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A petista, o tucano e a mídia. Matilde e André Lara Resende. A negra, o branco

O caso das ministra Matilde já foi resolvido. Ela pediu demissão. Antes, ela demitiu dois de seus assessores, que não a teriam orientado corretamente. Logo, fica implícito – ao demitir os assessores – que sua própria demissão era o desfecho lógico para o caso.

Mas quero destacar dois aspectos do caso. O primeiro, a de que ele só foi descoberto a partir de uma denúncia da Controladoria Geral da União (CGU), numa prova da transparência do governo. Todos os dados, de todos os ministérios, estão na internet para quem quiser ver.

Isso foi feito no governo FHC? Você sabe dos gastos dos governos Serra, Aécio, do prefeito Kassab? Pois é, o presidente Lula pode bater no peito e dizer: Nunca na história deste país...

O outro aspecto que quero destacar é o seguinte: fez-se um tremendo escarcéu, por conta dos gastos da ministra, e até por causa de uma tapióca de R$ 8,30 (oito reais e trinta centavos), mas não se lê uma palavra sequer sobre a acusação que o jornalista Luis Nassif fez em seu livro Os Cabeça-de-Planilha de que André Lara Resende, que fazia parte da equipe econômica do Plano Real, no governo de FHC, enriqueceu às custas de informações privilegiadas que tinha no governo. Milhões de dólares.

André está no Brasil desde o dia 18 de janeiro e nenhum repórter chegou até a ele para perguntar:

- André Lara Resende, é verdade que você enriqueceu com informações privilegiadas no governo FHC?

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Enriquecimento de Lara Resende é real em dólar

A acusação é do jornalista Luis Nassif em seu mais recente livro, Cabeças-de-planilha (Ediouro, 320 pgs.,RS 39,90). Volto ao assunto, porque ele ainda nem começou a ser esclarecido. Segundo Nassif, o economista André Lara Resende, um dos formuladores do plano Real, fez uso das informações privilegiadas de que dispunha - como formulador do plano Real e membro da equipe econômica – para ganhar muito, mas muiiiiiito dinheiro, como mostra este trecho do livro:
“... algumas instituições começaram a atuar pesadamente no mercado de câmbio, apostando na apreciação do real... a mais agressiva foi a DTVM Matrix... com capital de R$ 14 milhões passou a ter uma carteira de R$ 500 milhões. Seu principal sócio era André Lara Resende“. (Pág. 197)

Em entrevista a Paulo Henrique Amorim, no site Conversa Afiada, Nassif reforça a acusação:

Nassif – (...) Nesse ambiente é que o André Lara Resende monta o banco Matrix especificamente para se aproveitar daquele momento...
Paulo Henrique – Dessa apreciação do Real...
Nassif - Dessa apreciação e, depois, passar o banco pra frente.
Paulo Henrique - Então, eu te pergunto: o que você está querendo dizer é que o André Lara Resende, que ajudou a formular essa conversão de URV para Real sabia que ia ter uma apreciação e abriu um banco para se beneficiar disso
Nassif - Isso.
Paulo Henrique – É isso?
Nassif - É.
Paulo Henrique - O André Lara Resende ...
Nassif - Acho que um pouco mais. Foi cometido um erro, um erro que não tem base na lógica do Plano Real e pessoas - o André foi o que mais se beneficia disso - que participaram da formulação do Plano se beneficiaram disso.
Paulo Henrique - Quer dizer, um erro que o André sabia de antemão que haveria?
Nassif - Isso.

Até o momento, Lara Resende não deu uma palavra sobre o assunto. Para ele, parece, o silêncio é de ouro.

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