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Grande imprensa contra o governo Lula

Que a mídia é preconceituosa, procura sempre atacar o governo Lula e enaltecer os demo-tucanos ou ao menos esconder o que fazem de errado, tudo isso é verdade. A grande imprensa é mesmo contra o governo Lula, e se ele morresse amanhã de manhã, ela ficaria bem feliz.

Mas isso não é tudo. Se fossem – como são – sempre contra o governo e isso não lhes trouxesse um mísero leitor/ouvinte/espectador eles já teriam mudado o tom, ou falido. Mas não, embora o governo tenha uma aprovação superior a 60%, eles estão ligados naquela faixa de público que não aceita o governo Lula, que acha que o Bolsa Família é esmola; que cota é que é preconceito, porque no Brasil não existe preconceito que um elevador de serviço não conserte; que Lula, Chávez, Evo Morales são uma praga populista nascida da praga-mor, Fidel Castro, o ditador daquela ilha que, mesmo bloqueada pela maior potência do mundo, não deixa que nenhuma de suas crianças morra de fome, onde não há analfabetismo e o acesso à saúde é um direito de todos.

Nossa grande mídia escreve e faz reportagens para esse público, que eu chamo aqui de indignados úteis, que têm como seus porta-vozes na internet os pitblogs e seus pitblogueiros.

Enquanto pessoas solidárias tendem a tratar os problemas do mundo como seus, os pitblogueiros fazem o contrário, transportam seus problemas pessoais para o mundo, enxergam o mundo e a vida do ponto de vista de seus problemas pessoais. E tome pus, e tome bile. Se a vida fosse o carnaval, eles seriam a quarta-feira de cinzas. Servem suas excrec~encias a leitores que pedem, clamam por isso.Como afirmou Roberto Civita, da Veja, em uma entrevista:

“...Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar."

O curioso é que Civita fez elogios ao governo recentemente, o que significa quem nem Civita lê a Veja, que se limita agora às salas de espera dos consultórios médicos e dentários e dos laboratórios de análises clínicas, onde a revista chega para recolher material para suas reportagens e retorna meses depois para disputar espaço com aquela Caras em que Adriane Galisteu ainda é namorada de Ayrton Senna.

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Nem Civita lê a Veja

Pelo menos é a conclusão a que se chega ao ler o artigo publicado pelo editor da revista e presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, no último número da Veja de 2007, e que foi reproduzido no Blog do Nassif.

Com elogios ao governo do presidente Lula, Civita mostra que ou bem não lê a revista ou o faz, mas não acredita numa única linha do que é publicado ali. Sabe que o que a Veja e seus pitblogueiros fazem não é jornalismo, é apenas colocar lenha na fogueira dos indignados úteis para vender revista.

Pelo menos foi o que ele confessou em entrevista à newsletter eletrônica Jornalistas & Cia, em julho do ano passado, que comentei aqui.

Roberto Civita: “... Os leitores clamam, (...), querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores..."

Que o presidente do Grupo Abril e editor de Veja não leia a revista que edita ou não acredite no que ela publica é notícia para ter uma repercussão maior do que a que teve. O que só prova o nível de descrédito a que chegou a outrora respeitável publicação.

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