos lá.

O escritor, professor de Literatura na pós da Uerj e pensador Gustavo Bernardo (das poucas pessoas a serem finalistas do Jabuti em várias categorias diferentes) assim apresentou o romance:


Tudo acontece no início dos anos 90, quando Collor foi eleito e depois deposto, e quando uma atriz, por acaso filha da autora da novela em que atuava, foi morta por um ator, por acaso seu par romântico na mesma novela. Glória Perez e Fernando Collor têm participações incidentais, mas importantes, no romance de Antonio Mello.

A história mostra personagens em crise procurando tanto o sucesso quanto o sentido, comumente confundindo um com o outro. Lê-se como se fosse um romance genial e sofisticado e, ao mesmo tempo, lê-se como se fosse um romance policial e eletrizante. Ou seja: a chamada alta literatura mistura-se desavergonhadamente com a chamada baixa literatura, a literatura popular, de mercado, e o resultado é fascinante.

Como este blog é minha casa ou meu bar (se "o meu lar é um botequim"), nada melhor do que agradecer daqui a tantas manifestações de carinho, muito obrigado a todos.

Ao romance, pois. É só escrever, e não precisa de frescura. Basta indicar no assunto que quer ler o romance.

Globo botou jornalista para trabalhar 20 dias seguidos sem folga, e agora começa a demitir para cumprir acordo com MP

Publiquei hoje aqui no blog esta denúncia: Por graves irregularidades trabalhistas, Ministério Público multa Rede Globo em R$ 1 milhão e a obriga a contratar 150 jornalistas.

Coisa séria: emissora chegou a botar jornalista para trabalhar 20 dias seguidos sem folga.

Recebi durante o dia ligações de jornalistas da Globo e outros ligados ao Sindicato com informações de que a Rede Globo, para cumprir o acordo com o Ministério Público e contratar 150 novos profissionais, está demitindo antigos funcionários,  até gente com mais de 25 anos de casa (que, evidentemente, deve ser muito competente, ou não estaria ali há tanto tempo), numa clara mensagem de que "a banca não pode perder nunca".

É um aviso: Não adianta o Sindicato nos pressionar, se somos obrigados a contratar por um lado, demitimos pelo outro. O patrão sempre tem razão.

O problema é que isso influencia na qualidade do jornalismo praticado na casa. Cada vez mais prejudicado pelas interferências políticas do aquárioSala normalmente usada pela direção de redação.

Se a Rede Globo é (para usar uma palavra da moda) "referência" em telenovelas, na qualidade de suas produções ficcionais, o jornalismo desce ladeira abaixo - e não é de hoje.

A mesma emissora que contratou "comunistas" ou "esquerdistas" na época da ditadura para escrever alguns dos melhores trabalhos ficcionais do período (Dias Gomes, Lauro César Muniz, Braulio Pedroso etc), no jornalismo está onde sempre esteve na contramão do Brasil, ao longo da história. Cotas, ProUni, Getúlio, Lula.

A truculência contra antigos profissionais, que é uma vingança da emissora contra o Sindicato e os que lhe cobram relações trabalhistas de acordo com a lei, é só mais um capítulo na história vergonhosa do jornalismo da emissora.

Mas, saibam os que ali trabalham, que o Brasil está mudando, inclusive nas relações trabalhistas. O repórter Carlos Dorneles (que nós e todos os que trabalham na Globo conhecemos) obteve vitórias contra a Rede Globo em suas reivindicações trabalhistas, como já aconteceu anteriormente com Cláudia Cruz.

Por graves irregularidades trabalhistas, Ministério Público multa Rede Globo em R$ 1 milhão e a obriga a contratar 150 jornalistas

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, a Procuradoria do Trabalho da 1ª Região encontrou um cardápio com várias opções de irregularidades trabalhistas na Rede Globo do Rio de Janeiro: casos de funcionários com expediente de mais de 19 horas e desrespeito ao intervalo mínimo entre expedientes (11 horas) e não concessão do repouso semanal remunerado. “Foi constatado excesso de jornada e que este excesso é habitual, e não extraordinário”, explica a procuradora Carina Bicalho, do Núcleo de Combate às Fraudes Trabalhistas.

Acordo firmado entre a empresa e o Ministério Público (MP) no fim de 2011 trouxe como resultado que a Rede Globo vai ter que contratar 150 jornalistas e radialistas para suas redações, além de pagar uma multa de R$ 1 milhão de reais.

Nos últimos cinco anos, esta foi a terceira vez que a emissora do Jardim Botânico teve constatadas irregularidades quanto a jornadas de trabalho. Com este acordo na Justiça, a Globo promove nos últimos meses a prática de novas escalas, garantindo folgas aos jornalistas e mais respeito aos intervalos interjornadas. Este ajuste de conduta chegou também no Infoglobo, que edita os impressos da família Marinho.


Em Nota, o Sindicato defende a importância do acordo e afirma que as irregularidades não se restringem à Rede Globo:

Ao conseguir que a TV Globo seja multada e obrigada a contratar 150 funcionários no prazo de um ano – até fevereiro do ano que vem – o Ministério Público põe o dedo numa ferida. Profissionais, não apenas da Globo, sofrem com as longas jornadas de trabalho, a falta de respeito às folgas semanais e aos intervalos de 11 horas entre uma jornada e outra. Sofrem sem que a população tome conhecimento.

Os trabalhadores que têm a missão de informar jamais são notícia quando o que está em pauta é o desrespeito às leis trabalhistas praticado pelas empresas de comunicação. Por motivos óbvios, os empresários não permitem que os seus próprios erros sejam noticiados. Esse tipo de censura é cláusula pétrea na lei interna das redações.

A multa de R$ 1 milhão aplicada à TV Globo é simbólica, mas serve de alerta a todas as empresas que agem da mesma forma. E a justificativa dos procuradores ao pedir a punição é contundente.

Os jornalistas, pressionados por um mercado de trabalho limitado, não devem sofrer calados. Com os devidos cuidados, precisam denunciar as irregularidades e se unir, através do Sindicato da categoria, na luta por melhores salários e condições de trabalho. Os veículos de comunicação, que fazem tantas denúncias de ilegalidades, têm a obrigação de cumprir a lei no que diz respeito ao seu público interno.


