quinta-feira, 19 de março de 2020

Para combater coronavírus tem que lavar bem as mãos. Mas, como? 'No Morro do Alemão faz 12 dias que falta água'

Gilson Rodrigues, líder de Paraisópolis,

Líder do G-10 das Favelas diz que estratégia do governo ignora situação das favelas



Enquanto o presidente Bolsonaro tenta vender a ideia de que a pandemia da COVID-19 não é tão perigosa assim, o líder comunitário e presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, comunidade em que vivem cerca de 100 mil habitantes na zona sul de São Paulo, Gilson Rodrigues, acha que a situação vai piorar - e muito - quando chegar às favelas.

Rodrigues é um dos líderes e fundadores do G-10 das Favelas, bloco que reúne empreendedores sociais das principais comunidades do país: Rocinha (RJ), Rio das Pedras (RJ), Heliópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF).

Numa entrevista à BBC Brasil, ele levanta algumas questões que mostram que os efeitos da pandemia no Brasil podem ser devastadores, principalmente nas áreas pobres e concentradas dos grandes centros.

"Como é que um idoso vai entrar em uma situação de isolamento em uma casa com dez pessoas e dois cômodos? Esse isolamento é um isolamento para 'gringo ver', para rico. O pobre não tem condição de fazer. Vamos ter muitas perdas nas favelas, infelizmente".
Ele cita o exemplo de situações gritantes como a de favelas do Complexo do Alemão, no Rio, em que os moradores denunciam estar há 12 dias sem água, impedidos de higienizar-se adequadamente contra o novo vírus.
O presidente da união dos moradores diz que, desde a semana passada, cresceu muito o número de casos suspeitos em Paraisópolis, bem como relatos de moradores que continuam trabalhando, circulando em ônibus e metrôs cheios pela capital, ou de trabalhadores informais que foram dispensados de suas atividades, sem renda, e estão desempregados até que a crise do coronavírus passe.
"69% das pessoas que trabalham em Paraisópolis trabalham na área de serviços: babá, zelador, porteiro. São as pessoas que mais vão sofrer. Tem muita gente que trabalha com aplicativo, com Uber, e logo vão parar de circular. O que vai ser dessas pessoas?", questiona.
"O que pode acontecer é que vão crescer tanto os casos nas favelas que eles vão trancar as favelas, bota o Exército, ninguém sai e ninguém entra. E a gente está gritando socorro, para que alguém nos ajude, mas até o momento estamos sendo ignorados."
"O que vai acontecer? Essas pessoas e as que já estavam desempregadas, e as crianças que estão sem escola, elas vão passar fome, literalmente. O que o governo vai fazer, provavelmente, é fechar tudo. E se fechar tudo, como é que os desempregados, o pessoal da favela, vão viver, vão comer? É um estado de calamidade pública. A situação vai gerar um estrago social tão grande que deve ser a maior crise de desemprego no país."
Recomendo com ênfase a leitura da entrevista completa, feita pela repórter Ligia Guimarães neste link da BBC Brasil.


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