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Enredo sobre a vida de Lula e o ministério do Vai dar Merda, de Chico Buarque

O presidente Lula veio ao Rio com Janja neste domingo, 15, para assistirem ao desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente narrando a história de sua vida de menino pobre a presidente do Brasil.

Mas antes de irem para o Sambódromo, Lula e Janja se encontraram com o casal Chico Buarque e Carol Proner. Não sabemos se no encontro Chico lembrou ao presidente de uma sugestão que lhe deu em seu primeiro mandato, de criação do Ministério do Vai Dar Merda (MVDM).

O objetivo do Ministério seria analisar os projetos à luz do potencial de Merda que poderiam causar ao governo, a Lula ou membros do governo.

Por exemplo, o desfile da Acadêmicos de Niterói deste ano. O ministério, se acionado, quase certamente daria o veredicto fétido, porque o potencial de dar merda é altíssimo e num grau impensável, pondo em risco até a candidatura presidencial de Lula.

É certo que Lula foi homenageado. O presidente não encomendou a homenagem, apenas a recebeu. Mas, se devidamente assessorado pelo MVDM, agradeceria à escola e pediria que adiasse a homenagem para o ano que vem, quando ele poderia estar reeleito mais uma vez e a homenagem seria ainda mais grandiosa, explicando à Escola os problemas que o desfile em ano eleitoral trariam e estão trazendo.

Pode não dar em nada — o que é mais provável, tudo se resumindo ao eterno chororô dos bolsonaristas —, mas pode dar merda, diria o Ministério, e isso é tudo de que não precisa o presidente Lula em ano de reeleição, com o bolsonarismo ainda vivo e mercado financeiro, militares e mídias, incluindo as redes sociais sem regulação, todos unidos contra o presidente. 

Sem esquecer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diagnosticado com narcisismo maligno, um tipo vingativo que só aceita relacionamento baseado na subordinação do interlocutor, que tem Lula atravessado na garganta pelo comportamento altivo do presidente diante do tarifaço.

Lula não se rendeu, Trump teve que ceder, e isso certamente está guardado no pote de mágoas trumpista, que virá em cima das eleições presidenciais brasileiras "agarrado no ódio", louco para entregar o Brasil nas mãos do Flávio Rachadinha Bolsonaro, que certamente completará a obra do pai e entregará o Brasil de mão beijada aos Estados Unidos.

O noticiário pós desfile não fala em outra coisa. São pedidos de penalização vindos da tropa bolsonarista, ainda mais após a "fraquejada" da atual presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, que disse que o caso do desfile e da homenagem é uma "areia movediça", o que definitivamente não é coisa boa e botou gasolina na fogueira bolsonarista.

Que a homenagem ao presidente Lula e sua trajetória de vida é justíssima, talvez só bolsonaristas e assemelhados, que odeiam Lula e o PT por serem o que são, discordem. Mas, em ano eleitoral, certamente o MVDM vetaria.

Que não há crime na homenagem, a maioria dos juristas concorda. Mas maioria não significa totalidade, e alguns, incentivados por uma intensa campanha das mídias, pode encontrar uma "pedalada carnavalesca", que será julgada pelos futuros presidente e vice do TSE, que assumem os cargos em setembro: ministros Nunes Marques e André Mendonça, ambos bolsonaristas, comandantes do TSE durante as eleições.

Definitivamente um caso para o Ministério do Vai Dar Merda de Chico Buarque, infelizmente ainda não criado por Lula.

 



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O que Sivuca escondeu de Chico Buarque sobre a valsinha João e Maria

Um dos maiores sucessos da carreira de Chico Buarque, sua parceria com Sivuca em João e Maria traz além de uma nostalgia da infância uma história curiosa na sua composição.

Sivuca compôs a melodia do que viria a ser João e Maria em 1947 no Recife e só entregou a música para Chico botar uma letra 30 anos depois no Rio de Janeiro.

"Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês..."

Começou assim a ganhar forma aquela que é uma das mais belas valsinhas brasileiras de todos os tempos.

