terça-feira, 3 de outubro de 2017

Cortejo fúnebre do reitor Cancellier passa em frente à sede da Polícia Federal e da Justiça Federal, em protesto


"No funeral do Professor Cancellier formou-se um movimento espontâneo para o que o cortejo fúnebre que sairá da Reitoria da UFSC amanhã [hoje], dia 03 de outubro de 2017, passe em frente à polícia federal e à justiça federal antes de se dirigir ao cemitério" - escreveu em seu perfil no Facebook Henrique Finco, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Leia a íntegra da publicação do professor Finco, com nota do Procurador Geral e da OAB do Estado, a seguir.


Acabei [ontem] de chegar do velório do Professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, Magnífico Reitor da UFSC, onde sou professor há 30 anos.
A indignação é grande com o que aconteceu – e o consenso é o de que além de ter atingido mortalmente nosso Reitor a espetaculosa “operação ouvidos moucos” também visou atingir a Universidade.
É mais uma das arbitrariedades cometidas no Brasil pós-golpe de estado, onde o ônus da prova passou a ser do acusado e onde proliferam linchamentos e justiceiros. O Professor Cancellier, pessoa de modestas posses, foi preso espetaculosamente, humilhado e condenado de público, sem direito à defesa. Para pagar um advogado, o Reitor estava procurando um empréstimo e tratava de vender uma moto de sua propriedade.
No funeral do Professor Cancellier formou-se um movimento espontâneo para o que o cortejo fúnebre que sairá da Reitoria da UFSC amanhã, dia 03 de outubro de 2017, passe em frente a polícia federal e à justiça federal antes de se dirigir ao cemitério.
Abaixo reproduzo manifestação do Procurador Geral do Estado de Santa Catarina e, mais abaixo, uma nota da OAB de Santa Catarina:
 
"O Procurador Geral do Estado vem a público manifestar profundo pesar pelo falecimento do Professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, Magnífico Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, bem como solidarizar-se com seus familiares e amigos.
A morte de Cancellier enluta Santa Catarina pela perda de um de seus filhos mais ilustres, um homem digno, de poucas posses, que devotou os últimos anos de sua rica trajetória profissional à nobre causa do ensino, da pesquisa e da extensão universitárias.
A tragédia de sua partida ocorre sob condições revoltantes. As informações disponíveis indicam que Cancellier padeceu sob o abuso de autoridade, seja em relação ao decreto de prisão temporária contra si expedido, seja em relação à imposição de afastamento do exercício do mandato, causas eficientes do dano psicológico que o levaram a tirar a própria vida.
Por isso, respeitado o devido processo legal, é indispensável a apuração das responsabilidades civis, criminais e administrativas das autoridades policiais e judiciárias envolvidas.
Que o legado do Professor Luiz Carlos Cancellier de Olivo seja, em meio a tantos outros bens que nos deixou, também o de ter exposto ao país a perversidade de um sistema de justiça criminal sedento de luz e fama, especializado em antecipar penas e martirizar inocentes, sob o falso pretexto de garantir a eficácia de suas investigações".
João dos Passos Martins Neto
Procurador-Geral do Estado de SC
 
"A OAB SC manifesta publicamente seu profundo pesar pela morte do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancelier, ocorrida na manhã desta segunda feira em Florianópolis, em circunstâncias trágicas.
É chegada a hora da sociedade brasileira e da comunidade jurídica debaterem seriamente a forma espetacular e midiática como são realizadas as prisões provisórias no Brasil, antes sequer da ouvida dos envolvidos, que dirá sua defesa.
Reputações construídas duramente ao longo de anos de trabalho e sacrifícios podem ser completamente destruídas numa unica manchete de jornal. Para pessoas inocentes, o prejuízo é irreparável. Cabe-lhes a vergonha, a dor, o sentimento de injustiça. O peso destes sentimentos pode ser insuportável.
Aos familiares e amigos do Prof. Cancelier, nossas sinceras condolências.
A OAB SC está em luto oficial por três dias".
O corpo do reitor Cancellier foi sepultado [imagem] no final da tarde cemitério Jardim da Paz, no bairro Saco Grande, Florianópolis.

Leia também: No velório do reitor, faixa dizia: 'Aqui mais uma vítima: da canalhice do estado de exceção e sua mídia'

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