Feliz Ano Novo e a Postagem do Ano do Blog do Mello

Desejo a todos os amigos assinantes, aos leitores assíduos e aos eventuais um Feliz 2011.

Também para os companheiros blogueiros do Barão de Itararé, do #RioBlogPro, e Leandro Fortes, Miro, meu xará DoLadoDeLá, Rodrigo Escrevinhador, Azenha, Eduardo Cidadania, Monsieur Cloaca, ao clandestino Stanley, ao grande companheiro Rovai e às queridíssimas Frô e Conceição Lemes (Conceiçãããããããooooo, eu me Lemes muito beeem....), e também a todos os que certamente esqueci (último dia do ano, HD cheio, pouca RAM muito a-hã), um Feliz 2011, porque vem mais batalha pela frente: Ano Novo, velhas lutas.

Também um Feliz 2011 aos amigos Gadelha, do Blog do Gadelha,  Wilson Nunes, ao Gustavíssimo, do Dubito ergo sum, e ao Rômulo, pelo reencontro no Facebook.

Agora, a postagem que escolhi como a mais importante deste Blog em 2010, que vai a seguir e é autoexplicável:

Postagem de 31 de outubro de 2010, votação do segundo turno.

Pela primeira vez desde 1989 não votei no 13 para presidente

E olha que seria meu décimo voto no 13.

Dessa vez não deu. Mas a causa foi justa. Levei minha filha de nove anos, que estava animadíssima para votar na Dilma, e deixei que ela digitasse 1, 3, confirma.

Meu voto foi o dela, para que pudéssemos ajudar a eleger pela primeira vez uma mulher presidente do Brasil. E colocar no dicionário a palavra "presidenta".

Lá na frente, ela vai poder contar isso para filhos e netos (se os tiver, se for opção dela), mas certamente vai guardar na lembrança esse momento único. Como já está guardado para sempre comigo - e com você que me lê e com quem compartilho.

Só lamento que ela seja tão rápida que não me tenha dado a oportunidade de registrar o voto. Olha que pedi a ela que digitasse os números e, quando fosse apertar o botão Confirma, esperasse para que eu batesse a foto com o celular.

Mas ela - ah, as mulheres... - foi mais rápida, e o que cliquei foi isso, esse registro fora de foco das mãozinhas dela junto ao teclado, após o voto.




Mas fica meu depoimento.

E o voto dela.

O resto é história.

Espero por vocês aqui no ano que vem, sexto aniversário do Blog do Mello.

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Antes da posse de nossa presidenta, uma lembrança daqueles anos: Taiguara

Estou escrevendo um texto sobre as perspectivas que se abrem com o governo de nossa presidenta eleita e daqui a pouco empossada, Dilma Rousseff. Mas a todo momento me vem à cabeça uma música de Taiguara.

Muita gente hoje não sabe quem é, nem de ouvir falar, Taiguara. Vou reproduzir o resumão do Wikipédia para situá-los. E postar a seguir um vídeo com uma música que não para de tocar em mim, enquanto penso na posse de Dilma, "Universo do teu corpo".

Taiguara Chalar da Silva (Montevidéu, 9 de outubro de 1945 - São Paulo, 14 de fevereiro de 1996) foi um cantor e compositor Brasileiro, embora nascido no Uruguai durante uma temporada de shows de seu pai, o Bandoneonista e Maestro Ubirajara Silva.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949 e para São Paulo, posteriormente, em 1960. Largou a faculdade de Direito para se dedicar à música. Participou de vários festivais e programas da TV. Fez bastante sucesso nas décadas de 60 e 70. Autor de vários clássicos da MPB, como Hoje, Universo do teu corpo, Piano e viola, Amanda, Tributo a Jacob do Bandolim, Viagem, Berço de Marcela, Teu sonho não acabou, Geração 70 e "Que as Crianças Cantem Livres"; entre outros.

Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi um dos compositores mais censurados na historia da MPB, tendo cerca de 100 canções vetadas. Os problemas com a censura eventualmente levaram Taiguara a se auto-exilar na Inglaterra em meados de 1973. Em Londres, estudou no Guildhall School of Music and Drama e gravou o Let the Children Hear the Music, que nunca chegou ao mercado, tornando-se o primeiro disco estrangeiro de um brasileiro censurado no Brasil.

Em 1975, voltou ao Brasil e gravou o Imyra, Tayra, Ipy - Taiguara com Hermeto Paschoal, participação de músicos como Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Novelli, Zé Eduardo Nazário, Ubirajara Silva e uma orquestra sinfônica de 80 músicos. O espetáculo de lançamento do disco foi cancelado e todas as cópias foram recolhidas pela ditadura militar em poucos dias. Em seguida, Taiguara partiu para um segundo auto-exílio que o levaria à África e à Europa por vários anos.

Quando finalmente voltou a cantar no Brasil, em meados dos anos 80, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos, muito embora suas músicas de maior êxito tenham continuado a serem relembradas em flashbacks das rádios AM e FM.

Faleceu em 1996 devido a um persistente câncer na bexiga.




(Re)Descubram Taiguara. Vale a pena.

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Blog do Alê mostra que é falso documento publicado pelo Estadão com acusação contra ministro Alexandre Padilha

O ministro já havia declarado que não havia assinado o tal "documento", em que, segundo o Estadão, o ministro teria permitido que um instituto "que só existe no papel viabilizar convênios de R$ 3,1 milhões, sem licitação, com Ministério do Turismo".

O ministro pediu uma investigação da Polícia Federal.

Mas o Alê foi mais rápido e, em seu blog, com um arquivo PDF do documento original, demonstrou que a pessoa que montou o documento "teve a imperícia de gerar o PDF com duas diferentes fontes, com as quais montou a declaração falsa".

Nas imagens abaixo [que estão no Blog dele no link a seguir], fica claro que além de ser possível selecionar a assinatura como um objeto independente (imagem 2), ela apresenta, ao contrário do texto, "serrilhas" demonstrando que se trata de um bitmap; já o texto é um arquivo vetorial (sem serrilha). Outro detalhe importante é que a assinatura está debaixo do texto.

Vá até o Blog do Alê e confira tudo.

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Analista da Fox News prega no ar assassinato de Assange, do Wikileaks: 'Illegally shoot the son of a bitch'

O gordinho aí do lado é Bob Beckel, analista da Fox News. Na última segunda-feira, participando no canal Fox Business do programa "Follow The Money", ele defendeu o assassinato do fundador do Wikileaks Julian Assange.

"A dead man can't leak stuff," Beckel said. "This guy's a traitor, he's treasonous, and he has broken every law of the United States. And I'm not for the death penalty, so...there's only one way to do it: illegally shoot the son of a bitch." [Fonte: The Huffington Post]

E os outros participantes do programa concordaram com ele. Veja a vídeo:



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WikiLeaks mostrou ao mundo helicóptero americano assassinando civis no Iraque

As imagens são fortes. Mas para os pilotos parece apenas mais um videogame. Por isso eu separei em dois vídeos: o primeiro, editado por mim. O segundo, mais completo, onde se vê crianças sendo metralhadas pelo helicóptero americano Apache, em 2007, Bagdá, Iraque.

O vídeo foi divulgado pelo WikiLeaks em abril deste ano, e horrorizou o mundo. Por isso Assange está sendo perseguido e acusado de estupro, quando na verdade praticou sexo consensual com duas mulheres, em menos de 10 dias, sem o uso de preservativo. Na Suécia. Lá, ambas as coisas são proibidas: sexo sem preservativo e com duas mulheres diferentes em prazo inferior a 10 dias. Para o governo dos USA e a mídia porcorativa mundial virou estupro. O que seria então o assassinato dessas pessoas?

Vídeo 1:


Vídeo 2:



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16 anos sem Tom. Águas de Março, minha música preferida

Tom com Elis Regina. A melhor cantora com a melhor música de todos os tempos, que casa com perfeição música e letra, ambas do genial Tom Jobim, morto em 8 de dezembro de 1994.



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Junior do AfroReggae: 'Não aconteceu [ataque do tráfico nas eleições], porque nós mediamos para não acontecer no primeiro turno'

Numa entrevista ao jornal português Público, o coordenador do AfroReggae José Júnior disse que os ataques que apavoraram o Rio logo após as eleições não aconteceram antes porque foi feito um acordo com os traficantes.

E porque não fizeram os ataques na campanha eleitoral? Não seria mais eficaz como protesto?
Rolaram algumas mediações para que isso não acontecesse.

Com o Governo?

Não. Mediações com pessoas para evitar os ataques. Por isso é que não aconteceu. [Pausa] Vou-te falar verdade: não aconteceu, porque nós mediámos para não acontecer no primeiro turno. Não foi a pedido do Governo, não. Fizemos isso porque quisemos. A gente sabia, e entrou no circuito para não acontecer.

Então você mediou...

Nós. Do AfroReggae. Não sou eu.

