O pensamento (muito) vivo de Ali Kamel, Diretor Geral de Jornalismo e Esportes da TV Globo



Não sou movido por paixões políticas e meu compromisso é apenas com a minha profissão: relatar os fatos, com correção e imparcialidade, não importando se beneficiam ou prejudicam esta ou aquela corrente política. 

Posso constatar com orgulho que esta é também a postura dos meus colegas de redação. Para todos nós, é motivo de satisfação trabalhar numa casa que não espera de seus funcionários outra coisa senão esse tipo de comportamento. Políticos passam. Eleições chegam ao fim. Mas o nosso trabalho jornalístico é diário e avança nos anos. 

Supor que jornalistas da TV Globo e a própria emissora possam perder isso de vista, trocando os compromissos éticos de nossa missão conjunta por objetivos políticos subalternos, é uma ofensa gravíssima que repudiamos com toda a ênfase. [Fonte]

Você que me lê concorda com ele, é isso o que vemos refletido nos telejornais da Globo? Ou ele é um a) cínico; b) um alienado; c) um mentiroso; d) um homem que fala a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade; e) ele é o Vovô Simpson, pai dos Homer?


OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Afinal de contas, o que está valendo no STF, ministra Rosa Weber?





OBS: Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam.

Madame Flaubert, de Antonio Mello

Serra entrega ambulâncias superfaturadas e diz que não paga impostos nem produz. Ou, como age a mídia corporativa




Cena: Entrega de ambulâncias superfaturadas, distribuídas pela Planan, na época em que José Serra era ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso. O ministro discursa e diz que aquelas ambulâncias... bem, vejam o vídeo, tem menos de 40"...

Ah, pra quem não se recorda do que foi o escândalo das ambulâncias superfaturadas, reproduzo nota que saiu no Blog do Noblat em 2006 e que reproduzi aqui:

Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam e chefe da Máfia dos Sanguessugas, deu entrevista que ocupará sete páginas da próxima edição da revista ISTOÉ.
Ele disse que pagou propina a José Serra, na época ministro da Saúde, e a Barjas Negri, secretário-executivo do ministério, para que liberassem grana destinada à compra superfaturada de ambulâncias.
A grana era repassada para os dois pelo empresário do ramo da construção civil Abel Pereira, de Piracicaba, São Paulo.
Vedoin apresentou cópias de 15 cheques que diz ter passado para Pereira. E citou o nome de duas empresas nas contas das quais depositou dinheiro a pedido de Pereira:
* Kanguru, uma factoring de São Paulo;
* e Datamicro, empresa da área de informática de Governador Valadares, Minas Gerais.


Confira o vídeo, que eu editei usando as configurações da mídia porcorativa:



Quer dizer que as ambulâncias foram pagas pelos que pagam impostos e produzem, e José Serra confessa, candidamente, "não [foram pagas] com meu dinheiro". Logo, ele não paga impostos nem produz.

Não é assim, manipulando, selecionando trechos de falas e descontextualizando-os,  que a mídia corporativa (ou porcorativa, como eu gosto de chamar) produz seu conteúdo?

Está acontecendo agora. Saiu no Estadão que Lula teria dito sobre os condenados do mensalão:  "Não se trata de gente da minha confiança". O objetivo, claro, é jogar Lula contra o PT, especialmente os que se encontram presos. E mostrá-lo como um traíra, que abandona seus companheiros.

Numa entrevista de 40', no último sábado, ao canal RTP, TV de Portugal, pegaram a frase, descontextualizaram, e jogaram no ventilador.

Abaixo, veja o trecho em que o presidente diz a frase, que vem acompanhada do reconhecimento de seus companheiros do PT e de que ele nomeou seis juízes para o STF.

Ou seja, quando diz que não se trata de gente de minha confiança quer dizer que o contexto é mais amplo. E sentenciou: "O que eu acho é que não houve mensalão. (...) Esse processo foi um massacre que visava destruir o PT. E não conseguiram".

Ainda segundo Lula, o mensalão foi "80% de decisão política e 20% de decisão jurídica". Confira:




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Madame Flaubert, de Antonio Mello

O que é a agressão a repórter da Globo por manifestantes comparada às agressões que eles sofrem da própria Globo?