Mas quando Sivuca entregou a fita cassete a Chico para que ele botasse uma letra guardou um segredo que Chico só veio descobrir muito tempo depois, num show em Recife.

O jornalista Rogério Marques narra em seu perfil no Facebook:

"Chico só não esperava ser abordado um dia, após um show no Recife, por uma mulher que reproduziu para ele, em um gravador, a primeira versão da música. O compositor ficou surpreso e constrangido. Mais tarde, declarou em entrevistas que jamais teria feito a letra da música se soubesse que já existia uma."

Quando entregou a fita cassete a Chico, Sivuca escondeu que havia enviado a melodia para um letrista famoso no Recife em 1947, Rui de Moraes e Silva. Foi assim que nasceu "Amanhecendo', com a mesma melodia que Chico "letraria" 30 anos depois, gravada por Nadja Maria.

"Importante dizer que o compositor Rui de Moraes e Silva e a cantora Nadja Maria, hoje um tanto esquecidos, são personagens de peso da nossa cultura. Rui teve músicas gravadas por artistas como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Carlos Galhardo, Ivon Curi, Genival Lacerda e outros, além da própria Nadja Maria" — destacou Marques.

Agora o "João e Maria", de Sivuca e Chico Buarque, com Chico e Nara Leão.


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Emocionante depoimento de Chico Buarque sobre assassinato, tortura e impunidade no tempo da ditadura, que Bolsonaro quer de volta


Numa entrevista na TV 247, mediada pela jornalista Regina Zappa, nosso grande cantor, compositor e escritor Chico Buarque dá um depoimento emocionante sobre o assassinato pela ditadura do militante Stuart Angel e também sobre a luta da estilista Zsu Zsu Angel, mãe de Stuart e da atriz e jornalista Hildegard Angel.
 
Zsu Zsu denunciou ao Brasil e ao mundo o desaparecimento do filho e lutou para ter direito ao corpo de Stuart, que nunca lhe foi entregue. Zsu Zsu acabou assassinada também pela ditadura, num acidente de carro montado.
 
No programa, Chico e Hildegard Angel falam da luta de Zsu Zsu, da amizade dela com o compositor e do terror da ditadura militar, que Bolsonaro quer trazer de volta.
 
Emocionante e imperdível.







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Domingo com Música: Cálice, Chico e Gil, no show Lula Livre


Na época de sua composição, 1973, a música de Gilberto Gil e Chico Buarque foi proibida pela censura. Chico só veio a gravá-la cinco anos depois, com Milton Nascimento.