Procuradora critica pejotização

A procuradora Carina Bicalho afirma que a pejotização, que acontece na Rede Globo e em outras emissoras é artifício claro da precarização das relações do trabalho:

“PJ é uma forma que o capital descobriu para trazer o trabalhador para o lado dele, dizendo que o empregado está ganhando com isso”, expõe a procuradora. No entendimento dela, quando essa prática ocorre com os altos salários, não há distribuição de riqueza, já que tanto a empresa quanto o profissional deixam de recolher impostos.


Íntegra da entrevista da procuradora, da Nota do sindicato e mais detalhes do processo você acessa aqui.

É bom que jornalistas e outros profissionais que são submetidos à pejotização pelas empresas saibam que a Justiça do Trabalho tem dado ganho de causa aos que entram com ação contra as empresas, como já publiquei aqui em Juiz do Tribunal Superior do Trabalho diz que TV Globo frauda contrato de trabalho de jornalista.

A jornalista Cláudia Cruz, que trabalhou como repórter e apresentadora (RJTV) na Globo do Rio, entrou com ação no Ministério do Trabalho solicitando que fosse reconhecido seu vínculo empregatício com a Rede Globo. No período em que trabalhou na emissora, Cláudia Cruz teria sido obrigada, segundo afirma, a “abrir uma empresa pela qual forneceria sua própria mão-de-obra”.

O TST deu ganho de causa à jornalista:

A 6ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) obrigou a TV Globo a reconhecer vínculo de emprego com a jornalista Claudia Cordeiro Cruz, contratada como pessoa jurídica.

O ministro Horácio Senna Pires, relator do caso, concluiu que o esquema “se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho, caracterizada pela imposição feita pela Globo para que a jornalista constituísse pessoa jurídica com o objetivo de burlar a relação de emprego”. [reportagem completa aqui]


Se a moda pega, a Globo se ferra, pois jornalistas, atores, diretores (pelo menos os medalhões) sofrem do mesmo mal de Cláudia Cruz: também são obrigados a abrir uma empresa para fornecer sua própria mão-de-obra.

“Nesse contexto, concluo que se tratava de típica fraude ao contrato de trabalho”, afirmou o relator do agravo de instrumento no TST, ministro Horácio Senna Pires.

Advogado de Gilmar Mendes já o chamou de desequilibrado, destemperado, açodado, leviano e de 'mostrar as patas'

Gilmar Mendes e Sergio Bermudes
O advogado Sergio Bermudes, que defende o ministro Gilmar Mendes no processo que lhe move seu sócio no IDP, coautor de dois de seus livros e professor Inocêncio Mártires Coelho, também já foi desafeto de Mendes (mas, também, perguntaria o Tavares - aquele inesquecível personagem de Chico Anysio - "quem não é?").

Em maio do ano passado, publiquei aqui 'Gilmar [Mendes] minha esperança é que você deixe o cargo que ocupa e que não merece por causa do seu desequilíbrio, do seu destempero, da sua leviandade', que reproduzo, em parte, a seguir.

A frase não é de nenhum adversário do ministro e ex-presidente do STF Gilmar Mendes, mas de seu amigo advogado Sergio Bermudes, que emprega Guiomar, esposa de Gilmar, em seu escritório de Brasília, que teria pagado viagem a Buenos Aires ao casal Mendes, que empresta sua Mercedes Benz ao casal quando vêm ao Rio. E que também é advogado da Rede Globo e de Daniel Dantas - a quem Gilmar Mendes deu dois habeas corpus em menos de 24 horas.

A frase está escrita na página 33 do pedido de impeachment do ministro Gilmar Mendes feito pelo advogado Alberto de Oliveira Piovesan:

Gilmar, você agrediu-me brutalmente; agrediu, virulentamente, os processualistas; agrediu os advogados brasileiros e conspurcou a dignidade do cargo que imerecidamente ocupa.

Insistindo em mostrar as patas, você, muito obviamente, questionou a minha seriedade profissional.

Minha esperança é que você deixe o cargo que ocupa e que não merece por causa do seu desequilíbrio, do seu destempero, da sua leviandade, e que abdique da sua propalada pretensão de alcançar o Supremo Tribunal Federal, onde se requer, mais que um curso no exterior, reflexão e serenidade, em vez do açodamento e da empáfia que você exibe.

Na época, Gilmar Mendes era advogado-geral da União, no governo daquele que considera um estadista, Fernando Henrique Cardoso, de quem tinha (ou ainda tem?) um retrato em sua mesa de trabalho.
Seria interessante também saber do advogado Sergio Bermudes por que ele mudou tão radicalmente de opinião a respeito de um homem que classificou como desequilibrado, destemperado, leviano, açodado e que mostrava as patas.

Será pelo fato de hoje Gilmar Mendes não ser mais advogado-geral da União, mas ministro do STF, onde vão parar muitas causas defendidas pelo escritório Sergio Bermudes, como as de Daniel Dantas?

Quem diz que Gilmar Mendes é desonesto o conhece bem: é sócio dele no IDP, coautor de dois de seus livros e professor na graduação e na pós

Inocêncio Mártires Coelho (esse é o nome do acusador de Mendes) também foi Procurador-Geral da República, entre os anos de 1981 e 1985.

O professor Inocêncio Mártires Coelho é membro fundador e presidente do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), onde também é professor de Direito Constitucional, lecionando as disciplinas Filosofia do Direito e Teoria da Constituição e Hermenêutica Constitucional. É doutor em Direito pela Universidade de Brasília com a tese A contribuição de Luís Recaséns Siches à Filosofia do Direito (1969). É professor titular aposentado da Universidade de Brasília. É subprocurador-geral da República aposentado, já tendo exercido o cargo de procurador-geral da República. Escreveu os livros Interpretação Constitucional, Hermenêutica Constitucional e Direitos Fundamentais e Curso de Direito Constitucional, os dois últimos em parceria com Gilmar Ferreira Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco. [Fonte]

E do que o sócio, não apenas no IDP mas também em dois livros, e professor acusa Gilmar Mendes, em reportagem que mereceu capa da revista CartaCapital desta semana (íntegra nas bancas)?

