domingo, 17 de dezembro de 2017

Em carta a diretor de presídio, Garotinho anuncia greve de fome, em protesto contra perseguição que diz sofrer do desembargador Luís Zveiter

Trecho de carta do Garotinho Trecho de carta do Garotinho 2


O ex-governador do Rio Anthony Garotinho entrou em greve de fome nesta sexta, em protesto contra perseguição que diz estar sofrendo por "um desembargador que denunciei junto com a quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral", como diz em carta enviada ao diretor do Presídio de Bangu, onde se encontra em prisão preventiva.

Este desembargador a que se refere (mas não cita nominalmente na carta ao diretor) só pode ser o desembargador Luís Zveiter.

Minha atitude é um grito de desespero contra a injustiça que venho sofrendo, abalando fortemente minha família, como visto durante a visita da última quarta-feira. Rosinha está com síndrome de pânico e meus filhos traumatizados.

Tenho sido covardemente perseguido por juízes e promotores da cidade de Campos, que agem para proteger um desembargador que denunciei junto com a quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral. Em um ano fui preso três vezes pela Justiça Eleitoral de Campos, por crimes que não cometi.

Essas prisões ilegais têm como objetivo impedir que os fatos apresentados por mim na notícia-crime, que já levou à prisão de vários corruptos ligados ao ex-governador Sérgio Cabral, chegue a pessoas influentes do Judiciário estadual, que não aceitam nem ser investigados, por recebimento de propina, achando-se acima da lei.


Na carta, Garotinho denuncia também a falta de investigação sobre a agressão que alega ter sofrido.

Passados mais de 20 dias da covarde agressão que sofri no presídio de Benfica, não há retrato falado ou laudo das câmeras. Por quê?

Muitos vão torcer o nariz e dizer "De novo?", se referindo a uma outra greve de fome feita pelo ex-governador, em 2006, coberta com sarcasmo pela mídia corporativa.

Garotinho sofre uma rejeição e uma perseguição política semelhante à que sofre o ex-presidente Lula, especialmente pela Rede Globo.

Algumas verdades sobre Garotinho, que muitos não sabem


Nos três anos que passou à frente do governo do Rio (em abril de 2002, ele abriu mão do cargo para a vice, Benedita da Silva, para concorrer à presidência), pesquisa Datafolha colocou Garotinho como o governador mais bem avaliado do Brasil pelos moradores do estado em dois anos (1999 e 2001) e ficou em segundo lugar, em 2000.

 
Prova do prestígio e da boa avaliação de Garotinho na época é que ele, com escassos recursos e num partido com pouco horário na TV, quase ultrapassou José Serra na reta final, ficando a poucos votos de um segundo turno contra Lula em 2002.

Em compensação, elegeu sua mulher Rosinha governadora do Rio no primeiro turno e deu a Lula a maior votação proporcional no segundo turno contra Serra. Detalhe: Rosinha nunca havia disputado cargo público.

Garotinho e Rosinha foram também responsáveis diretos pela eleição de Sergio Cabral, candidato do casal ao governo do Rio. Cabral rompeu com os dois, antes mesmo de tomar posse, e passou a bajular Lula, a quem havia atacado durante toda a campanha, dizendo que Lula perseguia o Rio...

Então, por que essa rejeição a Garotinho?

Algumas pistas: Garotinho foi eleito governador pelo PDT de Brizola, e juntou a rejeição a seu nome (radialista, prefeito de cidade do interior, evangélico) à de Brizola, inimigo figadal da Rede Globo.

Sua mulher, Rosinha, quando governadora do estado, acusou a Rede Globo, dentro da Assembleia (Alerj) de sonegação fiscal e de ter contas secretas no exterior. Assista ao vídeo.



A prisão


A prisão do ex-governador e de Rosinha (esta agora em prisão domiciliar) foi executada a pedido de um juiz que é processado por Garotinho e que, portanto, deveria se declarar impedido para atuar em casos em que ele seja parte.

A acusação é de que ele teria recebido dinheiro da JBS e de fornecedores da prefeitura de Campos, cidade em que Rosinha era prefeita.

Segundo Garotinho, o dinheiro da JBS foi enviado à direção nacional do PR (seu partido), que o repassou a sua campanha, tudo conforme declaração à justiça eleitoral.

Quanto aos fornecedores, eles acusam Garotinho de chantageá-los, obrigando-os a doarem recursos para sua campanha ou não receberiam o que a prefeitura de Campos lhes devia. Garotinho nega.

No entanto, se a Justiça ainda não decidiu quem tem razão, por que a prisão dos ex-governadores? O juiz alega que é para não perseguirem as "vítimas", os fornecedores. Mas como eles fariam isso, se a prefeitura de Campos está nas mãos de adversários políticos do casal, nenhum dos dois tem cargos públicos?

Zveiter


Garotinho não disse o nome do desembargador em sua carta, mas Rosinha já o fez, numa carta aberta à presidente do STF, ministra Carmén Lúcia, de que destaco trechos:

aqui fala uma mulher que não suporta mais ver sua família humilhada, perseguida a mando do senhor Luís Zveiter.
Ele vem tentando desde o ano passado chantagear meu esposo por terceiros ou como fez na audiência da última terça-feira ,na 43 vara do Fórum Rio de Janeiro.
Meu marido o denunciou por corrupção e outros crimes e ele sabe que se for investigado junto com a empreiteira Delta,perderá o controle que hoje tem sobre a justiça amedrontada do Rio.
Vejo nos seus olhos a coragem de uma mulher forte,mas o poderoso que escapou do escândalo da Cyrela,dos concursos fraudados,de acordos imorais para atingir seus objetivos,um deles a senhora impediu - sua eleição pela terceira vez para o Tribunal de Justiça do Rio - um homem que chegou ao absurdo de interferir num concurso de cartórios para favorecer pessoas que nem sabiam escrever "porém eram amigas do rei ZVEITER", não se acha acima da lei,mas a própria lei.
Não permita que esse gigante transgressor da justiça nos massacre como vem fazendo há anos, usando sua intimidação dentro da própria justiça . No ano passado atuou para fraudar a vontade popular na nossa cidade, utilizando-se de um promotor corrupto,que responde a investigação criminal no MP do estado,de um delegado torturador e um juiz que faz o que ZVEITER determina.

A pessoa não precisa gostar ou não de Garotinho, mas deveria dar a ele ao menos o benefício da dúvida, porque ele denunciou a gangue de Cabral durante anos, sendo desacreditado nas denúncias como "coisa do Garotinho"...

Cabral e sua gangue (boa parte dela) está na cadeia, em função das denúncias, que foram todas entregues ao MP.

Portanto, e se ele estiver mais uma vez dizendo a verdade, se ele foi agredido na cadeia como afirma e se está sendo perseguido pelo desembargador?



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