Em Nota sobre Cálice, Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello falam sobre a composição:
Na verdade, "Cálice" destinava-se a um grande evento promovido pela PolyGram, que reuniria em duplas os maiores nomes de seu elenco, e no qual deveria ser cantada por Gilberto Gil e Chico Buarque. No livro Todas as letras, Gil narra em detalhes a história da canção, a começar pelo encontro inicial dos dois no apartamento em que Chico morava, na Lagoa Rodrigo de Freitas, ocasião em que lhe mostrou os versos que fizera na véspera, uma sexta-feira da Paixão. Tratava-se do refrão ("Pai, afasta de mim este cálice / de vinho tinto de sangue"), uma óbvia alusão à agonia de Jesus no Calvário, cuja ambigüidade (cálice / cale-se) foi imediatamente percebida por Chico. Gil levara-lhe ainda a primeira estrofe ("Como beber dessa bebida amarga / tragar a dor, engolir a labuta / mesmo calada a boca, resta o peito / silêncio na cidade não se escuta / de que vale ser filho da santa / melhor seria ser filho da outra..."), lembrando a "bebida amarga", uma bebida italiana chamada Fernet, que o dono da casa muito apreciava e sempre lhe oferecia, enquanto "o silêncio na cidade não se escuta" significava que "no barulho da cidade não é possível escutar o silêncio", ou "não adianta querer o silêncio porque não há silêncio", ou seja, metaforicamente: "não há censura, a censura é uma quimera", pois "mesmo calada a boca, resta o peito, resta a cuca". Deste e mais outro encontro, dias depois, saíram a melodia e as demais estrofes, quatro no total, sendo a primeira e a terceira ("De muito gorda a porca já não anda...") de Gil, a segunda ("Como é difícil acordar calado...") e a quarta ("Talvez o mundo não seja pequeno...") de Chico. No dia do show, quando os dois começaram a cantar "Cálice" desligaram o microfone. "Tenho a impressão de que ela tinha sido apresentada à censura, tendo-nos sido recomendado que não a cantássemos, mas nós fizemos uma desobediência civil e quisemos cantá-la", conclui Gil. Irritadíssimo com o microfone desligado, Chico tentava outro mais próximo, que era cortado em seguida, e assim, numa cena tragicômica, foram todos sendo "calados", impedindo-o de cantar "Cálice" até o fim. Liberada cinco anos depois, a canção foi incluída no elepê anual de Chico, com ele declarando que aquele não era o tipo de música que compunha na época (estava trabalhando no repertório de "Ópera do Malandro"), mas teria que ser registrado, pois sua tardia liberação (juntamente com "Apesar de Você" e "Tanto Mar") não pagava o prejuízo da proibição. Na gravação, as estrofes de Gilberto Gil, que estava trocando a PolyGram pela WEA, são interpretadas por Milton Nascimento, fazendo o coro o MPB 4, em dramático arranjo de Magro. 
Aqui, a gravação recente feita por seus compositores, em show em favor de Lula Livre, no Circo Voador, Rio, em julho de 2018, 45 anos após sua composição.

Sob Bolsonaro e um governo ocupado por três mil militares em diversos cargos (nem na ditadura militar houve tanto milico no governo como agora), a música ganha ova vida e novos significados.

Principalmente com a pandemia e o sangue derramado de 100 mil brasileiros.





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Pai de Chico Buarque fala sobre infância e juventude do filho: 'Meu filho não é tímido'

Chico e o pai, Sergio Buarque de Holanda


Em depoimento que peguei no Facebook do Castor Filho, o historiador Sérgio Buarque de Holanda fala sobre a infância e parte da juventude de seu filho Chico. O depoimento é de 1968.

Futebol, política, literatura, comportamento e uma visão de Chico diferente da que as pessoas compartilham até hoje: "Meu filho não é tímido".
A imagem que o público fixou de meu filho não é correta. Para o público, Chico é tímido (antes de tudo, tímido), bonzinho, retraído. Nada disso. Pelo menos em família e com os amigos, é completamente diferente, um rapaz brincalhão, extrovertido, bem para fora. Quando ele aparece em público, torna-se diferente. Talvez seja o medo de parecer ridículo. Mas podem crer, ele não é tímido, nem bonzinho. É, sem dúvida, uma boa pessoa. Mas não bonzinho, no sentido em que esta palavra é interpretada. Quando criança, jamais foi um rebelde. Posso assegurar que se tratava de uma criança normal.
Procurava sempre ser independente. E essa independência ele afirmava, procurando fazer tudo o que faziam os irmãos mais velhos. Nem um "amor de criança", nem um "enfant terrible". Normal. Não era nem ligado ao pai nem à mãe. Dava-se bem com todos. Com as irmãs, tias e avós. Quando viajamos para a Itália (nesse tempo tinha 8 anos), deixou para avó um bilhete: "Avó, vou para Itália. Quando eu voltar, provavelmente a senhora estará morta. Mas não se preocupe. Eu vou me tornar um cantor de rádio. É só a senhora ligar o rádio do céu que vai me escutar".

