quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Somente no primeiro semestre deste ano, SUS fez 81 mil procedimentos após abortos mal sucedidos


O caso da menina que felizmente conseguiu abortar de um feto indesejado fruto de um estupro lançou novamente ao debate o direito ao aborto, que, no caso de estupro, já está previsto e garantido por lei.

Mas a questão é maior e diz respeito à saúde da mulher.

Não interessa o que eu penso, a dona Carola pensa, ou o que Bolsonaro, Damares ou Janaína pensam. Se a mulher decide pelo aborto, ou se a família decide por ela, caso seja menor, ele será feito de qualquer jeito, o que significa, na prática, "do jeito que der".

Para quem tem dinheiro, o chamado "andar de cima", o aborto é feito em clínica especializada, a mulher com o atendimento médico e clínico necessário.

Se não... ocorre de tudo.
No primeiro semestre de 2020, o número de mulheres atendidas em todo o país pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em razão de abortos malsucedidos – tenham sido provocados ou espontâneos – foi 79 vezes maior que o de interrupções de gravidez previstas pela lei, de acordo com levantamento feito pelo G1 com dados do DataSUS.  
De janeiro a junho, o SUS fez 1.024 abortos legais em todo o Brasil. No mesmo período, foram 80.948 curetagens e aspirações, processos necessários para limpeza do útero após um aborto incompleto. Esses dois procedimentos são mais frequentes quando a interrupção da gravidez é provocada, ou seja: a necessidade é menor no caso de abortos espontâneos.  
(...) Para a médica ginecologista e obstetra Ana Teresa Derraik, diretora médica do Nosso Instituto, organização que atua na área de saúde sexual e reprodutiva da mulher, os procedimentos cirúrgicos seriam evitados se os abortos legais fossem realizados.  
"Hoje, há muita evidência de que o aborto medicamentoso é a forma mais segura e mais eficaz de induzir um aborto. Se as mulheres tivessem acesso de forma mais indiscriminada, com certeza o grau de hospitalização para que qualquer procedimento fosse executado seria muito menor", diz. 
 "Além disso, muitas mulheres que teriam direito a aborto legal não sabem que esse direito existe. As gestações nas meninas de menos de 14 anos são sempre decorrentes de estupro. Essas meninas teriam todas direito ao aborto legal."[Fonte: G1]
Somente no primeiro semestre deste ano, somente entre aquelas que ainda chegaram a ser atendidas no SUS, quase 81 mil mulheres colocaram suas vidas em risco porque tiveram seus corpos desrespeitados por estupradores e/ou por uma sociedade hipócrita, que não lhes dá direito a decidir sobre seus próprios corpos, ou ainda por desinformação de seus direitos.

Como disse a médica Ana Teresa Derraik, toda gravidez em menor de 14 anos é estupro, e já existe garantia da lei para o aborto legal nesses casos. Por que não é feita uma campanha com essa informação?

( — "Mello, você se esqueceu de que estamos na sociedade mais hipócrita do planeta e sob governo de um Bolsonaro?")

Lembrando: no Brasil o aborto é legal 1) quando há estupro, 2) quando há risco de vida para a gestante e 3) em caso de anencefalia do feto.

Nos outros casos é ilegal. Quem lucra com isso?

Ouçam depoimento (de 2015) do médico Dr. Olímpio Barbosa de Moraes, que teria sido responsável por realizar o aborto da menor de 10 anos agora.



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