GOLEADO PELO PALMEIRAS, HÁ SETE JOGOS SEM VENCER, FLUMINENSE MANDA ADVOGADOS PARA O AQUECIMENTO





Madame Flaubert, de Antonio Mello

CRISE?! QUE CRISE? NA AMÉRICA LATINA BANCOS LUCRAM CADA VEZ MAIS. BRASIL É CAMPEÃO, DISPARADO




Em meio à crise financeira que assola o Planeta, há uma ilha de prosperidade, que parece imune a tudo - ou melhor, parece lucrar ainda mais com a crise mundial: os bancos, em especial os da América Latina.

Los bancos a lo largo de América Latina parecen haber dado con la fórmula soñada por cualquier persona de negocios: ganar cada vez más dinero, aun en estos tiempos de vacas flacas.  

En México, las utilidades del sector bancario aumentaron casi 14% entre enero y junio de este año comparadas con la primera mitad de 2014, o sea, cinco veces más que la tasa de expansión del PIB local. 

Algo similar ocurre en otras naciones latinoamericanas cuyas economías se desaceleran. Los bancos de países como Colombia, Ecuador, Paraguay o Uruguay han reportado más beneficios en los primeros seis o siete meses de 2015 que en iguales períodos del año pasado. 

La regla se extiende hasta países que arrastran un estancamiento económico desde 2014 y donde los gobiernos alzan banderas de izquierda. Bancos de Argentina y Venezuela ocuparon los primeros 10 puestos de un ranking regional de retorno sobre capital, divulgado por la publicación especializada The Banker en noviembre.[Fonte: BBC]

Brasil é o campeão absoluto. O lucro dos quatro maiores bancos brasileiros aumentou 46% no primeiro semestre deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Mesmo com toda a crise, encolhimento do PIB, Lava Jato e escândalo da Petrobras.

Com as maiores taxas de juros do mundo, os bancos extraem o sangue dos incautos que caem nas suas teias de empréstimos e rolamento da dívida em cartões de crédito.

Ainda assim eles não parecem satisfeitos. Nas últimas eleições, executiva do Santander declarou que vitória de Dilma levaria país ao caos. Uma das sócias do Itaú apoiava a candidatura de Marina Silva.

A taxa anual de juros para cartão de crédito chegou a inacreditáveis 350,79% ao ano. O que me faz recordar a célebre provocação de Brecht: O que é o roubo de um banco comparado à fundação de um?



Madame Flaubert, de Antonio Mello

CHARLIE HEBDO SE EXPLICA SOBRE CHARGES COM IMAGENS DO MENINO MORTO




Numa entrevista a uma cadeia russa, a revista satírica francesa Charlie Hebdo disse que "seus desenhos não devem ser entendidos num sentido literal, mas pretendem levar à reflexão, já que denunciam os mesmos problemas que levaram a essa tragédia [a morte do menino refugiado Aylan Kurdi numa praia, imagem que correu o mundo]".

"A imagem trágica do pequeno Aylan se tornou um símbolo do sofrimento dos refugiados hoje", escreveu um representante da revista. 

Charlie Hebdo assegura que suas caricaturas denunciam o mesmo que todos os meios, "A falta de ação por parte da Europa, o tráfico humano organizado por contrabandistas e o inferno da existência dos refugiados".

"Temos de aprender a interpretar um desenho. Foi essa ignorância que levou à morte nossos amigos da redação em janeiro deste ano", lembra a revista, e observa que ela sempre apoiou "a igualdade e aos sem documentos" e lutou "contra o racismo e a discriminação". [Fonte: aqui]

Bom, as charges sobre o menino estão reproduzidas acima. A primeira diz: "A prova de que a Europa é cristã". "Os cristãos andam sobre as águas". "Crianças muçulmanas afundam". A segunda: "Tão próxima de seu objetivo", em alusão ao cartaz do McDonald. "Promoção! Dois lanches infantis pelo preço de um".

Qual sua opinião? Aceitou as explicações da revista?

Eu não.



Madame Flaubert, de Antonio Mello

GUERRA E RELIGIÃO NUMA ARMA CRIADA NOS EUA: CRUSADER, UM RIFLE COM CITAÇÕES BÍBLICAS E SÍMBOLOS CRISTÃOS





Só podia vir dos Estados Unidos, o Pai de Todas as Guerras, o mais novo lançamento do mercado, um rifle com citações bíblicas e símbolos cristãos, remetendo às Cruzadas. A explosiva mistura de armas e religião, agora ao alcance de qualquer maluco.