Ok, um grupo. Liderado por você, presumo?

Mas o Rogério [Menezes] participou também. Outras pessoas participaram. Inclusive a informação [de que poderia haver ataques em preparação] chegou para o Rogério e o Rogério falou para mim. Não estou falando isso porque sou generoso, mas porque é verdade.

A iniciativa partiu de quem?

De nós.

E foi feita com quem?

Ah, não vou-te falar.

Com o Complexo do Alemão, com a Penha?

Também não vou-te falar. Você tem suas fontes, eu tenho as minhas, se eu te revelar minhas fontes, elas podem morrer. E as fontes são desde traficantes a pessoas que não têm nada a ver com o crime e sabem o que está acontecendo. Fizemos essa mediação para que não acontecesse no primeiro turno. Tinha outro período em que eles queriam fazer também [ataques], no início do ano. Tinha várias situações.

Nós trabalhamos nos presídios [onde estão muitos traficantes, e de onde partem ordens de ataques]. O AfroReaggae tem 75 projectos. Trabalha em Bangu II, Bangu III, Bangu IV, Bangu VI, Talavera Bruce [nomes de cadeias]. Então, fazemos trabalho em diversos presídios, diversas favelas e diversas facções do narcotráfico. Temos um projecto que encaminha ex-presidiários e ex-traficantes para trabalhar em empresas privadas, inclusive tem uma pessoa que foi de cada facção trabalhando aqui, encaminhando. Tem ex-traficante do Terceiro Comando, do ADA [Amigos dos Amigos], do Comando Vermelho, e essa semana agora começa a trabalhar um cara que foi da milícia. Era PM [Polícia Militar], foi preso, voltou para a milícia e saiu da milícia. Começa essa semana a trabalhar.

Perguntas que não querem calar:

- Por que o AfroReggae fez um arrego com os traficantes para que não ocorressem ataques no primeiro turno das eleições?

- Que outros acordos são feitos e com que interesses?

- Qual o interesse do AfroReggae em proteger o governo do estado, cujo governador, candidato à reeleição, seria o principal atingido com a onda de ataques?

Vocês coloquem outras. Só sei que, a partir dessa entrevista, todas as opções ficam em aberto e já não se pode descartar a hipótese de que o mesmo José Júnior tenha subido ao Alemão, não para tentar uma rendição, conforme alegou, mas para avisar aos traficantes que eles teriam até o final do ultimato para caírem fora sem serem incomodados.

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Hackers tiram do ar site da Mastercad, em protesto contra perseguição ao Wikileaks

Depois de tirarem do ar página do PostFinance, banco suiço que ficou com o e1 mil euros de Assange, fundador do Wikileaks, hackers tiraram do ar site do Mastercad. É que Visa e Mastercad proibiram transferências para o Wikileaks:

A MasterCard e a Visa decidiram proibir as transferências para o WikiLeaks. Charles Arthur, editor de tecnologia do jornal The Guardian, faz notar que podemos continuar a usar esses cartões para doar dinheiro a organizações racistas como o Knights Party, que é apoiado pelo Ku Klux Klan. O site do Ku Klux Klan redirecciona os visitantes para outro site chamado Christian Concepts. Aqui são aceites donativos de visitantes que declarem serem “brancos e não descendentes de raças misturadas. Não sou casado com um não-branco. Não namoro com não-brancos e não tenho não-brancos dependendo de mim. Creio nos ideais da civilização cristã ocidental e professo a minha fé em Jesus Cristo como filho de Deus.” (The Guardian). [Fonte: Passa Palavra]

Veja notícia aqui (em inglês) e a seguir imagem da página do Mastercard fora do ar.


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'Acabar com a pobreza absoluta no Brasil... Esse é meu maior desafio' - presidenta eleita, Dilma Rousseff

Íntregra da entrevista da presidenta eleita, Dilma Rousseff, ao Washington Post.

Tradução de Paula Marcondes e Josi Paz, revisão de Idelber Avelar. Fonte: O Biscoito Fino e a Massa.

Ter sido uma presa política lhe dá mais empatia com outros presos políticos?
Sem dúvida. Por ter experimentado a condição de presa política, tenho um compromisso histórico com todos aqueles que foram ou são prisioneiros somente por expressarem suas visões, sua opinião pública, suas próprias opiniões.

Então, isso afetará sua política em relação ao Irã, por exemplo? Por que o Brasil apóia um país que permite o apedrejamento de pessoas, que prende jornalistas?
Acredito que é necessário fazermos uma diferenciação no [que queremos dizer quando nos referimos ao Irã]. Eu considero [importante] a estratégia de construir a paz no Oriente Médio. O que vemos no Oriente Médio é a falência de uma política – de uma política de guerra. Estamos falando do Afeganistão e do desastre que foi a invasão ao Iraque. Não conseguimos construir a paz, nem resolver os problemas do Iraque. Hoje, o Iraque está em guerra civil. Todos os dias, morrem soldados dos dois lados. Tentar trazer a paz e não entrar em guerra é o melhor caminho.

[Mas] eu não endosso o apedrejamento. Eu não concordo com práticas que possuem características medievais [quando se trata de] mulheres. Não há nuances; não faço concessões nesse assunto.

O Brasil se absteve em votar na recente resolução sobre os direitos humanos na ONU.
Eu não sou Presidente do Brasil [hoje], mas eu me sentiria desconfortável, como mulher eleita Presidente, não dizendo nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir o cargo. Eu não concordo com a forma que o Brasil votou. Não é minha posição.

Muitos norte-americanos sentiram empatia pelo povo iraquiano que se rebelou nas ruas. Por isso me pergunto se sua posição sobre o Irã seria diferente de seu atual Presidente, que possui boa relação com o regime iraquiano.
O Presidente Lula tem seu próprio histórico. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre apoiou a construção da paz.

Como a Sra. vê a relação do Brasil com os EUA? Como gostaria de vê-la evoluir?
Considero a relação com os EUA muito importante para o Brasil. Tentarei estreitar os laços. Eu admirei muito a eleição do Presidente Obama. Acredito que os EUA revelaram uma grande capacidade de mostrar que são uma grande nação, e isso surpreendeu o mundo. Pode ser muito difícil ser capaz de eleger um Presidente negro nos os EUA - como era muito difícil eleger uma mulher Presidente do Brasil.

Eu acredito que os EUA têm uma grande contribuição a dar ao mundo. E, acima de tudo, acredito que o Brasil e os EUA têm um papel a cumprir juntos no mundo. Por exemplo, temos um grande potencial para trabalhar juntos na África, porque na África podemos construir uma parceria para disponibilizar tecnologias agrícolas, produção de biocombustíveis e ajuda humanitária em todos os campos.

Também acredito que, neste momento de grande instabilidade por causa da crise global, é fundamental que encontremos formas que garantam a recuperação das economias dos países desenvolvidos, porque isso é fundamental para a estabilidade do mundo. Nenhum de nós no Brasil ficará confortável se os EUA mantiverem altos índices de desemprego. A recuperação dos EUA é importante para o Brasil porque os EUA têm um mercado consumidor fantástico. Hoje, o maior superávit comercial dos EUA é com o Brasil.

A Sra. culpa o afrouxamento monetário [quantitative easing] por isso?
O afrouxamento monetário é um fato que nos preocupa muito porque significa uma política de desvalorização do dólar que tem efeitos sobre o nosso comércio exterior e também na desvalorização da nossas reservas de divisas que são em dólares. Para nós, uma política de dólar fraco não é compatível com o papel que os EUA têm, já que a moeda dos EUA serve como reserva internacional. E uma política sistemática de desvalorização do dólar pode provocar reações de protecionismo, que nunca é uma boa política a ser seguida.

Quando a Sra. planeja visitar os EUA? Sei que foi convidada para antes de sua posse, em 1º de janeiro, mas não podia ir.
Eu não estou aceitando os convites que recebo. Não estou visitando países estrangeiros. Tenho que montar o meu governo. Tenho 37 ministros para nomear. Estou planejando visitar o Presidente Barack Obama nos primeiros dias após minha posse, se ele me receber.

Então a Sra. convidará o Presidente Obama para vir ao Brasil?
Nós já o convidamos informalmente, durante a reunião do G-20.

Há preocupações na comunidade empresarial dos EUA sobre se o Brasil continuará o caminho econômico definido pelo Presidente Lula.
Não há dúvida sobre isso. Por quê? Porque para nós foi uma grande conquista do nosso país. Não é uma conquista de uma única administração - é uma conquista do Estado brasileiro, do povo de nosso país. O fato de que conseguimos controlar a inflação, ter um regime de câmbio flexível e ter a consolidação fiscal de forme que, hoje, estamos entre os países com a menor relação dívida / PIB do mundo. Além disso, temos um déficit não muito significativo. Não quero me gabar, mas temos um déficit de 2,2 por cento. Pretendemos, nos próximos quatro anos, reduzir a proporção dívida / PIB para garantir essa estabilidade inflacionária.