Resumidamente, sonegação e desfalque. Não é pouca coisa para o Simão Bacamarte do STF.

Em acusação formalizada na Justiça em 12 de agosto de 2010 – e que passou a tramitar em segredo de Justiça em abril de 2011 –, Inocêncio demonstra que Gilmar fez retiradas ilegais e desfalcou o caixa do IDP, sonegou impostos e exigiu “‘pedágio dos outros sócios para servir, como ministro do STF, de ‘garoto propaganda’ da instituição educacional. Tudo ao arrepio da Lei Orgânica da Magistratura, que veda aos juízes o exercício de outra atividade a não ser a de professor”.

A revista [CartaCapital], que registra cópias de trechos do processo e de uma auditoria nas contas do IDP, destaca textualmente as acusações de Inocêncio. “‘Nalgumas (sic) vezes, quando alegava estar precisando de dinheiro para custear festas familiares cujas despesas excediam as forças do seu erário particular, o sócio Gilmar Mendes fazia retiradas mais significativas, na expectativa de acertos futuros, que, efetivamente, jamais ocorreram’. Em outras palavras, o ministro é acusado de dar desfalques na sociedade”, diz a revista, acrescentando que o ex-procurador-geral também acusa Gilmar Mendes de montar um esquema de cobrança de comissões sobre patrocínios e eventos fechados com o IDP.

Foi feita uma auditoria no IDP:

“De acordo com a auditoria, o que de mais grave ocorria eram as ‘remunerações extras’, eufemismo usado pelos auditores para as retiradas ilegais, conforme denunciou Coelho. [...] o valor pago como ‘remuneração bruta’ chegava a 14% da folha do instituto, e era feita ‘por fora’, ou seja, de forma criminosa, por meio da sonegação de impostos” [Fonte].

Há ainda outra acusação contra Gilmar Mendes, a de ter utilizado como funcionária do IDP uma pessoa contratada por ele no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Ou seja, o ministro usou uma servidora pública contratada por ele, quando presidente do CNJ, para tocar um trabalho paralelo em sua empresa privada". Além disso, a funcionária, Ana Carolina Chaer, "é sobrinha de Márcio Chaer, diretor do site Consultor Jurídico e amigo íntimo do magistrado”.

O processo corre em segredo de justiça e o advogado de Gilmar Mendes é Sérgio Bermudes, que emprega em seu escritório de Brasília a esposa do ministro, Guiomar Mendes.

Uma foto mostra os milhões de votos que separam Chávez de seu adversário Capriles Radonski

Capriles (o de boné) em campanha
Henrique Capriles Radonski (ou C.Ratonski, como o chamam os chavistas) resolveu fazer uma visita aos bairros populares, em mais uma etapa de sua campanha para tentar derrotar Chávez e chegar à presidência da Venezuela nas eleições de outubro.

O "sucesso" da empreitada de Capriles está reproduzido na foto acima.

Caixa 2: José Serra: R$ 7 mi. Aécio Neves: R$ 5,5 mi. Alckmin: R$ 9,3 mi. Quem levou e quanto na 'Lista de Furnas'

Depois que um laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal atestou a autenticidade da lista de Furnas, que mostrava quem recebeu e quanto dinheiro desviado da empresa nas eleições de 2002, os partidos de oposição aos governos populares Lula-Dilma entraram em polvorosa, especialmente o PSDB, que levou quase 70% da bolada, como mostra o gráfico a seguir.



Detalhe: Como o gráfico é antigo, onde se lê PFL, entenda-se o atual (por enquanto, já que se extingue rapidamente) DEM.

Teriam se beneficiado do caixa 2 de Furnas, na época do governo de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo:

  • José Serra - 7 milhões
  • Geraldo Alckmin - 9,3 milhões
  • Aécio Neves - 5,5 milhões
  • Kassab - 100 mil
  • Eduardo Azeredo (chefe do mensalão tucano de Minas, que é pai do mensalão do PT) - 550 mil
Logo que a lista apareceu, distribuída pelo lobista (e também processado em casos de estelionato) Nilton Monteiro, os partidos atingidos (PSDB e todos da base do governo FHC) trataram de desqualificá-la atacando seu divulgador.

Monteiro não é Madre Teresa, mas a lista, embora divulgada por ele, havia chegado a suas mãos (e assinada) pelo ex-diretor de Furnas Centrais Elétricas S.A., Dimas Toledo.

Inicialmente, Nilton Monteiro apresentou apenas cópia da lista, e a Polícia Federal não viu indícios de montagem nela. Os partidos dos candidatos listados não se conformaram e exigiram que Monteiro apresentasse o original da lista, que ele dizia possuir. Tinham certeza de que ele não o faria.

Mas quebraram a cara. Ele não só apresentou a lista original, como o Instituto de Criminalística atestou sua autenticidade. Ou seja: não havia montagem e a assinatura do diretor de Furnas era autêntica.

Dois dos listados concordaram que receberam o valor assinalado, entre eles o famoso deputado do "mensalão" Roberto Jefferson.

Agora, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., autor da Privataria Tucana, mergulhou na lista de Furnas.

Se o julgamento do tal mensalão é o momento presente do PT e aliados, o mensalão tucano em Minas (anterior em sete anos ao do PT)  e a lista de Furnas são o futuro do PSDB e aliados, que virão se somar aos estragos da CPI do Cachoeira.

[Aqui você acessa os dados da lista de Furnas, e mais informações sobre ela]


14 anos depois, mensalão tucano de MG que bancou campanha à reeleição de FHC ainda não foi julgado

Charge: Berzé

O esquema é o mesmo do tal mensalão do PT de 2005. Só que implementado sete anos antes, em 1998. E foi com a expertise que desenvolveu no mensalão tucano que o publicitário Marcos Valério acabou fazendo serviço semelhante para o caixa 2 do PT.