Desde menino, sempre se interessou por música e futebol. Jogo, não perdia uma irradiação. Seus ídolos eram Telê, do Fluminense, e Pagão, do Santos. Na Itália, torcia pelo Genoa. Da música popular, seus ídolos eram Ismael Silva, Caymmi e Ataulfo Alves. Mas tarde, João Gilberto, de quem procurava imitar o estilo. Não acredito que Noel exerça influência sobre Chico. A maior semelhança entre os dois é a temática: urbana. Caymmi, Ataulfo e Ismael marcaram mais que Noel. Chico também não é um compositor de classe média, como afirmam por aí. Não há dúvida, Noel e Chico também se assemelham um pouco, porque ambos enfocam temas urbanos. Nada mais. Aliás, há no Brasil uma mania de Noel! Qualquer compositor que surge é imediatamente comparado com o grande criador carioca. Creio que há um pouco de exagero em tudo isso.
Quando surgiu a bossa-nova, Chico se encontrou com ela. Apreciava muito João Gilberto e ouvia-o seguidas vezes. Vinícius, muito amigo da família, aparecia sempre em festas e Chico ficava a ouvi-lo, com grande admiração.
Desde cedo, Chico já tinha namorada. Sempre foi muito vivo e alegre. Jogava futebol nas ruas, como todos os garotos de sua idade. Quanto aos estudos, dedicava-se a eles principalmente às vésperas de exame. Estudava duas ou três horas seguidas, depois cansava e ia se divertir. Em 1962, quando terminou o curso científico, foi orador da turma, provocando muitas risadas com seu discurso cheio de humor.

O sucesso não o mudou essencialmente, chateia-o um pouco, apenas. Hoje, não pode sair às ruas sem que lhe venham pedir autógrafos. Para ir à praia, há dificuldades, só em São Conrado. Bem longe. Continua fiel aos amigos, embora não tenha muito tempo para se dedicar a eles. Assim que chega a são Paulo, telefona para todos, organiza noitada com eles. Chico sempre viveu em bando, com muitos amigos, uma verdadeira turma. Sua formação é, sem dúvida, paulista. Nasceu no Rio, mas quando completou 2 anos, mudamos para São Paulo. Aqui, passou toda sua infância. Preferiu fazer o científico porque achava que o curso clássico era coisa de mulher. Dado momento, escolheu um ramo bem aproximado do artístico: arquitetura. Ficava em casa criando cidades imaginárias. Todas tinham uma fonte no meio da praça: lembrança das fontes de Roma, onde moramos algum tempo. Chico, em vez de começar a falar, cantou. Desde que tentou se expressar foi através da música. Mas tarde, ficava com as irmãs aí pela sala, inventando música. Dizia que já que não conhecia de cor música de outros compositores, era obrigado a inventar as próprias. O sucesso veio de repente, sem que ninguém esperasse. Recebi a notícia de que Chico tinha ganho o Festival de Música Popular Brasileira com "A Banda", quando estava em Nova York. Um jornal norte-americano publicou a notícia. Claro que me senti muito orgulhoso. Cheguei à conclusão - o que uma revista publicou na época - de que, antes, ele era meu filho. E depois do festival eu passei a ser o pai dele. Não há posição melhor. Têm surgido boatos por aí, de que eu componho as músicas para ele. Mas, meu Deus, quem sou eu para ter tanto talento? Se eu soubesse escrever músicas como ele, há muito tempo não seria eu mesmo, mas Chico Buarque de Holanda. São boatos sem fundamentos, como muitos que vão por aí. Como essas notícias que circulam, afirmando coisas que jamais afirmamos. Um jornal carioca publicou que, após ver a peça "Roda Viva", eu tinha dito: "eu sabia que havia tudo isso aí dentro do meu filho". A frase talvez pudesse ter sido dita por mim, mas que não disse, não disse. Das suas músicas todas, gosto mais de "A Banda", "Pedro Pedreiro", "Roda Viva" e "Carolina". Nunca me esquecerei do dia em ouvi "A Banda" pela primeira vez, em Nova York, na casa de um amigo. Foi uma grande emoção. Não obstante todo o sucesso, o qual não lhe provoca muito prazer, é bem capaz de Chico largar tudo isso e partir para uma outra coisa qualquer, bem diferente. Ele é bem capaz disso. Muito inquieto. Muito inteligente. Sempre gostou muito de ler. Guimarães Rosa é um de seus autores preferidos. Quando fez "Pedro Pedreiro", inventou uma palavra: penseiro.
Talvez inspirado em Guimarães Rosa, que também era dado a inventar palavras.
Tolstoi e Dostoiévski também eram seus favoritos. Assim como Kafka. Em geral, ele ia lendo tudo o que caía em suas mãos. A música é responsável por ele ter abandonado o curso de arquitetura, decisão que tomou sozinho. O sucesso abriu uma impossibilidade de estudar. Excesso de compromissos, solicitações. Creio que, na música, ele se realiza mais, se torna muito mais feliz. É preferível um compositor realizado, que um arquiteto frustrado, como todo mundo sabe. Quando vai compor, geralmente fica isolado, no quarto, sozinho. A música e a letra sempre nascem juntas, uma ligada à outra, indissoluvelmente. Encontrou grande dificuldade em musicar "Morte e Vida Severina", porque a letra não era sua. Desde que aprendeu a tocar violão, com sua irmã Heloisa, hoje casada com João Gilberto e morando em Nova York, nunca mais deixou de compor. Sua adolescência foi normal, sem nenhum conflito especial. Posso considerá-lo um rapaz feliz. Suas primeiras composições falavam de amor. Mais tarde, quando ingressou na faculdade, passou a fazer música de participação, sendo que a primeira foi "Pedro Pedreiro". A família ficou um pouco tonta com o sucesso tão fulminante, tão rápido. Mas já nos acostumamos. Chico é que não se habituou a ele. Ficou muito contente de ter ido a Paris, porque ninguém o conhecia por lá. Talvez o sucesso tenha provocado uma espécie de defesa, tornando-o um pouco retraído. De fato, meu filho não é tímido. É bem diferente a imagem que temos dele. Trata-se de uma pessoa normal, alegre, sem problemas graves de personalidade. Eu sei o que eu estou falando. Sou seu pai há 23 anos.