A Sra. disse publicamente que gostaria de ver as taxas de juro caírem. A Sra. irá cortar o orçamento ou reduzir o aumento anual de gastos do governo?
Não há como cortar as taxas de juros a menos que você reduza seu déficit fiscal. Somos muito cautelosos. Temos um objetivo em mente: que as nossas taxas de juros sejam convergentes com as taxas de juros internacionais. Para conseguir chegar lá, um dos pontos mais importantes é a redução da dívida pública. Outra questão importante é melhorar a competitividade de nossos setores agrícola e de manufatura. Também é muito importante que o Brasil racionalize seu sistema fiscal.

Se a Sra. quer baixar as taxas de juros, a Sra. tem que cortar os gastos ou aumentar a economia doméstica.
Você não pode se esquecer do crescimento econômico. Você tem que combinar muitas coisas.

Qual é seu plano?
Meu plano é continuar a trajetória que seguimos até aqui. Conseguimos reduzir nossa dívida de 60% para 42%. Nosso objetivo é atingir 30% do PIB. Eu preciso racionalizar os meus gastos e, ao mesmo tempo, ter um aumento do PIB, que leve o país adiante.

Então o que a Sra. quer dizer com “racionalizar gastos”?
Não estamos em uma recessão aqui. Nós não temos que cortar os gastos do governo. Nós vamos cortar despesas, mas vamos continuar a crescer.

Estamos seguindo um caminho muito especial. Este é um momento no qual o país está crescendo. Temos estabilidade macroeconômica e, ao mesmo tempo, muito orgulho do fato de que conseguimos reduzir a extrema pobreza no Brasil.

Trouxemos 36 milhões de pessoas para a classe média. Tiramos 28 milhões da pobreza extrema. Como conseguimos isso? Políticas de transferência de renda. O Bolsa Família é um dos maiores exemplos.

Explique como funciona o Bolsa Família.
Pagamos um estipêndio, que é uma renda para os pobres. Eles recebem um cartão e sacam o dinheiro, mas têm duas obrigações a cumprir: colocar seus filhos na escola e provar que eles comparecem a 80% das aulas. Ao mesmo tempo, as crianças também devem receber todas as vacinas e passar por uma avaliação médica quando recebem as vacinas. Esse foi um fator, mas não foi o único.

Criamos 15 milhões de novos empregos durante a administração do Presidente Lula. Este ano, já criamos 2 milhões de novos empregos.

A Sra. é tão próxima do Presidente Lula. Será mesmo diferente ou apenas uma continuação da administração dele?
Eu acredito que minha administração será diferente da do Presidente Lula. O governo do Presidente Lula, do qual fiz parte, construiu uma base a partir da qual vou avançar. Não vou repetir a administração dele porque a situação no país hoje é muito melhor do que era em 2002.

Eu tenho os programas governamentais em andamento, que ajudei a desenvolver, como o chamado Minha Casa, Minha Vida, que é um programa de habitação.

Meus desafios são outros. Vou ter que solucionar questões como a qualidade da saúde pública no Brasil. Vou ter que criar soluções para problemas de segurança pública.

O Brasil passou por mais de 30 anos sem investir em infra-estrutura em uma quantidade suficiente. O governo do Presidente Lula começou a mudar isso. Eu tenho que resolver as questões rodoviárias no Brasil, as ferrovias, as estradas, os portos e os aeroportos.

Mas há uma boa notícia: descobrimos petróleo em águas profundas.

A Sra. está sugerindo que essa descoberta irá financiar a infra-estrutura?
Criamos um Fundo Social [no qual] alguns dos recursos do governo oriundos da descoberta do petróleo serão investidos em educação, saúde, ciência e tecnologia.

A Sra. tem que preparar o pais para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas.
Sim, mas eu também tenho outro compromisso, que é acabar com a pobreza absoluta no Brasil. Nós ainda temos 14 milhões na pobreza. Esse é meu maior desafio.

Todos os empresários que conheci em São Paulo disseram que precisam estar muito preparados para as reuniões com a Sra., porque a Sra. está muito familiarizada com a maioria dos projetos.
Sim, é verdade. Eu acho que é uma característica feminina. Nós apreciamos os detalhes. Eles, não.

O que significa, para a Sra., ser a primeira mulher Presidente do Brasil?
Até eu acho incrível.

Quando a Sra. decidiu que queria ser Presidente?
Foi um processo. Não há uma data. Comecei a trabalhar com o Presidente Lula e ele começou a dar algumas dicas sobre eu vir a ser indicada à presidência, mas ele não foi claro no começo. Foi uma grande honra para mim, mas eu não estava esperando.

A partir do momento que ficou claro para mim que eu seria indicada, dois anos atrás, eu sabia que tínhamos criado as condições adequadas para tornar possível a vitória nas eleições. O Presidente Lula teve uma excelente administração e o povo brasileiro reconheceu e admitiu isso. Somos uma administração diferente - nós ouvimos o povo.

A Sra. recentemente lutou contra o câncer.
Sim, mas acredito que consegui lidar bem com isso. As pessoas têm que saber que o câncer pode ser curado. Quanto mais cedo você descobre, melhores suas possibilidades de cura. É por isso que a prevenção é importante. . . .

Acredito que o Brasil estava preparado para eleger uma mulher. Por quê? Porque as mulheres brasileiras conquistaram isso. Eu não cheguei aqui sozinha, só pelos meus méritos. Somos a maioria neste país.

PS: Original em inglês aqui.

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PHA também está deslumbrado com a penetração dos homens de farda no Alemão

É só o que eu posso pensar da postagem em seu blog em que ele afirma que O PiG (*) tem razão: a ocupação do Alemão é uma derrota.

O PIG está satisfeitíssimo com a "máscula" ocupação, tanques, homens de preto, capitãesnascimento, principalmente com "a tropa na rua".

A Sky, que PHA cita na postagem, está faturando com o fim da gatonet (cobrando R$ 49,90 de quem antes pagava R$ 30), e a Globo é sócia da Sky.

O engraçadinho Marcelo Tass também parece compartilhar da felicidade do PIG e de PHA, tanto que defendeu em seu twitter o seguinte:


Mas se PHA estiver errado com sua empolgação, não será a primeira vez. Conforme já publiquei aqui, em 2007, no mesmíssimo Alemão, PHA combinou com o governador Cabral, o secretário Beltrame e a irmã do jornalista Tim Lopes um encontro para um ano depois, em que tomariam uma cerveja no Alemão pacificado. Como vimos pela recente ocupação, estava errado. Confira no vídeo ao final.

Por isso não entendo o entusiasmo de PHA. Torcer a favor, também torço. Mas não distorço.

O PIG só não está mais satisfeito, porque a ocupação foi apenas no Alemão e em 13 UPPs, nas quase mil favelas do Rio. Não está mais safisfeito porque o desejo de Tass ainda não virou realidade. A "tropa na rua", Polícias civil e militar, Exército, Marinha, Aeronáutica limpando a área.



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Governador Cabral, leia entrevista de Gilberto Carvalho: 'Ninguém engana a Dilma nem põe faca no pescoço dela'

Gilberto Carvalho foi chefe de gabinete do presidente Lula durante os dois mandatos. Agora vai ser ministro da Secretaria-Geral da Presidência no governo da presidenta Dilma Rousseff. Ele sabe das coisas.

Numa entrevista ao Estadão, Carvalho falou de sua experiência no governo Lula e de suas expectativas em relação ao novo governo. E mandou um recado, que parece direcionado ao governador do Rio, Sergio Cabral.

G. Carvalho: Quero dizer que não convém nunca subestimar a Dilma. Quem o fez quebrou a cara na campanha eleitoral. Ela mostra uma capacidade de aprendizado e de habilidade política surpreendentes. Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela porque aí a reação é mais dura. Ela não será refém. Aliás, é fundamental que ela tenha essa ligação fortíssima com os movimentos sociais, que pode funcionar como contraponto a esse tipo de pressão.

Mas na montagem do novo governo já houve um curto-circuito, quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou o ministro da Saúde e teve de recuar, depois de uma rebelião no PMDB...

G. Carvalho: E você viu qual foi a atitude dela, não é? A Dilma tem essa vantagem, é muito transparente. É natural que haja tensões. Agora, se fosse atender a todas as demandas, teríamos de ter uns 60 ministérios...

Além desse fato recente, houve outro. Durante a fase da pré-campanha eleitoral Cabral foi no mínimo deselegante com a então pré-candidata Dilma, quando disse que nem a mulher dele votaria nela, caso Dilma tivesse dois palanques no Rio.

Portanto, é bom o governador ler com atenção a entrevista para que a parceria entre o governo do estado e o Palácio do Planalto continue a trazer bons frutos para o Rio.

