A doutora Ludhmila Hajjar é médica cardiologista, intensivista e professora de Medicina da USP de Emergências Médicas. Em entrevista à jornalista Natuza Nery, ela afirma aquilo que nós, pacientes, sentimos na pele diariamente nos atendimentos médicos em geral: a formação médica no Brasil está um horror.
Num trecho da entrevista, a doutora Ludmila, em resposta a uma reflexão da jornalista de que o atendimento médico hoje estaria uma loteria, vai além: "Eu diria que é uma loteria com a chance maior de você perder".
São médicos que não sabem o básico da prática profissional e são lançados ao mercado.
Confira:
Avaliação dos cursos de Medicina pelo MEC
Os últimos números da avaliação do MEC sobre a qualidade de ensino das faculdades de Medicina do país mostram aquilo que a denúncia da doutora Ludhnila diagnostica: um terço deles estão muito abaixo da média, com conceitos 1 e 2, em 5:
O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram, nesta segunda-feira, 19 de janeiro, a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. O Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina e permite o aproveitamento de seus resultados nos processos seletivos de programas de residência médica. Os resultados apresentados referem-se aos 351 cursos de medicina que participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições públicas federais e as instituições privadas.
De acordo com a análise, dos 304 cursos de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios. Outros 99 cursos (32%) obtiveram conceito Enade nas faixas 1 e 2 — menos de 60% dos seus estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no Enamed — e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.[Gov]
CFM quer impedir que médicos mal avaliados atendam
A situação chegou a um ponto que até o bolsonarista Conselho Federal de Medicina, aquele que defendeu independência médica para receitar kit Covid e cloroquina com ivermectina, quer impedir que 13 mil alunos mal avaliados possam atender à população.
É o que diz José Hiran Gallo, presidente do CFM.
"Já encaminhamos para o jurídico uma proposta de resolução para que esses alunos prestes a se formarem e que tiveram o desempenho 1 e 2 não consigam o registro. Eu acho que é muito tenebroso colocar pessoas que não têm qualificação para atender."
O Conselho informou também pediu que o Ministério da Educação forneça os dados detalhados dos alunos para que possam ter acesso à lista de nomes e desempenho.
O CFM pode impedir o médico de ter o registro?
Pela lei vigente, não. Todo estudante de medicina ao concluir o curso tem o direito de receber o registro profissional automaticamente sem qualquer avaliação prévia.
Segundo a advogada especialista em direito médico, Samantha Takahashi, o CFM não poderia criar uma resolução com regra própria que se sobreponha a lei.
Ela explica que a regulamentação exige o diploma de conclusão de curso de Medicina expedido por Instituição de Ensino Superior, registrada no Ministério da Educação, e que não há brecha que permita que o Conselho inclua novas condições. [G1]
É caso de alterar a lei, o que seria possível caso nosso Congresso não estivesse mais preocupado em livrar da cadeia o criminoso ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar um golpe de Estado em que estavam previstos os assassinatos do presidente eleito, seu vice e do presidente do TSE à época, respectivamente Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.
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