quarta-feira, 15 de julho de 2020

'Estamos morrendo', diz cacique Xavante sobre efeitos da pandemia entre os indígenas



Numa entrevista por telefone à repórter Patricia Moribe, da RFI, Rádio França Internacional, o cacique Marcão Xavante [imagem acima] fala da difícil situação de seu povo diante da pandemia:
“Não tem alegria não, é muito triste”.
O líder xavante explica que cada microárea tem um pequeno posto com um técnico e uma enfermeira, mas que todos estão com medo. Já são cinco óbitos, quatro pessoas internadas e 48 em isolamento. “Os indígenas estão se tratando nas aldeias com remédio caseiro, natural do mato, não temos máscaras, nem álcool gel”, diz.
O cacique falou à repórter desde Campinápolis, a 602km de Cuiabá (MT). O hospital da cidade atende à população de dez mil xavantes de 146 aldeias da região - a mais distante fica a 214km.

Segundo o o epidemiologista Paulo Cesar Basta, "há mais óbitos entre as populações indígenas – 491 mortes, do que em alguns países da América Latina".

A situação poderia melhorar com o projeto de lei 1142.
Ele propõe ações emergenciais: de subsistência, com fornecimento de agua potável cestas básicas, atendimento médico, testes, tratamento, remoção de doentes, hospitais de campanha nos próprios territórios, entre outros itens.
Já as propostas estruturantes de médio e longo prazo tratam da melhoria da comunicação entre as aldeias, para que profissionais da saúde possam se comunicar melhor com a população, além de melhorias sanitárias, como abastecimento de água, coleta de lixo e saneamento básico.

 “Lamentavelmente o presidente vetou vários pontos desse projeto no final da semana passada. Estamos na expectativa de que o Supremo tribunal Federal exija que o governo cumpra as medidas previstas nesse plano emergencial”, diz o epidemiologista Paulo Cesar Basta.
Não se poderia esperar nada diferente de Jair Bolsonaro. Seu projeto, confesso, é de extermínio ou aculturação de nossos índios, como confessou há mais de 20 anos:
“Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios”. Correio Braziliense, 12 Abril 1998.
Leia mais na RFI.


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