quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Não é apenas Assange. Todos os jornalistas são passíveis de processo sob a Lei de Espionagem dos EUA, confessa acusação


O ex-diplomata britânico, humanista e ativista político Craig Murray é um dos poucos com acesso ao julgamento de Assange e tem escrito sobre seu dia-a-dia em seu site.

No resumo de hoje (quarta), sobre a sessão de ontem, Murray afirma que a acusação dos EUA tirou finalmente a máscara e passou a admitir que não apenas Assange, mas qualquer jornalista que publique arquivo confidencial dos EUA está sujeito a ter um julgamento como o de Assange.

Portanto, os jornalistas da mídia comercial, que publicaram o material distribuído pelo WikiLeaks e seu publisher e editor Julian Assange, podem vir a ser processados no futuro.

Lembrem-se do texto de  Niemöller: "Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte..."etc. Agora é Assange, amanhã pode ser você.
O governo dos Estados Unidos agora está dizendo, de forma totalmente explícita, no tribunal, que aqueles repórteres [de uma publicação do NYT que não foram punidos em ação semelhante] poderiam e deveriam ter ido para a cadeia e é assim que agiremos no futuro. O Washington Post, o New York Times e todos os “grandes meios de comunicação liberais” dos EUA não estão no tribunal para ouvi-lo e não vão denunciar isso, por causa de sua cumplicidade ativa contra o “outro”, Julian Assange, como algo sub-humano cujo destino pode ser ignorado. Eles são realmente tão estúpidos a ponto de não entender que são os próximos?
Err, sim - o próprio Murray responde.
Essa nova linha da acusação representou um afastamento radical da abordagem anterior, que era afirmar que Julian Assange não é um jornalista e tentar distinguir seu comportamento do dos jornais. Especialistas em jornalismo testemunharam que o relacionamento de Assange com Manning [que vazou os documentos para Assange] não era materialmente diferente do relacionamento de outros jornalistas com fontes com dados oficiais para vazar.
O objetivo da abordagem anterior era claramente reduzir o apoio da mídia a Assange, diferenciando-o de outros jornalistas. Tornou-se óbvio que tal abordagem corria um risco real de fracasso, se pudesse ser provado que Assange é jornalista, linha que estava indo bem para a defesa. Portanto, agora temos “qualquer jornalista pode ser processado por publicar informações classificadas”, conforme a linha do governo dos EUA. Eu suspeito fortemente que eles decidiram que não precisam mitigar a reação da mídia, já que a mídia não está prestando atenção a esta audiência de qualquer maneira.
Essa última frase é típica do fino humor britânico.

Leia a narrativa completa, que é minuciosa, lá no site de Murray, clicando aqui.



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