Derrota acachapante de Trump só não é pior porque está só no começo

Foi uma derrota tão acachapante a do presidente dos Estado Unidos Donald Trump nas eleições de meio de mandato que até a Globo resolveu ressuscitar a palavra "acachapante", que dormia esquecida no baú dos tempos, em vez de indiscutível, incontestável, esmagadora, arrasadora, e até mesmo cabal, outra que dormia ao lado dela.

O golpe foi tão acachapante, que o Laranjão, que geralmente só ouve as vozes de sua própria cabeça, em geral distantes da realidade, se curvou às vozes das urnas e para surpresa de muitos reconheceu a derrota, embora se eximindo de qualquer culpa pelo fiasco, outra vez, acachapante.

Mesmo tendo afirmado em declarações públicas que seus apoiadores deveriam votar como se o nome dele estivesse nas cédulas eleitorais, Trump empurra a derrota pra lá e segue em frente bem a seu estilo:

"Provavelmente vou me dar bem com os democratas, a menos que queiram ser destrutivos, mas nós temos poder de veto. Então, se não gostarmos do que estão fazendo...", declarou Trump. "Eles já ligaram e querem conversar sobre as coisas, e tudo bem". 

A verdade é que Trump tem errado muito em quase tudo. Ainda governa os Estados Unidos de sua cabeça, não o país real, ultrapassado pela China, em meio a um mundo multipolar, que já não aceita passivamente o domínio do antigo império, que parecia inquestionável após a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética.

Errou também nos tarifaços e sanções a países, inclusive aliados e vizinhos, como o Canadá, aumentando preços de produtos desses países, fundamentais em vários setores da economia dos Estados Unidos.

Sem contar a guerra com o Irã, uma guerra por procuração de Israel, com um ataque injustificável ao Irã ainda agravado pelo bombardeio covarde a uma escola de crianças, em que morreram mais de 100 meninas e professores.

O mundo não aprovou e, pelo visto, o povo dos Estados Unidos também não. Com a guerra, o preço do combustível disparou e, com ele, o dos alimentos e da economia como um todo. Não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo.

Como Donald Trump é um narcisista maligno, segundo análise de psicólogos e psiquiatras estadunidenses, o mais provável é que ele volte ao seu modo delirante normal, que pode levá-lo a seu terceiro pedido de impeachment. Os dois primeiros, em seu mandato anterior, barrados no Senado, onde tinha maioria. Agora não mais. Os democratas são maioria agora também no Senado e o impeachment pode ser o fim de Donald Trump. Acachapante. 


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