terça-feira, 9 de julho de 2019

Trabalho infantil na linha de produção de brigadeiros para pagar suas aulas de tênis

Crianças trabalhando com cacau

A deputada federal do PSL (o partido do laranjal de Bolsonaro) do Distrito Federal Bia Kicis usou de sua conta no Twitter para defender o presidente Jar Bolsonaro e sua declaração em favor do trabalho infantil.

Tuíte de Bia Kicis

Segundo a deputada, aos 12 anos ela fazia brigadeiros para pagar suas aulas de tênis e se sentia criativa e produtiva.

Não é bem o padrão da criança brasileira na linha de produção do brigadeiro, que começa lá atrás na colheita, quebra e secagem do cacau para a fabricação do chocolate.

O repórter Marques Casara participou como pesquisador de um trabalho encomendado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), entre 2017 e 2018, e afirma que "Todo chocolate à venda hoje no Brasil está contaminado pelo trabalho infantil".

O relatório produzido pela pesquisa aponta que pelo menos oito mil crianças e adolescentes brasileiros trabalham na cadeia produtiva do chocolate. Em geral, elas ajudam os pais no trabalho nos pés de cacau, já que as multinacionais pagam muito pouco aos produtores.
O que mais me impressionou foi a situação de abandono dessas famílias por parte da cadeia produtiva que precisa delas para obter lucros bastante significativos. A família produtora de cacau é o principal ator nessa cadeia e, ao mesmo tempo, é a principal vítima de um processo predatório, desumano, e que não leva em conta os direitos fundamentais da pessoa humana. A situação é muito grave - afirma Casara.
As multinacionais do setor de alimentos e de processamento de cacau para fabricação do chocolate se beneficiam diretamente do trabalho infantil porque elas conseguem um produto mais barato quando as famílias usam os seus filhos nas etapas de colheita e do primeiro beneficiamento do cacau, que é feito na própria terra, na propriedade, que é a fermentação desse cacau.
O preço que é pago pelas moageiras, via atravessadores, não permite que o agricultor possa contratar o serviço de uma pessoa adulta para ajudar nessa atividade. Então, esses agricultores colocam os seus filhos e entregam o cacau para atravessadores que posteriormente vendem para grandes empresas. Esse negócio é totalmente à margem da legislação, porque ele é feito sem nota e sem nenhuma atuação de acordo com as obrigações fiscais.

Portanto, deputada, seu brigadeiro estava contaminado pelo trabalho infantil, antes mesmo de a senhora abrir a lata de leite Moça e o Nescau ou o chocolate em pó para fazer o doce. É toda uma cadeia de exploração que vem antes para que a senhora possa pagar suas aulas de tênis.

Leia uma entrevista com Marques Casara feita pelo Brasil de Fato sobre esse relatório aqui.

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