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Lyria 3 vs. Maestro: Coloquei a IA do Google para duelar com um compositor humano

O Google lançou o Lyria 3, segundo o próprio Google, é o gerador de músicas com IA de alta fidelidade do Gemini que transforma comandos de texto ou imagem em faixas de 30 segundos, com instrumentais, vocais e letras.  

Resolvi testar o "compositor artificialmente inteligente" o colocando à prova com uma letra de música que eu mesmo compus há muitos anos e que foi musicada por uma grande amigo, que é também músico, maestro, cantor e compositor: Wilson Nunes.

Wilson tocou com todo mundo da MPB, foi diretor musical e arranjador de gente como Leila Pinheiro e Selma Reis, por exemplo, e participou da gravação do disco do chamado "Quinto Beatle", o produtor musical dos Beatles George Martin.

Qual a melhor música, a do Lyria 3 ou a do Wilson Nunes?

A letra é esta:

Cantar, letra de Antonio Mello

Sempre que tento cantar
Sobre aquilo ou aqui
Sempre que tento cantar
Do que vivo ou vivi
Eu não sou mais o que canta
Eu sou o que canto
Não tenho mais fim
Não me incomodo com o resto
Eu sou esse gesto que foge de mim

E, no entanto, é difícil
Não dá pra entender
Se não consigo passar
O que quero dizer
Entre essa voz e o que canto
Há uma distância que não tem mais fim
E as palavras se unem
Num novo sentido que foge de mim
Alguma coisa se perde nos alto-falantes
Alguma coisa que eu sei
Que seria importante

Música do Lyria 3

 

 

Música do Wilson Nunes

 


 

Para seu julgamento 

É verdade que o Lyria 3 tem a limitação de tempo de 30", mas dá para fazer uma comparação entre a qualidade das duas não?

Para você, qual a melhor? Escreva aí nos comentários.



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Em 5 anos, 99% do conteúdo da internet será gerado por IA. E nós?

A internet como foi criada já era. A rede para conectar e aproximar pessoas já está tomada pelos robôs. Eles geram 47,4% de todo o tráfego nas redes.

Aqueles views, aqueles likes, até aquela paquera no Tinder ou no Instagram, pode não ser quem você está pensando. Não um humano fingindo-se outro. Mas um robô, criado para varrer a internet em busca de dados para alimentarem os algoritmos de seus contratantes.

"E o pior, 30% são robôs maliciosos, atuando com a intenção de copiar informações ou fazer ataques. Vários são capazes de imitar o humano, se tornando indetectáveis. Enquanto isso, o acesso realmente humano cai a cada ano. De 2021 a 2022, a queda foi de 5,1%. Se a tendência continuar, em breve a internet será terra de ninguém, ou melhor, terra de robôs" segundo o diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Ronaldo Lemos, na Folha.

A circulação de robôs está tão intensa nas redes, que interfere nos resultados dos sites de busca. O Google busca forma de neutralizá-los. Internautas também. Muitos acrescentam em suas pesquisas o comando "Before: 2023", para conseguir resultados anteriores a 2023, quando a influência dos robôs com conteúdos feitos com Inteligência Artificial era menor.

Na Índia, foi feita uma pesquisa entre pessoas que frequentam sites de relacionamento, tipo Tinder. 77% delas descobriram que estavam conversando com um perfil criado por IA, inclusive nas fotos. Imagine a decepção.

O comércio adotou de vez os robôs para seu primeiro contato com os consumidores nas redes. É o famoso "tecle 1, tecle 2, tecle 3", hoje ultrapassado, que desempregou muita gente de carne e osso nos atendimentos de telemarketing. 

Hoje as centrais de atendimento estão tomadas por robôs, que conversam com o consumidor por texto (chatbot), por voz (voice bots) ou por avatares.

Já nos habituamos a essa nova rotina e hoje falamos com a Lu da Magalu, que tem quase 7 milhões de seguidores no Instagram, ou com a Bia do Bradesco, quase que com naturalidade.

Nesse relacionamento, o ser humano é escanteado.

Mas, se já está ruim, a notícia que vem da Dinamarca é pior. 