E, pelo visto, eles são muitos. O estoque do rifle foi consumido em 72 horas. Novas encomendas só serão atendidas em semanas.

O preço: US$1.395.

E você, também quer voltar à Idade Média? Aqui no Brasil também estamos cheios desses.

Fonte: BBC



Madame Flaubert, de Antonio Mello

CUNHA NÃO É SUJEITO. É INSTRUMENTO




Confira na imagem. Atenção também aos sinônimos, onde ele parece estar à vontade.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

JUSTIÇA DETERMINA QUE ITAÚ, SANTANDER E BRADESCO ACEITEM BOLETOS DE OUTROS BANCOS

Os bancos só querem mamar. Eles não querem praticar serviços que lhes deem trabalho, porque time is money.

O Procon-RJ vivia recebendo reclamações de cidadãos insatisfeitos com os três bancos, que simplesmente estavam se recusando a aceitar pagamento de boletos emitidos por outros.

Só que agora a Justiça determinou que pagamentos devem ser aceitos na boca do caixa até a sua data de vencimento. Os três estão sujeitos a multa diária de R$ 5 mil caso descumpram liminar.

O juiz titular da 1ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Paulo Assed Estefan, concedeu uma liminar em ação civil pública para que os bancos Santander, Itaú e Bradesco aceitem, no estado do Rio, o pagamento de boletos de qualquer banco na boca do caixa, de correntistas e não correntistas, sem qualquer distinção. Em caso de desobediência, as instituições estão sujeitas a uma multa diária de R$ 5 mil. A ação foi movida pelo Procon Estadual. [Fonte: aqui]


Madame Flaubert, de Antonio Mello

ALERTA PARA QUEM TEM ANDROID: CUIDADO. VÍRUS MUDA SENHA DO SEU PIN E BLOQUEIA O CELULAR

Ele se chama Lockerpin e invade seu computador usando uma falsa comunicação de atualização de seu Android.

Ao fazer a tal atualização, o malware assume o controle de seu celular com privilégios de administrador e modifica a senha PIN, impedindo seu acesso ao sistema.

[Fonte: BBC]


Madame Flaubert, de Antonio Mello

FURTADO E OS QUE FURTARAM, FURTAM E QUEREM CONTINUAR FURTANDO

Para reflexão, reproduzo texto do cineasta Jorge Furtado, publicado em seu Blog:

Dilma e a corrupção na Petrobras

Se for possível, esqueça por alguns minutos todos os adjetivos e piadinhas, toda indignação seletiva dos que governaram o país por décadas e o transformaram na sociedade mais desigual do planeta, todas as manchetes escandalosas, esqueça as frases de efeito dos jornalistas que garantem seus empregos pensando exatamente como o patrão manda, os comentários dos seus amigos e colegas ressentidos pela ascensão social dos mais pobres, esqueça por alguns segundos o nosso racismo, nossa centenária indiferença com os miseráveis, nossa cordial tolerância com as injustiças sociais, nossa cômoda aceitação da existência de uma multidão de pobres dispostos a fazer o trabalho pesado por salários irrisórios, deixe de lado nossa ancestral complacência com a corrupção - que começa com a carta de Pero Vaz de Caminha pedindo ao Rei um emprego para um parente e vem até ontem, quando você aceitou pagar menos por um serviço sem recibo ou ofereceu um troco (ou um milhão) para o fiscal não lhe multar -, esqueça tudo isso por um breve instante e pense nos fatos.

1. O golpe civil-militar de 1964, que jogou o Brasil numa ditadura cruel que durou 25 anos e foi planejado e executado (hoje todos sabem) pelo governo americano e segundo interesses das grande empresas americanas, foi apoiado por pessoas de bem como você, que acreditavam no que diziam os jornais da época (os mesmos de agora), e queriam combater a corrupção na Petrobras e impedir as práticas comunistas do governo eleito.

2. Em 1989, ano que marca a volta da democracia com eleições diretas para presidente, o jornalista Ricardo Boechat foi premiado por denunciar a corrupção na Petrobras.

