segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Dia dos Professores. Minha primeira professora foi também meu primeiro amor. Spoiler: deu merda


Eu era tremendamente tímido, quase tanto quanto o sou ainda hoje. E minha primeira experiência sozinho, sem os pais, em meio a uma turma de desconhecidos, poderia ter sido apenas um pesadelo, se não fosse pela professora . Minha primeira professora.

Ela era bandeirante, o equivalente feminino dos escoteiros - atividades que, creio, estão em extinção, se não extintas.

Morena, jovem, muito bonita, ou melhor, linda, aos meus olhos de menino. Como eu gostava de ver seu movimento pela sala, seus gestos, ouvir suas palavras.

Não me importavam os colegas de escola. Aliás, não me recordo de nenhum, se é que cheguei a me relacionar com algum deles. Só tinha olhos para ela .

Como se não bastasse essa paixão, um fato fez com que essa primeira paixão, esse primeiro amor fosse elevado à 10ª potência.

Houve uma excursão da escola ao clube Piraquê, na Lagoa. A Escola Ypiranga, onde eu estudava, ficava na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea. Não é uma distância longa. Meia hora no máximo. Mas era também minha primeira "viagem" sem meus pais.

Todos dentro do ônibus íamos cantando junto com a professora, uma canção que até hoje ecoa na minha memória: alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo sem ser semeado . Foi meu amor, amor, amor, que me disse assim que a flor do campo era o alecrim.

Só que a flor do meu campo não era o alecrim, era a Margarida . Ela se chamava Margarida Vanderlei, não sei se com W ou com V, ou se e ou Y no final . De qualquer modo, o nome da minha primeira professora já era para ser inesquecível, não?

No clube, não me recordo de muita coisa. Mas me lembro que num determinado momento todos estávamos passando perto da piscina. Havíamos sido alertados para não mergulhar nela, porque era funda.

Havíamos brincado antes numa outra, rasinha, de criança, onde havia um escorrega feito com barris de latão grandes. Disso me recordo.

Quando passávamos pela tal piscina funda, não sei por qual motivo, se se jogou ou se foi jogada, uma das crianças caiu na água.

E agora? A criança se debatia...

Então aconteceu aquilo que elevou minha paixão para um quadro de adoração: a professora mergulhou e salvou a criança. Na minha memoria, todos aplaudimos.

Eu estava assim nessa adoração, quando, um dia, algum ou muito tempo depois, não sei...

Eu estava apertado para ir ao banheiro. Minha barriga doía. Uma cólica desgraçada, daquelas de suar frio. Precisava pedir à professora para ir ao banheiro. Mas, cadê coragem? Como virar para aquela minha paixão nas alturas e em vez de pedir que fosse minha namorada, que se casasse comigo, levantar o dedinho e pedir para  fazer cocô?

Lembre-se de como comecei essa história, dizendo que era tremendamente tímido, como ainda sou. Agora junte a essa timidez minha paixão pela professora. Aguentei firme.

Ao final da aula, satisfeito por ter conseguido, parti para o banheiro.

Entrei sem correr, segurando, apertado. Pus a pasta no chão e fui abaixando a bermuda para me sentar na privada salvadora.

Bom, o que aconteceu foi o spoiler do título. 
Foi meu primeiro amor, mas não foi o último a não ter um final feliz. Outros virão.
De qualquer modo, pela lembrança que guardo sempre, onde você estiver, Margarida Wanderley, Feliz Dia dos Professores!


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