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Caso Estadão: Qual o valor de uma nota de empregados em defesa dos patrões?

O Ministério Público do Trabalho (MPT) não admite denúncia anônima, mas ela pode ser feita em sigilo, em defesa do trabalhador. Vendo substância na denúncia, o MPT abre procedimento para averiguar a veracidade ou não dela. Tudo sob sigilo.

A Revista Fórum publicou uma dessas denúncias feitas por jornalistas contra o Estadão, com acusações de assédio moral, notícias plantadas, fraude em horas trabalhadas. A denúncia foi acolhida pelo MPT.

Ninguém sabe o autor (autores) da denúncia. Sabe-se apenas que é ou são jornalistas do Estadão, ou a denúncia não seria acolhida para ser averiguada pelo Ministério.

Ontem, a Federação Nacional dos Jornalistas e o Sindicatos dos Jornalistas do DF apoiaram as denúncias e acrescentaram mais dois outros procedimentos já em curso no MPT contra o Estadão.

Hoje, sai uma nota de jornalistas do Estadão em defesa dos patrões, reproduzida abaixo.

Mas, daí vem o título: Qual o valor de uma nota de empregados em defesa dos patrões?

Apresentada a lista para ser assinada na Redação, quem não a assinaria? 

Não assinar significaria simplesmente que: a) Você concorda com as denúncias; b) Você é um dos autores (anônimos) dela.

Por "a", por "b" ou por "a" + "b" você poderia ser demitido e nem poderia alegar perseguição, porque, "em tese", os patrões não saberiam quem fez as denúncias oficialmente, tiveram apenas uma pista a partir da não assinatura na nota.

Por isso vale a pergunta anterior: Qual o valor de uma nota de empregados em defesa dos patrões? Agora acrescida desta outra: Quem entre os assinantes da nota assinou também a denúncia no MPT?

Aqui a nota.


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Dilma responde a ataques infames do Estadão e o reduz a estadinho


Em editorial publicado neste domingo, o Estadão atacou de forma infame a ex-presidenta Dilma, deposta por um golpe de Estado em 2016. 
 
O conteúdo do editorial não denota apenas a tentativa de desqualificar Dilma e o PT, mas é escrito com a arrogância típica do machismo estrutural brasileiro, num ataque à mulher Dilma com uma ferocidade que não se vê em relação ao criminoso presidente atual.
 
Mas, como aconteceu ainda outro dia com a jornalista de O Globo Miriam Leitão, Dilma lançou carta aberta em que refuta o editorial e reduz o antigo Estadão àquilo que é hoje: o minúsculo estadinho, até no tamanho.
 