3. Em 1995 o jornalista Paulo Francis denunciou a corrupção na Petrobras e, por isso, foi processado.

4. Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo brasileiro e criou o sistema de concessão, que favoreceu as grande petroleiras americanas. FHC também editou a Lei n° 9.478, que autorizou a Petrobras a se submeter ao regime de licitação simplificado, na prática permitindo que a empresa contratasse fornecedores sem fazer concorrências públicas. Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, esse foi o momento em que "o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa".

5. Segundo o depoimento dos delatores premiados da Lava Jato (Pedro Barusco e outros) e segundo a denúncia do Ministério Público, foi em 1997 que esta quadrilha (Paulo Roberto Costa, Youssef e turma) começou a roubar a Petrobras.

6. Durante o segundo mandato de FHC, o Ministro da Justiça - e, portanto, chefe da Polícia Federal - era Renan Calheiros (PMDB).

7. Em 2009, com a descoberta das gigantescas reservas do pré-sal, o governo Lula anunciou mudanças na lei de exploração do petróleo, favorecendo a Petrobras. As petroleiras americanas, Chevron, Shell, Exxon e a inglesa BP, ficaram de fora. Em telegramas revelados pelo Wikileaks e publicados pela Folha de SP, o candidato tucano José Serra garantiu aos representantes da Chevron que, se eleito, voltaria ao sistema anterior. Desde então Serra e o PSDB vem defendendo o modelo de concessão e os interesses americanos no petróleo brasileiro.

8. A quadrilha de Youssef e Paulo Roberto Costa começou a roubar em 1997, roubou a Petrobras durante o segundo mandato de FHC, durante todo o governo Lula e nos primeiros anos do governo Dilma. Entre os beneficiados com o esquema milionário estão empresários e políticos de todos os partidos, especialmente do PP e do PMDB, mas também do PT, do PSDB, do PSB e outros.

9. Em 2013 Dilma sancionou a lei 12.846 que definiu como corruptores tanto as pessoas físicas como as pessoas jurídicas. Graças a esta lei, pelo menos oito empresas tiveram executivos presos: Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, UTC, Engevix, Iesa, Queiroz Galvão e Mendes Júnior. A lei sancionada por Dilma pode render a condenação criminal dos sócios e executivos e pune as empresas com multas que variam de 0,1% a 20% sobre o seu faturamento. Foi com este temor que os milionários presos fizeram suas delações premiadas.

10. Dilma indicou e reconduziu ao cargo o Procurador Geral Rodrigo Janot, que investiga a corrupção na Petrobras e já indiciou muitas pessoas. (Bem diferente do que fazia o engavetador geral da república no governo FHC.)

11. A Polícia Federal, durante o governo Dilma, levou a cabo a Operação Lava Jato, que prendeu e desbaratou a quadrilha de Youssef e Eduardo Costa, que roubava a Petrobras desde o governo de FHC, atravessou o governo Lula roubando e bateu no poste no governo Dilma. Entre os investigados, com fortes indícios de terem recebido dinheiro sujo, estão Renan Calheiros (ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal de FHC) e Eduardo Cunha (PMDB), atual presidente da Câmara, com um longo histórico de envolvimento em falcatruas de toda espécie.

A corrupção na Petrobras é antiga, no Brasil é ancestral, e os ladrões de dinheiro público, de qualquer partido ou governo, devem ser severamente punidos e, isso é importante, devem devolver o dinheiro que roubaram aos cofres públicos, mas repassando esta lista de fatos, todos incontestáveis, você ainda acha que há algum sentido em pedir, com o pretexto de combater a corrupção na Petrobras, a saída de Dilma para entregar o governo a Renan Calheiros e a Eduardo Cunha?

Você não acha bem mais provável que, sob o pretexto de combater a corrupção, essa turma queira que a Dilma saia para atender interesses poderosos e voltar a roubar, como sempre fizeram?


Madame Flaubert, de Antonio Mello

O QUE O FILME 'QUE HORAS ELA VOLTA' TEM A ENSINAR A AÉCIO NEVES E À CLASSE MÉDIA GOLPISTA E RESSENTIDA




Aos 17 anos, "com direito a foto e tudo, Aécio foi parar nas páginas do FranklinNews-Record, pequeno jornal da região, que na edição de 24 de fevereiro de 1977 publicou uma pequena reportagem a seu respeito".