No entanto, enquanto, sob violenta pressão da mídia corporativa, o STF cedeu e impôs-se prazo para votar o mensalão do PT, o mensalão tucano segue sem julgamento e todos os envolvidos no esquema-mãe provavelmente inimputáveis, pois os crimes já devem estar prescritos.

Conforme publiquei aqui em 2007, Azeredo confirma informação do Blog do Mello: Dinheiro do valerioduto tucano irrigou campanha de FHC:


FOLHA - A Polícia Federal diz que houve caixa dois na sua campanha...
EDUARDO AZEREDO -
Tivemos problemas na prestação de contas da campanha, que não era minha só, mas de partidos coligados, que envolvia outros cargos, até mesmo de presidente da República.
FOLHA - O dinheiro da sua campanha financiou a de FHC em Minas?
AZEREDO -
Sim, parte dos custos foram bancados pela minha campanha. Fernando Henrique não foi a Minas na campanha por causa do Itamar Franco, que era meu adversário, mas tinha comitês bancados pela minha campanha.

Por que então o mensalão do PT tem que ser julgado agora, às vésperas das eleições municipais, enquanto o mensalão tucano,  que originou o esquema sete anos antes, pode ficar passeando pelos corredores lúgubres do Judiciário passeando sua impunidade?

Por que Lula e o PT e não FHC e a dupla PSDB-DEM (à época PSDB-PFL)?

A resposta a essa pergunta mostra com quem e para quem trabalha a mídia corporativa e suas "indignadas" penas de aluguel.

Há 15 anos, Guga se tornava o primeiro brasileiro (depois de Maria Esther Bueno) a vencer um Grand Slam: Roland Garros, 1997

Com seus repórteres na Papuda, Veja apela e usa colcha de retalhos de textos de outros para montar reporcagem

A mais vendida do Brasil
atira no próprio pé
A revista mais vendida do Brasil (e põe vendida nisso), mostra a falta que estão fazendo seus "repórteres investigativos", quase todos presos na Papuda. O diretor deles, Policarpo Junior, que teria trocado 200 ligações com o chefe da quadrilha de "repórteres" de Veja, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, está mudo, continua mudo, e mudo vai ficar até o momento em que o teor dessas ligações vier à tona.

Enquanto isso, a revista bate cabeça e apela para seus colunistas, a fim de provar que ainda está viva. Mas, quando tenta fazer uma reportagem, tropeça feio, como flagrou a repórter Cynara Menezes, de CartaCapital.

Numa reportagem significativamente chamada de Control C + Control Veja, Cynara põe a Veja a nocaute, desmoraliza ainda mais (se ainda é possível) a revista do boimate (leia Veja cria o Boimate 2. É Reivaldo Azeprado, mistura de Reinaldo com Prof. Hariovaldo, que escreveu editorial sobre Twitter), e mostra que uma reportagem da revista foi feita a partir de textos copiados e colados da internet e vendidos como se fossem um documento do PT a que Veja teve acesso.

No centro do furacão desde que vieram à tona suas relações no mínimo pouco éticas com os bandidos da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, a revista Veja parece ter perdido toda a noção de ridículo. Sua capa desta semana é uma farsa: o “documento” que a semanal da Abril alardeia ter sido produzido pelo PT como estratégia para a CPI de Cachoeira é, na verdade, um amontoado de recortes de reportagens de jornais, revistas e sites brasileiros.

Confira neste link (clique AQUI) os fac-símiles do suposto “documento” que a revista apresenta com “exclusividade” e compare com os outros links no decorrer deste texto.

Leia a reportagem completa aqui e acompanhe mais um passo na agonizante descida da revista Veja ao esgoto que ela desenhou para si.

Isto sim é um tiro no pé, manchete da revista reproduzida no alto.

Nota do PSDB defende Alckmin das acusações de caixa 2 de Pagot. Mas nada fala sobre José Serra. Por quê?

Que constrangedor!
Estranho. O PSDB soltou uma nota chamando de caluniosa a reportagem da IstoÉ, onde o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot afirma categoricamente que todo mundo sabia que 8% do Rodoanel era desviado para o caixa 2 tucano em São Paulo. (Leia aqui 'Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin': Divisão do Caixa 2 tucano do Rodoanel).

No entanto, embora a afirmação de Pagot se referisse a José Serra (que ficaria com o grosso do bolo, 60%), a nota do PSDB não toca no nome dele e defende apenas Alckmin. Por que será?

Confira a nota:


“A matéria da Istoé é caluniosa. As campanhas eleitorais do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, sempre contaram com doações declaradas à Justiça Eleitoral. O governador não foi procurado pela revista, ao contrário de um grupo seleto de personagens nela citados. Com esse procedimento abominável, a Istoé deixou que prosperassem mentiras ditas pelo Sr. Luiz Antônio Pagot baseadas em algo que ele teria ouvido de um “procurador de empreiteira” cujo nome ele nem menciona.”

Se Gilmar Mendes fosse o que afirma ser, ele se declararia impedido de julgar o 'mensalão'

Não há a menor condição de o ministro do STF Gilmar Mendes julgar o chamado "mensalão do PT" como todos os casos devem ser julgados, com a isenção possível (afinal, somos todos humanos, sujeitos a nossas idiossincrasias), baseado nos autos do processo e na Lei.

O tal encontro entre Gilmar, o ex-ministro Jobim e o ex-presidente Lula, com todas as idas e vindas das declarações de Mendes, mostra que o ministro não tem condições emocionais de julgar o tal "mensalão".

Com suas posições radicalizadas, com um palavreado que passa ao largo de um juiz da Suprema Corte do país, Gilmar se colocou numa sinuca de bico:

  • Se condena os indiciados, será acusado de agir com o fígado e para mostrar que não cede a pressões.
  • Se, ao contrário, absolvê-los - especialmente o acusado-mór, aquele a quem a mídia corporativa dedica atenção e ódio especiais, José Dirceu - não vai escapar da suspeita de ter aceitado o acordo que afirma que lhe teria sido proposto pelo ex-presidente Lula.

Sendo mais rigoroso na análise das destrambelhadas declarações do ministro, ele deveria se julgar impedido também para não constranger os colegas com sua presença, nesse julgamento específico.

