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Frei Betto critica imposto sobre livro e Bolsonaro: 'Ele tem horror à cultura, à inteligência, ao teatro, à música'


Numa entrevista ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, frei Betto criticou o imposto sobre os livros da dupla Bolsonaro-Guedes,o horror à cultura deste governo, e defendeu a importância da Carta ao Povo de Deus, da CNBB.
Tribuna Metalúrgica – Paulo Guedes tenta justificar a taxação afirmando que livro é coisa de elite, e que essa elite teria como arcar com o valor mais alto. E que o governo vai distribuir livros para a população mais pobre. Há muitos absurdos nesta visão de mundo do ministro, não é?
Frei Betto – Primeiro a ignorância do Paulo Guedes em relação ao mercado dos livros. O livro é caro no Brasil porque não há o empenho do governo e do Ministério da Educação de popularização do livro e, com isso, ele acaba virando certo artigo de luxo. O livro poderia ser muito mais barato se fossem isentos de uma série de impostos que ainda existem, principalmente quando se trata de compra de papel, que é um absurdo. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de matéria prima para fabricação de papel, exporta essa matéria prima e importa o papel manufaturado. Um livro que custaria R$ 40 no Brasil custa R$ 7 em Cuba, utilizam papel reciclado, uma série de coisas. Aqui o grande problema é que não há popularização, não há trabalho de educação, de hábito de leitura e, com isso, o livro acabou ficando um produto inacessível. Creio que o Paulo Guedes é o retrocesso a colonização portuguesa, é uma vergonha que o Brasil só tenha tido a primeira universidade no século XX. Houve uma deliberada ação da coroa portuguesa de que aqui não deveria ter instrução, para realmente ser um país de escravidão e de submissão total, sem luzes, como se dizia antigamente, a pessoa que não lê não tem luzes. Eles estão querendo voltar a esse período.
TM – E enquanto o ministério da economia estuda essa taxação dos livros, anuncia um corte de R$ 4,2 bilhões para o orçamento do Ministério da Educação em 2021. Por que os governos de extrema direita têm tanto medo da cultura e da educação?
Frei Betto – Porque a educação para eles é coisa de comunista, eles não querem que as pessoas pensem. Todo regime autoritário ditatorial tem horror à inteligência. Eu sempre faço essa pergunta no twitter ‘Você conhece alguém inteligente que apoia Bolsonaro?’. Ele tem horror à cultura, à inteligência, ao teatro, à Academia Brasileira de Letras, à música, tanto que demonstrou total indiferença diante da morte de artistas importantes como o escritor Sérgio Sant’Anna e o compositor Aldir Blanc.
TM – Um exemplo disso é o abandono do Cinemateca Brasileira.
Frei Betto – A cinemateca está acéfala, aquilo é um acervo único no mundo.  Se ali houver um assalto ou um incêndio é uma parte importantíssima da memória nacional que vai se perder, como se perdeu no incêndio no Museu Nacional no Rio.
TM – Outro tema que não podemos deixar de abordar é o caso de grupos de religiosos extremistas que protestaram no último domingo em frente ao hospital onde uma menina de 10 fazia um aborto para interromper uma gravidez fruto de um estupro. O que aconteceu com essa sociedade que chama essa menina e o médico de assassinos?
Frei Betto – Essas pessoas são as mesmas que apoiam um governo que faz apologia das armas, que lamenta que não morreram 30 mil na ditadura, mas que hoje é responsável pela morte de 108 mil pessoas, vítimas da pandemia. Essas pessoas defendem que bandido bom é bandido morto e por aí vai. Elas não defendem a vida, elas pegam a bandeira do aborto como uma forma cínica de se posicionar. Se defendessem a vida, defenderiam em todas as circunstâncias, no mínimo, uma pessoa que defende a vida é contra a desigualdade social que produz a morte de milhões de pessoas que vivem na miséria. É puro cinismo e tem que ser denunciado.
TM – Recentemente a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou carta com críticas a Bolsonaro. Gostaria que comentasse essa carta e qual seria a consequência prática dela?
Frei Betto – Essa é uma carta muito importante assinada por 156 bispos, apoiada inclusive por cientistas e intelectuais. É o documento mais importante emitido nos últimos tempos no Brasil de crítica ao governo pelo peso e pela autoridade que ela tem. Essa carta tem que ser amplamente divulgada porque põe o dedo na ferida, desmascara o governo e com autoridade de pessoas que são realmente comprometidas com o bem estar do povo. A consequência maior é no sentido de legitimar a descredibilidade que goza o Brasil no exterior. Isso certamente afeta os investimentos que o governo fica esperando que venha de lá. Na época da ditadura militar as manifestações feitas no exterior contra a ditadura tinham eco muito mais contundente no Brasil do que as internas, que eram muito contidas e reprimidas. Tem esse valor de mostrar ao exterior a verdadeira face do Brasil e de Bolsonaro.
Os livros escritos por Frei Betto podem ser adquiridos com desconto no site www.freibetto.org.