Íntegra da entrevista de Gilberto Carvalho ao Estadão:

Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Testemunha privilegiada dos bastidores do Palácio do Planalto, o ex-seminarista Gilberto Carvalho sempre atuou longe dos holofotes, como chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há quatro dias, Dilma Rousseff deu-lhe uma ordem sem direito a réplica: "Gilbertinho, passe um Gumex no cabelo e ponha um terno bem bonitinho porque vou anunciá-lo na sexta-feira como ministro da Secretaria-Geral da Presidência."

As horas se passavam e nada de anúncio. Até que, muito tempo depois de ter lido um salmo do Evangelho de Cada Dia - prática adotada desde 2003, antes de iniciar o expediente -, Carvalho telefonou para a presidente eleita. "Você me deve um vidro de Gumex", cobrou ele, rindo. Foi quando Dilma leu para o futuro ministro a nota, que acabara de ser redigida, oficializando sua indicação. "Eu tardo, mas não falho", disse ela.

Na noite de sexta, Carvalho recebeu o Estado em seu gabinete no Planalto, decorado com fotos de seus cinco filhos - dos quais duas meninas adotivas - e imagens de São Francisco e do Espírito Santo. O homem que será ouvidor dos movimentos sociais ficou com os olhos marejados ao falar do apoio dado a ele por Lula quando teve de depor na CPI dos Bingos, em 2005, e garantiu que Dilma não será refém de partidos.

Diante das cotoveladas entre o PT, o PMDB e outros aliados por cargos no primeiro escalão, Carvalho pediu que todos mantenham a calma. "Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa", avisou. "A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela."

A Secretaria-Geral da Presidência vai mudar de perfil no governo Dilma?

Até se pensou nisso, mas a conclusão foi a de que a secretaria deveria permanecer com a mesma natureza, que é o trabalho de articulação e diálogo com os movimentos sociais no seu amplo espectro. Aí estão incluídos os movimentos sindicais, movimento popular, ONGs, igrejas...

O presidente Lula sempre diz que os movimentos sociais salvaram o governo dele. Por quê?

Ele se refere à questão de 2005, quando houve aquela ameaça de impeachment. Uma vez ele falou para mim: "Esses caras falam de impeachment porque não sabem da minha relação com o povo." Mas eu diria que os movimentos salvaram o governo em outro aspecto também. Esse diálogo, que em geral é tenso, permitiu a Lula ter novos projetos, como o ProUni.

É justa a reivindicação de salário mínimo de R$ 580?

É papel das centrais sindicais reivindicar, tensionar com o governo. Eu diria que justo seria um salário mínimo talvez de R$ 1, 5 mil, do ponto de vista de uma vida digna e decente para todos os brasileiros. O governo, por seu turno, tem de ver o que pode fazer sem irresponsabilidade. Temos um acordo com as centrais de um reajuste permanente do mínimo. Não adianta dar aumento muito acima e no ano seguinte ter de recuar porque isso pode provocar crise na economia, nas prefeituras.

O sr. é um dos últimos sobreviventes do núcleo duro do governo Lula. Como é o presidente na intimidade?

É uma pessoa muito boa de lidar, que vai deixar saudade. É duro, muito duro. Às vezes fico com pena dos ministros que recebem certos telefonemas dele. Fico com pena de mim mesmo (risos). Acho que fui o cara que mais apanhou nestes oito anos aqui, até pela proximidade. Para azar nosso, ele tem uma memória prodigiosa.

Cobra resultados?

Cobra. E sem misericórdia. Mas, ao mesmo tempo, é o cara que dois minutos depois já esqueceu aquilo e é superafetuoso. Tem um episódio que nunca vou esquecer na minha vida.

Qual?

Foi quando eu fui exposto, na CPI dos Bingos (em 2005), por causa da questão de Santo André. O presidente sabia da maldade de tudo aquilo, um jogo político, mas podia ter se livrado de mim. E houve um dia em que teve aquela acareação com os irmãos do Celso Daniel (prefeito assassinado de Santo André). Lula ia viajar às 18 horas. Eu cheguei de volta do Congresso lá pelas 19 horas e ele estava na minha sala me esperando. Atrasou a viagem, passou a mão na minha cabeça e falou: "Gilbertinho, você não tem uma cachacinha pra gente tomar aí, não?" Um cara desses você morre por ele. Sou um privilegiado.

Como o sr. explica ter se tornado réu em processo de corrupção na Prefeitura de Santo André?

Sou réu num processo civil a partir de denúncia feita por um dos irmãos do Celso, dizendo que eu contei para ele que levava dinheiro para o José Dirceu. Não tem prova nenhuma. É doloroso para mim ser acusado de uma coisa que não devo. Eu faço 60 anos em janeiro e meu capital não chega a R$ 300 mil.

Quais as diferenças de estilo entre Lula e Dilma?

A diferença mais forte é essa questão do carisma e da relação com o povo. Dilma é uma militante que veio da classe média, que participou da luta social e foi se aproximando aos poucos dos movimentos. Bem antes da eleição, ela dizia que, mesmo que nada desse certo, o presidente tinha lhe dado um grande presente.

Que presente?

Era justamente essa aproximação com o povo. Ela dizia que tinha medo de ser uma relação demagógica, essa coisa de abraçar criancinha, mas que se sentiu emocionada ao se aproximar das pessoas. Isso a fez mudar por dentro. E a Dilma é uma pessoa muito sensível. Um dia, quando ela era ministra de Minas e Energia, estávamos conversando sobre poesia e no dia seguinte me trouxe as obras completas de Adélia Prado.

Agora, ao indicá-lo para ministro, ela lhe fez algum pedido especial?

Na primeira conversa mais clara sobre a Secretaria-Geral, há uns dez dias, ela falou: "Gilbertinho, preciso de você para me dizer as verdades. Você vai ficar do meu lado criticando, falando as coisas com clareza. Preciso de você me trazendo a sensibilidade dos movimentos sociais." Fiquei muito animado.

O fato de a futura presidente não ter traquejo político não pode torná-la refém dos partidos, principalmente nessa disputa por cargos entre o PT e o PMDB?

Quero dizer que não convém nunca subestimar a Dilma. Quem o fez quebrou a cara na campanha eleitoral. Ela mostra uma capacidade de aprendizado e de habilidade política surpreendentes. Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela porque aí a reação é mais dura. Ela não será refém. Aliás, é fundamental que ela tenha essa ligação fortíssima com os movimentos sociais, que pode funcionar como contraponto a esse tipo de pressão.

Mas na montagem do novo governo já houve um curto-circuito, quando o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciou o ministro da Saúde e teve de recuar, depois de uma rebelião no PMDB...

E você viu qual foi a atitude dela, não é? A Dilma tem essa vantagem, é muito transparente. É natural que haja tensões. Agora, se fosse atender a todas as demandas, teríamos de ter uns 60 ministérios...

O presidente sugeriu a Dilma que mantivesse muitos ministros. Isso não deixa a nova gestão com cara de governo antigo?

Eu sou testemunha de muitas conversas entre os dois. Quando a Dilma pergunta, ele dá opinião. Mas Lula age com muito cuidado e tem opiniões diferentes de algumas das nomeações que ela fez.

Em que cargos?

No Banco Central, por exemplo. É verdade que o governo Dilma tem um pouco da cara do governo Lula. Agora, você sabe que o ministério que começa não é o que termina. É natural que, aos poucos, Dilma vá dando cada vez mais a feição dela ao governo.

Lula sentirá falta do Planalto?

Ah, sim, está muito mais emotivo. Outro dia quando o Franklin (Martins, secretário de Comunicação Social) lembrou que era 1.º de dezembro, ele deu um grito. "Não, não, não. Não fale isso!", disse. Lula vai sentir muita falta. Ele se preparou para isso e adora ser presidente. Para deixar, vai ter síndrome de abstinência (risos).

Ele disse a José Dirceu que vai desmontar a farsa do mensalão. O que significa exatamente isso?

Lula quer fazer, fora da Presidência, uma análise detalhada do que foi, de fato, aquele processo. Quando fala em farsa do mensalão é porque está convencido de que nunca foi dado dinheiro para alguém votar com o governo. Ele não nega erros e problemas de uso de recursos. Nega o nome mensalão. E sempre disse: "Quem comprou voto foi o Fernando Henrique na reeleição."

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Rio 'pacificado'? Muito além das informações oficiais

Hoje li dois textos que vou compartilhar com vocês: um artigo e uma reportagem. O artigo, li no VioMundo, do Azenha, e foi escrito pelo MC Leonardo. A reportagem está publicada na Folha.

Primeiro, o artigo, de que publico trecho (a íntegra está no link acima):

O resultado dessas ações é mostrado na televisão, e se resume a uma quantidade de armas e drogas apreendidas, uns três ou quatro corpos (que na grande maioria das vezes são de bandidos) e um pronunciamento da Secretaria de Segurança para dizer o que foi feito lá dentro.

