Como não têm propostas, os candidatos da extrema direita usam a campanha para atacar os adversários, sejam candidatos à presidência, ao governo dos estados ou mesmo simples apoiadores, como o atual prefeito de São Paulo Ricardo Nunes, que sonhava disputar o governo mas teve que se contentar em apoiar o atual governador à reeleição.
No lançamento da candidatura de Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes quis puxar o saco do governador e, ao seu modo de ver, menosprezar o candidato do PT, Fernando Haddad, dizendo que Tarcísio daria uma surra no "professorzinho", desprezando as qualificações do Haddad, especialmente a que ele mais preza, a de ser professor.
A professora Nelice Pompeu respondeu ao prefeito com uma carta aberta no Instagram, numa verdadeira aula de civilidade e de educação.
Além de destacar a formação de Fernando Haddad, professor da USP, mestre em Economia, doutor em Filosofia, ex-ministro da Educação, prefeito de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, a professora defendeu a categoria, que não à toa é desvalorizada pela dupla Ricardo Nunes e Tarcísio de Freitas.
Como não tem luz própria, Nunes não teve legenda nem para uma vaga ao Senado, restando como consolo os dois anos a mais que tem à frente da prefeitura de São Paulo para depois ficar sem cargo público.
Escreveu a professora Nelice Pompeu:
Quando o senhor chamou Fernando Haddad de “professorzinho”, não ofendeu apenas um adversário político. Ofendeu uma categoria inteira. Ofendeu milhões de professores e professoras que, todos os dias, entram em uma sala de aula para formar cidadãos e construir o futuro deste país.
O diminutivo não foi um detalhe. Foi uma tentativa de diminuir alguém justamente por ser professor. E isso revela muito sobre a forma como o senhor enxerga a educação.
Fernando Haddad é professor da USP, mestre em Economia, doutor em Filosofia, foi ministro da Educação, prefeito de São Paulo e hoje é ministro da Fazenda. Concordar ou discordar de sua trajetória é legítimo. Tentar desqualificá-lo por ser professor, não.
Sua fala ajuda a explicar o que nós, educadores da rede municipal de São Paulo, sentimos diariamente: o descaso com a educação e com quem dedica a vida a ensinar.
Agora entendemos por que nossas reivindicações são ignoradas, por que direitos são retirados, carreiras são desvalorizadas e profissionais são sobrecarregados.
Mas esse ataque não foi apenas ao Haddad.
Foi à professora que alfabetiza crianças.
Ao professor que enfrenta salas lotadas.
À educadora que acolhe estudantes em situação de vulnerabilidade.
A todos que seguem acreditando que a educação transforma vidas.
Professor nunca foi motivo de vergonha.
Professor é motivo de orgulho.
Todos passaram pelas mãos de um professor. Todos aprenderam a ler, escrever, pensar e sonhar graças a alguém que escolheu ensinar. Inclusive o senhor.
Os mandatos passam. Os cargos passam. Os discursos agressivos passam.
Mas os professores permanecem formando gerações.
Por isso, quando o senhor diz “professorzinho”, nós respondemos com orgulho:
Somos professores.
E não aceitaremos que nossa profissão seja usada como ofensa.
Porque atacar um professor é atacar a educação.
E atacar a educação é atacar o futuro do Brasil.
Profa. Nelice Pompeu
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