Jornalista paraguaia pede demissão ao vivo e dá lição à GloboNews: "Não sei fingir de louca"

Na terça-feira, dia 3,o Banco Central do Paraguai decidiu intervir no Ueno Bank, banco digital onde mais da metade dos paraguaios têm conta. Nesse mesmo dia, Mina Felice Angeli, uma jornalista de grande prestígio no Paraguai, pediu demissão ao vivo. Motivo: ela não conseguiria fingir que o dono da emissora onde trabalhava não era também um dos donos do Ueno Bank, que levou o Paraguai a uma convulsão social. Tão diferente de jornalistas de nossa mídia corporativa que emulam a voz e anseios dos patrões:

"Na verdade, vim me despedir de vocês e de toda a audiência que nos acompanha com tanto carinho. Eu não sei fingir de louca, gente — e o que fizeram aqui é um absurdo. Não posso ficar aqui; por uma questão de educação, não seria correto permanecer neste local e falar mal do dono do meu ambiente de trabalho. E, sem dúvida, há uma grande responsabilidade por parte do proprietário deste veículo, que também é o dono do Ueno Bank" — disse Mina Felice Angeli no ar. 
Comportamento distinto de jornalistas da GloboNews, quando, por exemplo, puseram no ar um infame PowerPoint em que relacionavam o caso Master ao presidente Lula e ao PT, o que é mentira, e não citando, novamente por exemplo, que as Organizações Globo faturaram centenas de milhões do banco Master, através do Will Bank, e de patrocínio de festa do jornal do grupo nos Estados Unidos. Sem contar o Nubank, patrocinador master do Jornal Nacional, que teria lucrado vendendo pacotes podres do Master a seus clientes.

A jornalista paraguaia se demitiu no ar e, sim, ela certamente paga boletos, como alegam jornalistas que não tomam a mesma atitude que ela. Mas não é possível fazer isso traindo a notícia e o espectador/leitor que a consome.

Ainda esta semana, na GloboNews, uma jornalista de prestigio entrevistou um economista idem e pagou o mico de ser desmentida ao vivo pelo entrevistado ao tentar direcionar sua resposta. Vou omitir o nome da jornalista, porque é um comportamento recorrente na emissora, a começar pelo presidente da Academia Brasileira de Letras Merval Voz do Patrão Pereira (Machado de Assis morre novamente em seu mausoléu).

Jornalista — Passado o período eleitoral com o governo reeleito, é preciso, de fato, entregar a promessa de cortar gastos e fazer um ajuste fiscal robusto.

Economista — Bom dia, prazer estar aqui. Não tem promessa nenhuma de cortar gastos e fazer um ajuste fiscal robusto. Você ouviu o presidente Lula falando isso? Desculpe, eu não ouvi.

Jornalista — Não, não tem promessa, mas tem cobrança. Essa é a palavra, né? Ele está devendo isso à população. E os números são muito claros, a trajetória da dívida, enfim. Ele pode não ter prometido, mas que ele deve isso à população, isso ele deve.

Economista — Olha, eu acho que eles devem, mas entre o que eles devem e o que eles prometeram vai uma distância considerável.


Pano rápido.

Assista ao pedido emocionado de demissão no ar da jornalista paraguaia Mina Felice Angeli. Aqui, boa parte de nossos jornalistas da mídia corporativa, ao contrário de Mina, sabem se "fingir de loucos".




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