A carta de Dilma:
UM JORNAL EM DIMINUTIVO
 
Dilma Rousseff
 
O editorial de domingo, 30, do jornal Estado de S. Paulo mostra que a miopia do Estadão, que hoje tem aumentativo apenas no nome de fantasia, não é doença, mas extremismo de direita. Calculado e indisfarçável. O jornal, que vem diminuindo ano a ano, inclusive fisicamente, hoje é um tabloide movido por uma obsessão: impedir a eleição democrática em outubro.
Já fez isto em 2018 quando, na véspera da eleição, jogou no lixo o que restava de dignidade à antiga família Mesquita para cometer o crime de afirmar que a opção entre um professor universitário, reconhecidamente democrata, e um deputado fascista era uma escolha difícil para o eleitor.
O Estadão já pode ser chamado de Estadinho. Apequenou-se, inclusive no tamanho das páginas. E segue no caminho do desaparecimento, depois de perder leitores e público, com tiragem cada vez menor. Segue movido apenas por obsessões que, em vez de disfarçar, ressaltam as mentiras que publica.
Exatamente ao contrário do que diz o jornal, estão frescas, na memória do povo brasileiro, os resultados produzidos pelos oito anos de governo Lula e pelos quatro anos que me foi dado o direito de governar sem a sabotagem aberta e sem o golpismo iniciado exatamente no dia em que fui reeleita.
Cumpri um ano e três meses de governo no meu segundo mandato com sabotagem escancarada, com o apoio do jornal, e instrumentalizada, inclusive nas páginas do Estadinho. O povo lembra. São lembranças da realidade e dos fatos, e não do ódio do jornal e da imprensa oligopolista brasileira.
Lula deixou seu segundo mandato com mais de 80% de aprovação e reconhecimento popular. Eu, durante meu mandato inteiro, dei continuidade às grandes realizações de Lula. Mas fiz mais. Ampliei as iniciativas que transformaram o Brasil num país bem-sucedido e o brasileiro num povo feliz e com a maior autoestima de sua história.
No primeiro mandato, entre 2010 e 2014, apesar da forte oposição que enfrentei, em tese algo normal num regime democrático, meu governo produziu algumas das maiores realizações da história do país – contra a vontade do Estadinho, é bom que se diga.
Em 2014, conquistamos a menor taxa de desemprego da história do país – uma média mensal de 4,8%, que caracteriza uma situação de pleno emprego. Trabalho formal, é justo dizer. Empregos com carteira assinada e direitos trabalhistas, que o Estadinho e os governos que o jornal apoiou e apoia destruíram, depois de me derrubar.
Não causa surpresa que o jornal, tanto quanto os golpistas que me destituíram sem que até hoje tenha sido caracterizado crime de responsabilidade, classifiquem como “teorias ultrapassadas e equivocadas”, que devam “ser escondidas”, o repetido acúmulo de recordes mensais de Investimento Estrangeiro Direto no país. No meu governo, ampliamos a conquista de Lula e chegamos à marca de US$ 370 bilhões em reservas internacionais. Parece trivial, mas na história brasileira tal valor jamais foi alcançado.
Entendo que, exatamente ao contrário do que pretende o Estadinho, não se deve esconder, de maneira alguma, o fato de que, mesmo debaixo da mais massacrante sabotagem política já promovida no Congresso a um governo democrático, por meio de pautas bombas e de um boicote brutal das ações administrativas, processo iniciado no dia exato da minha reeleição, ainda assim alcançamos resultados fiscais rigorosamente superiores aos exibidos nos períodos de governo de FHC.
Por óbvio, a história elitista e de exclusão social do Estadinho — que sempre teve o condão de liderar a plutocracia paulista — não permite acreditar que o porta-voz do mais radical conservadorismo brasileiro pretenda dar importância a resultados extraordinários alcançados pelo meu governo, que são dignos de serem exibidos com orgulho em qualquer campanha eleitoral.
Foi no meu mandato, em 2014, que o Brasil conquistou a maior de suas façanhas: sair do Mapa da Fome da ONU. Graças a todas as políticas que realizamos desde a posse de Lula, em 2003. Também foi sob o meu mandato, cujas realizações o jornal gostaria de esconder, que pela primeira vez na história 63 milhões de brasileiros tiveram acesso gratuito à assistência de saúde, por meio do programa Mais Médicos.
Além disso, nunca em nossa história, mesmo em governos democráticos, nos governos do PT e no meu em particular nunca tantos brasileiros de baixa renda obtiveram o direito de acesso à casa própria, com o Programa Minha Casa Minha Vida, e ao ensino superior, através da política de cotas e de facilidade de acesso a universidades privadas.
Para o Estadinho, é melhor que tudo isto seja escondido dos brasileiros. Sobretudo em uma campanha eleitoral. Mas como os brasileiros já há muito tempo não acompanham mais o jornal, sem dúvida saberão o que o meu governo fez. E se orgulha de ter feito. E, na medida do possível, continuará vendo ser realizado, a partir de 2 de janeiro de 2023, quando Lula assumirá pela terceira vez a Presidência da República.
Contra a vontade do Estadinho. Mas pela força do povo. A força da maioria do povo. Como nas grandes e melhores democracias.





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