No frescor dos 17 anos, Aécio expressou várias observações sobre a vida social brasileira. Falando sobre a condição feminina no Brasil, Aécio disse, conforme o Franklin-News, que a vida das mulheres é fácil no Brasil. Segundo as palavras de Bob Bradis, Aécio lhe disse que as mulheres brasileiras não têm necessidade financeira de trabalhar, e podem passar a maior parte de seu tempo na praia ou fazendo compras. Era uma diferença importante em relação à sociedade norte-americana, onde, desde a Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres saiam de casa para trabalhar e dividir despesas com o marido. 

Falando da vida doméstica, Aécio disse: 'todo mundo tem uma empregada ou duas; uma para cozinhar, outra para limpar.' Falando de sua rotina dentro de casa, no Brasil, assinalou outra novidade: 'Eu nunca fiz minha própria cama.' [Fonte: Paulo Moreira Leite

Seria muito educativo para Aécio e seguidores se eles repetissem a experiência que viveu a blogueira brasileira Nina Lemos num cinema em Berlim, que ela narra em seu Blog "Berlim manda avisar":


“Val, me traz um copo de água”, por favor?
“Val, você pode colocar a mesa, por favor?”
“Val, você pode tirar a mesa, por favor?
Val, você pode trazer um sorvete para a gente?”
Esse tipo de pedido é repetido sem parar em “Que horas ela volta”, o filme gênio de Anna Muylaert estrelado com maestria por Regina Casé.
Val, por favor! Val é a empregada da casa, uma pessoa “praticamente da família”. Val é uma escrava.
A família de classe média alta brasileira, sentada na mesa, faz os pedidos, e Val vem e volta. Algumas vezes eles estão sentados na mesa da cozinha, ao lado da Val, mas pedem para ela: “você pode pegar água?” Ela abre a geladeira. Os membros da família, pai artista, mãe fashionista e filho adolescente gente boa, parecem incapazes. Eles não se movem. Eles não levantam a porra da bunda da cadeira. No meio do filme a vontade é entrar na tela e bater neles.
Estou em um cinema em Kreuzberg, Berlim, e eu sei que é assim na vida real no meu país. A plateia, formada por brasileiros e alemães, dá risos nervosos. Desconfio que os risos nervosos sejam mais de brasileiros como eu, que conhecem bem essa situação e sabem que a escravidão existe no Brasil de uma maneira sinistra. E de uma forma que a gente ainda não foi capaz de acabar.
Vez ou outra eu falo nervosa para o alemão: “é assim mesmo”.
Na saída, encontro uma amiga brasileira, também acompanhada de namorado europeu e ela me diz: “deu um pouco de vergonha”. Concordamos que a vergonha é total.
No café, eu explico para ele. “É assim, não, não na minha família, não com os meus amigos, mas sim, eu conheço gente assim.” “Eu sei, se você está dizendo eu acredito. Mas quem na Europa vai acreditar que essa situação é real? Acho que vão pensar que a diretora é genial, mas que criou uma historia surrealista muito boa, não que isso seja real. Porque isso é muito bizarro. Isso é inconcebível.” [leia postagem completa aqui]
O movimento Coxinha, que reclama do aumento de "gente diferenciada" em shoppings, aeroportos; que reclama de programas sociais, de inclusão de renda e cidadania; e quer derrubar o governo na expectativa de que "essa gente" volte para a senzala e a Casa Grande reassuma o país; o movimento Coxinha deveria assistir ao filme no exterior, levando com ele seu chefe e representante legítimo (embora quase sempre ausente), Aécio Neves, um playboy que governava Minas do Leblon, que eleito senador recebeu nota zero em frequência e desempenho.


Madame Flaubert, de Antonio Mello

FHC INSPIROU PF A CONVOCAR LULA A DEPOR SOBRE CORRUPÇÃO NA PETROBRAS


Trecho do relatório da PF


Há pouco mais de um mês, o ex-presidente FHC deu uma entrevista à revista alemã Capital. Nela, FHC diz que a corrupção começou em 2004 com Lula, "no escândalo do mensalão".

Questionado se Lula estaria envolvido, FHC responde: "Não sei em que medida. Politicamente responsável ele é com certeza. Os escândalos começaram no governo dele".
O ex-presidente, uma das principais lideranças do PSDB, afirma que era impossível que Lula não soubesse do mensalão. "Para colocá-lo atrás das grades, é necessário haver algo muito concreto. Talvez ele tenha que depor como testemunha. Isso já seria suficientemente desmoralizante", comenta. [Confira aqui]

Não pode ser simples coincidência que um delegado da PF tenha saído agora com um pedido estapafúrdio de autorização ao STF para interrogar Lula.