Bette Lucchese



"Tenho mais medo da TV Globo do que dos traficantes", disse a jornalista Cristina Guimarães, vencedora do Prêmio Esso, em reportagem junto com Tim Lopes. (link)

Todo mundo já postou sobre o barraco da jornalista Bette Lucchese com sua equipe e a agressão verbal que ela sofreu de dois manifestantes em Copacabana [vídeo no final]. Mas isso está longe de ser a primeira manifestação contra equipes da Globo.

Mas a pior das agressões é aquela cometida pelas Organizações Globo contra seus funcionários, como mostrei numa postagem de 2011, em que comentava uma agressão outra repórter da Globo, que republico a seguir:

Ontem, a jornalista da Rede Globo Monalisa Perrone foi agredida covardemente por uns idiotas (não vou dar o link, como sempre faço, porque não vou divulgá-los aqui), enquanto fazia seu trabalho. A emissora já anunciou que vai processá-los, no que faz muito bem. Mas daí a dizer que o ataque é um atentado à liberdade de imprensa já é demais.

A não ser que a Rede Globo também considere como atentado à liberdade de imprensa os tópicos a seguir, todos retirados aqui do blog, em que a emissora é acusada de agredir ou deixar agredir seus repórteres:

1.
9 anos da morte de Tim Lopes, um repórter, um jornalista investigativo

Ontem, 2 de junho, foi o dia do 9º aniversário da morte de Tim Lopes. Tim arriscou a vida para fazer aquela que seria sua última e inconclusa reportagem, pois foi barbaramente assassinado por traficantes na Vila Cruzeiro, comandados por Elias Maluco.

O fato é que Tim Lopes subiu o morro, quando não deveria fazê-lo, porque havia recebido um Prêmio Esso por uma reportagem investigativa na mesma Vila Cruzeiro. Sua imagem apareceu e ele ficou marcado pelos marginais. A Rede Globo o deixou ir assim mesmo. (Continuar lendo)

2.
Em depoimento na Associação Brasileira de Imprensa, jornalista denuncia assédio e pressão que sofrem repórteres da Rede Globo

Ainda outro dia, fiz uma postagem aqui que dizia que Cinco meses antes da morte de Tim Lopes, repórter da Globo denunciou ameaças na Folha. Diretor da Globo duvidou.

O tal diretor era da Central Globo de Comunicação, Luís Erlanger: (Continuar lendo)

3.
Cinco meses antes da morte de Tim Lopes, repórter da Globo denunciou ameaças na Folha. Diretor da Globo duvidou

Ontem, numa reportagem de Maria Luisa de Melo para o Jornal do Brasil, a repórter Cristina Guimarães afirmou, contundente: "Se dependesse da Globo, eu estaria morta". Como Tim Lopes - seu colega de reportagem e de Prêmio Esso. (Continuar lendo)

4.
Juiz do TST diz que Rede Globo fraudou contrato de trabalho de jornalista

A jornalista Cláudia Cruz, que trabalhou como repórter e apresentadora (RJTV) na Globo do Rio, entrou com ação no Ministério do Trabalho solicitando que fosse reconhecido seu vínculo empregatício com a Rede Globo. No período em que trabalhou na emissora, Cláudia Cruz teria sido obrigada, segundo afirma, a “abrir uma empresa pela qual forneceria sua própria mão-de-obra”. (Continuar lendo)

5.
Sindicato dos Jornalistas: Na TV Globo a mais-valia vale mais

Foi o que descobri lendo a seguinte notícia, publicada no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do município do RJ (SJPMRJ): (Continuar lendo)

6.
Jornalistas do Globo agora batem ponto. Jornalão chia

O Globo reclama de jornalistas terem de bater ponto

No dia 1° de abril, jornalistas de O Globo passaram a assinar o ponto, uma antiga reivindicação da categoria, que o jornalão das Organizações Globo teve que atender, muito a contragosto, como se pode ver pelo texto aí acima, que é uma reprodução de parte da coluna Por dentro do Globo do dia 2 de abril. (Continuar lendo)
 Postagem original de 1 de novembro de 2011, aqui no Blog



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

PM do RJ em uma imagem


Bruno Gonzalez/Agência O Globo



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

Coronel parecido com Saddam Hussein, que confessou crimes cometidos na ditadura, é morto, como o ex-presidente do Iraque


Coronel Malhães, cara e destino de Saddam Hussein


É lei entre as "forças democráticas" apoiadas pelos EUA: após terem completado os serviços que lhes foram destinados, só resta aos títeres a morte. Foi assim com Saddam Hussein, Noriega e Bin Laden, para citar apenas três.