Como se isso tudo não bastasse, ainda falta ao ministro mostrar ao Brasil cópia do cartão de embarque do trecho São Paulo-Brasília, daquele voo que partiu de Berlim, no qual ele veio em companhia do ainda senador Demóstenes Torres, o Hipócrita.

Gilmar já apresentou comprovante de que pagou pelas passagens, o que não significa que voou no voo que pagou. Pode ter aberto mão da passagem para seguir viagem com seu companheiro Demóstenes, no jatinho que levou o ainda senador de São Paulo a Brasília.

Afinal, como o próprio ministro Gilmar afirmou, ele viajou duas vezes num jatinho particular com Demóstenes. Por que dispensaria um voo particular, com suas mordomias e a companhia do amigo, com quem dividia um alegre convívio desde Praga, passando por Berlim e chegando a São Paulo?

Só que o voo era das Organizações Cachoeira.

Morre na Rússia aos 77 anos, Trololó. E agora, José Serra, isso também é trololó?

Eduard Khil, o Trololó
A notícia caiu como uma bomba no ninho tucano.

Já abalados com o pífio desempenho do candidato José Serra, que tem mais rejeição que apoio a seu nome na disputa para a prefeitura de São Paulo,  os companheiros tucanos estão inconsoláveis com a notícia da morte daquele que era usado por Serra como a desculpa perfeita para toda questão a que ele não podia dar resposta - Trololó.

- Serra, 'Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin': Divisão do Caixa 2 tucano do Rodoanel?
- Isso é Trololó.
- Serra, e o caso Lunus?
- Isso é Trololó.
- Serra, e os Sanguessugas?
- Isso é Trololó.
- Serra e a Operação Vampiro?
- Isso é Trololó.
- Serra, e o diploma de engenheiro?
- Isso é Trololó.
- Serra, e o diploma de economista?
- Isso é Trololó.
- Serra, como comprou seu apartamento?
- Isso é Trololó.
- Serra, você não sabia que o Brasil é uma República Federativa e não Estados Unidos do Brazil?
- Isso é Trololó.
- Serra, o que você tem a dizer sobre as gravíssimas acusações da Privataria Tucana?
- Isso é Trololó.
- Serra, etc...?
- Isso é Trololó.
Pois é. Mas, agora, Trololó morreu, aos 77 anos, num hospital em São Petersburgo, onde estava em coma desde abril, quando sofreu um derrame cerebral.

Eduard Khil, o Trololó, era um famoso cantor russo, que ficou conhecido graças à interpretação sui generis que deu à canção americana "Estou muito contente, por fim regresso a casa", que conta a prosaica história de um vaqueiro que voltava para casa, a milhas de distância da esposa que o aguardava, enquanto tecia meias de lã.

Era época da guerra fria, e Khil eliminou a letra, cantando apenas a melodia com seu inesquecível trololó.

Vejam a seguir Trololó em ação, e sintam como é grande a perda para José Serra, porque Trololó é mesmo insubstituível.


'Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin': Divisão do Caixa 2 tucano do Rodoanel

A informação é do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot, numa entrevista concedida à IstoÉ.

Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel. A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot. Nas conversas com ISTOÉ, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora. Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot.


Na mesma reportagem, Pagot afirma que teria auxiliado na arrecadação para a campanha do PT, junto a empreiteiras.

Pagot disse que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), um pedido para arrecadar recursos junto às empreiteiras. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações, no entanto, teriam sido feitas pelas vias legais, de acordo com o ex-diretor do DNIT.


Ou seja, no caso do PR ele teria solicitado às em,presas quer fizessem doações. No caso do PSDB em SP, não. Ele teria sido pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel.

Ainda segundo Pagot, 8% do total das verbas para o Rodoanel abasteciam o caixa 2 tucano em São Paulo, na proporção de 60% para Serra e os 40% restantes divididos meio a meio entre Alckmin e Kassab.

Com os tucanos paulistas foi diferente. Os pedidos eram para um caixa 2 e ele se recusou a atendê-los. Pagot contou à ISTOÉ que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, solicitou uma audiência no DNIT. Levou assessores, engenheiros e um procurador para tentar convencer Pagot a liberar a quantia. Até então, a obra tinha consumido R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em repasses da União. Acompanhado do diretor de Infraestrutura Rodoviária, Hideraldo Caron, Pagot disse que o governo não devia mais nada à Dersa. Quarenta dias depois, houve nova reunião, no Palácio dos Bandeirantes, na qual tentaram recolher sua assinatura num Termo de Ajuste de Conduta (TAC), apresentado pelo Ministério Público Federal. “A partir daí começaram as pressões”, diz Pagot. Ele diz que recebia telefonemas constantes, não só de Paulo Preto, mas do deputado Valdemar Costa Neto (PR/SP), do ministro Alfredo Nascimento e de seu secretário-executivo, hoje ministro Paulo Sérgio Passos. O caso foi parar no TCU, que autorizou a Dersa a assinar o TAC, condicionando novos aditivos à autorização prévia do tribunal e do MP. Pagot recorreu à AGU, que em parecer, ao qual ISTOÉ teve acesso, o liberou de assinar o documento.

Em meados de 2010, almoçando uma dobradinha no tradicional restaurante Francisco, em Brasília, o procurador de uma empreiteira adicionou para Pagot um elemento novo à já suspeita equação do Rodoanel. O interlocutor, segundo o ex-diretor do DNIT, revelhttp://www.blogger.com/img/blank.gifou que no convênio haveria um percentual para abastecer a campanha de Serra. “Aquele convênio tinha um percentual ali que era para a campanha. Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que essa obra financiava a campanha do Serra”, disse. Consulta ao TSE mostra que o comitê de Serra e do PSDB receberam das empreiteiras que atuaram no trecho sul do Rodoanel quase R$ 40 milhões, em cifras oficiais. O representante de uma empreiteira que participou do Rodoanel confirmou à ISTOÉ que manteve contatos com Pagot reivindicando o aditivo.


A revista Época, das Organizações Globo (O poder das Organizações Globo é um risco para a democracia no Brasil), também conversou com Pagot, mas, curiosamente, só contou a parte relacionada ao PT na história, nada falando do PSDB ou José Serra.

