terça-feira, 3 de outubro de 2017

Garotinho acusa PF de apreender pendrives com denúncias de corrupção contra os 3 poderes do Rio, sem ordem judicial


"Eu [o ex-governador do Rio Anthony Garotinho] entro no banheiro, vou encostar a porta, aí ele [policial federal] diz: 'não, não fecha a porta'. (...) Acabei de urinar, peguei a pochete, abri para pegar mais quatro comprimidos de Rivotril. (...) Ele ficou olhando. Sabe aquele banheirinho que só tem um sanitário e uma pia? Ele ficou ali, ficou olhando", disse Garotinho, acrescentando que, em seguida, o policial pediu para ver a pochete e apreendeu os pendrives.


Em entrevista à Folha, o ex-governador do Rio fala de sua prisão e denuncia a apreensão de oito pendrives que estavam em seu poder por um dos policiais federais que o escoltavam, sem ordem judicial.

Na viagem entre Rio e Campos, o ex-governador conta ter parado para usar um banheiro de um posto de gasolina e teria sido acompanhado pelo policial federal.
"Ele já sabia que estava na minha pochete, ele aproveitou um local, dentro de um banheiro, que não tinha ninguém, que ninguém podia ver, para fazer a apreensão ilegal de um material. Por quê?", contou Garotinho.
Segundo o ex-governador, ele teria levado a pochete para o banheiro para poder tomar um calmante. Ao entrar, o policial teria insistido para que ele não fechasse a porta.
"Eu entro no banheiro, vou encostar a porta, aí ele diz: 'não, não fecha a porta'. (...) Acabei de urinar, peguei a pochete, abri para pegar mais quatro comprimidos de Rivotril. (...) Ele ficou olhando. Sabe aquele banheirinho que só tem um sanitário e uma pia? Ele ficou ali, ficou olhando", disse Garotinho, acrescentando que, em seguida, o policial pediu para ver a pochete e apreendeu os pendrives.
Garotinho também reclamou de outras atitudes da Polícia Federal ao realizar a prisão.
"Estava tudo estranho, não estavam em um carro caracterizado [da PF], não quiseram esperar o meu advogado, não quiseram que o advogado me acompanhasse [no carro da polícia] depois no primeiro encontro, não se identificaram, não queriam dar nome", afirmou.
O ex-governador também disse estranhar que a polícia não tenha levado o seu telefone celular, ainda que, segundo ele, a apreensão do aparelho estivesse prevista no mandado. Garotinho reclamou também que a polícia não respeitou o seu pedido de esperar o final do seu programa de rádio. Ele foi interrompido e preso durante a apresentação, na rádio Tupi. 
 De acordo com Garotinho, os dispositivos eletrônicos continham diversas gravações e documentos com denúncias a autoridades, como o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o ex-prefeito Eduardo Paes, entre outros.
Garotinho afirma que a apreensão do material foi ilegal. "Os pendrives foram arrecadados pelo policial federal responsável pela escolta sem qualquer formalidade, não sendo fornecido qualquer recibo ou lavrado auto de apreensão", diz o documento protocolado pelo advogado do ex-governador.
Mais adiante, o defensor de Garotinho pede que os pendrives sejam devolvidos. "Requer-se que seja informado por certidão se foi formalizada a apreensão dos pendrives, bem como [seu cliente] aproveita para requerer a sua restituição, eis que não eram objeto da ordem judicial".
O documento também foi entregue ao Ministério Público Federal em Campos. "Protocolamos no MPF de Campos a petição, com um pedido para que eles acompanhem o processo, para saber o que está acontecendo", afirmou Garotinho, em entrevista à Folha.
No pedido, há uma lista com 13 pontos, que descrevem, sem muitos detalhes, parte das informações (documentos, fotos e gravações) que estariam nos pendrives.
Entre os pontos, dois citam Cabral, desafeto de Garotinho. "Notícia crime apresentada à Procuradoria Geral da República contra o ex-governador Sérgio Cabral; presidente da Alerj Jorge Picciani; o ex-prefeito Eduardo Paes; o desembargador Luiz Zveiter e outras autoridades", segundo o documento.
Em outro tópico, o advogado menciona uma suposta gravação, contendo ameaças de Cabral a Garotinho, realizada dentro do presídio de Benfica.
O pedido também faz menção aos empresários Arthur César de Menezes Soares, o "Rei Arthur", e José Hawilla.


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