De forma semelhante e irônica (sempre digo que deus é ironia), o ex-coronel do Exército Paulo Malhães, que é (era) a cara de Saddam Hussein (confira na imagem) teve o mesmo destino do ex-presidente do Iraque.

Malhães foi um torturador, assassino, usado pela ditadura civil-militar. Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV), há quase um mês, ele confessou em detalhes sessões de tortura de que participou, e como fazia para desaparecer com os corpos: os dentes da pessoa eram quebrados e os dedos, cortados. Foi o que ele afirmou ter feito com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva.

Agora, como Hussein, Noriega e Bin Laden, feito o serviço sujo, ele é descartado. O ex-coronel foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira dentro de sua casa, num sítio do bairro Marapicu, zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense [informação do jornal Extra].

Evidentemente, não foi utilizado seu método de arrancar dentes e dedos, porque o objetivo aqui não é esconder, ao contrário, é usar o corpo e a morte como aviso aos que tenham (ou tivessem) a ideia de confessar as barbaridades cometidas pela ditadura: falou, morreu.




Madame Flaubert, de Antonio Mello

Só a perícia não viu tiro no corpo de Douglas, o DG, ou você também não consegue ver?




Desse jeito foi encontrado o corpo do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, o DG, de 26 anos. É impossível não ver uma marca de tiro nas suas costas. No entanto, perícia feita no local disse que os sinais da morte eram “compatíveis com morte por queda”. Nenhuma palavra sobre a evidente perfuração.

Só no dia seguinte é que o tiro foi apontado como a causa da morte de Douglas. A pergunta que me faço (já com a resposta na ponta da língua) é: Será que não mudaram o laudo a partir da constatação de que o morto não era apenas o pai de uma menina, ex-mototaxista, dançarino hábil, mas também, e principalmente, um contratado da Rede Globo?

Ia ser mais um dos "mortos em confronto", pois mais de dez mil pessoas foram mortas sob suspeita de confronto com a polícia fluminense entre os anos de 2001 e 2011. 

Só este ano já foram 15 (registrados - diga-se). Douglas, provavelmente, é o 16 º.

Sobre este assunto, leia aqui Oficial da PM do Rio defende redução da maioridade penal. Eu defendo a extinção das PMs no Brasil.

OBS: A imagem foi publicada pelo jornal Extra. (Não dou links para a mídia corporativa porque eles também não nos linkam quando nos citam)


Madame Flaubert, de Antonio Mello

Promotora Milhomens inova: em vez de grampo sem áudio usa áudio sem grampo para ferrar Dirceu e bisbilhotar Planalto




Há um ditado que diz "Pense num absurdo. Na Bahia, há precedente".  O mesmo acontece em todo o processo da chamada AP 470, e agora na ilegal prisão de José Dirceu, que deveria estar cumprindo pena em regime semiaberto há cinco meses, e, no entanto, está trancafiado na Papuda.

A promotora do Distrito Federal Márcia Milhomens justificou assim seu pedido de quebra do sigilo telefônico do Palácio do Planalto (destaques em negrito são meus):

"A medida objetiva apurar denúncias trazidas ao Ministério Público, em caráter informal, de que o sentenciado José Dirceu teria estabelecido contato telefônico, nos termos já referidos. Ressalte-se que os detentores das informações recusaram-se, peremptoriamente, a prestar depoimento formal."

Quer dizer que alguém que se recusa PEREMPTORIAMENTE a prestar depoimento formal (ou seja, um Anônimo, como esses que comentam em blogs) faz uma acusação e a promotora quer quebrar o sigilo das principais autoridades do Poder Executivo?

Já tivemos o caso do grampo sem áudio, que envolveu o àquela época presidente do STF Gilmar Mendes e o santinho do pau oco finalmente desmascarado Demóstenes Torres, quando Mendes se achou no direito de chamar o presidente Lula às falas. A transcrição do suposto áudio apareceu na Veja, que ficou de mostrar o áudio, mas nada...

