terça-feira, 11 de junho de 2019

Moro indicou a Dallagnol fonte que poderia incriminar Lula. Isso não é direcionamento do processo pelo juiz?

Diálogo Moro Dallagnol no Intercept Brasil

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O mote da cobertura midiática sobre o escândalo das revelações de vazamentos pelo site The Intercept Brasil de conversas entre Moro e integrantes do Ministério Público da Lava Jato é dizer que as informações "não trazem nada de mais, nenhuma ilegalidade" e que a ilegalidade estaria na forma como elas foram conseguidas, através de hackeamento de celulares do Ministério Público.

Primeiro: quem disse que houve hackeamento? E se o que houve foi o vazamento feito por um membro do MP insatisfeito com os rumos que as coisas tomaram, com Moro saindo da Operação e indo para o ministério de Bolsonaro? O combate não era à corrupção política, então por que Moro o abandonou e foi se juntar aos políticos? É impossível?

Segundo: como não há ilegalidade na falta de imparcialidade de um juiz como Moro, que chega a oferecer ao procurador chefe da Operação Lava Jato, Dallagnol, informações, caminhos para incriminar o réu, Lula, como demonstra o trecho a seguir, copiado do The Intercept e reproduzido em parte na imagem que ilustra a postagem?
[Moro] parece ter cruzado a fronteira que separa juiz e investigador numa conversa de 7 de dezembro de 2015, quando ele passou informalmente uma pista sobre o caso de Lula para que a equipe do MP investigasse. “Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sido a ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”, escreveu Moro.
“Obrigado!! Faremos contato”, respondeu Dallagnol pouco depois. “E seriam dezenas de imóveis”, acrescentou o juiz. O procurador disse que ligou para a fonte, mas ela não quis falar. “Estou pensando em fazer uma intimação oficial até, com base em notícia apócrifa”, cogitou Dallagnol. Ao que tudo indica, o procurador estava considerando criar uma denúncia anônima para justificar o depoimento da fonte ao MP. O juiz Sergio Moro poderia condenar a solução – ou ficar quieto. Mas endossou a gambiarra: “Melhor formalizar entao”, escreveu Moro.
Ninguém garante que houve hacker, mas com certeza houve trabalho de Moro pela condenação de Lula, o que é ilegal, ou (não sou jurista), no mínimo, não é ético.

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