domingo, 7 de junho de 2020

Domingo com Música. Jair Rodrigues canta Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré

Jair Rodrigues, Nara Leão, Chico Buarque


Jair Rodrigues cantando uma das vencedoras do Festival da Canção de 1966, Disparada, linda música de Théo de Barros com letra de Geraldo Vandré.

A vencedora pelo júri havia sido A Banda, de Chico Buarque. Mas o público ovacionava Disparada, como mais adiante faria o mesmo com Caminhando (Pra não dizer que não falei de Flores), do mesmo Vandré.

Chico Buarque, que achava Disparada melhor do que sua Banda, disse que queria que o prêmio fosse dividido. O que foi feito.

Grande Chico. Que dois anos depois viveria o mesmo drama. Venceu com Sabiá (parceria com Tom Jobim), mas o público queria Caminhando.

Disparada
Prepare o seu coração
Pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora de lugar
Eu vivo pra consertar
Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém, por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu
Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado e muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei
Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente
Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto pra enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe que eu
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei
Lalaiá laiá laiá
Laiá lala lalalá
Lalaiá laiá lalá
Laiá laiá lalaiá








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