Não é à toa que Rede Globo lança Código de Ética e o descumpre numa mesma edição do Jornal Nacional...

Em seu site, o deputado José de Filippi Jr., que é apontado nas duas reportagens como tesoureiro do PT, nega o fato em nota:

  1. O deputado José de Filippi Jr. não é tesoureiro do PT. Foi coordenador financeiro da campanha presidencial da candidata Dilma Rousseff, em 2010, e teve as contas aprovadas pelo TSE.
  2. O senhor Luiz Antônio Pagot se apresentou voluntariamente no comitê de campanha, como ele mesmo afirma na matéria da ÉPOCA: “Fui um colaborador espontâneo”. À ocasião estava acompanhado de alguns dirigentes do PR e ofereceu apoio logístico para a campanha, na forma da cessão de três aviões do senhor Blairo Maggi. Isto nunca se concretizou.
  3. Filippi não solicitou ao sr. Pagot que fizesse contato com empreiteiras e construtoras. Este trabalho era realizado por Filippi, na condição de coordenador financeiro da campanha.
  4. É incorreta a informação de que o sr. Pagot encaminhava para Filippi boletos de depósitos de empreiteiras, pois as doações eleitorais são eletrônicas e identificadas pelas instituições bancárias. Assim, a coordenação financeira tinha acesso online aos depósitos feitos.
  5. Esclarecemos ainda que a quase totalidade das empresas listadas como doadoras da campanha da Presidenta Dilma Rousseff na reportagem da ISTO É já mantinha contatos com a coordenação financeira, pois doaram para a campanha presidencial de 2006.

Mino Carta responde aos ataques do esgoto. Este blogueiro o homenageia e o publica na íntegra

Leitores do blog sabem que divergi algumas vezes de Mino Carta. Basta procurar na caixa de pesquisas.

Mas a campanha que o esgoto que é Veja, seus blogueiros, e alguns novos blogueiros à procura de espaço na cloaca lançam contra Mino merecem não apenas meu repúdio, mas a publicação na íntegra de texto que Mino Carta se sentiu impelido a produzir, para que seu silêncio não se parecesse com o do diretor da Veja (flagrado em inúmeras ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e sua quadrilha) Policarpo Junior, covarde e aquiescente.

Portanto, contrariando a diretriz básica deste blog de, em geral, publicar apenas a opinião do blogueiro, que defende que um blog deve ser um site de opinião (do blogueiro) com direito a comentários (mediados por ele), segue a íntegra do texto de Mino - a quem não conheço - publicado em sua CartaCapital (lá, com fotos etc).

O objetivo não é defendê-lo, porque ele está bem crescidinho e sabe fazer isso muito bem, mas mostrar aos possíveis leitores do esgoto que caiam desavisadamente por aqui, e, principalmente, aos leitores do blog, quem é Mino Carta e sua importância no jornalismo brasileiro.

De volta ao passado

“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.

É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.

Não me faltaram detratores vida adentro, ninguém, contudo, conseguiu provar coisa alguma que me desabonasse. Os atuais superam-se. Um deles se diz jornalista, outro acadêmico. Pannunzio & Magnoli, binômio perfeito para uma dupla do picadeiro, na hipótese mais generosa de uma farsa cinematográfica. Esmeram-se para demonstrar exatamente o que soletro há tempo: a mídia nativa prima tanto por sua mediocridade técnica quanto por sua invejável capacidade de inventar, omitir e mentir.

Afirmam que no meu tempo de diretor de redação de Veja defendi a pena de morte contra “terrorristas”, além de enaltecer o excelente trabalho da Oban. Outro inquisidor se associa, colunista e blogueiro, de sobrenome Azevedo. E me aponta, além do já dito, como um singular profissional que não aceita interferência do patrão. Incrível: arrogo-me mandar mais do que o próprio. Normal que ele me escale para o seu auto de fé. O Brasil é o único país do meu conhecimento onde os profissionais chamam de colega o dono da casa.

Não há nas calúnias que me alvejam o mais pálido resquício de verdade factual. Os textos que me atribuem para baseá-las nascem de uma mistificação. Pinçados ao acaso e fora do contexto, um somente é de minha autoria e nada diz que me incrimine. E pouparei os leitores de disquisições sobre minha repulsa visceral, antes ainda que moral, à prisão sem mandado, à tortura e à pena de morte. Quando o Estadão foi pioneiro na publicação de um artigo assinado Magnoli, limitei-me a escrever um breve texto para o site de CartaCapital, destinado a contar a história de outra peça de humorismo, escrita em 1970 por um certo Lenildo Tabosa Pessoa, redator, vejam só, do Estadão, e intitulada O Senhor Demetrio. Ou seja, eu mesmo, marcado no batismo por nome tão pesado.

Lenildo pretendia publicar seu texto no jornal, os patrões, Julio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita, não deixaram. Surgiu em matéria paga o retrato de um hipócrita pretensamente refinado que, como Arlequim da política, servia ao mesmo tempo Máfia e Kremlin. O senhor Demetrio, de codinome Mino. Diga-se que Lenildo encontraria eco três anos depois no programa global de um facínora chamado Amaral Neto, também identificado como Amoral Nato, que repetia Lenildo no vídeo. Como se vê, tom e letra das calúnias estão sujeitos a mudanças ideológicas.

Ao negarem espaço nas páginas da sua responsabilidade à diatribe de Lenildo, os herdeiros do doutor Julinho quiseram respeitar a memória do meu pai, que trabalhou no Estadão por 16 anos, e meu honesto e leal desempenho na criação da Edição de Esporte e do Jornal da Tarde. O Estadão, evidentemente, não é mais o mesmo. Lenildo e Amaral Neto me tinham como perigoso subversivo de esquerda. Em compensação, hoje sou acusado de ter dirigido naquele mesmo 1970 uma Veja entregue “à bajulação, subserviência e propaganda da ditadura”. É espantoso, mas a semanal da Abril em 1970 era submetida à censura exercida na redação por militares. Eu gostaria de saber o que acham os senhores Pannunzio, Magnoli e Azevedo a respeito de quem na mídia brasileira se perfilava illo tempore ao lado da ditadura. Ou seja, quase todos.