Pois a promotora inova e inventa o áudio sem grampo, pois nem a transcrição da conversa existe.

Pois, promotora, recebi informação de alguém que se recusa peremptoriamente a prestar depoimento formal de que a senhora está agindo em conluio com seu orientador de tese, Gilmar Mendes, e com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, com o intuito de desestabilizar o governo e torturar José Dirceu. Baseado nisso, peço a quebra do sigilo telefônico dos três para verificar se não se comunicaram no período com esse objetivo. 

 Fumando, espero.



Madame Flaubert, de Antonio Mello

Mídia corporativa e Instituto Millenium, aliados dos EUA, usam 'indignados úteis' para transformar o Brasil numa nova Venezuela


Instituto Millenium
organograma feito por Colin Edward Brayton



Quando se fala em Lei de Meios; quando se faz o programa Mais Médicos trazendo médicos do exterior, em sua grande maioria de Cuba, para realizar trabalhos em áreas em que nossos médicos brasileiros se recusam a trabalhar; quando se participa ativamente do Mercosul e se toma atitudes independentes dos EUA, como a crítica severa - o verdadeiro pito - que a presidenta Dilma passou no presidente Obama, a respeito da espionagem estadunidense; quando o governo age desse modo, a mídia corporativa o acusa de estar "Venezuelando" o Brasil.

Mas quem está querendo transformar o Brasil numa Venezuela (não no que o chavismo e a revolução bolivariana trouxeram de positivo para aquele país - fim do analfabetismo, assistência médica, participação popular no governo, fim da subserviência aos EUA ), quem está querendo fazer a venezuelização do Brasil é a mídia corporativa, que estimula diariamente o preconceito - evidenciado na reação dos médicos brasileiros à importação de estrangeiros pelo programa Mais Médicos -, a ocupação dos antigos espaços nobres pelos emergentes, essa "gente diferenciada" que tomou de vez aeroportos, shoppings, restaurantes, antes frequentados apenas pelos que em geral têm como medida de suas vidas os EUA, e que hoje se ressentem da dificuldade de encontrar mão de obra barata, ou até em condições análogas à de escravidão...

A partir do Instituto Millenium, eles estão montando seus exércitos com pistoleiros, antigos e recém recrutados (não vou citar nomes, pois todos sabem quem são eles) para diariamente disparar contra o governo.

Basta visitar a página de comentários de qualquer um desses recrutas, soldados ou oficiais do porcalismo (palavra divulgada por este blog - sorry, o diabo é sábio não porque é diabo, mas porque é velho...) vendidos para ver o efeito devastador que causam na cabeça daqueles que chamo, desde 2005, de "indignados úteis" (leia abaixo postagem de 2006 sobre eles), zumbis ressentidos, que se alimentam de ódio e recalque diante do empoderamento de milhões de brasileiros.

Abro parêntese: Também sobre esse tema dos indignados, leia esta postagem  de 2008 "Nem Civita lê a Veja" em que o editor da revista e presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, defende o  governo Lula e define assim os leitores de Veja:

Roberto Civita: “... Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."
Fecho parêntese.

Leia agora a postagem sobre os indignados úteis, de 2006: 

O país dos 'indignados úteis'



"Lula e o mensalão, os males do Brasil são"
- Mantra dos Indignados úteis

Quando criei a expressão nunca imaginei que pessoas tão inteligentes, espertas, cultas e interessantes um dia parariam aqui neste blog. Mas, foi só eu fazer a postagem aqui abaixo sobre o divertido blog do Reinaldo Azevedo, para elas aparecerem. Como borboletas monarcas, chegaram aqui em panapaná. Sem cerimônia invadiram a área de comentários, mas, especialmente, entupiram minha modesta caixa postal com suas mensagens raivosas.

Muitos indignados por serem chamados de "indignados úteis" - embora a designação não atinja a todos. O "indignado útil" não é um indignado qualquer. Nem é - como eles parecem crer - todo aquele que critica o presidente e quer vê-lo longe do Palácio do Planalto, porque acha que Alckmin (ou outro candidato qualquer) será melhor para o país.

