quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Assange e um elefante num quarto escuro


Em longa entrevista [que você pode acessar na íntegra, em inglês, aqui] sobre o caso de perseguição a Julian Assange, o Relator Especial da ONU sobre Tortura, Nils Melzer, usou a seguinte imagem para ilustrar o que está acontecendo:
Imagine um quarto escuro. De repente, alguém ilumina o elefante na sala - os criminosos de guerra, a corrupção. Assange é o homem com a lanterna. Os governos ficam brevemente em choque, mas depois mudam o foco da lanterna para Assange com acusações de estupro. É uma manobra clássica quando se trata de manipular a opinião pública. O elefante mais uma vez desaparece na escuridão, atrás do holofote. E Assange passa a ser o foco das atenções, e começamos a conversar sobre se Assange está andando de skate na embaixada [do Equador, quando exilado] ou se está alimentando seu gato corretamente. De repente, todos nós somos "informados" que ele é um estuprador, um hacker, um espião e um narcisista. Mas os abusos e crimes de guerra que ele denunciou desaparecem na escuridão.
Assange, através do WikiLeaks, revelou crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos e aliados (o elefante), mas aí a lanterna da mídia comercial, movida pelos interesses do Mercado e dos aliados, devolveu o elefante à escuridão, deixou de investigar os crimes de guerra cometidos e passou a criminalizar Assange.
 
É isso o que Nils Melzer mostra nessa entrevista reveladora [Vou publicar destaques dela em outra postagem, ou postagens]. Toda a mentira sobre a acusação de estupro que Assange teria cometido. Acusação que, simplesmente, nunca houve, nunca mulher alguma acusou Assange de estupro ou assédio. A não ser em "supostas" notícias na mídia comercial. E no governo da Suécia, vergonhosamente parcial em favor dos EUA.
 
Quando se discute o julgamento de Assange e sua ainda possível extradição aos Estados Unidos (os promotores dos EUA recorreram da decisão da juíza, contrária à extradição) se está deixando de discutir o verdadeiramente grave nisso tudo: os crimes de guerra, torturas, assassinatos, até de crianças e famílias inteiras de civis, por militares dos Estados Unidos e aliados, inclusive a Grã-Bretanha, onde Assange pena numa solitária.
 
Denunciar crimes não é crime. Crime é cometê-los.
 
#FreeAssange




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