O original da entrevista está aqui.

Clique aqui para ler a íntegra da Carta ao Povo de Deus.




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'A Igreja Católica não faz barganhas', diz nota da CNBB sobre manchete do Estadão


O Estadão publicou ontem uma reportagem, com chamada na primeira página: “Ala da Igreja Católica oferece a Bolsonaro apoio em troca de verba”, com a informação de que algumas emissoras de inspiração católica teriam negociado apoio ao governo Bolsonaro em troca de verbas.

A CNBB emitiu negando a informação e esclarecendo a posição da Igreja Católica sobre o assunto.
Sobre a reportagem “Por verbas, TVs católicas oferecem a Bolsonaro apoio ao gover­no”, com a manchete na primeira página “Ala da Igreja Católica oferece a Bolsonaro apoio em troca de verba”, do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO em 06.06.20, a Confe­rência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, juntamente com a SIGNIS Brasil e a Rede Católica de Rádio (RCR), associações que reúnem as TVs de inspiração católica e as rádios católicas no Brasil, esclarecem que não organizaram e não tiveram qualquer envolvimento com a reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, representantes de algumas emissoras de TV de inspiração católica e alguns parlamentares, e nem ao menos foram informadas sobre tal encontro.
Informamos que as emissoras intituladas “de inspiração católica” possuem naturezas diferentes. Algumas são geridas por associações e organizações religiosas, outra por grupo empresarial particular, enquanto outras estão juridicamente vinculadas a dioceses no Brasil. Elas seguem seus próprios estatutos e princípios editoriais.  Contu­do, nenhuma delas e nenhum de seus membros representa a Igreja Católica, nem fala em seu nome e nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem feito todo
o esforço, para que todas as emissoras assumam claramente as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
Recebemos com estranheza e indignação a notícia sobre a oferta de apoio ao governo por parte de emissoras de TV em troca de verbas e solução de problemas afeitos à comunicação. A Igreja Católica não faz barganhas. Ela estabelece relações institucio­nais com agentes públicos e os poderes constituídos pautada pelos valores do Evange­lho e nos valores democráticos, republicanos, éticos e morais.
Não aprovamos iniciativas como essa, que di.cultam a unidade necessária à Igreja, no
cumprimento de sua missão evangelizadora, “que é tornar o Reino de Deus presente no mundo” (Papa Francisco, EG, 176), considerando todas as dimensões da vida humana e da Casa Comum. É urgente, sim, nestes tempos difíceis em que vivemos, agravados seriamente pela pandemia do novo coronavírus, que já retirou a vida de dezenas de milhares de pessoas e ainda tirará muito mais, que trabalhemos verdadei­ramente em comunhão, sempre abertos ao diálogo.
Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação CNBB
RCR - Rede Católica de Rádio
SIGNIS Brasil







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Direito pediu vistas do processo das células-tronco para atender a CNBB

Nota na coluna Panorama Político de O Globo confirma informação deste Blog de que o ministro do STF Carlos Alberto Direito só pediu vistas do processo sobre as células-tronco para atrasar sua publicação.

Segundo a nota, o ministro teria agido assim a pedido da CNBB, para que a aprovação não atrapalhasse a Páscoa católica.

Com sua atitude, o ministro, que é assumidamente um católico fervoroso, confirma que estavam certos os que – como eu - temiam sua indicação para o Supremo – num Estado laico.

Se ele coloca a Igreja Católica, a CNBB, o Papa, ou qualquer autoridade religiosa acima da Constituição do Brasil, deveria pedir o boné, devolver a toga e candidatar-se a coroinha. O que não pode é fazer o que fez.

Sabemos que Direito votará contra o processo, mas também sabemos que ele será aprovado independentemente de seu voto, de acordo com declarações de outros ministros. O que Direito fez foi apenas atrasar o processo. Sem pensar nos que se beneficiarão das pesquisas. Uma atitude nada cristã.

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