O "indignado útil" é uma categoria especial dentro da classe dos indignados. Guarda parentesco com o "inocente útil", usado como massa de manobra. Dois aspectos os diferenciam: primeiro, o "indignado útil" não tem nada de inocente; segundo, o "inocente útil" achava que agia para o bem do Brasil, já o "indignado útil" quer que o Brasil se dane, o que ele deseja é ferrar Lula e o PT - ou, no dizer honesto de seu porta-voz, "ver-se livre dessa raça pelos próximos 30 anos".

Se ainda não está claro, dou um exemplo de "indignado útil": Diogo Mainardi. Basta ler sua última coluna, onde ele declara que vai tapar o nariz e votar em Alckmin, mesmo achando que "Geraldo Alckmin é um mau candidato, tem um mau partido e, se eleito, será um mau presidente". O país que se dane, desde que Lula e o PT saiam do poder. Eis o "indignado útil".




Madame Flaubert, de Antonio Mello

O que a oposição quer é o mesmo que os Estados Unidos e as grandes corporações: a privatização da Petrobras




O mundo vive hoje a chamada guerra de quarta geração, que se desenvolve não nos campos de batalha mas na cabeça e no coração das pessoas. A mídia corporativa é o braço avançado dessa guerra na luta para o Brasil voltar a se encaixar na ordem capitaneada pelos Estados Unidos.

O presidente da Venezuela Hugo Chávez conheceu essa força em 2002, quando foi derrubado do poder por um golpe idealizado, forjado, trabalhado, incitado e comandado pela mídia corporativa de lá, liderada pela cadeia RCTV (a RGTV de lá, à época).

A batalha da comunicação se desenrola como um roteiro cinematográfico, onde os lados opostos vão criando seus personagens, tramas, subtramas, com o objetivo de conseguir chegar ao seu final feliz.

Por serem governo e oposição, é claro, o final feliz de um é a desgraça do outro, como experimenta agora a oposição quase esfacelada com o impressionante sucesso do governo do presidente Lula.

Grosso modo, a história que o governo pretende contar está resumida no discurso de posse da presidenta Dilma (que pode ser lido na íntegra aqui). É uma história de continuidade em relação ao govermo anterior, mas também de avanço e com um eixo central:


A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.

Já a história que a oposição - há tempos subsidiada, mas hoje assumidamente liderada pela mídia corporativa - quer contar é a seguinte: Este é um governo demagógico, que se vale de bolsas e transferência de renda para vagabundos, numa compra indireta de votos; é um governo de petralhas, de cumpanheros enriquecendo como nunca; uma república sindicalista, com bolsa de estudo para pobre, tudo para os pobres, com o objetivo de continuar vencendo as eleições e poderem roubar ainda mais.

Já tentaram o golpe em 2005, com o mensalão. Em 2006, levaram a eleição para o segundo turno com o episódio da foto do dinheiro feita pelo delegado Bruno. Agora em 2010, a guerra do aborto, o episódio ridículo da bolinha de papel, o jogo sujo da ficha falsa de Dilma na primeira página da Folha.

Perderam mais uma vez. Mas, aos pouquinhos, na timeline da comunicação, vão construindo seu roteiro, deixando registrados os papéis que querem destinar ao governo: corrupto, antidemocrático, defensor da censura, populista.

No início do governo Dilma, voltaram ao ataque com o episódio Palocci. O ministro caiu. E aí, nada mudou? Mudou sim. Fica na mente das pessoas mais uma vez a mancha de que esse governo esconde coisas, de que há corrupção. Até tapioca eles já usaram para colar essa marca. Porque o importante para eles é continuarem montando seu roteiro.

Agora, no julgamento do tal mensalão, o jogo bruto da mídia corporativa recrudesceu. Colocaram a faca no pescoço do STF, que julga de acordo com o cronograma, a pauta e as direções apontadas pelo exército midiático.

Por isso, nada adianta fazermos o saneamento básico, levar educação e saúde de qualidade, diminuir desigualdades, combater a miséria, se não soubermos também comunicar o que estamos fazendo.

O presidente Lula sozinho conseguia fazer isso em seu governo. Por causa de seu carisma pessoal, de sua história de vida. Por causa das inúmeras campanhas majoritárias que disputou antes de vencer em 2002.