Quem, de fato foi censurado? Os alternativos, então chamados nanicos, em peso, do Pasquim a Opinião, que depois se tornaria Movimento, sem exclusão de O São Paulo, o jornal da Cúria paulistana regida por dom Paulo Evaristo Arns. A Veja, primeiro por militares, depois por policiais civis no período Médici. Com Geisel, passou a ser censurada diariamente, de terça a sexta, nas dependências da Polícia Federal em São Paulo, e aos sábados, à época dia de fechamento, na própria residência de censores investidos do direito a um fim de semana aprazível. Enquanto isso, Geisel exigia que os alternativos submetessem seu material às tesouras censórias em Brasília, toda terça-feira.

Sim, o Estadão também foi censurado e com ele o Jornal da Tarde. A punição resultava de uma briga em família. O jornal apoiara o golpe, mas sonhava com a devolução do poder a um civil, desde que se chamasse Carlos Lacerda. Este não deixava por menos nas suas aventuras oníricas. O Estadão acabou sob censura, retirada contudo em janeiro de 1975, no quadro das celebrações do centenário do jornal. Carlos Lacerda foi cassado. Diga-se que ao Estadão permitia-se preencher os espaços vagos deixados pelos cortes com versos de Camões, em geral bem escolhidos, e ao Jornal da Tarde com receitas de bolo, às vezes discutíveis. O resto da mídia não sofreu censura. Não era preciso.

Quando me chamam para fazer palestras em cursos de jornalismo, sempre me surpreendo ao verificar que o enredo que acabo de alinhavar é ignorado pelos alunos e por muitos professores. Acham que a censura foi ampla, geral e irrestrita. Meus críticos botões observam que me surpreendo à toa. Pois não se trata de futuros Pannunzios, Magnolis e Azevedos? No caso deste senhor Reinaldo, vale acentuar uma nossa específica diferença. Não me refiro ao fato de que eu reputo Antonio Gramsci um grande pensador, enquanto ele o define como terrorista. A questão é outra.

Ocorre que, ao trabalhar e ao fazer estágios na Europa, entendi de vez que patrão é patrão e empregado é empregado, e que para dirigir redações o profissional é chamado por causa de sua exclusiva competência. Ao contrário do que se dá no Brasil, por lá não há diretores por direito divino. Por isso, ao deixar o Jornal da Tarde para tomar o comando dos preparativos do lançamento de Veja, me senti em condições de exigir certas garantias.

No Estadão tivera um excelente relacionamento com a família Mesquita, fortalecido pela lembrança que cultivavam de meu pai, iniciador da reforma do jornal que Claudio Abramo aprofundou e completou. Gozei na casa então ainda do doutor Julinho, filho do fundador, de grande autonomia, aquela que facilitou a criação de um diário de estilo muito próprio, arrojado na diagramação, em busca de qualidade literária no texto. Estava claro, porém, que a linha política seria a da família. Com os Mesquita me dei muito bem, foram de longe meus melhores patrões, talvez os remanescentes não percebam que por eles tenho afeto, embora, saído do Estadão, não me preocupasse em mostrar que minhas ideias não coincidiam com as deles.

Convidado finalmente pelos Civita para a empreitada de Veja, solicitei uma liberdade de ação diversa daquela de que gozara no Jornal da Tarde. Só aceitaria o convite se os donos da Abril, uma vez definida a fórmula da publicação, se portassem como leitores a cada edição, passível de discussão está claro, mas a posteriori, quer dizer, quando já nas bancas.

Pedido aceito. A primeira Veja, espécie de newsmagazine à brasileira, foi um fracasso. Além disso, já irritou os fardados por trazer na capa a foice e o martelo. A temperatura subiu com a segunda capa, a favor da Igreja politicamente engajada. A quinta, com a cobertura do congresso da UNE em Ibiúna, foi apreendida nas bancas. E também o foi aquela que celebrou a decretação do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968. Tempos difíceis. Mas a edição de mais nítido desafio aos algozes da ditadura é de mais ou menos um ano depois. A chamada de capa era simples e direta: “Torturas”, em letras de forma.

A história desta reportagem começou cerca de três meses antes, com uma investigação capilar conduzida por uma equipe de oito repórteres encabeçada por Raymundo Rodrigues Pereira. Foram levantados 150 casos, três deles nos detalhes mínimos. Emílio Garrastazu Médici acabava de ser escolhido para substituir a Junta Militar e pela pena do então coronel Octavio Costa acenava em discurso, pretensamente poético ao declinar a origem do novo ditador por dizê-lo vindo do Minuano, à necessidade do abrandamento da repressão. Raymundo e eu recorremos a um estratagema, e saímos com uma edição anódina para celebrar o vento gaúcho. Falávamos da posse, da composição do ministério, do discurso. Chamada de capa: “O Presidente Não Admite Torturas”.

Ofereço este número de Veja à aguda análise de Pannunzios, Magnolis, Azevedos e quejandos. (Nada a ver com queijo.) Bajulação e subserviência estão ali expostas da forma mais redonda. Naquele momento, a mídia foi atrás de Veja, e por três dias falou-se mais ou menos abertamente de tortura. Logo veio a proibição, que Veja ignorou. Na noite de sexta-feira a reportagem da equipe de Raymundo descia à gráfica para arrolar 150 irrefutáveis casos de tortura, dos quais três em detalhes. Ao mesmo tempo, eu mandava cortar os telefones da Abril para impedir ligações de quem pretendesse interferir, autoridades, patrões e intermediários. A edição foi apreendida nas bancas, e logo desembarcou na redação a censura dos militares.

Quando ouvi falar em distensão pela primeira vez, meados de 1972, pela boca do general Golbery, à época presidente da Dow Chemical no Brasil, pareceu-me possível alguma mudança na sucessão de Médici. De fato, Golbery, que vinha de conhecer, articulava na sombra a candidatura de Ernesto Geisel, títere sob medida para as suas artes de titereiro. Meados de 1973, assenta-se a candidatura obrigatória de Geisel. Alguns meses após, ministério em gestação, Golbery, futuro chefe da Casa Civil à revelia de Médici, me sugere uma conversa com o recém-convocado para a pasta da Justiça, Armando Falcão. Assunto: fim da censura em clima de distensão.