Mas o verdadeiro resultado ninguém fica sabendo. A polícia não pode falar devido à sua hierarquia militar. O favelado também não fala, por medo não só dos bandidos, mas dos próprios policiais, restando assim uma carta da secretaria em cima da mesa das redações editoriais, para que publiquem o que for mais conveniente para o Governo do Estado.

Crianças sem estudar é um resultado péssimo para um estado que vise acabar com a violência. No entanto, as horas de aulas perdidas não são contabilizadas.

O número de pessoas que foram mandadas embora de seus empregos por causa dos números de dias faltados por conta desse combate não é contabilizado.

O número de pessoas que não podem abrir seus comércios devido a essas ações dentro e próximos a essas localidades e que dependem diretamente deles para viver e pagar seus funcionários (que na maioria das vezes são moradores das favelas) não é contabilizado.

O número de pessoas que sofreram alguma sequela como síndrome do pânico ou até depressão depois de ter ficado na linha de tiro entre policia e bandido não é contabilizado.

O número de policiais e de seus familiares com problemas psicológicos também não é contado.

Os verdadeiros números, quando forem realmente analisados e discutidos de maneira séria por toda sociedade, poderão fazer toda diferença na hora de pensarmos em dias melhores para a o estado do Rio de Janeiro.

Agora, a reportagem excelente de Laura Capriglione e Marlene Bergamo, que reproduzo na íntegra:

Onde estão os mortos?

Houve 37 mortes nas operações da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão; não se sabe como ocorreram nem quem era bandido ou inocente

O adolescente Davi Basílio Alves, de 17 anos, morreu na quinta-feira (25/11). Soldado do tráfico -a própria família o admite-, o jovem foi alvejado por policiais e caiu morto em uma rua de terra da Vila Cruzeiro, quando tentava fugir para o Complexo do Alemão. A mãe de Davi mora em uma viela suja, pichada com um imenso C.V. do Comando Vermelho, na parte baixa da favela.

A mulher logo recebeu a notícia de que o filho não conseguiu escapar. Quando o tiroteio amainou, ela correu ladeira acima. Viu Davi morto ao lado de um campinho de futebol e pediu aos soldados vasculhando as quebradas em busca de armas e drogas para que removessem o corpo de lá.

"Eles disseram que tinham mais o que fazer. Que, se ela tinha sido capaz de pôr um bandido no mundo, seria capaz também de enterrá-lo", rememorou uma vizinha.
A mãe telefonou para a funerária. "Disseram que não dava para fazer o trabalho." E não dava mesmo. Rajadas de tiros ainda cortavam a favela.

Choveu na noite de quinta. A manhã úmida veio com um calor de 29ºC na sexta. O corpo do adolescente grandalhão começou a incomodar. Rondavam urubus, que se empoleiravam às dezenas na torre de transmissão elétrica, a poucos metros dali.

AOS PORCOS

Das mais de 20 pocilgas localizadas nos terrenos baldios próximos, saíam porcos magros, em estado de fome crônica. No sábado, o cadáver amanheceu dilacerado.
A mãe arrumou um carro -a vizinhança já não suportava o cheiro. O corpo foi enrolado em uma lona e conduzido ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

Oficialmente, o jovem morreu naquele dia. Ficou assim registrado na planilha divulgada pelo Instituto Médico Legal: Davi Basílio Alves, 17 anos, pardo, Vila Cruzeiro. Só.

Para a Polícia Militar, 37 pessoas morreram em confrontos polícia-bandidos desde o dia 21 na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

Todo dia, a corporação solta um balanço das operações. Coisa sucinta, contabiliza mortos junto com número de garrafas PET e litros de álcool e gasolina apreendidos. Nenhum nome.

Para a Secretaria de Segurança Pública, morreram 18 pessoas (17 identificadas).
O número refere-se aos cadáveres produzidos a partir do dia 25. Os mortos entre os dias 21 e 24, a secretaria não contabiliza. E diz que nem o Instituto Médico Legal do Rio tem dados referentes aos mortos desse período, apesar de todos os corpos recolhidos nas favelas sinistradas pela violência terem sido encaminhados para lá.

INOCENTES

Coincidentemente, a contabilidade da Secretaria de Segurança Pública, omitindo as estatísticas anteriores ao dia 25, evita mencionar incômodas mortes de inocentes óbvios. Como a da adolescente Rosângela Barbosa Alves, 14, atingida por um tiro nas costas enquanto estudava dentro de casa, na frente do computador. Ou a da dona de casa Janaína Romualdo dos Santos, 43, e de um idoso -todos atingidos por balas perdidas.

Sobre as mortes ocorridas a partir do dia 25, o IML nada informa a respeito das circunstâncias em que elas aconteceram. Diz que os "detalhes sobre os laudos são peças de investigação e não serão divulgados".

Assim, não se sabe se houve tiros à queima-roupa, ou o número de perfurações nos corpos, ou se houve concentração de disparos na cabeça. Nem sequer se sabe se alguém morreu esfaqueado.

SILÊNCIO

A Folha pediu para entrevistar um perito do IML. Resposta: "Infelizmente, não há perito disponível para conceder entrevista sobre o laudo cadavérico dos corpos".
"Esse tipo de silêncio seria inadmissível se os mortos fossem moradores ricos de Ipanema, mas, como é gente pobre, vale tudo", disse uma professora da Vila Cruzeiro.

O segurança Rogério Costa Cavalcante, 34, aparece em uma lista de mortos como um dos "traficantes que trocaram tiros com os policiais", segundo informação oficial da assessoria de comunicação da Polícia Civil do Rio.

Das poucas coisas que se sabe sobre os mortos nos confrontos dos últimos dias, uma das mais certas é que Rogério Costa Cavalcante não trocou tiros com os policiais. Ele foi alvejado bem na frente das câmeras de fotógrafos e cinegrafistas.
Tinha os bolsos cheios de convites para a festa de aniversário de seu único filho. Iria entregá-los quando deu o azar de ficar entre os fogos da polícia e dos traficantes.

Cavalcante caiu com um buraco na barriga, pediu socorro e desfaleceu na frente das câmeras. A Primeira Página da Folha de sábado passado (27/11) publicou a foto.

SEM AUTORIDADE

O homem foi enterrado no cemitério do Catumbi na terça-feira (30/ 11). Com a polícia acusando-o de ligação com o tráfico, nenhum representante do Estado achou necessário levar solidariedade à família. Da imprensa que se acotovelava no Complexo do Alemão quando Cavalcante foi atingido, só a Folha acompanhou o enterro.

O Ministério Público ainda aguarda a conclusão dos inquéritos sobre as mortes, para entrar na história. Isso pode demorar até 30 dias.

Na última quinta-feira, um grupo de ONGs com atuação na área dos confrontos reuniu-se para "construir uma agenda propositiva para o conjunto de favelas do Alemão". Pediam investimentos do governo. Sobre os 37 mortos, nenhuma palavra.

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Menino de 8 anos que teria sido baleado por traficantes mentiu, coagido por policiais

Todo mundo se lembra do caso: menino teria sido baleado porque teria se recusado a incendiar uma moto.

Hoje, uma semana depois, a verdadeira história vem à tona. E mais uma vez a polícia do Rio decepciona aqueles que estão querendo acreditar que "dessa vez vai".

A reportagem é do Extra:

Policiais coagiram menino a inventar que foi baleado por traficantes

Nem herói nem bandido. Quando questionado sobre o que quer ser quando crescer, o menino P., de 10 anos, diz sem pensar duas vezes: “quero ser trabalhador”. É o desejo simples e sincero de um jovem morador da favela do Jacarezinho que, no último dia 27, transformou-se em personagem do maior boato criado no rastro de ataques de traficantes no Rio. O Brasil acreditou que o menino fora baleado por traficantes ao se recusar a incendiar veículos. Era mentira. E o pior: uma mentira com carimbo oficial.


Vergalhão ou bala?

O boato começou a se construir, na madrugada daquele sábado, no setor de atendimento do Hospital do Andaraí. P. chegou à unidade acompanhado da mãe, a dona de casa Alcione, de 31 anos. Numa traquinagem típica da sua idade, o garoto subiu numa moto, o veículo deu um tranco, e P. caiu sobre ferros de uma churrasqueira. Um vergalhão fez um corte em sua perna esquerda.


A história poderia ter terminado por aí. Mas, os policiais e os médicos que atenderam P., ignoraram a versão da mãe e optaram por levantar uma outra hipótese: a de que o ferimento na perna fora provocada por um bala disparada por arma. No Boletim de Atendimento Médico (BAM), o médico colocou a sigla PAF (perfuração por arma de fogo), seguida de dois pontos de interrogação. Por causa da suspeita, a equipe médica convocou policiais.

— Os PMs do hospital começaram a tratar a gente como bandido. Foi uma humilhação — relembra Alcione.