Lula talvez conheça o Brasil como ninguém ("nunca dantes"). Talvez tenha ido a mais municípios brasileiros que qualquer outro cidadão. A ponto de o povo mais humilde se identificar com ele e ver na sua luta e luta de cada um deles.

Além do mais, Lula foi um sindicalista, um líder metalúrgico. Tem liderança reconhecida na classe trabalhadora organizada.

A presidenta Dilma não tem essas características.

Por isso, o outro grande movimento da oposição é afastar os dois e fazer o povo esquecer que Lula é Dilma e Dilma é Lula. Se na mente das pessoas eles estiverem separados, nem Lula conseguirá uni-los novamente.

Enquanto pudermos continuar crescendo, gerando empregos e desenvolvimento social, eles terão dificuldades. Mas, tudo isso tem um gargalo. E há ainda a crise mundial, que, longe de ter passado, volta a se agravar.

Por isso a comunicação tem que ganhar a importância que parece ainda não ter nesse governo. Porque a comunicação democrática, o livre fluxo da informação, é um direito humano tão importante quanto o acesso à educação e à saúde.

Porque, como eu já escrevi aqui em O poder dos cartéis midiáticos não permite a informação livre e põe em risco a democracia no Brasil:


A implantação urgentíssima do PNBL e a consequente Ley de Medios são lutas que podem impedir que o país retroceda e acabe, por blablablás lacerdistas, nas mãos de quem vai entregar a Petrobras e nossas riquezas, na próxima oportunidade.
[original aqui do Blog em setembro de 2012]


Madame Flaubert, de Antonio Mello

Blog do Mello aponta outros cenários onde Dilma perde para seus principais adversários




Já que na pesquisa geral Datafolha (e também dos outros institutos de pesquisa) Dilma continua ganhando fácil, disparado e no primeiro turno, colunista da Folha resolveu inovar e separou um nicho da pesquisa Datafolha, onde Dilma perderia, para dar uma força aos opositores... Resumo:

Apenas 17% dos eleitores afirmam conhecer "bem" ou "um pouco" os três principais pré-candidatos a presidente: Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).
No cenário testado apenas com eleitores que conhecem os três principais candidatos, Campos fica com 28%. É seguido por Dilma, com 26%. Aécio pontua 24%.
Os três estão tecnicamente empatados. É que a margem de erro sobe para cinco pontos percentuais, para mais ou para menos.
O Blog do Mello também selecionou uns nichos favoráveis aos adversários de Dilma, e pede aos leitores colaboração para mais cenários:

Entre moradores do Leblon e adjacências, dá Aécio disparado. O candidato tucano também lidera entre os garçons do Cervantes, os jornais mineiros sob censura da irmã do candidato, os netos de Tancredo Neves, os Perrela (pai, dono da fazenda; filho, dono do helicóptero; e Espírito Santo, dono do pó).

Eduardo Campos lidera no segmento traíra (e olha que a pesquisa foi feita antes da Semana Santa e do Dia de Tiradentes, quando houve farta divulgação dos nomes de Judas e Joaquim Silvério dos Reis...). Campos também lidera entre os principais candidatos que têm olhos azuis.

Mande seu cenário que o acrescento aqui. Afinal, dizem os antenados da mídia corporativa, pesquisa e farmácia só de manipulação...

Ah, e espalhe que o Blog do Mello voltou.

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Dos leitores:

  • Eduardo Campos também ganha disparado de Dilma aqui em PE pelo menos entre os parentes dele e da mulher alocados nas diversas secretarias e órgãos públicos do governo do estado e prefeitura do Recife  
  • Mello, a enorme maioria rejeita Dilma como centro avante no time do Felipão.
  • Dudu Traira lidera aqui em Pernambuco. não sei quem é mais traíra:Dudu,A Imprensa ou o povo de Pernambuco(sobretudo de Recife)! (Leonardo Marques)
  • Duduzim também ganha em Boa Viagem e Casa Forte, bairros coxinhas daqui do Recife. Ainda mais agora que ele se mudou para São Paulo, já que coxinha recifense bom é aquele que despreza o nordeste e acha que tudo o que vem de "sumpaulo" é que presta. (rev.Digão)
  • Nas redações do PIG e no Instituto Millenium Aécio ganha fácil. (Grupo Beatrice)
E você?