Um estudo do Instituto de Estudos do Futuro de Copenhague prevê que 99% do conteúdo que será postado na internet em 5 anos será gerado por inteligência artificial.

Seremos apenas 1% da rede em pouco tempo falando com 99% de conteúdo gerado por IA. 

Que mundo essa falta de comunicação entre humanos na internet nos trará?

Vamos de novo nos encontrar nas ruas, praças, conversar olhos nos olhos, como uma vez há muito tempo foi?

Como será o tempo futuro, quando acharemos um absurdo que pessoas perdessem grande parte de seu tempo postando nas redes sociais, num tempo em que elas só terão robôs?

E o que será que eles estarão fazendo entre eles?

Talvez alguns de nós façamos parte do 1% que ainda resistirá representando a espécie humana nessa selva de IA. Nossos gladiadores do futuro.

 



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Inteligência artificial ressuscita Suharto, ditador da Indonésia morto há 16 anos

Na semana em que serão realizadas as eleições presidenciais e de 500 deputados e 20 mil representantes regionais, o povo da Indonésia foi surpreendido com uma mensagem na TV do ex-presidente e ditador que governou o país por 32 anos Hadji Mohamed Suharto, ou simplesmente Suharto.

Suharto começou o vídeo se apresentando — “Eu sou Suharto, o segundo presidente da Indonésia” —, em seguida pediu voto para o líder nas pesquisas Prabowo Subianto, ex-general e atual ministro da Defesa do país.

Poderia não haver problema algum no pronunciamento de Suharto não fosse por um pequeno detalhe: Suharto morreu com 86 anos, há 16 anos, em 2008. O vídeo foi feito com o uso de Inteligência Artificial (IA), é uma deepfake.   
“Deepfakes podem influenciar muito uma eleição, [desde a] maneira como a campanha é feita até os resultados”, disse Golda Benjamin, gerente de campanha para a Ásia-Pacífico da Access Now, à CNN. “O perigo está em como se espalha rapidamente. Um deepfake pode facilmente alcançar milhões em segundos, manipulando eleitores.[Valor]
No Brasil, o uso ou não de Inteligência.Artificial nas eleições deste ano estão em disputa no TSE, que ainda não tomou posição quanto ao assunto, regulando o uso ou proibindo a utilização de IA, pelo menos nestas eleições.

Enquanto isso, marqueteiros políticos estão lançando pacotes com IA para os possíveis candidatos.


IA nas eleições do Brasil



Para intermediar o uso de IA por políticos, um consultor está desenvolvendo um aplicativo próprio para ser usado em campanhas eleitorais. A ferramenta fornece um formulário para ser preenchido pelo candidato e gera conteúdos a partir disso, como posts de redes sociais, títulos para vídeos, discursos e até textos direcionados a diferentes públicos. “O candidato só precisará apertar o botão”, afirma.

Para a doutora Kaufman, que é Professora do Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Faculdade de Ciências e Tecnologia da PUC SP, a facilidade e a riqueza das ferramentas contrasta com a dificuldade de analisá-la com a rapidez necessária numa campanha política.
  

Imaginemos que um candidato a prefeito usou IA para produzir uma peça publicitária sintética contra seu oponente. Coerente com o teor da minuta de resolução do TSE, a campanha desse candidato deveria explicitar o uso de IA. Cenário 1: o candidato, cumprindo as regras eleitorais, explicitou o uso de IA — a peça fake circulou nas redes sociais, como reconhece o ministro Alexandre de Moraes, causando estrago na escolha dos eleitores (parte significativa deles não compreende o que seja “produzido por IA” ou rótulos assemelhados). Cenário 2: o candidato não explicitou o uso de IA — o TSE identificou o problema ou a campanha adversária denunciou ao TSE. Em ambos os casos, leva tempo até a proibição, o suficiente para causar dano. Vale lembrar que as eleições de 2024 envolvem a escolha de prefeitos e vereadores em 5.568 municípios brasileiros.


Como será o anúncio obrigatório e o que constará dele? "Imagem trabalhada com Swapface", por exemplo? Quem prestará atenção ao que está escrito se está focado no vídeo? E o que é Swapface na cabeça dos milhões de eleitores?

