quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

A grande arte do diabo é fingir que não existe; a de Bolsonaro é fazer-se de idiota


Os que creem em Deus e principalmente no diabo dizem que sua grande arte é fingir que não existe.
 
Já a arte de Bolsonaro é fingir-se de idiota, um abobalhado que não entende nada. Quando não o é.
 
Ele é ignorante, perverso, sem escrúpulos, cruel, de personalidade psicótica, sem empatia alguma com os seres humanos, a ponto de sair do enterro da mãe e ir fazer sua fezinha na loteria, como se fosse um dia comum ("e daí, todo mundo morre, chega de mimimi"), mas burro ele não é. Pelo contrário.
 
Pode-se acusar Bolsonaro de boçal, homofóbico, machista, racista, preconceituoso. Tudo isso ele é. Mas, de burro, não.

Bolsonaro sabe que chegou à presidência sem ter a menor condição de fazer frente às responsabilidades do cargo. Não tem preparo nem vontade de trabalhar.

Conseguiu se eleger graças ao golpe judicial que impediu Lula de concorrer, à facada que o livrou dos debates e aos milhões de fake news disparados ilegalmente via WhatsApp.

Mas, isso o levou ao poder. Como se manteria lá, se o general seu vice já estava todo oferecido ainda durante as eleições?

Foi aí que ele deu o autogolpe.

Para barrar Mourão e qualquer tentativa de golpe que viesse a retirá-lo do poder, Bolsonaro montou uma superestrutura militar, com generais comandando grande parte dos ministérios e outros militares em postos-chave de todos os demais. Inclusive nas empresas e bancos públicos.

Há um general até auxiliando (tutelando) o presidente do STF, Dias Toffoli.

Teve até cargo para o ex-comandante do Exército, Villas Boas.

Moro e Guedes são apenas a fachada. E Bolsonaro, com Damares e outros malucos que ele juntou no governo, os encarregados de entreter a plateia.

Mas, não tenham dúvida. 55 anos após o golpe, os militares estão de novo no comando do Brasil, talquei?
A partir daí, enquanto disparava fake news, golden shower, declarações absurdas, quando não aviltantes e criminosas, Bolsonaro ia montando seu esquema, colocando em pontos-chave pessoas de sua confiança, ou interessadas em manter sua confiança.
 
Por isso estamos nessa situação em que ele continua presidente mesmo cometendo crimes de todos os tipos no poder, com mais de 130 pedidos de impeachment, além de acusações criminais de rachadinha, divulgação de material sigiloso, declarações e crimes contra a saúde -- denunciados com fartas provas pela CPI da Pandemia.
 
O jornalista Ruy Castro escreveu sobre isso na Folha hoje:
Jair Bolsonaro acaba de nomear mais um aliado para um cargo-chave na administração. Desta vez, trata-se de um indivíduo com autoridade para bloquear, ignorar ou mesmo apagar as investigações contra um de seus filhos pela extorsão de funcionários chamada "rachadinha". Qual é a novidade? Todo dia, Bolsonaro infiltra em cargos-chave elementos de sua confiança. É sua prerrogativa, mas nunca um presidente amarrou tão bem o sistema visando a proteger-se, assegurar impunidade ou eternizar-se no cargo.

Bolsonaro já se garantiu na rede de procuradorias, corregedorias, controladorias, delegacias, órgãos públicos de busca e informação e até no STF, no qual implantou dois pinos. Tem pelo menos um cúmplice em cada tribunal. Foi fazendo isso aos poucos, em silêncio, enquanto nos distraía com a chusma de militares, nem tão decisivos, que transplantou para o governo. O resultado desse enraizamento está na tranquilidade com que afronta diariamente a lei e sai assobiando, como se se soubesse fora do alcance dela.

A literatura e o cinema criaram dois personagens igualmente sinistros: o professor Moriarty, arqui-inimigo de Sherlock Holmes, e o Dr. Mabuse, imortalizado em três filmes de Fritz Lang. O primeiro controlava Londres; o segundo, a partir de Berlim, fitava o mundo. O alcance de ambos compreendia desde uma carteira furtada no metrô até a manipulação de leis, passando pelo hipnotismo de gente influente, espionagem eletrônica e controle de organismos essenciais.

Quando, ao fim de uma história, achava-se que Moriarty e Mabuse estavam mortos ou derrotados, crimes como os deles continuavam acontecendo. Eram de seus auxiliares deixados impunes ou de estudiosos de seus métodos e que conseguiam replicá-los. O terror não tinha fim.

Bolsonaro, um dia, descerá da cadeira e responderá por seus crimes. Resta ver até que ponto os homens que impregnou no sistema impedirão que pague por eles.

Portanto, xinguem Bolsonaro à vontade, porque, afinal, ele merece. Mas não o chamem de burro.





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