‘Estou com medo dos policiais’

A versão contada por P. na 25 DP transformou o garoto em herói da resistência. No dia seguinte, um domingo em que a população continuava assustada com os atentados, boa parte da imprensa procurava o menino que desafiara o tráfico do Jacarezinho.


Alcione, a mãe, conta que chegou a procurar a TV Record para denunciar o caso. Foi até a porta da rede de televisão, falou com um repórter e contou a verdadeira história daquela madrugada:


— O repórter pegou meu telefone, falou que ia me ligar, mas isso nunca aconteceu.


O EXTRA encontrou P. e a mãe, na última quarta-feira. O garoto estava arredio. A reportagem propôs acompanhar os dois novamente ao hospital e à delegacia, a fim de pegar cópia do BAM e um memorando de encaminhamento para exame de corpo de delito, que ainda não tinha sido feito no IML.


Nas proximidades da DP, P. pediu para ficar no carro.


— Estou com medo dos policiais — explicou ele.

O menino ferido e a mãe foram conduzidos à 25 DP (Engenho Novo), onde a mentira ganhou contornos oficiais. A mãe manteve a versão de que o filho havia se ferido com vergalhão, mas o menor, que havia sido pressionado pelos PMs ainda no hospital, contou outra história.


— Os policiais (militares) ameaçavam matar meus pais se eu não falasse o que eles queiram — conta P..


Acuado, o menor falou o que os policiais queriam ouvir. E assim, surgiu o boato do traficante. Tudo poderia ter sido esclarecido com uma perícia. Mas ela só feita 7 dias depois, a pedido do EXTRA, que investigava o boato. Eis a verdade dessa mirabolante história:


— Definitivamente, o ferimento não foi provocado por bala — conclui o perito e diretor do Instituto Médico Legal (IML), Sérgio Simonsen.

Investigação sobre conduta de policiais

O Hospital do Andaraí informou que, pela Lei das Contravenções Penais, todo tipo de trauma e acidente que dá entrada nas unidades federais de saúde sob suspeita de agressão ou violência deve ser comunicado à autoridade policial — independentemente de ser tiro — para fazer exame de corpo de delito.

“Diante das características do ferimento na perna (semelhante a orifícios de entrada e de saída) foi questionada pelo médico responsável a hipótese de ter sido causada por projétil. Mas, em nenhum momento, o documento confirma ou valida a hipótese”, informou o hospital.

O tenente-coronel Luiz Octávio, comandante do 6 BPM (Tijuca), disse que o caso será investigado já neste fim de semana.

Perícia

Segundo o diretor do IML, Sérgio Simonsen, o ferimento que foi cogitado pelo médico do Andaraí como sendo o de entrada de uma possível bala tinha uma cicatrização de mais de sete dias. Além disso, Simonsen ressalta que o raio-x mostrou que a perfuração seguiu somente até um certo ponto da perna. Ou seja: o objeto que feriu o menino entrou, mas não saiu.
— Se fosse ferimento a bala, o projétil teria que estar lá. Se o raio-x mostra que o objeto foi até um certo ponto, é difícil de confundir — avalia perito judicial e cirurgião Movses Parseghian.

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Otavio Ditabranda Frias vai à AMAN para a formação da 'Turma General Emílio Garrastazu Médici'? É hoje

Acontece hoje na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, no Sul Fluminense, a "Cerimônia de Entrega de Espadas e Declaração de Aspirantes a Oficial".

Além da entrega de espadas o que deve atrair Otávio Frias Filho é o nome do homenageado pela turma que se forma, o do ex-presidente na época da ditadura, em seu período mais sangrento, General Emílio Garrastazu Médici.

Seria uma forma de Otavinho homenagear seu falecido pai, fundador do Grupo Folha, e também aquele que mereceu um artigo de Frias pai, em que este afirmava que Brasil de Médici é ‘um país onde o ódio não viceja’.

Eis o que está escrito na página da AMAN [destaque em negrito é meu]:

A Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) realiza, no dia 04 de dezembro 2010, a cerimônia de Declaração de Aspirantes a Oficial da Turma General Emílio Garrastazu Médici. A cerimônia é uma das mais importantes da nossa Escola e representa o cumprimento da missão, que é a de formar o oficial de carreira combatente, futuro líder do Exército Brasileiro.

O momento é de bastante vibração para todos os militares, mas, sobretudo, de muita expectativa e emoção para os futuros oficiais, seus familiares e amigos. Compartilham dos mesmos sentimentos os Oficiais, Praças e servidores civis da AMAN.

Recebem a espada de Oficial do Exército Brasileiro, 360 cadetes das mais distintas regiões do Brasil, sendo 11 de Resende. Esse ano, cinco formandos são, ainda, de nações amigas (dois da República Dominicana, um de Guiné Bissau, um do Paraguai e um da Venezuela).

Ao passar pelo Portão Monumental, os mais novos oficiais da Força seguirão destino para as diferentes localidades do País, disseminando novos e consolidados conceitos e colaborando, assim, para a modernização e progresso da Instituição. O "Sangue Novo" também carregará, para onde for, alegres e saudáveis recordações dos quatro anos de formação.

A ocasião nesse ano marca, ainda, o início das comemorações do Bicentenário da Academia Militar no Brasil, a ser consolidada em 23 de abril de 2011.

O que será que querem dizer com "novos e consolidados conceitos", se a turma homenageia Médici? Para mim, uma contradição em termos.

Mas para Otavinho Ditabranda deve ser um programão. Talvez ele pense até em reeditar a Folha da Tarde, aquele que foi chamado de "o jornal de maior tiragem do Brasil", pelo número de tiras (policiais) que escreviam em suas páginas.

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Rodrigo Vianna (do Escrevinhador) vence na categoria 'Verdade, Justiça e Transparência' da 27ª edição do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo

Parabéns, Rodrigo e equipe: Luiz Malavolta, Tony Chastinet, Pedro T e Angela Canguçu. Todos premiados pela série de reportagens “Nos porões da ditadura”, veiculada na TV Record.

Leiam e assistam à reportagem completa no Escrevinhador.

Aqui, a primeira parte:



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Goleada: Leandro Fortes 1 x 0 Gilmar Mendes

Às vezes, 1 x 0 é goleada mesmo. É o caso de agora em que o jornalista (e não porcalista) Leandro Fortes venceu a primeira batalha contra o ex-presidente do STF Gilmar Bacamarte Mendes, O Alienista na presidência do STF.

Parabéns à corajosa juíza (ah, as mulheres quando querem...) que botou abaixo os argumentos do pavão, elevado ao STF em mais uma das cgds (o resto é "a") de FHC, que acha que não pode ser criticado por ninguém.

Anotem o nome da juíza para que cuidemos de que ela não sofra retaliação: Adriana Sachsida Garcia, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um abraço pro Leandro, para a CartaCapital, que publicou a reportagem, e "aquele abraço" para Gilmar, a quem recomendo vivamente a releitura do conto de Machado de Assis.

Leia a íntegra da notícia no Blog Brasília, eu vi, do Leandro Fortes.

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Dia histórico: Em carta ao Presidente da Autoridade Palestina, Lula diz que 'Brasil reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967'

Notícia saiu agora há pouco no Itamaraty:

Cartas dos Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Mahmoud Abbas a respeito do Reconhecimento pelo Governo Brasileiro do Estado Palestino nas Fronteiras de 1967

03/12/2010 -

Carta do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

“À Sua Excelência
Mahmoud Abbas
Presidente da Autoridade Nacional Palestina

Senhor Presidente,

Li com atenção a carta de 24 de novembro, por meio da qual Vossa Excelência solicita que o Brasil reconheça o Estado palestino nas fronteiras de 1967.

Como sabe Vossa Excelência, o Brasil tem defendido historicamente, e em particular durante meu Governo, a concretização da legítima aspiração do povo palestino a um Estado coeso, seguro, democrático e economicamente viável, coexistindo em paz com Israel.

Temos nos empenhado em favorecer as negociações de paz, buscar a estabilidade na região e aliviar a crise humanitária por que passa boa parte do povo palestino. Condenamos quaisquer atos terroristas, praticados sob qualquer pretexto.

Nos últimos anos, o Brasil intensificou suas relações diplomáticas com todos os países da região, seja pela abertura de novos postos, inclusive um Escritório de Representação em Ramalá; por uma maior freqüência de visitas de alto nível, de que é exemplo minha visita a Israel, Palestina e Jordânia em março último; ou pelo aprofundamento das relações comerciais, como mostra a série de acordos de livre comércio assinados ou em negociação.

Nos contatos bilaterais, o Governo brasileiro notou os esforços bem sucedidos da Autoridade Nacional Palestina para dinamizar a economia da Cisjordânia, prestar serviços à sua população e melhorar as condições de segurança nos Territórios Ocupados.