Conversei duas vezes com Falcão enquanto Roberto Civita entre janeiro e fevereiro de 1974 apontava em Hugh Hefner um notável filósofo da modernidade. Mal assumiu a pasta, dia 19 de março de 1974, Falcão chamou-me a Brasília para comunicar que a censura se ia naquele instante. Sublinhei: “Sem compromisso algum de nossa parte”. “Claro, claro”, proclamou, e me deu de presente seu livro de recente publicação, intitulado A Revolução Permanente. Mais tarde Golbery comentaria: “Falcão é o nosso Trotski”.

Três semanas após, a censura voltou, mais feroz do que antes. Duas reportagens causaram a costumeira irritação, fatal foi uma charge de Millôr Fernandes. Em revide, decretava-se que a censura seria executada em Brasília às terças-feiras. Fui visitar Golbery no dia seguinte, eu estava de veneta rebelde, levei meus dois filhos meninotes, e andei pela capital federal de limusine. No meu livro de próxima publicação, O Brasil, a sair pela Editora Record como O Castelo de Âmbar, descrevo assim a visita ao chefe da Casa Civil.

“A secretária do ministro, dona Lurdinha, senhora de modos caseiros, redonda rola sobre o carpete sem perder o sorriso, chega-se ao meu ouvido, murmura: “Veio também o senhor Roberto Civita, quer ser recebido mas não tem hora marcada”. Não deixo que o tempo se estique inutilmente, tomo a visão panorâmica da antessala e vejo Arci, entalado em uma poltrona com expressão perdida na paisagem da savana descortinada além das vidraças. “Que faz aqui?” E ouço meu próprio latido.
“Vici me contou que você viria, e eu gostaria…”
“Você não pediu audiência, não tem hora”, proclamo.

Ele insiste, à beira da imploração. O meu tom chama a atenção de Manuela e Gianni, encaram a cena sem entender o assunto, percebem porém que o pai está muito irritado, enquanto o outro tem jeito de pedinte. Lurdinha traz uma laranjada para as crianças e avisa que o general está à espera. Admito: “Você entra comigo, mas se compromete a não abrir a boca”. Ele promete.

Na conversa que se segue no gabinete da Casa Civil, o meu argumento é óbvio, Veja é uma revista semanal que encerra o trabalho na noite de sábado e vai às bancas às segundas-feiras, obrigá-la a submeter textos e fotos aos censores na terça significa inviabilizá-la. Pergunto a Golbery: “Os senhores pretendem que Veja simplesmente acabe?” Não, nada disso. “Então é preciso pôr em prática outro sistema.”

O chefe da Casa Civil entende e concorda. Diz: “Vá até o Ministério da Justiça, fale com Falcão, a Lurdinha já vai avisá-lo, diga a ele que vamos procurar uma saída até amanhã no máximo, a próxima edição tem de sair regularmente”.
Golbery fica de pé, hora da despedida. O general não conhecia o patrãozinho que até aquele momento cumpriu a promessa feita na antessala. E de supetão abre a boca: “General, se o senhor acha que devemos tomar alguma providência em relação ao Millôr Fernandes…”
Golbery fulminou-o: “Senhor Civita, não pedi a cabeça de ninguém”.

Vici e Arci, ou seja, Victor Civita e Roberto Civita, assim se chamavam no castelo envidraçado à beira do Tietê, esgoto paulistano ao ar livre. Esse entrecho já o desenrolei em O Castelo de Âmbar sem merecer desmentido e o próprio Millôr o colocou no ar do seu blog logo após a publicação no final de 2000. Ao sair do gabinete de Golbery, eu disse a Roberto Civita “você é mesmo cretino”, como depois o definiria na conversa de despedida com o pai Victor, mas poderia dizer coisa muito pior. Quanto à minha saída da direção de Veja e de conselheiro board abriliano, descrevi o evento em editorial de poucas semanas atrás. Faço questão de salientar, apenas e ainda, que não fui demitido, e sim me demiti para não receber um único centavo das mãos de um Civita, nem que fosse a comissão pelo empréstimo de 50 milhões de dólares recebidos pela Abril da Caixa Econômica Federal, juntamente com o fim da censura, em troca da minha cabeça. A revista prontamente caiu nos braços do regime.

A partir daí, tive de inventar meus empregos para viver. Ou por outra, para viver com um salário infinitamente menor (insisto, infinitamente) do que aquele dos importantes da imprensa, e nem se fale daqueles da televisão. Ganham mais que os europeus e de muitos americanos. Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias de Pannunzios, Magnolis e Azevedos, e de vários que os precederam. Muito representativos de uma mídia que manipula, inventa, omite e mente. Observem os fatos e as mentiras da atualidade imediata, o caso criado pelo protagonismo de Gilmar Mendes e pela ferocidade delirante dos chapa-branca da casa-grande. Além do mais, há em tudo isso um traço profundo de infantilidade, um rasgo abissal, a provar o estágio primitivo da sociedade do privilégio, certa de que a senzala aplaude Dilma e Lula e mesmo assim se conforma, resignada, dentro dos seus habituais limites.

Os caluniadores são, antes de mais nada, covardes. Sentem as costas protegidas pela falta generalizada de memória, ou pela pronta inclinação ao esquecimento. Pela impunidade tradicional garantida por uma Justiça que não pune o rico e poderoso. Pelo respaldo do patrão comprometido com a manutenção do atraso em um país onde somente 36% da população conta com saneamento básico, e 50 mil pessoas morrem assassinadas ano após outro. Confiam no naufrágio da verdade factual, pela enésima vez, e que tudo acabe em pizza, como outrora se dizia, a começar pela CPI do Cachoeira e pela pantomima encenada por Gilmar Mendes. E que o tempo, vertiginoso e fulminante como sempre, se feche sobre os fatos, sobre mais uma grande vergonha, como o mar sobre um barco furado.