terça-feira, 28 de maio de 2019

Disneylândia do Everest causa aumento de mortes com engarrafamento de gente no topo do mundo

Engarrafamento no Everest

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A imagem feita pelo escalador Nirmal Purja, do @Nimsdai Projeto Possible / AFP, é fantástica e inimaginável tempos atrás: um engarrafamento gigantesco de gente a mais de oito mil metros de altura, disputando espaço para chegar ao topo do mundo ou voltar de lá, com oxigênio e vida - e o que sobrar de inteiro no corpo e na mente.

A escalada da montanha sagrada, o ponto mais alto da Terra com seus 8848 metros, que só foi alcançado pela primeira vez pelo ser humano em 29 de maio de 1953 por Tenzing Norgay e Edmund Hillary, na rota mais fácil, Colo Sul (Nepal, onde a imagem acima foi feita este ano), e que só era buscada por alpinistas profissionais e treinados, virou uma verdadeira Disneylândia, desejo de consumo da sociedade capitalista.

O governo do Nepal, um país pobre, vê na exploração do Everest, chamado por eles de Sagarmāthā (Rosto do céu), uma forma de conseguir divisas. Por isso, a cada ano aumenta o número de licenças que autorizam a subida da montanha.

Este ano foram 381 autorizações. Cada uma tem que ser acompanhada por pelo menos um guia sherpa (nativo da região), o que dá quase 800 pessoas em direção ao cume.

Como, pelas condições climáticas, o Everest só é escalável no mês de maio, mesmo assim em alguns poucos dias (em alguns anos, nem isso), quando o tempo fica firme no alto da montanha, os engarrafamentos acontecem, como mostra a foto.

Imagine subir ao cume, com todos os problemas da altitude, tendo que controlar o consumo de oxigênio, e tendo que aguardar a fila e o sobe e desce de gente, com o risco de acabar o gás e você simplesmente morrer lá em cima, como aconteceu dez vezes até o momento este ano.

Um esporte de alto riso transformou-se num passeio à Disneylândia. Daí o aumento de mortes e amputações de partes do corpo por congelamento, ano a ano.

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