Por considerar que a solicitação apresentada por Vossa Excelência é justa e coerente com os princípios defendidos pelo Brasil para a Questão Palestina, o Brasil, por meio desta carta, reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967.

Ao fazê-lo, quero reiterar o entendimento do Governo brasileiro de que somente o diálogo e a convivência pacífica com os vizinhos farão avançar verdadeiramente a causa palestina. Estou seguro de que este é também o pensamento de Vossa Excelência

O reconhecimento do Estado palestino é parte da convicção brasileira de que um processo negociador que resulte em dois Estados convivendo pacificamente e em segurança é o melhor caminho para a paz no Oriente Médio, objetivo que interessa a toda a humanidade. O Brasil estará sempre pronto a ajudar no que for necessário.

Desejo a Vossa Excelência e à Autoridade Nacional Palestina êxito na condução de um processo que leve à construção do Estado palestino democrático, próspero e pacífico a que todos aspiramos.

Aproveito a ocasião para reiterar a Vossa Excelência a minha mais alta estima e consideração.”


Carta do Presidente Mahmoud Abbas ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

(Tradução não-oficial)

“Sua Excelência Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Federativa do Brasil Brasília

24/11/2010

Saudações,

Inicialmente, gostaríamos de estender a Vossa Excelência nossas felicitações pelo sucesso das eleições gerais no Brasil, louváveis por sua elevada transparência e pelo alto nível do processo democrático, que levaram à vitória a candidata de seu partido como nova Presidente da República Federativa do Brasil. É com satisfação que também saudamos entusiasticamente o seu Governo, testemunha de um período de prosperidade econômica e mudança política qualitativa, que inscreve Vossa Excelência na história política moderna do Brasil.

Senhor Presidente,

A atual situação nos territórios palestinos evidencia uma grande escalada das ações israelenses. O Governo de Israel recusa-se a interromper suas atividades em assentamentos. Isso paralisou o lançamento de negociações diretas, apesar das posições e dos pedidos de países de todo o mundo para que Israel ponha fim aos assentamentos, e, dessa forma, não apenas torne possíveis as negociações, como também dê uma chance à paz. No entanto, Israel ainda desafia o mundo inteiro e insiste em suas atividades colonizadoras. Tal posição dificulta qualquer possibilidade de se alcançar um acordo por meio de negociações e cria também uma nova realidade no terreno, que inviabiliza a solução de dois Estados.

Enquanto expressamos a Vossa Excelência o nosso orgulho das valorosas e históricas relações brasileiro-palestinas, que refletem suas posições firmes em relação ao nosso povo ao longo dos anos e em nossos recentes encontros, esperamos, nosso caro amigo, que Vossa Excelência decida tomar a iniciativa de reconhecer o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967. Essa será uma decisão importante e histórica, porque encorajará outros países em seu continente e em outras regiões do mundo a seguir a sua posição de reconhecer o Estado palestino. Essa decisão levará também ao avanço do processo de paz e à promoção da posição palestina, que busca o reconhecimento internacional do Estado da Palestina. Esperamos que o nosso pedido possa receber sua bondosa aceitação e esperamos também que essa iniciativa possa ser tomada antes do fim de seu mandato presidencial.

Queira aceitar os protestos de nossa mais alta estima e consideração.

Mahmoud Abbas
Presidente do Estado da Palestina
Presidente do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina Presidente da Autoridade Nacional Palestina”

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Ainda que sem querer, Cabral pode ter livrado Dilma de ser alvo do primeiro escândalo do PIG em seu governo

O governador do Rio Sérgio Cabral espalhou pelos quatro cantos que a presidenta eleita, Dilma Rousseff, havia escalado seu secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, para o ministério da Saúde.

A grita foi geral no PMDB. Diziam que o governador havia atropelado a equipe de transição.

Aí a tal indicação (se é que um dia houve) subiu no telhado. Mas não apenas subiu. Desceu e de modo espalhafatoso, quebrando vidraças a cada andar que descia, até se espatifar na mesa de negociação do PMDB.

Se Dilma estava ou não decidida por Côrtes, não sei. Mas tenho certeza de que se livrou de boa com o "vazamento" de Cabral.

Nem bem o nome do secretário foi anunciado como ministro, o Globo Online disparou uma série de acusações contra ele - o que nunca havia feito, nem durante a campanha eleitoral.

Não são acusações vazias, mas do Ministério Público. Em seguida, veio o jornal Extra, também das Organizações Globo, e colocou o nome de Côrtes ainda mais na roda. Juntou-se a eles o ex-prefeito do Rio César Maia, que em seu ex-blog disparou uma saraivada contra o secretário, citando documentos do Diário Oficial, do Ministério Público e do Tribunal de Contas. Com imagens.

Acusações: nepotismo, compra de imóvel de R$ 3,5 milhões sem renda para isso, corrupção etc.

Não é pouca coisa. É muita. E você pode conferir aqui, no Globo Online, no Extra e no Blog do jornalista Dácio Malta, que publicou o ex-blog do César Maia.

Já imaginaram se Côrtes é condenado por uma das coisas de que é acusado, logo no início do governo Dilma? O PIG ia cair em cima dela.

Começou bem nossa presidenta. Com sorte. Porque sem sorte, como dizia Nelson Rodrigues, o sujeito não consegue atravessar a rua sem ser atropelado por um carrinho de Chica-Bom.

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Dilma desmente Cabral: 'Eu ainda não escolhi o ministro da Saúde'

O governador do Rio Sérgio Cabral espalhou que a presidenta eleita, Dilma Rousseff, teria confirmado o nome de seu secretário de Saúde Sérgio Côrtes como o futuro ministro da Saúde. Hoje, segundo o Terra, diante de autoridades da Saúde, médicos, jornalistas e fotógrafos, a presidenta desmentiu o governador:

- "Eu ainda não escolhi o ministro da Saúde" - disse Dilma.

Pano rápido.

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Amor de nossa mídia porcorativa pelos homens de farda começa a dar frutos. Tem milico clamando por ação dos generais do Exército

O alvoroço sexual de nossa mídia porcorativa com a "invasão do Alemão",  com a "ação máscula dos homens de preto do Bope", com as "bandeiras fincadas no morro", com os "blindados da Marinha passando por cima de tudo", a "tropa de paraquedistas", e agora o anúncio do governador de que dois mil soldados do Exército vão ficar no Alemão por sete meses, tudo deixou a milicada alvoroçada.

Um tenente-coronel do MS, mais afoito, escreveu uma carta aos generais exigindo deles uma ação. Chega ao absurdo de colocar uma interrogação entre parênteses quando cita nossa Presidenta Dilma.

O dia da eleição de nossa futura Presidenta ele trata assim: "Dia 31 de outubro de 2010, um dia triste para aqueles que viram seus esposos, filhos, pais, parentes e amigos tombarem sem vida em defesa da democracia e hoje assistem a seus algozes desfrutarem do sabor da vitória". 

Já estão, como se vê, "Riscando os cavalos!/Tinindo as esporas!"... Confiram abaixo que depois eu volto ao poema de Ascenso Ferreira.

CARTA ABERTA AOS EXCELENTÍSSIMOS SENHORES GENERAIS

E agora, Excelentíssimos Senhores Generais?

A vida na caserna é repleta de jargões. Obviamente isso não ocorre apenas no meio militar, mas em todo lugar que reúne uma classe de pessoas que labutam em prol de um objetivo comum. Isso contribui para criar afinidades e padrões de comportamento. Lembro-me dos momentos vividos no ambiente acadêmico (bons tempos aqueles!) e a linguagem própria do meio militar já se fazia corrente no nosso cotidiano. Estudar era “meter o gagá”; um assunto de relevância, com grande possibilidade de ser alvo de uma prova, era “bizu”; a luminária individual era “gagazeira”; desequilibrar emocionalmente era “aloprar”; e entre tantos outros jargões, o indivíduo que revelava medo ou temor era “encagaçado”; o destemido era denominado “mafrudo”; o indeciso ou mesmo omisso era “bundão”.

Na aurora da mocidade observávamos nossos superiores e, de acordo com suas atitudes diante das diversas situações, classificávamos cada um de “encagaçado”, “mafrudo” ou “bundão”.

Fazíamos dos “mafrudos” nosso espelho, ridicularizávamos os “encagaçados” e jamais
desejaríamos ser, no futuro, como os “bundões”.

Já amadurecidos, percebemos que fomos cruéis nos julgamentos de nossos superiores. Por vezes pareciam ser o que representavam nossos jargões, entretanto o que percebíamos como medo, destemor ou indecisão era, na realidade, uma avaliação mais prudente levada a efeito por alguém que enxergava além do campo de visão da nossa impetuosa juventude.

Dentro dos rigores da disciplina, do elevado espírito de sacrifício, do permanente exercício de amor à Pátria, da obstinada manutenção de valores cívicos e morais nossa formação nos fez pessoas diferentes de muitos brasileiros que já exercitavam a famigerada “lei de Gerson”, pois, para estes, o que importava era levar vantagem em tudo.