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Domingo com Música. Jair Rodrigues canta Disparada, de Théo de Barros e Geraldo Vandré

Jair Rodrigues, Nara Leão, Chico Buarque


Jair Rodrigues cantando uma das vencedoras do Festival da Canção de 1966, Disparada, linda música de Théo de Barros com letra de Geraldo Vandré.

A vencedora pelo júri havia sido A Banda, de Chico Buarque. Mas o público ovacionava Disparada, como mais adiante faria o mesmo com Caminhando (Pra não dizer que não falei de Flores), do mesmo Vandré.

Chico Buarque, que achava Disparada melhor do que sua Banda, disse que queria que o prêmio fosse dividido. O que foi feito.

Grande Chico. Que dois anos depois viveria o mesmo drama. Venceu com Sabiá (parceria com Tom Jobim), mas o público queria Caminhando.

Disparada
Prepare o seu coração
Pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora de lugar
Eu vivo pra consertar
Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém, por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu
Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado e muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei
Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente
Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto pra enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar
Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe que eu
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei
Lalaiá laiá laiá
Laiá lala lalalá
Lalaiá laiá lalá
Laiá laiá lalaiá








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Domingo com Música. Chico e Milton, 'O que será, À For da Pele'

Milton Nascimento e Chico Buarque


Para fechar o domingo em grande estilo, Chico Buarque e Milton Nascimento, numa gravação inesquecível (meodeos, e é de 1976, parece ontem, fala de hoje, mas já se passaram inacreditáveis 44 anos —  estou velho...).







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Domingo com Música. Todo Sentimento, com Selma Reis, lançamento da página do Youtube de Wilson Nunes

Wilson Nunes

Wilson Nunes lança página no Youtube



Finalmente, está no ar a página no Youtube do meu amigo e parceiro, o pianista, maestro, arranjador Wilson Nunes.

Por enquanto ainda há pouca coisa por lá, do muito que ele fez e está fazendo. Mas, aos poucos, tudo vai ficando em seu devido lugar.

Até uma parceria nossa, a belíssima Dinah, que espero que ele finalmente grave e publique no canal (olha aí, Wilson, mais uma vez eu pedindo...rsrs).

