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O inferno de Sarney e a alegria dos palhaços

Há um ditado que diz que a alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo. Nunca havia entendido este ditado. Até agora. Hoje quando vejo raposas lambuzadas de lama, zumbis renovados, porcos com a boca cheia de pérolas, todos com dedos lacerdistas pulando e acusando o ex-presidente Sarney das maiores e menores barbaridades – barbaridades essas que atingiriam todos eles, se fosse ligado um ventilador gigantesco sobre o cemitério de reputações do Senado; hoje, quando assisto a esse espetáculo deprimente, finalmente entendo o ditado: toda essa palhaçada é a alegria dos palhaços ao verem o circo pegar fogo, esquecendo-se de (ou querendo que esqueçamos) que fazem parte do circo.

Já os vejo todos os dias, nos corredores:

- Hoje tem marmelada?

- Tem, sim, senhor.

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Falta um convidado na festa ‘Delenda Renan’, a Mendes Júnior

A “grande imprensa” em festa aguarda a confirmação de sua condenação de Renan. Todos batem tambor, tocam viola, enquanto aguardam que os senadores, em votação secreta, cumpram a sentença que determinaram para o presidente do Senado.

Tudo começou com a acusação de que Renan tinha suas contas pagas por um funcionário da empreiteira Mendes Júnior.

De lá pra cá, muito água suja passou por debaixo da ponte, bois, cheques voadores e fantasmas assombraram a platéia, dúzias de laranjas foram chupadas até o bagaço, e a mídia não tem mais dúvida alguma de que Renan é um corrupto.

Só que não existe o corrupto sem o corruptor. Onde eles estão? Por que a “grande imprensa” não cobra seus nomes? Por que Suas Excelências, nobilíssimos senadores não investigaram de onde vieram os bois, o dinheiro para a rádio? Cadê o pessoal da Schinchariol, ou seja, cerveja, cadê?

Se, nas palavras de La Rochefoucauld, “a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”, o Brasil hoje está muito mais virtuoso. Na medida de toda essa grande hipocrisia.

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