domingo, 5 de novembro de 2017

Procuradoria-Geral da República quer investigar compra de juízes e sentenças pelos irmãos Batista, mas STF barra


A Procuradoria-Geral da República entende que em dado telefonema gravado pode referir-se à compra de sentenças judiciais pela J&F, holding, ou empresa central, do grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. A conversa foi entre Francisco de Assis, diretor jurídico da J&F, e uma advogada a serviço da empresa. A Procuradoria-Geral pediu autorização ao Supremo para levantar sentenças judiciais envolvendo a J&F e, se houver, investigar as de lisura pouco clara. O ministro Ricardo Lewandowski negou a permissão, em nome das exigências convencionais.
A procuradora-geral Raquel Dodge volta ao Supremo, pretendendo a reconsideração de Lewandowski. A propósito, há mais do que o telefonema. Há uma referência explícita e da pessoa mais autorizada a fazê-la. Foi motivo de espantos indignados no seu aparecimento, menções a investigação, e logo recolhida ao silêncio. Em uma das suas gravações, Joesley Batista listou várias conquistas, com o Judiciário entre elas. Como nos demais listados, sem nomes. Mas a referência ao promotor que conquistara "lá dentro" confirmou-se sem muito trabalho. Motivo bastante para que as demais pistas passem por um crivo.
A reconsideração pedida por Raquel Dodge faz sentido. Se nada constatar, ótimo. Se ao contrário, idem.

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O corporativismo fala mais alto. Ainda mais em se tratando do ministro Lewandowski, como já contei aqui em Dilma recebeu presidente do STF [Lewandowski na época] pensando que ele queria falar sobre o Brasil. Mas ele só queria saber do aumento do Judiciário.

A revelação está em trecho do vazamento da delação do empresário Sérgio Machado, publicada hoje na Folha.

Em conversa com Renan Calheiros, presidente do Senado, este diz que havia conversado com a presidenta Dilma, ainda antes da aprovação do pedido de impeachment, e ela lhe confidenciou que havia recebido no Palácio o presidente do STF Ricardo Lewandowski.


RENAN - Estavam dizendo que ela [Dilma] estava abatida, ela não está abatida, ela tem uma bravura pessoal que é uma coisa inacreditável, ela está gripada, muito gripada– aí ela disse: 'Renan, eu recebi aqui o Lewandowski, querendo conversar um pouco sobre uma saída para o Brasil, sobre as dificuldades, sobre a necessidade de conter o Supremo como guardião da Constituição. O Lewandowski só veio falar de aumento, isso é uma coisa inacreditável'.


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