Vão até lá, curtam, e fiquem com esta amostra que publico aqui (e está lá), de Selma Reis cantando a belíssima Todo Sentimento, de Cristóvão Bastos e Chico Buarque, acompanhada apenas pelo piano de Wilson Nunes, que foi seu maestro e diretor musical por quase toda a carreira.

Clique aqui e inscreva-se na página do Wilson Nunes, como eu fiz.



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Domingo com Música. Milton e Chico, O que será (À Flor da Terra). Em memória de Agatha

Chico e Milton

Milton Nascimento e Chico Buarque em especial da Globo de 1987


Em memória da menina Agatha Félix, assassinada com um tiro nas costas com apenas oito anos, pela política criminosa do genocida e governador do estado do Rio (eleito mediante o mesmo esquema de fraude que elegeu os Bolsonaros) Wilson Witzel.

No início da música, o canto de Milton diz tudo o que não tenho capacidade de dizer.

A música é de Chico Buarque.




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Chico em evento de apoio a Glenn critica Moro: ''Homem que faz a diferença'... Hoje a gente sabe o tipo de diferença que ele andou fazendo nas sombras'


Chico Buarque na ABI

Chico destacou a importância das revelações do Intercept e da liberdade de imprensa


Em evento ontem à noite na Associação Brasileira de Imprensa, com o auditório lotado e uma multidão nas ruas em volta do prédio, várias pessoas se pronunciaram em favor da liberdade de imprensa e contra as agressões e ameaças do governo Bolsonaro. Entre elas, Chico Buarque:






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Dia dos namorados todo dia é

Esqueletos se abraçando

Os dois esqueletos aí da foto morreram assim, abraçadinhos, há cinco ou seis mil anos. Eles foram encontrados por um grupo de arqueólogos romanos que faziam escavações nos arredores de Mantova, no norte da Itália.

Pouco se sabe sobre eles, mas, segundo a arqueóloga Elena Menoti, eram jovens, pois os dentes ainda estavam intactos.

- Nunca encontramos na Itália um sepultamento duplo da Idade da Pedra, muito menos de duas pessoas se abraçando.

Sei que hoje é Dia dos Namorados para os americanos. O nosso é no dia 12 de junho (não me esqueço do dia, pois nasci nele). Mas, para os românticos, todo dia pode ser Dia dos Namorados. Como esses dois, abraçados, indiferentes ao calendário e à passagem das horas.

Para manter o clima romântico, divido com você esta Ode de Ricardo Reis, um dos heterônimos de Fernando Pessoa, e personagem de um dos mais deliciosos livros de Saramago, “O Ano da morte de Ricardo Reis”.

Vem sentar-te comigo, Lidia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassossegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.

Achou pouco? Então curta Chico Buarque cantando "Futuros amantes", ao vivo, no Canecão. Legendei, para quem não conhece a letra.



Feliz Dia dos Namorados para os que namoram e comemoram.

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13 de março, Dia do Samba: Chico Buarque, Pixinguinha, Hebe e Donga



Hoje, 13 de março, é Dia do Samba. A comemoração homenageia a primeira gravação em disco de "Pelo Telefone", de Donga e Mauro de Almeida, feita há redondos 90 anos.

No vídeo, Chico Buarque, Pixinguinha, Hebe Camargo e Donga, que dança "feliz como pinto no lixo" - para usar a frase de outro gigante do samba, o mangueirense Jamelão.

Embora a data seja oficial, há uma historinha deliciosa que reproduz um diálogo de Donga com outro genial sambista, Ismael Silva, que contestava a primazia de "Pelo Telefone". Ismael teria perguntado a Donga qual o primeiro samba. Este respondeu que era o seu "Pelo Telefone".

- Mas isso é maxixe! - disse Ismael. Samba é isso. E cantou o seu:

"Se você jurar
Que me tem amor
Eu posso me regenerar
Mas se é
Para fingir, mulher
A orgia, assim não vou deixar"
Aí foi a vez de Donga retrucar:

- Isso é marcha!