A editora-chefe do The Economist Zanny Minton Beddoes participou de uma entrevista com o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu e fez o que a maioria dos jornalistas não faz diante do líder israelense, confrontou-o e lançou sobre ele um monte de verdades, que a mídia corporativa busca esconder, mas que vem se revelando a cada dia: o genocídio em Gaza, o comportamento inaceitável de Israel.
Netanyahu começa argumentando que Israel está apenas se defendendo e, com isso, "defendendo a civilização ocidental"...
Beddoes contesta Netanyahu, afirma que ele já foi apontado como criminoso de guerra, que pode ser preso em vários países que aderiram às regras do Tribunal Penal Internacional.
Sem deixar espaço para ser interrompida pelo primeiro-ministro, a editora traça em poucos segundos um retrato da covardia criminosa e da infâmia de Netanyahu e Israel contra os palestinos.
Confira:
Primeiro-ministro, essa é uma maneira de ver o mundo. Tenho certa simpatia por algo do que o senhor disse, mas permita-me dar outra perspectiva que é: muitas pessoas do mundo todo veem o estado de Israel como um país que usa apenas a força militar que não é... Que matou 70 mil pessoas... 70 mil em Gaza! Que não está fazendo nada para criar um futuro sustentável para as pessoas lá que é um país... de você é... de você foi acusado de ser um criminoso de guerra, que se fosse a vários países da Europa seria preso. Isso não é apenas radicalismo universitário maluco. Este é um sentimento por todo o mundo. Você mesmo nos disse isso há pouco. Na opinião pública mundial, Israel vai muito mal e vai muito mal porque as pessoas veem um país que se comporta de uma maneira incompatível com ser uma democracia liberal. Portanto, acho que você tem um problema, acho que essa perda da opinião pública. O que me impressionou na sua autobiografia foi a sutileza que você entende isso por tanto tempo. O senhor sabe que o poder político vem da opinião pública e sabe que precisa ganhar a batalha da comunicação, e estão perdendo, perderam totalmente na Europa, mas o que é muito mais preocupante para vocês é que estão perdendo nos Estados Unidos.
Netanyahu e o genocídio em Gaza
Pelo menos 100 crianças morreram em ataques aéreos e atos de violência na Faixa de Gaza desde o início da trégua entre o Hamas e Israel há três meses, informou a ONU nesta terça-feira (13).
“Mais de 100 crianças morreram em Gaza desde o cessar-fogo do início de outubro. Isso equivale aproximadamente a uma menina ou um menino morto por dia durante a trégua”, informou James Elder, porta-voz do agência da ONU para a infância (Unicef), em uma coletiva de imprensa remota da Cidade de Gaza, no território palestino.
Segundo o porta-voz, os 60 meninos e 40 meninas morreram por bombardeios aéreos, ataques com drones (incluindo drones suicidas), disparos de tanques e munição real, entre outras causas. Ele indicou que o número real provavelmente é muito maior.
Um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, responsável pelo registro de vítimas, relatou um total de 442 mortes desde a trégua, incluindo 165 crianças.
“Sete crianças morreram de hipotermia este ano”, disse à AFP Zaher Al-Wahidi, diretor do departamento de informática do Ministério da Saúde.
Segundo um levantamento das autoridades de Gaza, mais de 70.000 pessoas morreram no território palestino desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas ao território israelense em 7 de outubro de 2023.
Quase 80% dos edifícios de Gaza foram destruídos ou danificados pelo conflito, de acordo com dados da ONU.
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