Madame Flaubert, de Antonio Mello

Houve época em que Ali Kamel preferia responder ao Blog do Mello do que processar blogueiros. Acredite




Em setembro de 2006, três fatos quase concomitantes tomavam o noticiário: o chamado escândalo dos aloprados, o acidente com o Boeing da Gol, em que morreram todos a bordo, e, aos dois, juntava-se a eleição presidencial, disputada entre Lula e Alckmin.

O acidente da Gol aconteceu às vésperas do primeiro turno. No entanto, a última edição do Jornal Nacional preferiu mostrar a pilha de dinheiro dos "aloprados", uma foto tomada clandestinamente por um delegado da PF chamado Bruno (aliás, por onde anda? Foi processado? Afastado?) e distribuída a um repórter da Globo, adiante promovido a correspondente nos EUA.

A notícia do acidente e morte de todos os 154 a bordo não apareceu no Jornal Nacional.

Houve acusações de manipulação da Globo. Kamel respondeu. E eu rebati aqui com uma imagem que havia printado (reproduzida acima), que mostrava que a CBN, que pertence às Organizações Globo, tinha conhecimento da notícia, antes das 20h10, e que, portanto, o JN poderia ter dado, ao menos, uma nota sobre o assunto.

Na época, recebi e-mail do diretor de Jornalismo da RGTV (não confundir com a RCTV da Venezuela - ou melhor, confunda, sim), com esclarecimentos (tudo está aqui, em postagem de outubro de 2006).

Agora, em vez de escrever e-mails, Kamel prefere processar blogueiros. Por quê?

A meu ver, porque naquela época a blogosfera não tinha a força de hoje, por isso era mais fácil defender-se. Agora, resolveram partir para o ataque, com intuito de intimidar.

Se não fosse por isso, por que a Rede Globo não mostra o Darf em vez de processar o Miguel do Rosário do Cafezinho?

Com seu apoio o Blog do Mello é e vai continuar a ser de livre acesso a todos, e sem propaganda.



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Madame Flaubert, de Antonio Mello

Nove anos do Blog do Mello. Parece que foi ontem. Mas foi anteontem...




O golpe civil-militar que censurou, sequestrou, torturou, matou durante 21 anos esconde que aconteceu num 1º de abril, porque a mentira foge da verdade como o diabo da cruz. Mas este modestíssimo Blog nunca escondeu que nasceu no 1º de abril de 2005, portanto, há 9 anos.

É verdade que o Blog do Mello não é mais o mesmo do início, quando havia postagem nova todo dia - às vezes mais de uma por dia. Mas, aviso, não está morto, nem pretendo matá-lo.

Confesso a vocês que me leem - especialmente aos que me acompanham desde o início, ou quase - que dois motivos causam o aparente abandono do Blog.

Primeiramente, porque hoje - diferentemente daquela época em que escrever em blogs era coisa de adolescente nerd -, hoje a blogosfera faz contraponto com a mídia corporativa de um jeito que nem conseguíamos pensar há nove anos. Além disso, existem blogs de grande qualidade fazendo trabalho excelente.

O outro motivo é que a tentativa de resolução de problemas pessoais que se arrastam tomam o tempo que dedicaria ao blog. (Aproveito o momento para pedir desculpas aos comentaristas que ainda não tiveram seus comentários publicados e também aos que me enviam e-mails).

Ademais (esta talvez seja a primeira vez que uso esta palavra), ademais, digo eu pela segunda vez, este ano completo 60 anos de vida. Como prometi a minha filha que viveria até os 120, eu me preparo para o Segundo Ato.

Vocês não sabem, mas há tempos planejo que o evento seja um sucesso. Será um mês de festas, compartilhado por todo o Brasil, e, quiçá (ou cuíca, como disse Benedito Valadares - procurem no Google) o mundo. A Copa do Mundo começa no dia de meu aniversário e vai até 11 de julho, aniversário de minha filha.

Aproveitem.

Por enquanto, é isso. Viva os 9 anos do Blog do Mello! Vai ter Copa! E viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu.

Por ora, é só.

Ah, e comprem meu último livro, o romance Madame Flaubert. Mais informações e compra online é só clicar no banner abaixo.


Madame Flaubert, de Antonio Mello