sábado, 11 de novembro de 2017

Funcionários públicos indicados por Geddel tinham que dar 80% dos salários pra ele


O cantor Renato Russo o chamava de Suíno, quando estudaram juntos. Não é um mau apelido, pelo aspecto físico do homem da mala de R$ 51 milhões, Geddel Vieira Lima, no momento ocupando uma cela na Papuda.

Mas talvez o apelido mais adequado para Geddel seja o que lhe deu o lobista Lucio Funaro - Boca de Jacaré, pelo seu apetite por propinas.

Preso, após a descoberta das malas de dinheiro em um apartamento em Salvador, Bahia, Geddel pediu ao Ministério Público o nome e o telefone de quem teria denunciado as malas no apartamento. Ora vejam só...

A PGR Raquel Dodge recusou o pedido, que lhe foi encaminhado pelo ministro Fachin, e junto à negativa expôs uma outra faceta que justifica o apelido de Boca de Jacaré: Geddel e seu irmão, o também deputado Lúcio Vieira Lima, ficavam com 80% do valor dos salários que recebiam os funcionários que indicavam.



Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se posicionou contra um pedido de Geddel Vieira Lima, que quer ter acesso ao número do telefone que fez a ligação anônima que resultou na ação da PF que resultou na apreensão de R$ 51 milhões.
Dodge, por outro lado, concordou com os pedidos de redução de fiança feitos por Gustavo Pedreira do Couto Ferraz e Job Ribeiro Brandão, investigado em conjunto com Geddel e o deputado federal Lúcio Vieira Lima.
Para Gustavo, ela recomendou a redução do valor de 100 salários mínimos para 50 salários mínimo. Em relação a Job Brandão, a procuradora-geral admitiu a argumentação de que o ex-assessor parlamentar dos irmãos Vieira Lima não teria condições de pagar a quantia de 50 salários mínimos.
Job Brandão, como um dos argumentos para diminuir o valor, afirmou que a maior parte de seu salário como assessor de Lúcio Vieira Lima era desviada para o parlamentar e para o irmão, Geddel. Segundo Job Brandão, 80% eram entregues, até 2015, quando o pai dele adoeceu, e o percentual de repasse aos Vieira Lima teria diminuido de 80% para 70%.
“Causou estranheza à POR que ele, em vinte e oito anos de serviço público, com remuneração bruta de quase quinze mil reais, tivesse acumulado tão pouco patrimônio declarado. A hipótese inicial foi a de que ocultasse patrimônio. Outra hipótese, ainda carente de investigação, parece explicar a situação”, disse Raquel Dodge, referindo-se à explicação de Job de que até R$ 8 mil por mês eram devolvidos e que a renda líquida que lhe restava mensalmente era de R$ 3.780,00. Outro argumento que Raquel citou foi o de que o ex-assessor parlamentar está agora desempregado, depois de ter sido exonerado após operação da PF. [Fonte: Estadão]

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