Sem base alguma para o pedido (a não ser talvez a mesma "intuição" interessada de FHC), o delegado "em seu relatório cita Lula como suspeito de ter se beneficiado do esquema de corrupção da Petrobras para obter vantagens pessoais, para o governo e para o PT. Porém, o delegado pondera que, no entanto, não há provas que mostrem que Lula participou diretamente do esquema de corrupção" [Fonte: Exame].

É fácil imaginar o festival que vai alvoroçar a mídia golpista, caso o STF dê a autorização para o interrogatório.

Não é necessário que aconteça nada, nenhuma declaração ou revelação bombástica. As manchetes e reportagens de jornais, rádios e TVs vão fazer o possível e o impossível para deixar no ar que tudo começou com Lula (como disse FHC).

Apenas isso "já seria suficientemente desmoralizante" (como quer, e declarou, FHC).

Simples coincidência? 


Madame Flaubert, de Antonio Mello

DILMA PUBLICA ARTIGO NA FOLHA. EM SEGUIDA, FOLHA A HUMILHA E A SEUS 54 MILHÕES DE ELEITORES EM EDITORIAL NA 1ª PÁGINA



Semana passada, a presidenta resolveu publicar um artigo exclusivo na Folha. Aquele jornal que publicou uma ficha falsa de Dilma em plena campanha. Aquele jornal que teria emprestado veículos para a ditadura transportar presos. Aquele jornal que demitiu uma jornalista por abandono de emprego sabendo-a presa pela ditadura. Aquele jornal que chamou a ditadura de ditabranda.

Bom, também é o jornal que a presidenta elogiou, logo depois de eleita. E que também foi super elogiado pelo ministro Mercadante, principal conselheiro de Dilma.

A Folha não perdeu a oportunidade. Amparada pela credibilidade que a publicação do artigo de Dilma lhe emprestou, partiu para o ataque. Publicou em sua primeira página de domingo (dia de maior circulação do jornal) um ultimato dirigido à presidenta, com sugestivo título "Última chance".

Nele, o jornal passa um sabão, um carão, dá um esporro na presidenta, como quem lida autoritariamente com alguém que lhe é subalterno.

A seguir, trechos que destaquei do editorial:

Às voltas com uma gravíssima crise político-econômica, que ajudou a criar e a que tem respondido de forma errática e descoordenada; vivendo a corrosão vertiginosa de seu apoio popular e parlamentar, a que se soma o desmantelamento ético do PT e dos partidos que lhe prestaram apoio, a administração Dilma Rousseff está por um fio.

A presidente abusou do direito de errar. Em menos de dez meses de segundo mandato, perdeu a credibilidade e esgotou as reservas de paciência que a sociedade lhe tinha a conferir. Precisa, agora, demonstrar que ainda tem capacidade política de apresentar rumos para o país no tempo que lhe resta de governo.


(...) Medidas extremas precisam ser tomadas. Impõe-se que a presidente as leve quanto antes ao Congresso...
(...) Cortes nos gastos terão de ser feitos com radicalidade sem precedentes...

(...) A contenção de despesas deve se concentrar em benefícios perdulários da Previdência, cujas regras estão em descompasso não só com a conjuntura mas também com a evolução demográfica nacional. Deve mirar ainda subsídios a setores específicos da economia e desembolsos para parte dos programas sociais.

As circunstâncias dramáticas também demandam uma desobrigação parcial e temporária de gastos compulsórios em saúde e educação, que se acompanharia de criteriosa revisão desses dispêndios no futuro.


(...) Embora drásticas, tais medidas serão insuficientes para tapar o rombo orçamentário cavado pela inépcia presidencial... 

(...) O país, contudo, não tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo.

A bronca da Folha - um jornal sem credibilidade alguma atualmente - atinge também os milhões de eleitores de Dilma, que não se veem representados pela reverência governamental à Folha, não votaram na política econômica de Levy Mãos de Tesoura, na inação Hardy Haha de Cardozzzzo, nem no mercador de confusão Mercadante.

Aliás, a presidenta teria uma reunião de emergência com o trio no sábado. Será que o editorial da Folha foi escrito após vazamento seletivo (provavelmente pelo bigodudo falastrão) das decisões do encontro para o Frias, o que o encorajou a publicar o ultimato?



Madame Flaubert, de Antonio Mello