Parece que os militares pouco a pouco permitiram que o processo de globalização (moral) invadisse os quartéis e começasse a destroçar os alicerces daqueles valores construídos e exercidos por tão valorosos personagens da nossa História.

Assistimos, impassivelmente, nossos vultos históricos serem substituídos por simples animais, nas nossas cédulas de dinheiro; assistimos à paulatina ocupação da Amazônia, por entidades estrangeiras, sob a égide de preservação do ambiente; permitimos que nossos índios se distinguissem como nação indígena e não como um segmento do miscigenado povo que forma a nação brasileira; indiferentes, vimos a proliferação de ONG’s que se agigantam ocupando o lugar do poder público, desviando recursos com finalidades duvidosas; admitimos participar de missões de paz na Nicarágua, em Angola, no Haiti e outras partes do mundo, enquanto a verdadeira guerra se desenrola dentro de nosso próprio território, com indiscutível vitória do poder paralelo que rasga leis e normas, usufrui de direitos brandindo armas sofisticadas, matando, roubando e impondo suas esdrúxulas condições à sociedade indefesa; assistimos jovens, ainda com cheiro de fraldas, instigados pela oposição, hoje no poder, a depor um presidente que fez o mundo ver que existia um Brasil e assumiu responsabilidades porque não deu a si o direito de dizer “eu não sabia, eu não sei de nada”...

Ah! E os generais? Onde estavam os guardiões desta terra enquanto tudo isso acontecia? Tenho a impressão que já estavam globalizados, corrompidos pelo frenesi do poder, incapazes de se divorciarem da luxúria.

Agora sim, amadurecidos, com o olhar alcançando o que nossa juventude não permitia alcançar e conhecendo o significado de prudência, vemos que existe uma tênue linha que delimita a fronteira entre a disciplina e a covardia, então podemos classificar melhor nossos generais e ver que, embora em outra escala, ainda existem “encagaçados”, “mafrudos” e “bundões”.

Onde estão nossos valterpires, leônidasgonçalves, thaumaturgossoteros, pedrozos, helenos e outros poucos “mafrudos”? Esses manifestavam seus pensamentos, colocando os interesses do País acima de seus próprios interesses e vários deles foram sumariamente afastados e lançados ao ostracismo. Sei muito bem do que estou falando porque fui duas vezes alvo de punição por apontar falhas, erros e falar o que não se desejava ouvir. Muitos daqueles que agiram de forma omissa ou indiferente continuam na pauta de promoções e designação de cargos importantes, porque calados eles não atrapalham.

Assim, o poder corrupto anestesia o cão de guarda da Nação e este não vê que o povo ficou cognitivamente indefeso e que os programas sociais são equivocados:

– O Programa Bolsa-família tem a finalidade de tirar a criança do trabalho para que ela possa estudar e ser cidadão melhor sucedido que o seu genitor, mas como não se fiscaliza a presença da criança na escola e nem se melhora o ensino básico, essa criança será um adulto igual ou pior que o seu genitor – mas dá voto;

– O Pro-Uni permite que o cidadão faça estudo de nível superior em entidade privada, com subsídio federal, porque é mais fácil o ingresso nessa entidade do que numa universidade federal onde o cidadão, por falta de conhecimento básico, não tem capacidade de ingressar, então, o governo, em lugar de investir no fortalecimento da base de conhecimento, facilita a formação de um profissional sem requisitos mínimos que, com raríssimas exceções, será um profissional de competência duvidosa, daí nosso inexpressivo índice na área de pesquisas e patentes – mas dá voto.

No último pleito eleitoral para Presidente da República, assistimos à tolerância de todos os poderes constituídos – visivelmente corrompidos – ao emprego da “máquina do governo” na maior campanha eleitoral (repleta de atos ilícitos) da história do nosso País.

Dia 31 de outubro de 2010, um dia triste para aqueles que viram seus esposos, filhos, pais, parentes e amigos tombarem sem vida em defesa da democracia e hoje assistem a seus algozes desfrutarem do sabor da vitória. Vem por aí uma série de leis, normas, cartilhas, projetos e mais o que valha, para usurpar o que muito cidadão demorou a vida inteira para construir, tudo em nome da distribuição de renda e justiça social.

Convém frisar que, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, a Presidenta(?) eleita governará nosso País com uma inédita maioria no Congresso Nacional e estarão em pauta direitos humanos, propriedade privada (rural – propriedade máxima de mil hectares e urbana – não deverá haver imóvel desabitado), reforma previdenciária profunda e outras ações que possam retirar do cidadão suadas conquistas do passado.

Tudo isso poderia ter sido evitado se, na sua maioria, os guardiões da Pátria não tivessem poupado suas manifestações que, sabiamente, seriam bem argumentadas.

E agora, Excelentíssimos Senhores Generais, vão se espelhar nos “mafrudos” ou continuar perfilados entre os “bundões”?

Emidio Alves Filho – TCel R1 Cav
Campo Grande-MS, 31 de outubro de 2010
BRASIL...! Acima de tudo...!!! [Fonte: aqui]

Voltando ao poema do Ascenso Ferreira, agora completo:

Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das cochilhas!
Sai de meus pagos em louca arrancada!
— Para que?
— Pra nada!

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Não faltava mais nada: Líderes do tráfico no Alemão podem ter fugido num caveirão - veículo blindado da PM

Li a notícia acima numa twitada do ex-deputado, jornalista e membro da executiva do Psol no Rio Milton Temer (@miltontemer).

Fui ao link e lá estava: Caveirão pode ter sido usado em fuga de chefões do CV.

A Corregedoria da Polícia Militar está investigando os policiais lotados no 16º BPM (Olaria) que estavam de serviço no blindado da unidade – popularmente conhecido como “caveirão” – no último domingo. Do início da noite do dia 28 de novembro até às 5h da manhã do dia seguinte, o veículo foi flagrado realizando viagens do Complexo do Alemão, na Penha, na Zona Norte do Rio, até o Morro do Chapadão, na Pavuna, também na Zona Norte.

Como os PMs não tinham autorização para percorrer esse trajeto e as viagens foram feitas de forma consecutiva, há a desconfiança de que eles estivessem transportando criminosos ligados ao Comando Vermelho (CV) que controlam a venda de drogas na região para o morro vizinho, que pertence à mesma facção.

Caso seja comprovado que eles auxiliaram na fuga de bandidos, como os dois traficantes mais procurados atualmente no Estado do Rio – Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 33 anos, e Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, 31 – todos podem ser expulsos da corporação.

Esta não é a única investigação contra policiais envolvidos na megaoperação que tem sido realizada no Complexo do Alemão – que possui acessos pelos bairros Penha, Bonsucesso, Ramos, Olaria e Inhaúma e é composto pelos morros do Alemão, da Baiana, do Adeus e dos Mineiros e pelas favelas Vila Cruzeiro, Alvorada, Matinha, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Palmeiras, Fazendinha, Grota, Chatuba, Areal e Chuveirinho.

Além de facilitação de fuga, há denúncias – não só contra PMs, mas também contra policiais civis e até mesmo federais – de que muitos estariam saqueando casas de traficantes e também de trabalhadores que moram na região.

“O Complexo do Alemão está sendo chamado de “Serra Pelada”. Tem colega pegando até porta de alumínio de imóvel. Na casa do traficante Gão, tentaram carregar uma televisão de LCD. A maioria de nós se envergonha dessas cenas”, revelou um policial que pediu para não ter sua identidade publicada. [leia a íntegra aqui].

Fico imaginando o que vai acontecer com os dois mil soldados do Exército que vão ficar por sete meses no Complexo.

Da última vez em que soldados do Exército ocuparam uma favela (a Providência) houve acusações de violências, roubos, corrupção e até a entrega covarde de três jovens para serem executados por facção rival. A R$ 20 mil por cabeça.

Quero acreditar (eu e todo cidadão carioca) que a ação da polícia é séria. Mas eles mesmo não deixam.

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TSE: Web foi mais importante que rádio, jornais e revistas nas eleições de 2010

Pesquisa do TSE mostra que apenas TV e amigos e familiares foram mais importantes que a Web na ajuda da definição de voto do eleitor em 2010.

A internet, no entanto, ainda aparece em terceiro lugar como principal fonte de informação dos eleitores entrevistados, com 9,9% da preferência. Em primeiro lugar está a televisão, com 56,6% da preferência. Em segundo lugar, com 18,4%, a conversa com amigos e parentes, segundo a pesquisa do TSE.[fonte: IG]

Entre as emissoras de TV, a Globo esteve à frente com 79%, mas a Record veio logo atrás, com 60,4%.

Já imaginaram como será em 2014, com a universalização da banda larga promovida pelo governo via Telebrás?

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