Por isso a professora Dora Kaufman é radical:
   

A única maneira de salvaguardar o processo eleitoral de 2024 — garantindo a integridade do sistema e protegendo a democracia — é proibir explicitamente o uso de IA na propaganda eleitoral e bani-la da criação das peças publicitárias de campanha, sejam elas no formato de texto, imagem ou voz.

Aqui o vídeo de Suharto feito com uso de IA:




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TSE tem que proibir Inteligência Artificial na campanha, diz especialista. Por quê?

Esta semana o uso de Inteligência Artificial (IA) nas campanhas eleitorais será debatido em audiência pública, a partir de 25 de janeiro, com participação da sociedade e de instituições públicas, segundo o TSE.

Entre as novidades [na minuta do TSE], estão a inclusão do artigo 9º-B, que traz a obrigatoriedade de informar explicitamente a utilização de conteúdo fabricado ou manipulado em qualquer modalidade de propaganda eleitoral. É considerada manipulação a criação ou a edição de conteúdo sintético que ultrapasse ajustes destinados à melhoria da qualidade do material.

Estão incluídos nestas categorias imagens ou sons criados, substituídos, omitidos, mesclados, sobrepostos ou que tenham tido a velocidade alterada por meio de ferramentas tecnológicas, como a inteligência artificial. A minuta também prevê a necessidade de comunicar qual a tecnologia utilizada para conceber ou modificar o conteúdo.

Os marqueteiros estão assanhados. Desde o ano passado muitos deles se anunciam nas redes sociais em busca de candidatos a vereadores e prefeitos nos 5568 municípios do Brasil. Eles prometem maravilhas a baixo custo com o uso de IA nas campanhas.

 


Para intermediar o uso de IA por políticos, um consultor está desenvolvendo um aplicativo próprio para ser usado em campanhas eleitorais. A ferramenta fornece um formulário para ser preenchido pelo candidato e gera conteúdos a partir disso, como posts de redes sociais, títulos para vídeos, discursos e até textos direcionados a diferentes públicos. “O candidato só precisará apertar o botão”, afirma.

Para a doutora Kaufman, que é Professora do Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Faculdade de Ciências e Tecnologia da PUC SP, a facilidade e a riqueza das ferramentas contrasta com a dificuldade de analisá-la com a rapidez necessária numa campanha política.

Imaginemos que um candidato a prefeito usou IA para produzir uma peça publicitária sintética contra seu oponente. Coerente com o teor da minuta de resolução do TSE, a campanha desse candidato deveria explicitar o uso de IA. Cenário 1: o candidato, cumprindo as regras eleitorais, explicitou o uso de IA — a peça fake circulou nas redes sociais, como reconhece o ministro Alexandre de Moraes, causando estrago na escolha dos eleitores (parte significativa deles não compreende o que seja “produzido por IA” ou rótulos assemelhados). Cenário 2: o candidato não explicitou o uso de IA — o TSE identificou o problema ou a campanha adversária denunciou ao TSE. Em ambos os casos, leva tempo até a proibição, o suficiente para causar dano. Vale lembrar que as eleições de 2024 envolvem a escolha de prefeitos e vereadores em 5.568 municípios brasileiros.
Como será o anúncio obrigatório e o que constará dele? "Imagem trabalhada com Swapface", por exemplo? Quem prestará atenção ao que está escrito se está focado no vídeo? E o que é Swapface na cabeça dos milhões de eleitores?

São aplicativos capazes de manipular imagem e som a ponto de produzir um vídeo falso como este, com a imagem do presidente Lula.


Por isso a professora Dora Kaufman é radical:

A única maneira de salvaguardar o processo eleitoral de 2024 — garantindo a integridade do sistema e protegendo a democracia — é proibir explicitamente o uso de IA na propaganda eleitoral e bani-la da criação das peças publicitárias de campanha, sejam elas no formato de texto, imagem ou voz. 

A questão é: vai colar? Mesmo proibido o disparo de centenas de milhões de fake news por WhatsApp elegeu Bolsonaro e um Congresso à direita em 2018. E ficou por isso mesmo.

Quem no TRE de Alagoas, por exemplo, vai bater de frente com candidatos a prefeito e vereadores do presidente da Câmara Arthur Lira?



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