segunda-feira, 15 de junho de 2020

'Ou o Brasil mata o imperialismo militar ou a República não florescerá', por Vinícius Mota

Charge do Aroeira, Cadeia de Comando


Hoje pela manhã escrevi aqui Saída de Bolsonaro e novas regras para 'questão militar' são passos fundamentais para um Brasil democrático.

Uma leitora me enviou um texto do secretário de Redação da Folha Vinícius Mota que vai pelo mesmo caminho, e o divido com vocês:
O Brasil ainda não matou o seu imperador

Joaquim Nabuco (1849-1910) frustrou-se com o levante militar que inaugurou a República em 1889. A 7 de setembro do ano seguinte, o líder liberal que ajudara um gabinete conservador a abolir a escravidão escrevia ao Jornal do Comércio para justificar por que fora e ainda continuava a ser monarquista.
“Por prever que a monarquia parlamentar só podia ter por sucessora revolucionária a ditadura militar, quando a sua legítima sucessora evolutiva era a democracia civil; por pensar que a República seria no Brasil a pseudo-República que é em toda a América Latina.”
E emendava o político, escritor e diplomata pernambucano: “A causa da altivez com que todo brasileiro olhava para o imperador era a certeza de que ele nada podia tentar contra o último dos cidadãos”.
Bingo. Nabuco, mais liberal que monarquista, fornecia a chave para o sucesso dos regimes abertos que se consolidavam no Ocidente: a morte de direito, mas não necessariamente de fato, da figura imperial.
Ela pode até caminhar entre os seres humanos, como o monarca britânico e o tardio Pedro 2º idealizado por Nabuco, mas perdeu os dentes. Tornou-se o emblema de um superpoder que se esvaziou e se pulverizou pela comunidade política. Atua como o lembrete da vitória definitiva da cidadania sobre a tirania.
Não há dúvida de que a República atingira o mesmo fim nos Estados Unidos e na Suíça, argumenta Nabuco. Ele também concede que democráticos eram os ideais originais do Partido Republicano no Brasil.
No entanto “o primeiro grande contingente que ele recebeu”, o apoio de escravocratas ressentidos, “fê-lo perder de vista o povo; e o segundo contingente, o do Exército, que o tornou vencedor sem combate, fê-lo perder de vista a própria República”.
O golpe de 15 de novembro de 1889 substituíra um imperador moribundo por um vigoroso monarca coletivo e fardado. Essa praga tem assombrado a nossa história desde então.
Ou o Brasil mata o imperialismo militar ou a República não florescerá.






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